Primeiramente gostaríamos de desejar um Feliz Ano Novo para todos os leitores do blog! Este ano será especial para nós, pois em poucos meses completaremos dez anos de existência. É difícil de acreditar, principalmente quando consideramos que a internet hoje em dia dá preferência para conteúdos em vídeo. Somos muito gratos por todos que nos acompanharam até aqui! Aos novos leitores: bem-vindos!
Nesta postagem vocês poderão conferir nossas primeiras impressões de Champignon no Majo, Hanazakari no Kimitachi e, Ikoku Nikki, Seihantai na Kimi to Boku, Tamon-kun Ima Docchi!? e Uruwashi no Yoi no Tsuki.

Champignon no Majo [Ana]
Champignon no Majo me surpreendeu bastante, talvez porque eu tivesse um pouco de dificuldade em saber o que esperar de um anime sobre uma bruxinha que deixa uma trilha de cogumelos por onde passa. Acredito que a estreia dupla tenha sido positiva para nos introduzir ao universo e ao conflito da nossa protagonista, Luna.
Primeiramente, a estética do anime é muito bonitinha e te leva a uma imersão completa, como se fosse um conto de fadas, principalmente pelo uso de recursos como narração, trilha sonora, paisagens e elementos de fantasia. No entanto, apesar do clima calmo e envolvente, ele também é bastante melancólico (mas não de uma forma carregada). Achei curioso como, principalmente no primeiro episódio, a Luna mal tem falas, mas ainda assim, as situações se desenvolvem pelo que acontece ao redor, seja pelo envolvimento dos outros personagens, pela narração ou simplesmente pela animação.
Em segundo lugar, mas não menos importante, também fui envolvida pelo próprio enredo, pois logo de início descobrimos que Luna vive reclusa na floresta com seus animais familiares, já que muitos têm medo de se associar a ela devido aos seus cogumelos venenosos e por ser considerada uma bruxa de “magia negra”, mesmo produzindo remédios e nunca tendo causado mal a ninguém até então. Essa reclusão faz com que Luna também tenha medo de conviver com outras pessoas. Isso até que ela conhece Henri, um rapaz muito doce e possivelmente a primeira pessoa que foi gentil com ela. No entanto, sem saber lidar com a situação, Luna claramente desenvolve sentimentos por ele e se deixa levar pelos mesmos, criando uma relação com um Henri que ela desenha no papel, sem se dar conta de que isso afetava negativamente o verdadeiro. Por sorte, ela acaba se redimindo no final.
Embora tudo tenha acontecido até um pouco rápido, acredito que foi intencional, para que os espectadores entendam o que o anime pretende abordar. Acredito que Champignon no Majo será delicado e emocional, possivelmente abordando temas como isolamento e aceitação, mas trazendo à tona o conflito entre conseguir se expor ao mundo e se relacionar com outros indivíduos, ao mesmo tempo em que isso pode causar prejuízos. Fiquei bastante feliz com essa estreia e estou curiosa para acompanhar o desenvolvimento da história.

Hanazakari no Kimitachi e [Lucy]
Nos últimos anos, várias adaptações de mangás antigos têm sido produzidas, ao ponto em que se tornou difícil chamar esse movimento de “onda”. Como é infelizmente comum na indústria, a frequência com a qual isso acontece com obras voltadas ao público feminino não é tão consistente, mas nesta temporada ganhamos mais um título para a lista: o escolhido da vez é Hana-Kimi, publicado entre 1996 e 2004. Foi um sucesso comercial no Japão e nos EUA, originou diversas versões em live-action ao redor da Ásia, e basicamente andou para que Ouran e outros shoujos do início do milênio pudessem correr. Mas será que a história ainda se segura trinta anos depois?
Acho que tem boas chances, até porque não é um enredo que se leva a sério. É fato que você não pode pensar por mais de dois segundos na premissa — não consigo parar de me perguntar como que a escola deixou uma menina se matricular, por exemplo —, mas acredito que para quem curte uma boa comédia romântica clássica (ou um harém reverso, talvez), Hana-Kimi será igual arroz com feijão: simples porém gostosinho. Pelo outro lado, dado que possui essa reputação de precursor do gênero, de um ponto de vista anacrônico acaba se tornando uma obra “básica” — você sabe como os acontecimentos vão se desenvolver e onde tudo vai chegar porque dezenas de histórias depois disso já reproduziram o mesmo roteiro. Óbvio que isso nunca parou ninguém, mas estou bem curiosa para ver como o anime será recebido por quem começou a acompanhar a mídia há menos tempo…
Sinceramente, acho que vai passar despercebido. Não é um projeto de alto nível, e estamos numa temporada abençoada para os fãs de shoujo e josei. Sejamos realistas: o trabalho do estúdio Signal.MD não se destacaria nem num período com menos concorrência. A equipe parece conseguir se virar bem com os recursos que possui, mas deixa um pouco a desejar no âmbito artístico. Me incomodou um pouco que os designs e cenários parecem simples demais. Houve uma tentativa de “atualizar” o traço da autora, mas sem incorporar muita personalidade, e o resultado é bem sem sal.
Ainda assim, estou otimista quanto ao meu aproveitamento da obra. Imagino que lá nos anos 90, a proposta de uma menina crossdresser se infiltrando num colégio masculino era inovadora, intrigante, talvez até ousada. Hoje, chega a ser meio engraçado pensar que a melhor palavra que tenho para descrever é “nostálgica”. Afinal, eu cresci lendo um monte de mangás shoujo e jogando otome games dos anos 2000 que beberam da fonte de Hana-Kimi e outros grandes sucessos da época. Sou parte do público-alvo dessa adaptação! Logo, sei que no final das contas, a chance de dar certo comigo é bem alta. Seria necessária alguma cagada monumental para eu mudar de ideia.
Espero que eu não tenha amaldiçoado a produção inteira com essa frase.

Ikoku Nikki [Mari]
Todos nascemos com uma única certeza na vida: a de que vamos morrer um dia. Nós passamos décadas tentando nos acostumar com o conceito de perda — seja ela de um animal de estimação, de um cantor que gostamos, de um amigo ou de um familiar. Ainda assim, quando o momento chega, dificilmente estamos preparados. E é pior quando a partida não é fruto de uma idade avançada, mas sim de uma doença súbita ou de um acidente. Em todo caso, no entanto, o processo de luto que se segue é extremamente doloroso e solitário.
Ikoku Nikki conta a história de Makio, uma escritora de 35 anos que nunca teve uma boa relação com sua irmã mais velha, Minori, pois tudo que ela sabia fazer era criticar Makio por ser diferente. Quando vem a notícia de que Minori e seu marido morreram em um acidente de carro, Makio não demonstra praticamente nenhuma emoção. Ela detestava profundamente a irmã, então vê-la partir não a afetou. Contudo, Minori e seu marido deixaram uma filha de 15 anos para trás, Asa, cujo futuro dali em diante era incerto. Ao se dar conta que a adolescente provavelmente seria passada de mão em mão até que pudesse viver de forma independente, Makio resolve adotá-la. Ainda assim, a tia não mede suas palavras: a casa dela é uma bagunça, ela não sabe como será a experiência de viver com outra pessoa e sequer pode prometer à Asa que irá amá-la. No entanto, ela garante uma coisa: ela jamais passará por cima dos sentimentos da sobrinha. Makio entende que o luto é vivido de maneiras distintas e que Asa é válida. Além disso, ela reitera: você merece coisas muito mais belas na sua vida.
O primeiro episódio já nos deu uma pequena noção da dinâmica que Makio e Asa terão morando juntas, mas eu estou ansiosa para ver que tipo de relação elas irão desenvolver. Também é nítido que Makio tem os próprios problemas e eu quero muito entender de onde vem todo o rancor que ela sente pela irmã e como ela vai curar essa ferida, visto que até o momento ela só demonstrou ódio, e odiar uma pessoa para sempre é extremamente cansativo.
Em termos técnicos, Ikoku Nikki é absolutamente fantástico. A direção acertou em cheio na construção da atmosfera da obra que nos atinge de uma maneira visceral. A raiva misturada com determinação de Makio; a tristeza e a solidão de Asa. É tudo tão palpável que parece que os acontecimentos são com a nossa própria família. Além disso, a animação está muito bonita e o trabalho feito pelas atrizes de voz, Miyuki Sawashiro e Fuuko Mori, é digno de nota. A Sawashiro em particular está estupenda no papel, provando que não é à toa que ela está no topo de uma indústria na qual ela trabalha há quase três décadas. Dito isso, Mori não está muito atrás: é a primeira vez que ela assume um papel principal e mesmo assim ela não deixa de brilhar ao lado de sua co-estrela. O ano acabou de começar, mas falo isso com tranquilidade e sem o menor exagero: se Ikoku Nikki mantiver a excelência de sua estreia teremos aqui um forte candidato a melhor anime de 2026.

Seihantai na Kimi to Boku [Plinio]
O meu primeiro contato com Seihantai na Kimi to Boku foi com os tradicionais trailers de anúncio que invadem as páginas iniciais através dos algoritmos, que costumam seguir suas preferências pessoais. Para algo assim chegar até a mim, significa que me tornei adepto de comédias, romances, e consequentemente, comédias românticas. Considerando que este caso aconteceu aproximadamente um semestre antes da estreia, os meses seguintes de eternas propagandas em um usuário de navegador sem bloqueador de anúncios só mostraram que existia uma expectativa sendo construída pela Crunchyroll para com este anime, em específico. Ora, o que este anime teria de diferente de uma comédia romântica normal?
O recurso principal que Seihantai utiliza é sua objetividade, aproveitando-se de uma guerra eterna entre os fãs e críticos do romance “slow burn”. Um cidadão de um país qualquer, quando observa os ritos de romance através de uma ficção japonesa, instintivamente se questiona se realmente é necessário todo esse rigor com um simples toque na mão. Um beijo na mão, aos moldes da tradição de nobreza medieval, seria pornográfico se aplicado a estas obras. É surpreendente que tenhamos que alertar para spoilers em um primeiro episódio, mas talvez grande parte da sua emoção venha de algumas reviravoltas que acontecem logo na estreia. Por isso, cito apenas uma frase dita pela protagonista, indicando o teor do episódio: “Quem diria que seria tão fácil dizer o que sente”. É bem provável que os próximos episódios não sejam tão focados em um casal principal, mas sim nos relacionamentos dos colegas deles, revezando o protagonismo entre os personagens. Acredito que Seihantai na Kimi to Boku oferece algo similar ao romance de Tsurezure Children, porém na esperança de se tratar de casais mais interessantes.
O anime é dirigido por Nagatomo Takakazu (diretor de episódio em Nami yo Kiite Kure, Sangatsu no Lion, Heike Monogatari), com roteiro da Utsumi Teruko (Sarazanmai, Ryman’s Club). A composição da trilha sonora é feita pelo cantor e DJ Tofubeats (Hokkyoku Hyakkaten no Concierge-san). O design de personagens é de Miyako Mako (Pan Dorobou). O estúdio de animação é Lapin Track (Shoushimin Series, Sarazanmai, Undead Girl Murder Farce).
½

Tamon-kun Ima Docchi!? [Plinio]
Tem adaptações que vêm para o bem. Inclusive, parece que nós frequentemente as classificamos de acordo com o material original, quase que limitando a liberdade criativa dos responsáveis pela transformação em nova mídia. Tamon-kun Ima Docchi!? é o tipo de anime de comédia que você não enxerga tendo o mesmo impacto no formato de mangá, exercendo um notório trabalho de “transdução” artística.
Nesta história acompanhamos Kinoshita Utage, uma jovem garota que se tornou adepta do Tamonismo, religião que segue o idol Fukuhara Tamon. As maiores loucuras de uma fanática e de suas colegas de religião se transformam em piadas hiperbólicas. Em um dos momentos de necessidade (lê-se sem dinheiro para shows), Utage aceita trabalhos de meio-período, principalmente como diarista. Ao se direcionar à casa do cliente, lá encontra Tamon, em uma aura completamente diferente do Messias que ela venera. Seu trabalho como diarista não apenas se trata de cuidar das tarefas domésticas, mas também do lado depressivo de Tamon, para que o mesmo performe da forma que Utage e outros fãs desejam.
Existem alguns animes que viralizam por seu teor inesperado. Ao olhar para a staff de animes como Yuru Camp ou Bocchi the Rock, não se esperam trabalhos muito complexos, pois são feitos por pessoas que não possuem um currículo extenso ou grandes referências. É nesse momento que um jovem performa e transforma seu currículo. Acredito que o apelo de Tamon-kun é ser exagerado, direto, agitado e criativo, mostrando que a equipe possui completa liberdade em fazer uma releitura das cenas do material original e melhorá-las.
A equipe de produção é majoritariamente composta por mulheres, como a diretora Nagaoka Chika (Uta no☆Prince-sama♪ Maji LOVE ST☆RISH Tours), a roteirista Nagai Chiaki (22/7: Nanabun no Nijyuuni), a compositora musical Tabuchi Natsumi (Adachi to Shimamura, Go-toubun no Hanayome) e a designer de personagem Itou Youko (Amanchu!, ARIA The CREPUSCOLO, Ai no Utagoe wo Kikasete). O estúdio de animação é o J.C.STAFF (Kujira no Kora wa Sajou ni Utau, Amanchu!)

Uruwashi no Yoi no Tsuki [Lucy]
Cara… É complicado.
Desde o início da publicação do mangá, Uruwashi no Yoi no Tsuki é uma série polarizante. Eu entendo que muita gente vai revirar os olhos após ler a sinopse, com toda a razão, porque é uma premissa enraizada em heteronormatividade… e meio batida já, né? Na época, eu dei uma chance porque gostava muito de uma outra obra da autora, e preciso confessar: eu me identifico um tanto com a Yoi.
Eu sempre fui uma criança bem masculina, tanto nos gostos quanto em como eu me portava. Os comentários que eu ouvia eram muito mais homo/transfóbicos do que os que a Yoi ouve ao longo do episódio, mas ainda assim, eu sei muito bem o que é esse sentimento de ser colocada como um “outro” que ela expressa ao longo do episódio, e acho que muita gente vai conseguir captar o sentimento também. O negócio é que a execução disso ao longo dos capítulos me perdeu completamente, e eu acabei largando o mangá depois de um tempo. Não sei o que foi feito desse conflito, mas também não interessa agora, estamos ainda nas primeiras impressões do anime.
O que nos leva ao elefante no quarto: a adaptação tornou a situação ainda mais complicada para mim. Eles conseguiram sumir com a androginia da menina, o que acaba por estraçalhar o conflito principal. A ideia de um romance onde uma garota se torna mais feminina impulsionada por um interesse romântico já tem tudo pra dar errado, mas quando você parte do ponto onde ela visualmente já é super fofinha, só ocorre de ter cabelo curto, no que mais ela vai mudar? Quando estava conversando com a Mari sobre minha opinião, ela sintetizou de uma maneira ímpar: “é tipo a pessoa fazendo um bolo com ingredientes que não são tão bons assim, mas se fizer direitinho, fica comestível. Só que aí queimaram o bolo.”
Neste blog, amamos fazer analogias culinárias.
Enfim, deixando minhas questões pessoais de lado, é um anime certamente bem produzido. Nunca vou cansar de aplaudir quando capricham em animes para o público feminino, então preciso ressaltar: a animação é bem gentil aos olhos, o character design dos demais personagens ficou bem adaptado, e acredito que o estúdio tenha se beneficiado de ser uma obra mais “baixa energia”, mais pé no chão. É a primeira obra do East Fish Studio que assisto, então nesse aspecto, estou completamente cega: nunca nem ouvi falar deles, então não sei como é a reputação do time… terei que ver mais para formar opiniões.
E no final das contas, o romance – que é o coração da obra – não é de todo ruim. Gostei do interesse romântico da protagonista e do jeitinho “atacante” dele, e de certo modo, é fofo que ele a ajude a encontrar sua autoestima. O problema é se ele for a única força motriz dessa mudança, e é isso que eu mais temo daqui em diante…