Primeiras impressões: temporada de inverno (2025)

Primeiramente gostaríamos de desejar um Feliz Ano Novo para todos os leitores do Rukh no Teikoku! Que 2025 nos traga ótimos animes. Nesta postagem vocês poderão conferir as nossas primeiras impressões de Ameku Takao no Suiri Karte, Hana wa Saku, Shura no Gotoku, Honey Lemon Soda, Medalist, Sorairo Utility e ZENSHU.

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Ameku Takao no Suiri Karte [Lucy]

Frases que irão causar zero surpresa em alguém que acompanha o blog: a ideia de misturar enigmas médicos com deduções policiais me atrai muito. Ameku Takao no Suiri Karte, portanto, está sendo uma experiência bem divertida para mim. Porém, ainda precisa de alguns ajustes…

Já nos primeiros dois episódios, temos um caso envolvendo um fóssil de tiranossauro, a yakuza, clínicas de rua e aquários… logo depois de um caso perfeitamente simples sobre um menino que tomou remédio demais. O lado bom é que apesar desse primeiro mistério meio fora da caixinha ter me deixado com um pé atrás, o terceiro episódio traz uma situação muito mais plausível — sem abandonar conceitos ligeiramente mais absurdos, como o de um vídeo amaldiçoado que vai te matar. É um tom que é uma ótima ideia se for bem utilizado! Mas é essencial que o roteiro encontre um equilíbrio logo, porque por mais que seja interessante esses elementos extras, é preciso ter um certo nível de realismo para a história funcionar. A graça da coisa é tentar acompanhar junto, então não adianta você jogar na tela um monte de objetos soltos e pedir que o espectador grude eles com cuspe até chegar numa resposta razoável.

Pelo lado bom, acho que essa é a única reclamação real que tenho. Alguns dos personagens me irritam um pouco em algumas horas, mas aí é questão de me acostumar com o jeitinho deles. A química entre os personagens é boa, e é claro que já estou considerando os protagonistas como um casal. O ritmo dos episódios é fácil de acompanhar, o uso de jargão médico é explicado direitinho (apesar de parecer um pouco forçado às vezes). O elenco de voz é ótimo, só nomes incríveis (que saudade que eu estava de assistir algo semanal com o Junichi Suwabe!!). A minha preocupação maior, no entanto, é que o anime mal começou e já anunciaram o adiamento do episódio 4. Não sei se é por questões de produção ou se isso era planejado desde o início — foi uma estreia dupla, afinal de contas — mas de qualquer jeito, já estou orando. Mesmo nesse momento inicial onde se costuma ver mais capricho nos visuais, só consigo descrever a animação como “passável”. Está dentro do padrão do estúdio Project No. 9, que não costuma se destacar muito nesse aspecto, mas… temo que a segunda metade da temporada não consiga aguentar muito bem o próprio ritmo. Espero estar errada, porque quero continuar acompanhando a evolução desse anime sem maiores problemas.

Ah, e eu não tive a chance de mencionar isso por aqui, mas meu seriado favorito é House, então…

⭐⭐⭐½

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Hana wa Saku, Shura no Gotoku [Mari]

O anime de Hana wa Saku, Shura no Gotoku é uma adaptação do mangá de mesmo nome escrito por Takeda Ayano, autora de Hibike! Euphonium, e ilustrado por Musshu, uma artista de grande popularidade — sobretudo na internet — e que possui uma lista extensa de trabalhos. Ainda que não esteja nas mãos do estúdio Kyoto Animation, como foi o caso da obra anterior de Takeda-sensei, Hana wa Saku, Shura no Gotoku teve uma das estreias mais visualmente bonitas da temporada. Este é o meu primeiro contato com o Studio Bind, que foi criado em 2018 como uma parceria entre o White Fox (estúdio de animação) e a Egg Firm (empresa especializada em produção, planejamento e gerenciamento), e devo admitir que fiquei com uma ótima impressão. Claro, eu já tinha uma ideia da qualidade que eles podiam apresentar depois que fizeram Mushoku Tensei, mas fiquei feliz em saber que tal cuidado e carinho com adaptações não ficaram reservados para o “carro-chefe” do estúdio.

Hana wa Saku, Shura no Gotoku conta a história de Haruyama Hana, uma garota na faixa dos 14 ou 15 anos que possui uma personalidade um tanto retraída. Ela cresceu em uma ilha de apenas 600 habitantes e nunca teve a oportunidade de interagir com pessoas da própria idade, o que atrapalhou o desenvolvimento dela. Hana tem dificuldade para expressar seus sentimentos mesmo quando se tratam de coisas simples, como o fato de ela querer participar de atividades extracurriculares depois da aula. Ela tem medo de ser um “estorvo” para o rapaz responsável pelo ferry boat que a leva até a cidade, por exemplo, e também para sua mãe. Embora se esforce para ser “perfeita”, Hana não gosta de si mesma. O único momento em que ela permite se libertar de quaisquer amarras é quando ela está recitando histórias ou poemas; também é quando ela pode ser “qualquer pessoa” que não seja ela mesma. Hana possui um talento e tanto, e isso não passa batido por Usurai Mizuki, veterana dela na escola, e que também é presidente do clube de radialismo. Mizuki faz de tudo para convencer Hana a se juntar a ela, e é a partir daí que a história realmente começa.

Me parece óbvio que Hana wa Saku, Shura no Gotoku seguirá uma linha semelhante à de Hibike! Euphonium no sentido de que poderemos acompanhar o amadurecimento da protagonista e das pessoas à sua volta ao passo em que as interações entre elas se desenrolam. A princípio, Hana wa Saku, Shura no Gotoku não aparenta carregar a mesma dose de drama que sua antecessora, mas eu não confio na Takeda-sensei e já estou preparada para lidar com conflitos e possíveis surtos de adolescentes com os hormônios à flor da pele.

Por fim, resta saber se Hana e Mizuki desenvolverão um laço tão profundo quanto Kumiko e Reina e se tal “amizade” vai beirar o romance a ponto de algumas pessoas gritarem “yuribait!”. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha quando soube que todos os trabalhos anteriores da Musshu, fosse ela responsável pelo roteiro e arte ou só pelas ilustrações, são yuri. Agora se ela tem alguma influência sobre a Takeda-sensei nós vamos ter que esperar para ver…

⭐⭐⭐⭐⭐

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Honey Lemon Soda [Ana]

Eu realmente quero acreditar que o futuro de Honey Lemon Soda será melhor do que esse primeiro episódio. Não que tenha sido ruim, mas sinto que é uma fórmula já tão batida dentro do gênero que embora pareça ter potencial, fica difícil ser cativada de verdade pela história.

Aqui temos o clássico encontro entre a garota que não é socialmente aceita na escola e o rapaz popular que, apesar de assumir o papel de salvador, também não é exatamente amigável com ela num primeiro momento. Ishimori, a protagonista, carrega um histórico de bullying que continua a persegui-la no ensino médio. Como se não bastassem os apelidos pejorativos que recebe, logo na primeira semana na nova escola, ela passa por uma situação humilhante: leva um banho de refrigerante provocado por Miura. Ainda que o incidente tenha sido acidental, isso só agrava o desconforto dela.

É um tanto incômodo assistir à garota chorando durante boa parte do episódio. Mesmo quando Miura afirma que ela pode lhe pedir ajuda, sua atitude fria e, em certos momentos, até grosseira, torna difícil enxergá-lo como um verdadeiro apoio. Espero que, com o tempo e o desenvolvimento da relação entre os dois, o comportamento de Miura evolua e que Ishimori consiga enfrentar seus agressores de forma mais confiante, deixando de ser a figura de garotinha indefesa que precisa de ajuda o tempo todo.

Além da fórmula genérica, a animação também não é lá aquelas coisas. O design dos personagens incomoda em alguns pontos, como os olhos da garota que devem ser propositalmente grandes para parecer rodelas de limão, mas que ainda assim é estranho. Fora as péssimas decisões de direção ao repetir cenas e trazer eventos fora da cronologia que deixaram a sequência do episódio um tanto confusa. Devo continuar assistindo, colocando aqui uma pontinha de esperança de que esses detalhes melhorem no decorrer da adaptação, mas também sem colocar tantas expectativas.

⭐⭐⭐

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Medalist [Plinio]

Existe algo místico em animes de esporte e de outras práticas. É comum os fãs buscarem realizar essas atividades, como aprender vôlei por conta de Haikyuu!!, ou começar a acampar por causa de Yuru Camp. Entretanto, existem casos como os dos fãs de Bocchi the Rock! que venderam suas guitarras após perceberem o quão difícil é se dedicar a um hobby complexo. Retratar as dificuldades dessas modalidades é um passo importante para todo anime atual, e o primeiro episódio de Medalist é uma perfeição nesse aspecto.

Acompanhamos a história de Akeuraji Tsukasa, um patinador de 26 anos ultrapassado, em busca de oportunidades para mostrar seu potencial. E também Yuitsuka Inori, uma garota de 11 anos que sonha em praticar a patinação artística. Tsukasa é gente como a gente. Inconformado por não ter iniciado mais cedo no esporte, sua personalidade parece expelir essa raiva para as crianças, criando uma dificuldade em lidar com elas. Inori, sem o conhecimento de sua mãe, tenta treinar em um rinque. No meio profissional, é de senso comum que crianças com 5 anos já devem iniciar a prática. A mãe de Inori sabe disso, pois matriculou a outra filha em uma escola de patinação logo com essa idade. Para ela, investir em Inori seria muito caro, já que o esporte é custoso e punitivo, além de que sua filha mais velha se acidentou durante um torneio quando criança. Tsukasa tentou iniciar na patinação com 14 anos, e conhecendo essa realidade, estendeu a mão para Inori, prometendo à sua mãe que vai fazer por ela o que não fizeram por ele.

Medalist é majestoso. Tsukasa como um jovem professor demonstra sua inconformidade em ensinar crianças, já que muitas delas são matriculadas a contragosto. Sua personalidade é amargurada, porém verossímil, tal qual nos identificamos com o Lula Molusco quando crescemos. Inori possui ansiedade social, tratada como estorvo por seus colegas de classe, não possui boas notas e anseia por orgulho próprio, já que sua única vontade é ser boa em algo que gosta, que no caso, é a patinação artística. O ritmo não deixa o drama predominar, intercalando com algumas piadas que quebram a tensão. O ambiente de tutoria estabelece o clichê do jovem e mestre, ou do pai e filho, e lembra animes como Barakamon e Usagi Drop. Veremos o que os próximos episódios irão entregar, mas se continuar com tal qualidade, acho que é um candidato a anime da temporada. A única pedra no caminho é o seu estúdio, que possui algumas produções duvidosas e com déficit fiscal de 193 milhões de ienes, reportados em 2023.

O anime é uma produção do estúdio ENGI (Unnamed Memory, Uzaki-chan wa Asobitai!). Conta também com a direção de Yamamoto Yasutaka (Nekopara, Jitsu wa Watashi wa, Hinomaru Sumo) e roteiro de Hanada Jukki (Girls Band Cry, Boku no Kokoro no Yabai Yatsu). A música é composta por Hayashi Yuuki (Boku no Hero Academia, Haikyuu!!).

⭐⭐⭐⭐⭐

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Sorairo Utility [Plinio]

Acredito que deva haver alguma associação japonesa de golfe investindo em animes sobre o esporte, pois este é o quarto nos últimos três anos — não que seja um problema assistir diversos programas do mesmo esporte, já que o beisebol é a modalidade mais popular do Japão e é retratada em muitas obras. Dito isso, se o apelo de Sorairo Utility não é a novidade, por outro lado, devo destacar o quanto ele aposta no uso de clichês que podem agradar públicos específicos. A descrição a seguir é lúdica, então esteja avisado!

Na busca de substituir seu vício em jogos gacha, a caloura Aoba Minami acaba encontrando o golfe. Em um centro de treinamento, admirando uma linda menina manuseando o taco com uma postura formidável, e sem palavras para descrever seu sentimento, o amor à primeira vista aflora. Minami entra no estabelecimento e começa a conversar com a golfista. Por livre e espontânea vontade, Akane Haruka auxilia Minami a sentir o prazer das tacadas. Haruka, sendo sua veterana, se sente à vontade para envolver seu corpo na silhueta da sua caloura, auxiliando-a desde os menores movimentos até as maiores projeções. Após realizar uma ótima tacada, Aoba se sente realizada, e diz querer sentir essa sensação novamente. Nós, fãs de Girls’ Love, mordemos a isca. Enquanto as empresas dizem que está aberto a interpretações e que na verdade o amor é pelo esporte, nós sabemos que é amor de verdade.

Apesar da diversão que foi escrever esse parágrafo, Sorairo Utility não possui muito a oferecer. O anime é sobre garotas se divertindo e jogando golfe, e o objetivo da história é fazer Minami ter um novo hobby, mais saudável que (G*nsh1n Imp4ct) jogos do estilo gacha. É muito raro que minhas primeiras impressões sejam negativas, pois quando decido acompanhar um anime é porque tenho expectativas nele, e não é diferente com Sorairo Utility, só que desta vez vou mantê-las baixas.

O anime é um projeto original do estúdio Yostar Pictures (Azur Lane: Bisoku Zenshin, Arknights: Reimei Zensou), com um OVA conceitual lançado em 2022, idealizado por Nozomi Kouta (Inou-Battle wa Nichijou-kei no Naka de). O diretor é Saitou Kengo, estreante no cargo e um proeminente diretor de animação (SSSS.Gridman, Azur Lane: Bisoku Zenshin). Conta com um trio de roteiristas: Satsuki Aya (Mou Ippon, Uchi no Shishou wa Shippo ga Nai), Mizuno Risa (Arknights: Touin Kiro, Arknights: Reimei Zensou) e Satou Yuu (Dungeon Meshi). A música fica por conta de Horita Daisuke (Azur Lane PVs).

⭐⭐⭐

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ZENSHU [Lucy]

Se você quer assistir ao episódio completamente às cegas, pare de ler imediatamente.

E caso você diga “ah, mas eu só queria saber se tá decente”…

Sim, tá decente. Nada no nível “botando os animadores em regime análogo à escravidão”, aparentemente, mas ainda está muito mais bonito que o anime mediano da temporada. A trilha sonora é bem forte também, tá tudo bem produzidinho. Mas eu não vou te falar da história.

É nessa hora que alguns de vocês gritam “eu não ligo pra spoiler!”.

Ótimo. Vamos lá, então.

– – –

Eu vou fazer coisas muito pouco engraçadas na frente do estúdio MAPPA. Sendo plenamente sincera, eu tive que reassistir ao episódio para poder escrever isso, porque eu fiquei tão irritada com o plot twist que meu cérebro desligou.

Pense aqui comigo: O estúdio amplamente conhecido por ter práticas horrorosas com seus trabalhadores decide fazer um anime abordando o processo criativo de uma animação que está passando por problemas desde o início da produção. Nossa, que interessante! O que será que vai sair daí? Autocrítica? Eles vão passar pano para si mesmos? Com certeza é algo que vai gerar discussão e reflexão, vou acompanhar de perto.

E aí com seis minutos de episódio… Nossa protagonista come uma marmita estragada e é escalada para o sub-20 do Vasco no mundo do anime de infância favorito dela.

Os caras foram meio gênios do marketing, não dá pra negar. Quem apostaria que um anime sobre uma diretora tendo dificuldades para produzir seu próximo filme se tornaria um isekai de fantasia medieval? Ninguém! Especialmente eu. E foi assim que eu sentei para assistir a um negócio que parecia ser feito para mim, e acabei encontrando meu pior inimigo.

“Mas Lucy… No trailer dava pra ver que ia rolar isso…”

Uma imagem vale mais do que mil palavras.

Eu só li a sinopse. Tirando o trailer, não tinha mais nenhuma fonte citando esse pequeno detalhe essencial.

Evidentemente, não continuarei assistindo Zenshu, porque sinto que se eu me forçar a tal, vou entrar em colapso antes mesmo da equipe de animação. Mas imagino que vá agradar quem curte esse tipo de história — como eu falei, é um anime bem produzido. Mesmo que esteja abaixo da média do estúdio, essa versão “medíocre” do MAPPA ainda é melhor do que a vasta maioria da indústria. Há elementos criativos o suficiente para trazer algo de interessante até mesmo para uma hater como eu: gostei da cena (e da ideia) da Natsuko animando em tempo real os monstros que podem derrotar o grande mal que assola o mundo para o qual ela foi transportada. A animação estilizada ficou bem legal. Entretanto, se eu tivesse visto o tal trailer, esse texto nem existiria. Como já deve estar transparente de tão claro que ficou, não sinto vontade alguma de acompanhar a saga da protagonista nessa nova vida que encontrou.

⭐️ 29/04/1999
✝️ 09/01/2025

Um comentário em “Primeiras impressões: temporada de inverno (2025)

  1. Ainda não assisti Zenshu mas vi que já não vou curtir. To cansada de isekai kk e pelo que todo mundo imaginou não seria nada disso né. Decepção com o MAPPA de novo

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