Ainda que nem todos os títulos tenham atingido o potencial que apresentaram, a temporada de verão de 2025 certamente vai deixar saudades. Nesta postagem vocês poderão conferir nossas impressões finais de Ame to Kimi to, Anne Shirley, Fermat no Ryouri, Hikaru ga Shinda Natsu, Kaoru Hana wa Rin to Saku, Summer Pockets, Watashi ga Koibito ni Nareru Wake Nai jan, Muri Muri! (※Muri ja Nakatta!?) e WITCH WATCH.

Ame to Kimi to [Ana]
Como sair desse anime sem querer ter um tanuki? Claro que sabemos que, na vida real, eles não agiriam como cachorros, muito menos escreveriam, mas a vontade fica, né?
Já era esperado que Ame to Kimi to fosse uma obra relaxante. Toda a atmosfera envolvendo a chuva, as cores suaves e até mesmo a abertura, que lembra um sambinha (ou, como diz a Mari, um Natiruts japonês), contribui para a ambientação aconchegante. Ainda assim, consegui me surpreender e o anime não caiu naquela zona de ser tranquilo demais. Apesar de ser um slice of life sem acontecimentos muito marcantes, acompanhar o cotidiano da Fuji e seu novo bichinho foi uma experiência leve e agradável.
Como na maioria das obras do gênero, não há um enredo muito definido e o anime, no geral, se desenvolve de maneira bastante episódica. Alguns episódios mostram apenas as pequenas “aventuras” da Fuji com o seu “cachorro”, outros trazem interações familiares, dilemas do trabalho como escritora ou momentos com suas amigas. Pequenos detalhes conectam os capítulos e, especialmente no último, temos um fechamento bonito com flashbacks do dia em que tudo começou.
Gostei de como a Fuji foi retratada como uma jovem adulta com suas excentricidades e nem preciso dizer que o tanuki era fofíssimo. Embora a piada recorrente de ele ser um cachorro não tenha funcionado tão bem com o passar do tempo, não se tornou algo irritante. Os outros personagens, como amigas e familiares, também foram adequadamente retratados e a personalidade de cada um foi bem desenvolvida. Particularmente adorei as interações da Fuji com suas amigas e essa abordagem mais adulta nas interações acaba sendo um diferencial.
A animação e o design dos personagens também foram algo que me surpreendeu muito. Além disso, nem preciso falar que a atuação da Hayami Saori casou perfeitamente com a personagem. Mas cabe destacar também o trabalho da Yumoto Yuzu, que deu voz a Ella, já que realmente é uma criança no papel e se saiu muito bem.
Esse é um daqueles animes que certamente consegue transformar até o pior dos dias. Se você precisa relaxar ou simplesmente deixar seu coração quentinho, pode ter certeza de que vai encontrar isso aqui.
8.0/10

Anne Shirley [Ana]
É impressionante pensar que tudo começou com a adoção de uma garotinha “problemática”, de imaginação fértil e que aprontava todas — incluindo pintar o próprio cabelo de verde — e terminamos acompanhando uma jovem adulta inteligente, estudada e madura, mas que nunca perdeu sua essência: a preocupação com todos ao seu redor e seu jeito especial de ver a vida. Confesso que o ritmo acelerado em alguns pontos me incomodou um pouco, mas entendo a escolha de adaptar uma parte significativa da obra original e que para isso algumas coisas precisam ser condensadas. Pelo que soube, o anime contemplou os três primeiros livros de um total de oito que acompanham praticamente toda a vida de Anne, mas, nesse recorte, tivemos mais acertos do que erros.
Um dos maiores pontos fortes está no desenvolvimento dos personagens. O crescimento da Anne é muito bem construído, e vê-la superar desafios e encarar novas oportunidades na vida traz um ar gratificante. Por ser uma história que se passa no final do século XIX, é inspirador ver uma protagonista determinada a fazer as coisas do seu jeito, sem se prender ao roteiro esperado de conhecer um homem, casar-se e se tornar apenas dona de casa. Ainda assim, a narrativa não deixou de explorar o lado romântico, com a evolução dos sentimentos dela em relação ao amigo (e antigo rival) Gilbert, mesmo que essa descoberta do amor não tenha sido linear, o que realmente nem sempre é na vida real.
(Embora a gente saiba que no fundo ela gostava mesmo era da Diana. Infelizmente se apaixonou pela hétero, né, amiga? KKK).
Brincadeiras à parte, a obra também soube valorizar os outros personagens e a forma como suas relações influenciam a trajetória da Anne. Seus pais adotivos, Matthew e Marilla (mesmo que Matthew infelizmente tenha partido no meio da jornada), foram fundamentais para sua formação. A amizade com Diana resultou em uma das conexões mais sólidas e bonitas da obra. E, claro, temos o próprio Gilbert, que inicialmente proporcionava uma rivalidade até que saudável que a impulsionava a superá-lo. Por outro lado, alguns personagens chegaram a irritar um pouco (sim, Philippa, estou falando de você… e também do Davy, irmão adotivo mais novo da Anne, que bem… nem precisa de comentários). Confesso que o arco do envolvimento com o “príncipe encantado” dos seus sonhos me deu um pouco de preguiça, já que a Anne nitidamente não tinha interesse nele, mas entendo sua função narrativa, ela precisava disso para perceber de quem ela realmente gostava. Não deixa de ser clichê, mas consigo relevar, mesmo que até certo ponto eu realmente tivesse acreditado que o sentimento permaneceria unilateral da parte do Gilbert.
Apesar do ritmo apressado em certos trechos, a obra consegue transmitir muito bem a sensação da passagem do tempo e como as mudanças são parte do amadurecimento. A insegurança de Anne quando Diana começa a se envolver romanticamente, pensar em casamento e seguir sua vida, por exemplo, retrata bem o medo de perder laços importantes. A morte do Matthew também foi um momento impactante, mas a superação do luto e o sentimento de gratidão e saudades que permaneceram, deram um sentimento reconfortante para a situação. Ainda assim, a história mostra que, junto da tristeza pelos finais inevitáveis, também existe alegria nos novos começos.
No fim, Anne Shirley foi capaz de proporcionar diversas emoções, houve momentos de drama, humor, romance, mas todos esses de forma muito bem equilibrada. A qualidade no geral se manteve constante ao longo dos episódios, tornando a experiência agradável e envolvente. Para quem gosta de ficções históricas com foco em crescimento pessoal e relações humanas, é algo que eu com certeza indicaria.
8.5/10

Fermat no Ryouri [Ana]
Esse é um daqueles casos em que a ideia é interessante, mas a execução fica no meio-termo. A combinação de matemática com culinária é criativa e curiosa, mas muitas vezes me peguei como o meme da Nazaré fazendo contas, afinal não entendo nem de culinária nem de matemática e no fim, não sei se a série conseguiu realmente me convencer de como essas duas áreas distintas se conectam. A explicação de que as sobremesas são os pratos mais “matemáticos” porque permitem o uso de formas geométricas, por exemplo, chega a ser minimamente ridícula.
No começo eu não tinha me envolvido muito com o protagonista Gaku, mas, aos poucos, seu desenvolvimento me conquistou. A forma como ele encara os desafios e até as situações mais difíceis como oportunidades de se superar e provar sua capacidade chega a ser inspiradora. O problema é que, em contraste, muitos outros personagens não são tão bem desenvolvidos. O próprio Kai, que tinha potencial, acaba ficando um tanto raso, e em certos momentos a história mais parece reunir um grupo de malucos com apenas alguns poucos personagens equilibrados no meio.
A série também parece querer abordar temas que não recebem o tempo necessário em tela: a relação de Gaku com o pai, a rivalidade entre Kagura e Ayu pelo possível interesse romântico nele, sua conexão com Hirose, e até a quebra de expectativa em relação ao Hirose, que parecia ser um antagonista terrível mas acaba se mostrando apenas um gênio meio maluco da matemática.
Tecnicamente, o anime é apenas “ok”. O design de alguns personagens, especialmente o de Gaku, me incomodou um pouco. Ainda assim, gosto da jornada do protagonista e dos pontos interessantes sobre a culinária que a obra consegue trazer. O problema é que o desenvolvimento, no geral, é apenas mediano, principalmente considerando que o autor já entregou algo mais consistente em Ao Ashi. É possível reconhecer a fórmula narrativa dele aqui, mas definitivamente sem o mesmo brilho.
No fim, Fermat no Ryouri não é um anime memorável, mas ainda pode valer a pena se você gostar de histórias que exploram temas pouco usuais e gastronomia.
6.5/10

Hikaru ga Shinda Natsu [Lucy]
Carta aberta ao estúdio Cygame Pictures: Entre em minha casa. Adapte todos os mangás que estou lendo no momento. Tome meu dinheiro.
É ótimo quando um material já originalmente fantástico é revisitado por uma equipe criativa e disposta a elevar esse conteúdo. Graças aos céus, este é o caso de Hikaru ga Shinda Natsu. A animação que não tem medo de explorar ideias, a ambientação impecável, uma direção muito competente, boas atuações… Só tenho elogios a fazer a todos os envolvidos. Especialmente ao autor do mangá!
Sendo sincera, não sou muito fã de terror, mas a maneira como o gênero é trabalhado aqui funcionou muito bem comigo — para além das metáforas queer, é claro. Gostei muito de como os temas foram trabalhados em simultâneo, inclusive. A metáfora da monstruosidade como desvio da cis-heteronormatividade perdeu certo espaço após a primeira metade da obra — foi bem interessante acompanhar as discussões online sobre as interpretações pessoais do público, inclusive —, mas essa não é a única crítica social na qual o anime se concentra. É incrível como o roteiro não se perde, apesar da quantidade de coisas que ele tenta abarcar. O desenvolvimento dos personagens e dos relacionamentos entre eles é um destaque à parte, aliás. O mistério da vila e das criaturas que a cercam me intrigou bastante, também, e é tão cativante quanto as reflexões que a obra se propõe a causar.
De verdade, estou muito satisfeita em ver que a qualidade do enredo se manteve para além daqueles poucos volumes que li, e fico mais feliz ainda em ver isso solidificado numa adaptação de altíssima qualidade. E para melhorar mais ainda, uma segunda temporada já foi confirmada! Com certeza estarei presente para acompanhar os próximos desenvolvimentos… Mesmo se eu acabar continuando a ler o mangá até lá.
9.0/10

Kaoru Hana wa Rin to Saku [Lucy]
Talvez eu esteja ficando velha. Vai ver, já assisti animes demais nessa vida. Ou então eu só estou ficando mais amargurada mesmo, porque apesar de uma produção impecável, minha experiência com Kaoru Hana pode ser resumida em “tédio”. Já adianto: a nota aí embaixo vai ser fortemente carregada pelo elemento audiovisual. A animação é tão detalhada e prazerosa de assistir que dificultou ir muito abaixo disso. É um belíssimo anime, ótimo para olhar.
Veja bem: olhar, não assistir.
Peço perdão, porque sei que a obra tem uma legião de fãs fieis, e eu juro que entendo o porquê. É o tipo de romance calmo e açucarado que muitos apreciam para relaxar após uma semana estressante, e que mais gente ainda almeja em viver algum dia. Isso não é demérito, longe disso, mas é também o tipo de premissa que não me cativa por conta própria. O enredo é extremamente simples, e eu fiquei precisando de algo mais que me mantivesse interessada.
Lá nas impressões iniciais, mantive um certo otimismo cauteloso, mas essa boa vontade foi se esvaindo ao longo dos episódios. Como comentei, a enorme quantidade de clichês presentes na obra já estão fatigados, e a maneira como são executados aqui não ajudou em nada. O fator “proibido” do romance, pelos protagonistas serem de escolas opostas, é esquecido antes da metade do anime (felizmente, porque não tem justificativa razoável para tal no texto). A mensagem de “não julgar o livro pela capa” é martelada de maneira pouco satisfatória, com raríssimos conflitos para ressaltá-la. Nenhum dos personagens soa muito realista, e alguns diálogos (especialmente se tratando dos secundários) chegam perigosamente perto de me fazer querer acelerar o episódio.
Novamente, se eu tivesse assistido Kaoru Hana em algum outro momento da minha vida, talvez teria curtido bem mais. Do jeito que estou falando, parece que foi um martírio terminar o anime, mas há elementos que eu curti bastante. Os pais do protagonista são muito queridos, e o relacionamento familiar dos três foi um ponto alto para mim. Ressalto também o carisma do casal principal: eles são bem fofos! Apesar de uma montanha de pedidos de desculpas e pequenas hesitações entre os dois, eles são bem diretos ao ponto quando é hora de progredir a história, e a evolução do casal é gostosinha de acompanhar.
No final das contas, o anime cumpre muito bem com a proposta de apresentar um romance meigo, por bem ou por mal. Caso esse pareça o tipo de história que te agrada, recomendo sem ressalvas! Mas se você ainda está indeciso sobre dar uma chance, vá com as expectativas bem limitadas…
7.0/10

Summer Pockets [Plinio]
A desenvolvedora de romances visuais Key possui décadas de história e, tal qual um homem descobrindo a crise de meia-idade junto a calvície, o tempo é o grande inimigo de uma empresa tradicionalista. É preciso revisitar o surgimento do sucesso para entender o motivo da decadência.
Summer Pockets é o décimo terceiro jogo da Key, contando com kinect novels e jogos spin-off. É o sexto grande título, na sequência de Kanon, Air, Clannad, Little Busters e Rewrite. Além de aclamados como “santíssima trindade”, os três primeiros jogos tiveram ótimas adaptações pelo estúdio Kyoto Animation (KyoAni) e foram disruptivos na época de lançamento. O apelo dos títulos envolvia histórias dramáticas sem finais felizes, incluindo conflitos familiares ou problemas de doença terminal.
De uns tempos para cá, a partir de Little Busters, houve uma troca de estúdio devido a recusa da KyoAni em adaptar obras de romance visual. Aqui é necessário apontar que o estúdio feel. fez um ótimo trabalho com o que tinha em mãos. Summer Pockets é o primeiro título sem a presença da famosa Itaru Hinoue, artista principal dos jogos anteriores. Sem ela, um dos primeiros sintomas da obra transparece no design de personagem. Não quero pegar pesado com Na-Ga, atual responsável pelo design original, mas os personagens apresentam uma paleta de cores que já afasta, e que possivelmente vai impactar o próximo título da empresa: Anemoi. Além disso, em busca de resquícios da era de ouro da Key, foi feito um apelo ao drama familiar. Esperava que poderia haver uma história nova, já que em Rewrite, o título anterior, fomos apresentados a uma conspiração de terrorismo climático, completamente fora da zona de conforto do estúdio. O diferencial das histórias escritas por Jun Maeda está nas reviravoltas do roteiro, então prefiro não comentar spoilers, mas um drama datado com um design que evoca adolescência acaba atrapalhando o desfecho da história, que depende muito da emoção familiar que Clannad conseguiu gerar, por exemplo.
Acredito que Summer Pockets não conseguiu trazer nenhuma novidade, e se esta era a única expectativa que se tinha da história, então nada foi entregue. Ainda assim, a composição musical é uma marca registrada e nunca decepciona. Dá para ver no que a Key ou Jun Maeda estão focados, e com certeza é em manter a marca viva. Não sei se os fãs antigos, que hoje já possuem décadas de idade, conseguem acompanhar uma história que parou no tempo, e não sei dizer se isso será suficiente para atender uma nova geração que dificilmente vai prestar atenção em um livro em formato de jogo.
6.0/10

Watashi ga Koibito ni Nareru Wake Nai jan, Muri Muri! (※Muri ja Nakatta!?) [Plinio]
WataNare às vezes é paradoxal. É um bom recurso utilizar da comédia para suavizar temas dramáticos, e por mais que a bobagem seja predominante, é nos mínimos detalhes que tiramos lições que são valiosíssimas, principalmente quanto a abordagem de relacionamentos e o que se espera de um parceiro romântico. Amizade é uma coisa, namoro é outra, e é por meio da piada que o óbvio precisa ser dito. O paradoxo está em tentar ensinar usando humor. Ninguém espera que uma ótima lição de moral venha de uma comédia romântica bizarra.
A estrutura do anime compreende três arcos e cada um deles é protagonizado por uma das amigas de Renako. O primeiro é por Mai, o segundo é por Satsuki, e o último por Ajisai. Como uma fábula, estes arcos propõem lições de moral. No primeiro arco, somos apresentados a Mai, uma garota mimada, orgulhosa, irritante, oportunista, egoísta, narcisista, desonesta, arrogante, manipuladora, negligente, antipática, dissimulada, grossa, gananciosa… e também linda. O arco dela é todo sobre os limites do relacionamento, caminhando sempre no limite entre o permitido e o abusivo, e sobre Renako ter que ensinar para uma marmanja o que deveria ser aceitável em um relacionamento. É um arco bem desagradável, mas nele aprendemos que não se deve aceitar qualquer coisa vinda de um parceiro, e também que o “príncipe encantado” pode apenas aparentar sê-lo, mas a personalidade da beldade pode ser inversamente proporcional.
Para contrapor o arco da Mai, somos apresentados à Satsuki. Ela é uma garota que age com desconfiança, não exercitando o dinamismo social. Novamente, as aparências ditam que sua rigorosidade a fariam uma péssima companheira, entretanto, o apelo de Satsuki está em ser aberta a novas experiências. Conhecendo a personagem, temos que sua condição financeira e familiar a fez trabalhar muito nas aparências e passar a exigir respeito das pessoas, mesmo que cause uma má impressão. Esse é o tipo de caixinha de surpresas que um relacionamento pode oferecer. Um namoro não precisa ser eterno. É uma chance de conhecer a fundo uma pessoa, principalmente sua personalidade fora dos holofotes do cotidiano, e conhecer sua família, sua realidade e seus desejos. Satsuki é o tipo de pessoa que pode se julgar estranha ou interessante, a depender da sua própria boa vontade.
O último arco é o mais interessante e também o mais triste. Ajisai é uma menina fofa e aparenta ser bem confiável, o que Freud explica. O lado maternal de Ajisai faz com que ela priorize seus irmãos a todo custo, impedindo-a de aproveitar a vida. Seu arquétipo serve de simulacro de um relacionamento com um pai solteiro ou mãe solteira. A vontade dela se resume em poder se livrar das responsabilidades, pelo menos por um breve momento. A experiência com o conselho estudantil e como irmã mais velha fizeram dela uma pessoa que preza muito pelas aparências. A diferença deste arco para os outros é que o protagonismo da Ajisai parece ser maior do que o de Renako. Durante o arco, sentimos a ansiedade de Ajisai na comunicação. A vontade de curtir, de dizer, de aproveitar, transparecem no rosto. No entanto, ao contrário dos outros arcos, em que a personalidade das amigas de Renako são justificadas em suas conclusões, aqui a falta de tato de Renako é justificada, e que por mais que o amor seja mútuo, é necessário ter a coragem de dar o primeiro passo. É possível que você tenha sido o melhor namorado(a) em sua mente, mas você nunca se arriscou. É um aprendizado tardio, que justifica Ajisai brigar por seus direitos.
O maior defeito de WataNare é a presença de Mai em todos os arcos, e a grande vontade de comer artefatos cerâmicos transparentes à base de silício. Sua personalidade horrível faz parte do jogo. Mai é o “hétero top” que irrita mas que marca presença. É a pessoa que consegue o que quer porque não tem o tato que uma pessoa introvertida tem. Renako é permissiva com Mai, até porque sente que Mai tem o que falta nela. Os rumos da história são justificáveis, e infelizmente a realidade é dura. Toda a parte técnica do anime foi bem feita, justificada em algumas entrevistas com os produtores, que realmente amam a obra. Podemos julgar que WataNare se relaciona com o pudor e similaridade a comédias românticas tradicionais, que geralmente abordam relacionamentos heterossexuais. Sendo um adepto do gênero, não vejo muita diferença entre o anime Girls’ Love e qualquer genérico do tema. Acredito que isso seja bom, até porque não lida com o tema de forma excepcional, mas normal. Mesmo com a densidade dramática deste texto, no fim a maior parte do anime se trata de momentos de comédia e vergonha alheia.
7.0/10

WITCH WATCH [Plinio]
Para não ficar apenas na subjetividade ao julgar a qualidade das comédias, prometi a mim que, se um episódio de vinte e quatro minutos não me propiciar nenhuma gargalhada, significa que não possui valor prático nem objetivo como um anime do gênero. Felizmente, posso dizer que Witch Watch passa longe de ser sem graça.
Fazendo parte do catálogo de mangás da Weekly Shounen Jump, o anime abusa de piadas praticamente autorreferenciadas. Vai da perspicácia do espectador em captar essas referências, e como toda boa piada, perde a graça ao ser explicada. Por isso é bem compreensível que não seja um anime recomendado como porta de entrada para a mídia, e muitas vezes nem mesmo como iniciação ao gênero comédia. Aliás, sabendo que o mangá é regido por um editorial com normas bem estabelecidas, encontradas em qualquer lugar da internet, acho que romance é o que menos se deve esperar de Witch Watch.
Muitas críticas nos primeiros episódios vinham com um descontentamento com o romance teórico entre Moi e Nico. Já é norma a utilização de pares românticos para fisgar leitores da revista, então desde que você não seja ingênuo a ponto de acreditar que esse romance seria trabalhado, o anime ainda possui seu valor. Com a desconexão entre um episódio e outro, além de compartilhar várias características com o formato sitcom, é possível até mesmo pular episódios sem perder o contexto da obra. Também é evidente a falta de recursos que instiguem ansiedade em ver o próximo episódio. Existem alguns problemas, como a presença de vários “empatadores” que entram para o elenco, morando junto aos dois, e tornam a sua inserção praticamente imediata nas esquetes. A necessidade de alguns desses personagens é questionável, e essa percepção pode se transformar em decepção conforme os episódios avançam. Alguns núcleos, como o da professora otaku e sua aluna artista, são mais interessantes que o elenco principal. É possível que o futuro do anime se dê em mais episódios envolvendo outros personagens mais interessantes.
Confesso que eu acreditava que uma comédia era boa se te fizesse rir, e que isso era o suficiente. Talvez até seja, mas isso não te impede de ter monotonia. Talvez assistir ao anime em companhia, prezando menos pela obrigação de acompanhar e mais pela alegria de rir com alguém, seja uma abordagem melhor. Se assim o for, infelizmente não o tive.
Um comentário em “Impressões finais: temporada de verão (2025)”