Primeiras impressões: temporada de verão (2025)

A temporada de verão de 2025 está cheia de continuações de peso, mas é claro que não é só de franquias conhecidas que vive o otaku! Nesta postagem vocês poderão conferir nossas primeiras impressões dos seguintes títulos inéditos: Ame to Kimi to, Fermat no Ryouri, Hikaru ga Shinda Natsu, Kaoru Hana wa Rin to Saku e Watashi ga Koibito ni Nareru Wake Nai jan, Muri Muri! (※Muri ja Nakatta!?).

Ame to Kimi to [Ana]

Vocês devem saber que estamos aqui muito por causa da Saori Hayami, que dubla a protagonista Fuji, mas, claro, também porque a premissa parecia bonitinha. Histórias que abordam interações de humanos com seus pets quase sempre têm o potencial de fornecer uma dose de conforto.

O curioso aqui é que se trata de uma interação não muito comum entre uma humana, muito querida por sinal, e um tanuki fingindo ser um cachorro. Em um dia chuvoso, ela o encontra na rua, implorando para ser acolhido e decide adotá-lo. Obviamente a mulher não parece entender o mínimo sobre raças e até comportamentos típicos de um cão. Mas a graça está justamente nela tentar convencer as outras pessoas, juntamente com o próprio tanuki, que ele é um cachorro, mesmo que isso inclua o veterinário e outros tutores de cães.

Como comentei, ela não percebe que o “cachorro” faz as coisas com muita eficiência para o que se espera de um animal da espécie. O bichinho sabe até escrever, os tanukis estão convivendo tanto com humanos que estão cada vez mais inteligentes! Isso também dá um tom cômico para o anime, que embora passe a atmosfera relaxante, pela construção de uma relação bonitinha entre Fuji e o tanuki, algumas cenas conseguiram me tirar algumas risadas.

Agora, nós sabemos bem o que acontece quando o anime é relaxante até demais… O potencial de Ame to Kimi to nos fornecer um quentinho no peito é grande, mas sempre fica aquele receio de ser morno até demais. Espero que a obra consiga manter o tom cômico que parece dar uma nuance a mais à história. Além disso, me surpreendi ao ver que o estúdio responsável, Lesprit, basicamente produziu apenas animes infantis (com poucas exceções), pois achei o visual e animação bastante bonitos, o que também é um dos pontos fortes da obra. Obviamente não esperamos algo grandioso, mas acredito que será gostoso de se acompanhar.

⭐⭐⭐½

Fermat no Ryouri [Ana]

Vamos combinar que existe algo de muito satisfatório em animes de culinária, mesmo que eu, pessoalmente, não saiba fazer nada minimamente elaborado. Talvez justamente por isso a experiência seja ainda mais agradável. O lado triste aqui está nos motivos que levam nosso protagonista, até então um estudante dedicado à matemática, a embarcar no mundo da gastronomia. Apesar disso, a história sugere que ele usará o seu conhecimento em matemática como uma ferramenta para se destacar nesse novo universo.

O pobre não tem mesmo um dia de paz! Kitada Gaku, após não conseguir competir nas Olimpíadas de Matemática, perde sua bolsa de estudos e passa a trabalhar no refeitório de uma escola. Ele passa a lidar com o sentimento de perda de propósito, sendo assombrado pela sua “falha” como matemático. Mas tudo começa a mudar quando ele conhece Kai Asakura, um prodígio da culinária, que enxerga nele um grande potencial. Kai o incentiva a aplicar sua lógica e raciocínio na cozinha, mostrando que matemática e gastronomia não são mundos tão distantes assim. No entanto, isso também acontece sob bastante pressão, já que Kai adiciona o prato que Gaku é obrigado a refazer no cardápio do seu restaurante, colocando suas habilidades à prova.

A verdade é que, mesmo sem perceber, existe lógica e ciência por trás da culinária e achei interessante a proposta de mostrar que, embora o protagonista possa não seguir exatamente o caminho planejado, ele ainda pode usar seus conhecimentos de outra forma.

Confesso que, num primeiro momento, o protagonista não me pareceu tão carismático, já o Kai tem uma personalidade mais marcante (lembra um pouco o Senku, de Dr. Stone). É uma pena que Fermat no Ryouri não pareça ter ganhado tanta atenção do público, pois tem bastante potencial. Achei curioso saber que a obra é do mesmo autor de Ao Ashi, visto que o foco aqui é completamente diferente. Mas, se houver o mesmo cuidado no desenvolvimento dos personagens, acredito que pode se tornar uma história bem envolvente de se acompanhar.

⭐⭐⭐⭐

Hikaru ga Shinda Natsu [Lucy]

Polêmicas da tradução da Netflix à parte, gostei muito de como esse episódio foi estruturado. Admito que já li os primeiros volumes do mangá há uns anos, mais ou menos na época da publicação aqui no Brasil, e gostei bastante! Vou aproveitar o ritmo do anime para voltar a acompanhar a história… Por mais que tenham ocorrido algumas mudanças pontuais. Há personagens que fazem pequenas aparições mais cedo do que me recordo, e outros cuja existência eu nem lembrava! Ou seja: ou aparecem mais tarde no mangá, ou a minha memória está terrível. Não julgo isso como ponto negativo, é uma boa maneira de estabelecer o enredo principal para além da complicada relação entre Hikaru e Yoshiki.

Mas para mim, esses dois são o destaque da obra. Não sou muito de terror, mas a dinâmica entre os dois protagonistas me capturou, e a tensão entre eles é palpável. A ambientação faz um ótimo trabalho em vender a ideia da pacata cidade rural e o contraste dessa paz aparente contra o horror quase cósmico de seja lá o que aconteceu com Hikaru. Os desenvolvimentos ao longo do episódio são apresentados com a urgência e o estranhamento necessários, o conflito interno de Yoshiki é representado de maneira convincente… Está tudo uma delícia, a direção está de parabéns!

E a equipe de animação também, óbvio, por ter conseguido executar essa visão com maestria. O estúdio CygamesPictures vêm se estabelecendo como um nome forte da indústria nos últimos anos, e agora dão um novo passo em — até onde consegui averiguar — sua primeira adaptação de um mangá que não tem qualquer relação com algum jogo lançado pelo grupo Cygames. Acredito que a manutenção da qualidade não será um problema, mas estou curiosa sobre como irão abordar essa mídia, considerando a pouca experiência prévia. Convenhamos, o material original já ajuda muito nisso, então não estou preocupada com o roteiro. Quero só saber como será o ritmo dessa empreitada… De qualquer maneira, estou empolgada para os próximos episódios!

⭐⭐⭐⭐⭐

Kaoru Hana wa Rin to Saku [Lucy]

Alexa, toque Sk8ter Boi da Avril Lavigne.

É inegável que histórias do tipo “opostos se atraem” e “Romeu e Julieta modernos” são alguns dos ingredientes do arroz com feijão do gênero romance. Não tem problema nenhum nisso, até porque é bem gostosinho quando bem feito… Só que quando você come isso toda hora…

Claro que esse é um problema completamente pessoal, mas o clichê da dinâmica do casal principal já está um tanto desgastado aqui em casa. Pode ser até que tenha sido meu humor no dia que vi o episódio, porque mesmo com essa fadiga, ainda consegui reconhecer bons pontos na execução desse primeiro encontro entre os protagonistas. Em especial, gostei da honestidade da menina! Estava esperando que ela fosse ser uma moeblob quietinha, mas fui surpreendida com o quão direta ela foi durante as conversas com o delinquente que já roubou o coração dela (o fato de ela ter se interessado nele primeiro também me pegou um pouco, devo confessar). Considerando que a moral da história é não julgar um livro pela capa, também não irei deixar essa minha preguiça me afetar tanto. A história só vai começar de verdade agora, então quero ver como irão desenvolver o relacionamento e qual será o diferencial desse enredo, se é que ele vai ter algum.

Mesmo que acabe não dando certo, sei que pelo menos terei algo para apreciar: mais uma vez, o CloverWorks demonstra o porquê da reputação positiva deles. A animação dos personagens está fluída, os traços estão bem detalhados, a paleta de cores é vibrante e a direção, apesar de simples, é eficaz. Está tudo muito charmoso e bem fofinho! Minha única preocupação em relação ao lado técnico vem do estúdio estar trabalhando em mais dois animes em exibição, e os outros são continuações de franquias populares… Sei que a equipe não é a mesma para todos, mas ainda cai o receio de que o novato do trio acabe sofrendo as consequências quando as contas não estiverem mais fechando com folga.

Torço para que isso não aconteça, porque apesar da minha apatia inicial, acredito fortemente no potencial de Kaoru Hana wa Rin to Saku. Imagino que se não fosse a tática maluca da Netflix, seria uma das estreias mais comentadas da temporada! Mesmo sem a divulgação mais apropriada, o título já está se destacando em sites como o MyAnimeList, por exemplo. Pode ser que com o lançamento por meios oficiais, a popularidade do anime cresça mais ainda até setembro… Mas com ou sem simulcast, tenho certeza que o anime vai ser um prato cheio para quem é fã do gênero. Aproveitem e bom apetite! Eu vou comer também, só preciso jogar um pouco de tempero antes.

⭐⭐⭐⭐

Watashi ga Koibito ni Nareru Wake Nai jan, Muri Muri! (※Muri ja Nakatta!?) [Plinio]

Existem alguns sentimentos demasiadamente complexos de explicar, e o amor é um deles. Cada um responde de uma forma a esta sensação, e provavelmente você já ouviu falar daquelas “cinco linguagens do amor” de um autor de literatura cristã, que separa estas ações em toques físicos, elogios, presentes, presença corpórea e realização de serviços. Acontece que o amor é algo que pode ser demonstrado desde um amigo até um familiar, e também obviamente por cônjuges e parceiros. No entanto, estas definições surgem justamente para delimitar até onde podemos chegar com aquela pessoa. Mas seria possível alternar entre categorias para aproveitar as benécias de cada? Este é o tema de Watashi ga Koibito ni Nareru Wake Naijan, Murimuri! (※Muri ja Nakatta!?)*oof* — ou melhor, WataNare.

Nosso ponto de vista inicia-se pela Renako, uma garota que enfrentou várias mudanças em sua aparência e personalidade para perseguir o sonho de ser uma pessoa extrovertida e com amigos. O sonho dela passa a ser realidade quando conquista a amizade de Mai, a garota mais linda e popular do colégio e que trabalha como modelo para seus pais. E juntamente com a amizade dela, um grupo de pessoas extrovertidas também passa a compor este círculo social. Uma overdose de espontaneidade é demais para a garota engessada que é Renako. Mai percebe que há algo de errado com a garota, e decide conversar com ela. O diálogo que surge expõe toda a personalidade de Renako para Mai, que se sente confortável em trocar experiências e sua visão do mundo. A conversa foi tão boa, que desenvolveram amor uma pela outra. O amor que Renako sente cria a imagem de Mai como uma melhor amiga, já Mai sente que esse amor é digno de uma namorada. Para ambas não perderem esse sentimento, decidem que vão alternar entre alguns dias como melhores amigas e outros dias como namoradas.

Apesar da piada central desta comédia romântica, todos sabemos que a verdadeira amizade é aquela da figurinha. O amor que Mai sente é intenso, mais forte do que ela, e como esperado de uma pessoa extrovertida, este sentimento não é nada dissimulado. Quando Renako finge ser quem não é, acaba fabricando seus sentimentos, e por isso mesmo chamando a Mai de melhor amiga, no fundo, essa distância também é fabricada. Essa relação só existe porque Renako permite, logo, a possibilidade de romance sempre será real. É engraçado que na definição de um amor conjugal, por exemplo, exista um espaço para “amizade profunda”. Oras, será que a amizade que Renako procura não estaria dentro deste contrato social? Mal sabe ela que se tornará uma “amiga com benefícios” logo mais, hahaha!

Tal qual uma mãe, a entrega desta grande obra é feita pelo Studio Mother (Fuufu Ijou, Koibito Miman; Tensei Kizoku, Kantei Skill de Nariagaru). É a primeira obra da diretora Uchinuma Natsumi, com participação como diretora de episódios de Fuufu Ijou, Koibito Miman e Selection Project. A composição de série é feita pelo letrista e roteirista Arakawa Naruhisa (Yakunara Mug Cup Mo; ISLAND). A trilha sonora é composta por Fujisawa Yoshiaki (Sora Yori mo Tooi Basho; Apocalypse Hotel). A autoria da obra original é de Mikami Teren, lançada no formato Light Novel na revista Shueisha.

⭐⭐⭐⭐½

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