Tivemos uma temporada de primavera que surpreendeu em alguns aspectos, mas que deixou a desejar em outros. Nesta postagem vocês poderão conferir as nossas impressões finais de APOCALYPSE HOTEL, Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi, KOWLOON GENERIC ROMANCE, Lazarus, mono, Rock wa Lady no Tashinami deshite, Uma Musume: Cinderella Gray e ZatsuTabi -That’s Journey-.

APOCALYPSE HOTEL [Plinio]
Ritos, costumes, hábitos e tradições. Estas e muitas outras palavras existem apenas para justificar metodologias que mostram-se eficazes para executar ações sociais, durante um determinado tempo e espaço, que frequentemente associamos à cultura. Esta é uma prática intrínseca da humanidade, algo que está tão enraizado em nosso ser que nos impede de sequer imaginarmos uma realidade fora dos padrões, sejam elas normas econômicas, políticas ou sociais. Agora, e se os humanos não existissem?
Comentar esse anime como se ele fosse uma tese de doutorado não faz jus ao clima que Apocalypse Hotel constrói. Até o último minuto, o anime propõe tratar um tema tão complexo com humor e piadas. Aqui, o sarcasmo é uma ferramenta aproveitada ao máximo, mesmo que em uma mídia de entretenimento onde a piada possa passar reto por quem interpreta as cenas apenas pelos acontecimentos literais. As atividades que exercemos para nos mantermos plenos como animais sociais, como comemorações de aniversário, celebrações de funerais e ritos matrimoniais, são úteis para que nos lembremos que apesar de estabelecermos uma sociedade trabalhista, ainda queremos tratar o próximo como alguém que existiu e que nos é importante (pelo menos, útil). Não é à toa que o anime reserva episódios para parodiar essas tradições, e não somente, também criar esquetes desde inteiramente sobre leis trabalhistas até eventos de divulgação política.
Mesmo que a história da humanidade tenha criado diversos procedimentos padrão para o jeito correto de ser humano, o que era norma antigamente pode não ser hoje, justamente graças a revisão dessas manifestações e tradições que se mostram pouco democráticas ou pouco eficientes para representar uma nova geração que evolui, tanto no aspecto biológico quanto social. Essa revisão dos costumes da humanidade escancara como podemos nos tornar alérgicos às tradições passadas, quase como se não fôssemos da mesma espécie. O que eu gostaria de evidenciar com essa resenha é que Apocalypse Hotel possui um potencial gigantesco de ficar marcado na história dos animes como um “clássico cult”, justamente por criar esse ambiente agradável a debates sobre quem somos e para onde vamos. Se Apocalypse Hotel não puder ser comparado a uma tese, quem sabe, talvez, seja mais adequado compará-lo a um livro didático.
Tentando revisitar minhas primeiras impressões, eu não poderia estar mais errado. O anime em nenhum momento parece querer ser baixo-astral, ou sequer criticar em tom de superioridade as crenças que o texto supõe ser antiquado ou ineficaz. Mesmo com os meus comentários que desafiam a normalidade sobre teorias socioeconômicas, essa é apenas uma das camadas do anime, mostrando que a conversa aqui é muito mais ambiciosa. Gosto de referenciar minhas experiências com outros exemplos similares, então retiro a comparação do anime com Violet Evergarden, e no lugar dele, cito Jinrui wa Suitai Shimashita. Recomendo muitíssimo Apocalypse Hotel a quem quer ver algo mais profundo sem precisar prestar atenção como se fosse uma vídeo propaganda política. É capaz de arrancar gargalhadas mais facilmente do que um congresso partidário, sem sombra de dúvidas.
9.0/10

Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi [Mari]
Para parafrasear o título da obra, Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi é realmente “alimento para a alma” — eu só não esperava que a minha também estaria inclusa no pacote. Acompanhar o dia a dia dessas cinco garotas no recém-criado “Clube de Pesquisa sobre Cultura Alimentar”, que inicialmente era apenas uma desculpa da Shinon para vadiar, me deixou de coração quentinho e com um sorriso no rosto.
Como todo anime de slice of life, Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi não possui um enredo ambicioso e segue uma estrutura episódica, mas que funciona muito bem quando há criatividade por parte da direção e dos roteiristas. Embora nem todas as personagens tenham recebido o mesmo tempo de tela — a Tsutsuji em particular ficou meio esquecida no churrasco em termos de backstory —, a cada semana nós pudemos acompanhar o crescimento dessas cinco universitárias que até me fizeram desejar que a minha experiência na faculdade tivesse sido minimamente parecida com a delas. Mako consegue superar o seu bloqueio em relação ao “novo” — lidar com pessoas e acontecimentos fora da sua zona de conforto — e, após vários anos de solidão, constrói uma linda amizade com as outras garotas. Shinon continua tendo um parafuso a menos, mas desenvolve algum senso de responsabilidade ao lado de suas amigas, e é o combustível que todas precisam para se abrirem a novas experiências. Kurea é a mãe do grupo, e apesar de ter se sentido levemente deslocada no começo da história por não possuir um passado com ninguém do clube, logo se vê com uma montanha de memórias para relembrar no futuro. Nana está caminhando a passos lentos para superar o seu medo de estranhos e Tsutsuji está lá para dar o apoio que ela precisa.
Ainda que a gente saiba que todo episódio vai acabar em uma figurativa “pizza”, em nenhum momento Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi fica repetitivo ou chato. A dinâmica das cinco personagens principais é o que carrega a obra, a qual muda de cenários constantemente e nos apresenta a uma infinidade de possibilidades diárias. Eu não esperava conhecer em detalhes a arquitetura de uma casa tradicional japonesa do século XIX nem ver como é o cotidiano de um agricultor hoje em dia, por exemplo, mas Mako e companhia estavam lá para me mostrar. Fiquei até triste quando terminei de assistir ao último episódio, visto que eu poderia aprender muito mais com essas cinco queridas do “Clube de Pesquisa sobre Cultura Alimentar”.
Em termos técnicos, Hibi wa Sugiredo Meshi Umashi é quase perfeito. Conforme apontei nas minhas primeiras impressões, eu sigo com a opinião de que o design das personagens poderia ser mais maduro, pois ele requer um pouco de suspensão de descrença para acreditarmos que elas estão na faculdade. Além disso, eu acho que a Tsutsuji merecia um episódio mais focado nela, já que ela foi a única que não teve. Tirando esses dois pontos, o anime é um arraso do começo ao fim. Se slice of life for a sua praia, eu definitivamente recomendo dar uma chance às “comilonas”, que foi como eu apelidei carinhosamente a obra.
9.0/10

KOWLOON GENERIC ROMANCE [Ana]
Eu sinto que ganhei novas marcas de expressão na minha testa de tanto que eu a franzia a cada novo episódio de KOWLOON GENERIC ROMANCE. Talvez eu tenha queimado também alguns neurônios assistindo esse anime, já que todo episódio eu terminava com mais pontos de interrogação do que o anterior, sempre me questionando para onde essa história estava querendo nos levar. Entendo que faz parte do mistério, mas ainda assim eu fico “será que eu entendi tudo?”.
Não vou negar que considero a ambientação da obra um ponto forte, mesclando elementos que poderiam até ser contraditórios. O cenário urbano claustrofóbico inspirado na antiga cidade murada de Kowloon, somado a existência de um satélite artificial, conferem o tom distópico e sustentam o clima de mistério. Enquanto a arte que remete aos animes dos anos 90, de fato nos traz a sensação de nostalgia, não sendo apenas uma questão estética, mas um ponto chave da narrativa.
Além disso, KOWLOON GENERIC ROMANCE traz reflexões interessantes sobre o apego a um passado que não pode ser restaurado. Por mais que Kudou tenha tentado a todo custo trazer Kujirai B de volta, não superando a morte de alguém que amava, não a conhecia o suficiente para que seu clone fosse de fato uma cópia exata dela. O problema é que, no momento em que você começa a acreditar no desenvolvimento de uma possível relação entre Kudou e Reiko, as coisas seguem para um caminho um tanto diferente.
Considero um aspecto interessante da obra a jornada da protagonista em entender mais não apenas sobre Kujirai B, mas também sobre sua própria existência. Mesmo sendo fruto de uma criação das memórias de Kudou, Reiko se descobre um indivíduo independente da Kujirai B, construindo suas próprias relações interpessoais e até mesmo uma vida fora do Kowloon, quando o mistério é solucionado. No entanto, um ponto negativo e que acaba sendo até frustrante é que pareceu faltar uma resolução para a própria relação dela com o Kudou.
Outro ponto nesse mesmo sentido é que a história traz diversos personagens coadjuvantes e que embora fossem interessantes, muitas vezes acabaram negligenciados, especialmente à medida que a história avança para o final. A falta de explicações ou mesmo de encerramentos para os diversos fios narrativos que nos foram apresentados, deixa uma sensação de algo inacabado. Embora isso possa ser apenas um problema de adaptação, já que desde o início temos ciência que muita coisa seria apressada para caber em 13 episódios.
Ainda assim, por mais que talvez não entregue todas as respostas, para quem busca um romance maduro com mistério, atmosfera melancólica e contemplativa e estética retrô, KOWLOON GENERIC ROMANCE pode ser experiência interessante. Talvez eu só não tenha neurônios o suficiente para tê-lo aproveitado tanto quanto ou gostaria.
7.0/10

Lazarus [Ana]
Como já mencionado por nós em outros momentos, era óbvio que as expectativas em relação a Lazarus seriam altas considerando a equipe responsável pelo anime. Não dá pra negar que o visual da obra chama a atenção e, como já esperado, as cenas de ação são um grande destaque juntamente com a trilha sonora (tirando a abertura, pois essa não dá pra defender!). Talvez o maior problema de Lazarus tenha sido justamente se apoiar demais em “estilo” em vez de construir uma história mais sólida.
Acredito ainda que não foi nem pela falta de intenção, já que a obra aborda temas sociais relevantes como aquecimento global, depressão, direitos transgêneros e indústrias farmacêuticas. No entanto, muito disso mal é de fato explorado. Ainda, a ideia central, a busca por uma cura para toda a humanidade em 30 dias, é algo intrigante, mas em muitos momentos parece apenas um plano de fundo distante, principalmente na primeira metade do anime em que as coisas pareciam até se arrastarem sem muito propósito. E assim, a busca do esquadrão por Skinner acaba sendo ineficiente, o que é contraditório ao se pensar na urgência dessa operação.
Até o próprio antagonista meio que perde um pouco do seu potencial, já que suas motivações não são devidamente exploradas. Assim como acontece com outros personagens, é nítido que tentaram dar um background para os membros do Lazarus, mas isso não funcionou muito bem para todos eles. Além do Axel, particularmente gostei do destaque dado a Chris, nossa ícone bissexual, mas talvez eu tenha sido influenciada pela história com a ex-namorada dela, hahaha. De qualquer forma, o anime parece ganhar um ritmo mais envolvente da metade para o final, e até teve um desfecho favorável, mesmo com seus altos e baixos, e pontas soltas deixadas pelo caminho.
No fim, Lazarus é um anime que impressiona no visual e na coreografia, mas deixa a desejar em profundidade narrativa e desenvolvimento de personagens. Não é uma total decepção, ainda consegui me entreter, principalmente pela experiência estética, que talvez tenha sido a principal proposta da obra desde o início e a gente que criou expectativa demais.
7.0/10

mono [Lucy]
Visualmente, mono é um destaque da temporada. A animação de personagens é vibrante e envolvente, os cenários são belíssimos, a paleta de cores consegue transmitir vivacidade e conforto na mesma medida. O roteiro também orna bem com essa apresentação: as personagens têm carisma e uma boa química entre si. Me arrancaram alguns sorrisos sinceros.
Entretanto, caso a adaptação seja realmente fiel ao mangá, é claramente um veículo para o autor afro fazer mais do mesmo, porque pelo visto, Yuru Camp não foi o suficiente para ele. Apesar da proposta de mono ser o enfoque num clube colegial de “cinefotografia”, esse aspecto é praticamente abandonado ao longo da temporada. Tem episódios que as meninas estudantes nem aparecem, e mesmo quando elas estão presentes, quem costuma roubar a cena é a amiga mais velha delas (que me parece ser um self-insert bem descarado do autor, diga-se de passagem…). Chega a tal nível que se você me perguntasse algumas semanas atrás, eu nem conseguiria te dizer quem que era pra ser a protagonista central (a menina que queria salvar o clube de fotografia).
A princípio até tentam brincar um pouco com a ideia e chegam a experimentar alguns métodos de fotografia, mas depois do terceiro ou quarto episódio, elas começam a viajar juntas com o propósito de registrar diversas paisagens. Dá mais uns dois episódios, e elas só tiram uma selfie em determinados pontos. Na segunda metade, com exceção do último episódio, só lembro de um momento onde elas realmente quiseram explorar algum aspecto da viagem usando câmeras. O resto é só elas indo de ponto em ponto, comendo em restaurantes locais (enquanto a legenda mostra o preço do prato), e inventando ideias cômicas sobre o que fazer na região.
É aquela velha questão das expectativas: a sinopse e o primeiro episódio me prometeram uma história, o que eu ganhei foi outra completamente nada a ver. Tendo isso dito, o que eu ganhei não é de todo ruim…? Ainda é uma série bem agradável por si só, e, novamente, muito bem produzida. O meu problema com ela realmente é essa inconsistência entre a sinopse e a execução. Parece besta, mas eu juro que estava interessada na premissa inicial — eu só assisto animes de hobby se o hobby a ser retratado me interessar! Sorte deles que eu também gosto de acompanhar roteiros de viagem…
7.0/10

Rock wa Lady no Tashinami deshite [Mari]
Rock wa Lady no Tashinami deshite é uma combinação de duas coisas: uma carta de amor ao rock e aquele meme do “The Writer’s Barely-Disguised Fetish” (“O Fetiche Mal Disfarçado do Autor”, em tradução livre). É uma mistura que funciona em alguns momentos e que fica esquisita em outros, mas que em geral não deixa de proporcionar entretenimento.
O melhor de Rock wa Lady no Tashinami deshite está no embate entre quem a protagonista Lilisa é — uma garota meio boca-suja que é apaixonada por rock e cujas notas de sua guitarra correm por suas veias — e quem ela está tentando ser: um exemplo de “lady” perfeita da alta sociedade japonesa que não se envolve com aspectos culturais vistos como inferiores por aqueles que estão ao seu redor e cujo objetivo é obter o título de “Noble Maiden” de sua escola. É muito interessante acompanhar a luta de Lilisa contra a própria paixão, que se mostra forte demais para ela controlar, e as consequências que isso trará para o seu futuro.
Lilisa se envolve com outras três meninas em posições semelhantes, ainda que possuam personalidades completamente distintas: Otoha, a baterista que é secretamente maluca e com uma boca-suja pior do que a da Lilisa; Shiraya, a guitarrista/baixista que passa uma imagem de “fria” e “arrogante” e é considerada uma das melhores da cena; e Tina, a pianista novata e “príncipe” da escola que sonha em se tornar uma versão mais genuína de si mesma. As quatro formam uma banda de rock instrumental juntas, mesmo que a contragosto em um primeiro momento, e saem em busca de reconhecimento de suas habilidades. Toda essa parte da história é bem-feita, com apresentações de tirar o fôlego e uma ótima trilha sonora. Rock wa Lady no Tashinami deshite faz questão de criticar pessoas que tratam a música — neste caso específico, o rock — como um mero passatempo. Também distribui lapadas na cabeça daqueles que só se preocupam com a parte comercial da indústria, tocando ou cantando somente aquilo que vende ou que o público quer ouvir, ignorando o verdadeiro significado do rock ‘n’ roll.
O problema mesmo do anime de Rock wa Lady no Tashinami deshite é que ele não tem desfecho… E o fanservice às vezes é um pouco demais. Eu assistiria a uma segunda temporada? Com certeza. Mas alguém precisa avisar o autor, Fukuda Hiroshi, que ele não está conseguindo disfarçar o fetiche de BDSM dele. Se as alusões à prática vão continuar sendo constantes na história, pois então que ele peça truco e torne o BDSM real.
Pela atenção, obrigada.
8.0/10

Uma Musume: Cinderella Gray [Plinio]
Só do título não apontar “Pretty Derby” após os dois pontos já esclarece que Uma Musume: Cinderella Gray pode ser considerado um standalone, se isentando de responsabilidade sobre qualquer reforma das regras estabelecidas. Ainda assim, acredito que a experiência de um entrante pode divergir de um veterano da franquia, por isso faço um exercício de imaginar questões que eu levantaria caso Cinderella Gray fosse a minha única experiência. É difícil, mas divertido.
“Qual orelha elas usam quando vão atender o telefone?”. Esta é a pergunta fundamental para sustentar uma suspensão de descrença sobre o anime, e quando vemos uma regra ser fundamentada começamos a dar mais seriedade a história. Pode parecer bobo, mas conforme presenciamos essa amálgama entre humano e animal, sentimos que é necessário sustentar essas fronteiras. Esta raça, a Uma Musume, age com características humanas quando demonstra a linguagem, a cultura, o afeto e a ambição, e relembra suas origens animalescas quando trata seu treinador com empolgação e carinho, tal qual um animal de estimação. Se há algo que me causou estranheza, inicialmente, foi essa relação entre os dois. Devido a natureza hiperfocalizada da Oguri Cap (a protagonista da história), a interação com seu treinador lembra a de um cachorro que há tempos não vê o seu dono, principalmente após a transferência dela para a academia central. De novo, para mim isso não é novidade, mas a proximidade dos dois é bem diferente da versão de Pretty Derby, onde o treinador é muito mais uma figura cômica do que realmente útil para a história, e essa inovação pode ser um ponto positivo ou negativo, a depender do seu humor.
Outra situação que chamou minha atenção foi o progresso da protagonista em suas corridas. Considerando que Uma Musume insiste em ser um anime de esporte, é importante o uso de artifícios visuais e de roteiro para representar a dificuldade, a força de vontade e a jornada da heroína. Caso estes elementos não apareçam de forma categórica, o espectador sente o impacto. Em um primeiro momento, eu sentia que tudo era muito fácil e que as estratégias boladas pela Oguri pareciam simples. Ainda que seja possível associar a corrida com o atletismo tradicional, acredito que seja possível ter mais variações na estratégia. O anime tenta, mas depois de um certo momento percebemos que o vencedor já está definido, independente da construção da tensão. Se não fosse pelo episódio final, juntamente com o anúncio da segunda temporada, o obstáculo a ser batido poderia simplesmente não existir. Aqui pego o gancho do episódio final para introduzir a personagem que dá sentido a uma segunda temporada, que é Tamamo Cross. Enquanto Oguri Cap vive para correr, Tamamo Cross corre para viver. Sua história começa a ser desenvolvida por cenas retrospectivas, casando com a ideia de garota pobre que dependia das corridas para sua ascensão social.
Por fim, é fácil justificar várias dessas conclusões apenas conhecendo o jogo de celular que foi lançado após as temporadas de Pretty Derby. Nele, você é introduzido a um sistema de carreira que justifica as corridas fáceis do início e também aos diálogos privados entre atleta e treinador, desenvolvendo uma intimidade que se mostra natural em Cinderella Gray. Não obstante, essa experiência se mostra apenas adicional, e acredito que o anime é uma ótima introdução e adição à franquia.
8.0/10

ZatsuTabi -That’s Journey- [Lucy]
Alguns animes não foram feitos para serem assistidos de maneira semanal. Tem obras que são tão atmosféricas, por assim dizer, que você precisa estar no humor certo para vê-las. Do mesmo jeito que elogiei essa característica de ZatsuTabi durante minhas primeiras impressões, consigo ver, após um longo trimestre, que isso também pode ser demérito. Um episódio foi legal, mas doze talvez tenha sido uma dose acima do necessário. A execução da obra é tão anêmica que houve momentos onde, em vez de me relaxar, o anime me entediou.
Com certeza, eu teria gostado mais se assistisse aos episódios de vez em quando, do mesmo jeito que eu fico vendo vlogs de viagem quando estou a fim. Mas devo admitir que, apesar de ser tudo propaganda descarada de turismo local, é uma propaganda bem bonita! Os locais escolhidos são muito bem retratados, com grande atenção aos detalhes. Só é uma pena que às vezes isso também age contra o próprio anime — a animação não é de alta qualidade, e isso fica bem evidente quando contrastado aos cenários claramente traçados a partir de fotografias.
Novamente, reitero que não desgostei de ZatsuTabi, porém é o tipo de obra que precisa vir com essa nota de rodapé ao ser recomendado. Por mais que seja rasinho, é agradável. Tem seus momentos, mas me parece o tipo de coisa que você deixa de fundo enquanto faz outra coisa. Inclusive, seria ótimo se tivesse uma dublagem em português pra eu poder fazer isso! Foi até meio reconfortante conversar com os meus amigos sobre esse anime, porque descobri que não fui a única que acabou por tirar alguns cochilinhos não-intencionais enquanto tentava ver o episódio da semana. Não tem muita história para acompanhar, então isso não é grave, mas
[Nota da editora: O arquivo do review termina aqui. Não foi possível encontrar o restante do texto. Tentamos contatar a Lucy para entender melhor o que aconteceu, mas até o momento da postagem, ela continuava profundamente adormecida tentando terminar os últimos episódios.]
Um comentário em “Impressões finais: temporada de primavera (2025)”