Primeiras impressões: temporada de outono (2024)

A última temporada de animes de 2024 está no ar. Este ano tivemos algumas ótimas adaptações, embora nada que tomasse a indústria feito um furacão como Kimetsu no Yaiba e Jujutsu Kaisen o fizeram em anos recentes. O mês de outubro deve se destacar pela quantidade de continuações esperadas que estão para estrear ou que já estrearam, mas também há vários títulos novos que estão prometendo entregar algo interessante.

Nesta postagem vocês poderão conferir as nossas primeiras impressões de Ao no Hako, Chi. -Chikyuu no Undou ni Tsuite-, Dandadan, Goukon ni Ittara Onna ga Inakatta Hanashi, Kekkon suru tte, Hontou desu ka, NegaPosi Angler, Raise wa Tanin ga Ii e Tsuma, Shougakusei ni Naru.

Ao no Hako [Mari]

Dentre todas as estreias desta temporada de outono a de Ao no Hako era a que eu estava mais ansiosa para ver. Sendo assim, é com prazer que informo que a adaptação está fazendo jus ao hype — pelo menos até o momento.

Ao no Hako conta a história de Inomata Taiki, um rapaz que pratica badminton e é apaixonado por Kano Chinatsu, a estrela do time de basquete feminino. Os dois frequentemente se encontram pelas manhãs, pois ambos chegam cedo à escola para treinar seus respectivos esportes. Embora Chinatsu esteja num patamar acima comparada ao Taiki, eles servem de inspiração um ao outro e lentamente começam a formar um laço, que se fortalece depois de uma reviravolta que acontece ao final do primeiro episódio. Os amigos de Taiki, Chouno Hina e Kasahara Kyou, são os únicos que sabem sobre os sentimentos que ele nutre por Chinatsu e torcem por ele. Tudo indica que esses dois personagens, que também são atletas, serão importantes para o desenrolar do enredo, ainda que não esteja muito claro como isso ocorrerá.

Como a rata de anime de esporte que sou, eu sabia que Ao no Hako seria exatamente a minha praia, mas mesmo assim eu consegui ser surpreendida pelo carinho com o qual o estúdio Telecom Animation Film está tratando a adaptação. Absolutamente tudo é muito bonito — do character design à iluminação dos cenários e à animação fluida das cenas de badminton, basquete e ginástica rítmica. O diretor Yano Yuuichirou, conhecido principalmente pelo seu trabalho em Lupin III (2015-2018), tem encaixado sequências dinâmicas e conseguido equilibrar bem os momentos de “ação” e de slice of life. Também ajuda o fato de ele poder contar com Kakihara Yuuko na composição de série, que na minha opinião é uma das melhores roteiristas da indústria.

A única coisa que me preocupa é a confirmação de que Ao no Hako terá 25 episódios sem pausa entre os cours. Torço para que a equipe já esteja bastante adiantada no serviço para que possam manter a qualidade apresentada até o fim, pois não são poucos os exemplos de animes que caíram aos pedaços no decorrer de suas transmissões e eu não gostaria que isso acontecesse com Ao no Hako, que tem potencial para se tornar o meu anime de esporte/romance favorito.

⭐⭐⭐⭐⭐

Chi. -Chikyuu no Undou ni Tsuite- [Ana]

Posso estar um pouco precipitada, pois foram apenas três episódios assistidos até aqui, mas já consigo ver por que o mangá de Chi. -Chikyuu no Undou ni Tsuite- ganhou tantos prêmios nesses últimos anos. Como cientista eu também sinto que sou suspeita para falar, então vamos tentar segurar a emoção um tantinho.

A história aqui se passa na Polônia (“P”) no século XV, época em que a teoria geocêntrica não só era aceita como verdadeira, mas havia grande influência da Igreja em considerar hereges aqueles que iam contra, e nós bem sabemos no que resultava ir contra a Igreja no século XV: tortura e morte na fogueira. Nesse meio temos Rafal, uma criança prodígio que até então iria estudar Teologia, seguia o que se esperava dele, até o fatídico encontro que mudaria o rumo de sua vida, literalmente. Hubert, anteriormente preso e torturado por ter sido julgado como herege, lhe apresenta a teoria do heliocentrismo, e por mais que tentasse negar, Rafal usa suas sinapses brilhantes e seu interesse por astronomia e não só se depara com a verdade, mas decide que iria contra a Igreja para defender o que a acredita, e bem… Já sabemos como essa atitude seria algo bem arriscado. Temos aqui muito bem explorado o conflito moral entre seguir o caminho mais seguro e ir contra suas convicções ou seguir o que acredita e aceitar as terríveis consequências.

Chi. -Chikyuu no Undou ni Tsuite- conseguiu prender tanto minha atenção que eu queria logo que já tivessem outros episódios disponíveis. Ainda que com personagens fictícios, sabemos que a obra se baseia em situações que de fato aconteceram, e ainda assim ela consegue trazer importantes reviravoltas. Sem contar que até então a MADHOUSE está animando tudo muito bem, se continuar assim teremos aqui uns dos melhores da temporada com certeza.

⭐⭐⭐⭐⭐

Dandadan [Ana]

Eu sabia que Dandadan era um dos animes mais aguardados da temporada, mas cheguei aqui sem saber absolutamente nada sobre. Eu não sei o que estava esperando, da mesma forma que ainda não sei o que diabos eu assisti. Tem alien quase abusando sexualmente da menina, tem o espírito de uma velha que rouba o pau do menino (insira aqui o vídeo do “roubaram meu pau!”), todo alien é obcecado por banana, e não estou falando da fruta. WTF? Ainda assim é muito divertido e me faz querer ver mais? Sim. Então acho que a bizarrice cumpriu sua função.

Basicamente Momo Ayase é uma adolescente que após ter sido rejeitada, acaba salvando Ken Takakura de sofrer bullying e descobre que ele é um obcecado por alienígenas, mas que não acredita em fantasmas. Já Ayase é completamente o contrário, inclusive tendo uma avó que possui poderes psíquicos, gerando uma discussão e uma aposta entre os dois para determinar quem está certo. Assim, ambos visitam separadamente locais que estariam associados ao extraterrestre e ao sobrenatural e descobrem da maneira mais desastrosa possível — o que eu descrevi no parágrafo anterior — que nenhum dos dois estava errado e que tanto alienígenas quanto fantasmas existem. Agora com Ken amaldiçoado pela velha que roubou seu pau e Ayase tendo descoberto que também possui poderes como os de sua avó, eles se unem para tentar fazer as coisas voltarem ao normal.

Achei a adaptação bem bacana, desde a música de abertura contagiante às cenas de mais ação. Sei que o anime conta com uma boa equipe por trás, assim acredito que as bizarrices ficarão por conta da história mesmo. Vamos ver o que mais de absurdo Dandadan pode nos proporcionar.

⭐⭐⭐⭐

Goukon ni Ittara Onna ga Inakatta Hanashi [Plinio]

Sim! O meme do BL hétero é real! Como isso pode ser possível? Vou explicar esta confusão por partes.

Goukon começa com Tokiwa recebendo uma mensagem de sua colega Suou, convidando-o para um encontro social. Ele então inclui seus amigos, criando a expectativa de um encontro romântico com as amigas de Suou. No entanto, ao chegar no local, observa que três rapazes belíssimos estão aguardando na mesa onde estaria Suou e suas amigas. Após varias confusões, eles acabam por entender que elas estão fazendo crossdressing e que trabalham em um bar temático. A confusão entre as aparências e a realidade mexe com a cabeça de Tokiwa e seus amigos, causando um fenômeno muito divertido: humor a partir da fragilidade dos homens.

Mesmo assistindo ao trailer e sabendo da sinopse instigante, Goukon tem uma estreia exemplar. Dá para perceber que mesmo fazendo parte daqueles “animes de uma única piada”, o ritmo do primeiro episódio é bem controlado, não se exaurindo facilmente. A responsável por tal feito é Hitomi Mieno (OshiBudo, Komi-san wa Komyushou desu, Flying Witch, Vanitas no Karte), e seu trabalho no roteiro é tão reconhecido que também está responsável por outros três animes na temporada de outubro. O diretor Koga Kazuomi (Kanojo, Okarishimasu), por mais que seja conhecido por suas cenas que causam labirintite, entrega muitas cenas interessantes e te coloca no ponto de vista dos personagens. A equipe por trás de Goukon é conhecida, e é de se esperar que seja uma obra palatável.

Como dito, o primeiro episódio é ótimo para rir da masculinidade frágil, já que os rapazes sabem que seus parceiros são mulheres, mas isso não impede que a imaginação fértil, os pensamentos intrusivos e a vergonha surjam para com as pessoas que não conhecem esse fato. Também é um romance intrigante de se acompanhar, pois os personagens são adultos e contribuem muito mais para conversas saudáveis, contornando o tradicional clichê da vergonha de dar as mãos (ao menos é o que eu espero). Não consigo imaginar alguém incomodado com a piada sobre o crossdressing, mas aviso que dependendo de sua sensibilidade, pode acontecer. Minha expectativa para o anime é que as piadas continuem boas e que a imagem de “homões da p0rr#” de Suou e suas amigas seja duradoura.

⭐⭐⭐½

Kekkon suru tte, Hontou desu ka [Lucy]

Como o anime não perde tempo em estabelecer ao que veio, eu também não irei: é uma proposta até bem interessante para uma comédia romântica. Apesar de clichê, é bem amarradinha — se você gosta de tropos de “namoros falsos”, “de estranhos a namorados”, essas histórias onde duas pessoas precisam se aproximar de maneira súbita, acredito que irá se divertir com 365 Days to the Wedding, como o título foi localizado.

Eu me encontro entre esse público, mas sinceramente, a obra não se trata de nada especial até o momento. Na verdade, o que mais salta aos olhos nela é como se encontra numa corda bamba. Se o roteiro souber desenvolver bem seus personagens e situações, poderá ser uma comédia romântica muito gostosinha; entretanto, corre também o risco de se tornar extremamente repetitiva e limitada. Adotando um ângulo mais otimista, o prazo de um ano traz uma urgência interessante, e os protagonistas possuem bastante espaço para evoluírem, visto que seus status iniciais são os de dois jovens travados socialmente. Aparentemente, o relacionamento que estabeleceram entre si é o único que possuem com outras pessoas, logo, como sempre, espero que cresçam para além do eventual romance — o escritório está povoado de tipos cômicos diferentes, e acredito que expandir o elenco principal pode fazer um bem danado à essa longevidade da premissa com a qual me preocupo.

Até porque provavelmente vamos precisar que o roteiro seja competente, visto que a animação também não possui nenhuma característica marcante. O orçamento não deve ser muito robusto, e a direção não procura ser criativa com os recursos que possui. Ainda assim, quero dar um voto de confiança à obra. Afinal, animes sobre adultos são sempre bem-vindos, e se já não ficou bem claro, eu gosto bastante de um romance bem trabalhado. O destino dessa jornada é óbvio, o quê da questão é como esses dois irão se apaixonar, como isso os afetará pessoalmente, e quais saias-justas terão que superar no processo. Se essas respostas forem apresentadas de maneiras criativas o suficiente, com certeza valerá a pena.

⭐⭐⭐

NegaPosi Angler [Lucy]

Estou um pouco fascinada com NegaPosi Angler. Ele lida com ideias que beiram ao torture porn de uma maneira que duvido que muitas outras obras conseguiriam sustentar. Apesar de o protagonista estar passando por horrores pesados, não chegamos nem perto de um clima melodramático; a equipe sabe balancear muito bem tais questões com um humor que igualmente não passa do ponto.

Isso é mérito da direção, que leva um jeito excelente para a comédia, e tais ideias são carregadas pela boa qualidade da animação. É a primeira obra que assisto produzida pelo Studio NUT, e estou impressionada pelo que vi nesse momento inicial (destaca-se também a trilha sonora!). Não sei qual é o histórico deles quanto ao ritmo das produções — possuem poucas obras no portfólio — então fica aqui aquela ressalva de sempre, mas estou bastante otimista quanto aos próximos episódios de NegaPosi Angler.

Tem bastante a ser explorado pelo roteiro, pelo menos. Particularmente, não tenho muito interesse em pescaria (apesar de ter adorado Tsuritama), mas reconheço o poder da união de um grupo ao redor de um hobby. Além do aprofundamento dos laços entre o protagonista e os pescadores que o resgataram (assim como a versão agiota da Equipe Rocket que o persegue), também espero pela elucidação de como ele chegou num ponto tão baixo da vida. Isso sem contar com toda a questão de ele só ter dois anos de vida sobrando, aparentemente.

Em resumo, a proposta apresentada é a de um anime de hobby com um roteiro um pouco mais substancial do que o normal. Já sou simpática a tais tipos de obras, mas acima de tudo, é muito bom ter uma história bem-contada tratando de manter a esperança mesmo em tempos terríveis. Pode ser cafona, mas imagino que a maioria de vocês entenda a importância de algo assim no dia-a-dia contemporâneo. Tem um motivo pelo qual o poder da amizade segue vencendo sempre, não é?

(Alerto apenas que o episódio começa com a cena de uma tentativa de suicídio. A mensagem no fim das contas, como você deve imaginar, é sobre renovar sua vontade de viver, mas vale sempre o aviso.)

⭐⭐⭐⭐

Raise wa Tanin ga Ii [Mari]

Confesso que quando vi o poster de Raise wa Tanin ga Ii pela primeira vez eu assumi que ambos os personagens eram adultos, então vocês podem imaginar a minha surpresa quando descobri que na verdade tanto Somei Yoshino quanto Miyama Kirishima são estudantes do ensino médio. Além de não terem a aparência de adolescentes, eles também não agem como tal. É uma escolha difícil de entender, mas… Bem, a autora da obra é Konishi Asuka, e ela faz o que quiser com ela.

Raise wa Tanin ga Ii começa com a protagonista Yoshino, neta do líder do maior grupo yakuza da região de Kansai, descobrindo que ela deve se casar com Kirishima, neto do líder do maior grupo da região de Kanto, como um símbolo de unificação entre os dois sindicatos. Embora contrariada pela decisão do avô, ela sai de Osaka e vai para Tóquio com o objetivo de conhecer seu “noivo” — mesmo tendo a intenção de dizer não à proposta. A princípio, Kirishima parece ser um rapaz educado e gentil, o que pega Yoshino de surpresa, mas ele não consegue esconder por muito tempo a sua verdadeira natureza e acaba falando algumas coisas horríveis para ela. Após uma série de eventos, Yoshino decide que não vai mais bancar a boa moça, e mostra que não é parte da yakuza só no nome.

Em resumo, todo mundo nesse anime é maluco e não dá pra esperar que relacionamentos saudáveis saiam daqui. Ainda assim, a dinâmica entre os dois protagonistas é interessante o suficiente para me manter assistindo — Yoshino tem uma energia maravilhosa de girl boss e Kirishima já demonstrou que, apesar das aparências, é um grande masoquista. Quero muito que Yoshino transforme esse salafrário no cachorrinho dela… Em vários sentidos.

(A julgar pela abertura, a adaptação não vai fugir de um possível conteúdo erótico. A parte técnica também está muito bem feita).

A gente sabe que produtos altos em açúcar e gordura saturada não fazem bem pra saúde, né? Mas nós comemos do mesmo jeito. Raise wa Tanin ga Ii é isso: um alimento que talvez me mate, porém vou saborear cada segundo dele.

⭐⭐⭐⭐

Tsuma, Shougakusei ni Naru [Plinio]

Essa estreia me deixou um pouco desnorteado. Isso porque as expectativas positivas foram atendidas ao mesmo tempo que criou-se um problema. TsumaSho é mais um caso de título estranho com proposta duvidosa, que tal qual uma roleta russa, pode te levar ao céu ou ao inferno.

TsumaSho conta a história de Keisuke, um rapaz que se apaixonou por sua colega de trabalho Marika, e que casaram, tiveram filhos e viveram uma vida feliz, pelo menos até o falecimento dela em um acidente de trânsito. Ele e sua filha Mai agora vivem uma vida triste, arrasados e sem perspectiva de um futuro feliz. Após uma reviravolta milagrosa, eles conhecem uma criança que conhece a história inteira da família, e que diz ser Marika reencarnada. Esta dramédia é capaz de te deixar maravilhado com a recuperação de uma família tomada pela depressão, porém é uma faca de dois gumes, já que esse efeito cria uma dependência de Keisuke e Mai por Marika, agora em forma de criança, e pode nos passar uma mensagem errada.

Esse anime quase quebrou o recorde do mais rápido a me fazer chorar. Os minutos iniciais são cruciais para justificar a importância de Marika na família, mostrando o quão responsável, madura e presente ela era, sendo o eixo da estrutura familiar e exemplo comum de muitas famílias. O falecimento dela acarreta numa diminuição da qualidade de vida da família, principalmente dietética. A apresentação destes extremos é funcional, e acarreta na valorização do trabalho de cuidados. Além disso, a Marika agora possui duas famílias, sendo que sua nova família é “disfuncional”, então diversos conflitos serão resolvidos por esse adulto no corpo de criança. No fim das contas, a mensagem é nobre e minha expectativa para o futuro deste anime é que Keisuke e Mai consigam aprender a viver sem depender (novamente) de Marika.

Adaptado de mangá homônimo e já finalizado, Tsuma, Shougakusei ni Naru é uma produção do Studio Signpost, dirigido por Abe Noriyuki (Kuroshitsuji: Book of Circus, Arslan Senki, Oooku) e com o roteiro por Hirabayashi Sawako (Delicious Party Precure, Ookami Shoujo to Kuro Ouji).

⭐⭐⭐

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