Apesar de ter um ou outro título promissor, ao que tudo indica, esta temporada de verão que está abrindo o segundo semestre de 2023 ficará abaixo da média em relação aos anos anteriores. Ainda assim, conseguimos reunir cinco adaptações que possivelmente nos manterão alimentadas até o mês de outubro. Nesta postagem vocês poderão conferir nossas primeiras impressões de Dark Gathering, Higeki no Genkyou to Naru Saikyou Gedou Last Boss Joou wa Tami no Tame ni Tsukushimasu., Okashi na Tensei, Undead Girl Murder Farce e Watashi no Shiawase na Kekkon.

Dark Gathering [Ana]
Antes tarde do que nunca, não é mesmo? Três episódios já foram ao ar e eu confesso que não queria deixar minha opinião ser influenciada pelos que vieram depois do primeiro, mas eu simplesmente não sabia colocar em palavras o que eu senti ao ver aquele primeiro episódio isoladamente e agora sinto que foi até melhor eu ter consumido um pouco mais, pois parece que as coisas só começam a fazer sentido mesmo no terceiro episódio, o que deixa a experiência de assistir um pouco mais palatável.
Para quem leu a nossa postagem de apostas da temporada, sabe que víamos um grande potencial aqui – eu principalmente por ser uma fã do gênero e consumir consideravelmente coisas de terror em outras mídias como filmes e podcasts. Apesar disso, consumi poucos animes do gênero e a maioria lá nos meus primórdios, quando ainda me aventurava mais por indicações de colegas do que qualquer coisa. No entanto, a primeira impressão que eu tive assistindo Dark Gathering foi de ser teletransportada no tempo, pois alguma coisa me fez sentir como se estivesse assistindo uma dessas coisas de qualidade duvidosa adaptadas há cerca de 15 anos. Não sei se é o character design que lembra algo mais antigo ou simplesmente o leve desconforto ao assistir o primeiro episódio, mas que não chega a ser algo assustador/aterrorizante. Talvez um incômodo pela tentativa falha de tornar esse anime algo aterrorizante? Dito isso, é óbvio que a minha primeira impressão mesmo não foi muito positiva, mas ainda assim quis dar uma chance.
Basicamente temos aqui Keitaro, o protagonista, que é um estudante e tem sensibilidade com o mundo espiritual ao mesmo tempo em que isso o aterroriza – seu desejo é de manter distância de tudo que envolve espíritos. Isso faz com que o garoto nem ao menos tenha grande contato social a não ser com sua amiga de infância Eiko. No entanto, para seu desprazer, em seu trabalho de meio-período ele passa a ser tutor particular da prima de Eiko, Yayoi, uma garotinha bastante peculiar. Seus olhos têm pupilas duplas formando uma aparência de caveira e posteriormente descobrimos que essa característica faz com que ela enxergue tanto o mundo humano como o mundo espiritual, mas ao contrário de Keitaro, a garota parece ter um apreço pelo mundo espiritual. Seu quarto parece ser todo composto de bonecos possuídos, mas só mais pra frente a gente entende que existe um motivo e não é só uma bizarrice da garota. Yayoi deseja encontrar o espírito que levou a sua mãe e para isso sempre vai atrás de espíritos, até para aumentar o seu “exército”, os tais bonecos possuídos que lhe ajudarão caso finalmente encontre o espírito desejado.
Como eu comentei, isso só fica claro, tanto para o Keitaro quanto para nós, no terceiro episódio. Antes disso não dava para entender por que ela queria a proximidade do Keitaro e por que ela sempre vai ao encontro dos espíritos, mesmo quando a situação não parece nada favorável. Mas agora já é claro que ela quer a ajuda do Keitaro e não lhe causar medo ou desconforto, e a partir daqui, sabendo os reais interesses da garota, a história parece ficar um pouco mais interessante.
Ainda não dá pra entender muito bem qual é a da Eiko, já que ela parece querer ajudar o Keitaro, mas em um momento também soltou um “na verdade você gosta de sentir medo, né?”. Eu não senti isso vindo ele, e sim que ele realmente fica desconfortável com toda a situação.
Confesso que esperava um pouco mais da animação depois da adaptação de Summertime Rendering pelo mesmo estúdio, mas também não é algo gritantemente ruim, apenas mediano. Do grandioso total de três animes que estou vendo, tirando continuações, é a estreia mais fraquinha, mas torço muito para que dê uma melhorada daqui pra frente. No fim, Dark Gathering é o reflexo dessa temporada xoxa e capenga…
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Higeki no Genkyou to Naru Saikyou Gedou Last Boss Joou wa Tami no Tame ni Tsukushimasu. [Lucy]
O tema “reencarnação como vilã de otome game” realmente está em alta. Esse está longe de ser o primeiro anime desse tipo esse ano, nem é o primeiro que eu vejo. Não é nem o primeiro que eu cubro aqui no blog. Logo, o que é que esse anime de título longo e indigitável pode trazer de novo pro (sub-)gênero?
Com certeza, não é um visual revolucionário: a animação é beeeeem mediana, de maneira que considero “funcional e olhe lá”. Considero que será um anime consistentemente “qualquer coisa”, visto o histórico do estúdio OLM: antigo e bem estabelecido, mas especializado em produções mais simples. Logo, não é aqui que teremos grandes glórias. Não acho que seja o caso da história também, sendo sincera, mas há potencial a explorar…
A princípio, acho curioso como não há uma meta definida em vista: a protagonista não precisa se salvar de uma morte certa, nem há alguma ameaça externa nesse mundo fantástico. Todos os problemas existentes no universo eram frutos das ações da própria vilã, que parecia ser má de verdade, gratuitamente. Pelas ações narradas ao longo do episódio, a personagem original era uma doida sádica que só queria ver o caos e a destruição. Agora que uma boa pessoa tomou o lugar dela, o que mais há para fazer além de… não cometer crimes?
A possível resposta se encontra no fato de termos ainda muitos elementos do mundo a serem explorados: a rainha misteriosa, a filha que ela manteve em segredo, o monte de homens que aparecem na abertura. Precisamos também considerar que se essa vilã princesa podia fazer todas as crueldades que bem quisesse, é porque o reino em si também não deve ser lá essas coisas. Acredito que é um bom anime para aplicar a regra dos três episódios, porque até o momento LasTame parece querer ser uma versão mais “dark” dos seus semelhantes. Falta só o roteiro encontrar um propósito.
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Okashi na Tensei [Lucy]
Você gosta de Ascendance of a Bookworm?
Você queria que a protagonista fosse obcecada com doces em vez de livros?
Porque eu quero muito que esse anime seja exatamente isso. Foi o que me pareceu a princípio, pelo menos. O sonho do jovem Pastry (sim, os nomes dos personagens são todos sutis assim) é poder fazer doces à vontade nesse mundo medieval no qual se encontra. Por mais que seja herdeiro de um pequeno feudo recém-estabelecido, ele não tem muitos recursos além de trigo e grãos. O objetivo da história é bem claro: o menino precisa de açúcar na vida.
Nossa, ele é igualzinho a mim.
Piadas à parte, o que se destacou para mim nesse primeiro episódio foi a construção do cenário: esse tal feudo da família do Pastry ainda está em desenvolvimento, vulnerável a ataques inimigos. Isso é levantado logo nos primeiros minutos do episódio, e enquanto o garoto está preocupado com os doces dele, todo mundo ao redor está visando o futuro do território sob a direção dele. Acredito que isso será a principal causa de conflito no enredo — o sonho contra o dever, a paixão contra o destino. Os desenvolvimentos do episódio apontam que os dias de paz estão contados por essas terras, então vejamos como eles irão lidar com isso. Outra expectativa que tenho é ver o Pastry arrumando maneiras de conseguir cozinhar o que deseja! Uma parte muito divertida do mencionado Ascendance of a Bookworm era ver a protagonista tecendo maneiras de criar livros, então espero ver o mesmo por aqui… por mais que eu provavelmente vá acabar passando fome durante o processo.
Um positivo desde já é que qualquer anime sobre comida que se preze precisa ter uma aparência que faça seu estômago roncar, e Okashi na Tensei cumpre esse requisito. Claro que não são só as fantasias do protagonista que têm um bom visual — o episódio está bem polido, com detalhes que beiram ao desnecessário (como a luz refletida entre a folhagem enquanto personagens conversam debaixo de uma árvore). Pode ser que seja só capricho da estreia, mas considerando que os dois primeiros episódios já foram lançados juntos, creio que seja indício de uma produção bem planejada. São muitas expectativas em cima do pouco que já foi mostrado, então a esperança é que eu consiga satisfazer pelo menos algumas delas…
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Undead Girl Murder Farce [Mari]
Undead Girl Muder Farce é um anime histórico que se passa em um século XIX diferente daquele que conhecemos. Neste universo, o sobrenatural não é apenas um elemento de contos fantásticos, e criaturas como demônios e vampiros existem de verdade. O primeiro episódio nos apresenta a Shinuchi Tsugaru, um humano que passou por experimentos forçados para adquirir os poderes de um demônio, tornando-se assim um híbrido das duas espécies. Tsugaru trabalha em um circo onde ele não é considerado mais do que um animal, lutando contra outras criaturas em um espetáculo para indivíduos que são o pior que a humanidade têm a oferecer. Tsugaru não pensa em fugir, pois lhe resta pouco tempo de vida e ele prefere usá-lo para eventualmente se vingar daqueles que são responsáveis por promover e financiar o circo. No entanto, ele resolve mudar os seus planos depois de conhecer Rindou Aya.
Aya é uma criatura imortal que foi vítima de uma tentativa de assassinato por parte do mesmo homem que roubou a humanidade de Tsugaru. Decapitada, Aya permaneceu viva, mas sem chances de recuperar o seu corpo. Junto de sua empregada, ela vai até Tsugaru para que ele termine o trabalho e lhe mate de uma vez, pois ela não vê motivos para continuar vivendo apenas como uma cabeça. Em troca, Aya promete estender o tempo de vida de Tsugaru. Ele, porém, recusa a proposta inicial de Aya. Apesar de ter interesse em aumentar o seu tempo de vida, Tsugaru deseja ir atrás do homem que vitimou ambos, e convence Aya a fazer isso. Assim, a história deve seguir as aventuras e desventuras de Tsugaru, Aya e Shizuku na busca do corpo perdido e do culpado por arruinar a vida deles.
Para quem gosta de uma boa história de mistério com elementos sobrenaturais, eu diria que Undead Girl Murder Farce é um prato cheio. Ao autor definitivamente não falta criatividade, por isso acredito que se a qualidade do primeiro episódio for mantida, este certamente será um dos melhores animes da temporada. Vale lembrar que Omata Shinichi, diretor de Kaguya-sama wa Kokurasetai: Tensai-tachi no Renai Zunousen e Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu, encabeça a equipe responsável pela adaptação, o que me enche de esperança. O estúdio Lapin Track é mais conhecido por oferecer apoio a outros estúdios do que por desenvolver produções próprias, mas se mostrou bastante competente até aqui. Aguardarei ansiosamente pelos próximos episódios. Espero não me decepcionar!
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Watashi no Shiawase na Kekkon [Mari]
Ah, os refrescos! Parece que o momento dos fãs de joseimuke finalmente chegou. Depois de vários anos sofrendo com adaptações terríveis, finalmente estamos tendo uma sequência de animes shoujo e josei de qualidade. O primeiro semestre trouxe Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryo Joshi para as telinhas, seguido de Yamada-kun to Lv999 no Koi wo Suru na temporada passada, e agora teremos o prazer de acompanhar Watashi no Shiawase na Kekkon, que teve a estreia mais visualmente deslumbrante deste verão japonês.
Indicado ao 46º Annual Kodansha Manga Award na categoria de Melhor Mangá Shoujo em 2022, Watashi no Shiawase na Kekkon conta a história de Saimori Miyo, uma garota que perdeu a mãe quando era muito nova e viu seu pai se casar e ter uma filha com outra mulher. Nesta nova família, por motivos que ainda não foram descritos, Miyo é tratada como uma empregada, especialmente pela sua madrasta e sua meia-irmã. Vista como um fracasso, Miyo nunca sai de casa e os poucos momentos de alegria que ela tem são ao lado de Kouji, seu amigo de infância e por quem também ela nutre sentimentos românticos. Apesar de saber que não deve criar esperanças, Miyo sonha em um dia se casar com Kouji e ir embora daquela residência onde só lhe fazem mal. No entanto, seus sonhos são destruídos quando Kouji anuncia que será forçado a se casar com Kaya, a terrível meia-irmã de Miyo, e ela tem o seu casamento arranjado com Kudou Kiyoka, um homem cujos rumores pintam como cruel, tendo espantado todas as suas potenciais esposas. Sem outra saída, Miyo faz as suas malas e parte ao encontro de seu futuro marido.
Embora a premissa de Watashi no Shiawase na Kekkon não tenha nada de muito inovador, há um motivo para o mangá ter obtido tanto sucesso entre o público japonês e o internacional também. Eu acredito que isso se deve à capacidade do(a) autor(a) de escrever personagens realistas, seja para o bem ou para o mal, e a coragem de explorar relações familiares, que nem sempre é onde encontramos o acolhimento que deveríamos. Ainda sabemos muito pouco sobre o temido esposo de Miyo, mas eu realmente espero que WataKon faça jus ao seu título, e proporcione à Miyo a felicidade que ela merece.
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