Primeiras impressões: temporada de primavera (2026)

Se um dia fomos tristes, não nos lembramos — este é o tamanho do potencial da temporada de primavera de 2026. Nesta postagem vocês poderão conferir nossas primeiras impressões de Akane-banashi, Awajima Hyakkei, Ganbare! Nakamura-kun!!, Hidarikiki no Eren, Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana, Koori no Jouheki, LIAR GAME, MARRIAGETOXIN, Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai, Tongari Boushi no Atelier e Yomi no Tsugai.

Akane-banashi [Ana]

Esse não é o primeiro anime sobre rakugo no qual me aventuro. Em 2016, Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu estreou, se popularizou e foi bastante aclamado. Embora eu reconheça sua qualidade, não foi uma obra que me pegou tanto. Ainda assim, aqui estou eu, dez anos depois, dando uma segunda chance a essa forma tradicional de contar histórias — até porque Akane-banashi parece seguir um caminho bem diferente (e minha intenção também não é fazer comparações).

Mesmo sendo um episódio bastante introdutório, ele conseguiu me fisgar logo de cara. Nele, somos apresentados à motivação de Akane para entrar no mundo do rakugo: seu pai, Tooru. Ainda criança, ela o observava e até o imitava, com extremo fascínio, enquanto ele treinava para alcançar o posto mais alto de shin’uchi — era o início de um sonho que deu tudo errado. Tooru se apresenta diante de uma plateia e de um mestre de rakugo sênior, e por mais que a gente já imaginasse que ele pudesse não conseguir, o desfecho é ainda pior: Tooru é expulso da escola de rakugo e desiste da carreira. Mas Akane não se conforma com isso e, ao fim do episódio, ela está com 17 anos e carrega sangue nos olhos para vingar o seu pai.

As coisas realmente vão começar a partir do próximo episódio, mas sinto que não será uma jornada fácil. Além de ser uma arte sobre cativar uma plateia contando histórias, o rakugo é uma cena historicamente dominada por homens, embora hoje em dia haja mulheres que se dedicam a ela.

Por fim, sinto que Akane-banashi tem bastante potencial. Não apenas por saber que é um dos sucessos recentes da Shounen Jump, mas também pela adaptação estar bem bonita — a animação e o character design estão incríveis e mal posso esperar pelo próximo episódio!

⭐⭐⭐⭐⭐

Awajima Hyakkei [Mari]

O anime de Awajima Hyakkei é baseado em um mangá de mesmo nome escrito e desenhado por Shimura Takako, uma autora conhecida por trabalhar com histórias voltadas ao público feminino e LGBT e que é amplamente elogiada e premiada por suas obras. Finalizado com cinco volumes, Awajima Hyakkei foi o vencedor do 19º Japan Media Arts Festival Excellence Award em 2015.

A história se passa na Escola de Ópera de Awajima, onde garotas de todo o país se reúnem na busca de seus sonhos. Apesar de o primeiro episódio iniciar com foco em Tabata Wakana, uma caloura que acaba de se mudar para o dormitório da escola em questão, não me parece que ela será a nossa protagonista — ou pelo menos não a única — visto que passamos mais tempo com a monitora de residência, Takehara Kinue, do que com ela. Enquanto Wakana é facilmente impressionável e chegou a Awajima sem pensar muito sobre o que isso realmente significa, Kinue parece ter mais compostura e saber o que está fazendo. 

“Parece” é a palavra-chave aqui — Kinue não é muito diferente de Wakana, frequentemente questionando-se “o que eu estou fazendo aqui?”. 

Eu imagino que, para além do ambiente competitivo no qual o objetivo é se tornar uma estrela, Awajima Hyakkei será sobre descobertas. A sociedade espera que saibamos o que queremos fazer das nossas vidas aos 17-18 anos de idade, mas a verdade é que muitas vezes não temos a menor ideia e, quando temos, a realidade tende a diferir bastante do que imaginávamos. Eu estou curiosa para ver quais caminhos as personagens de Shimura-sensei trilharão aqui.

A adaptação está visualmente bonita e a equipe conseguiu traduzir bem o traço da autora para a tela. O estilo utilizado é praticamente o mesmo de Hourou Musuko, o que não é nenhuma coincidência considerando que ele também foi animado pelo estúdio MADHOUSE, mas o ponto curioso é que, apesar da semelhança, nenhum nome se repetiu na direção, composição de série, character design, trilha sonora, etc, das duas obras. Por fim, pelo que pude ver no pôster e nos trailers do anime, é provável que tenhamos três núcleos de personagens sendo explorados simultaneamente, o que me faz temer um pouco pela coesão da narrativa… Mas vou aguardar mais episódios para formar minha opinião sobre essa escolha.

⭐⭐⭐⭐

Ganbare! Nakamura-kun!! [Ana]

Realmente Força, Nakamura-kun!!, porque além de ser um garoto tímido, gay e apaixonado pelo seu colega de sala, como ele mesmo se autodenomina, ele precisa passar por situações absurdamente constrangedoras na frente de seu crush — ainda bem que o Hirose parece ser a pessoa mais de boa do universo. Mesmo assim, Nakamura terá um longo caminho a percorrer… O menino não sabe nem o que é um BL…

Ganbare! Nakamura-kun!! chegou com estreia dupla (isso está se tornando uma tendência?) e não sei se era de fato necessária, mas ao menos ela permitiu mostrar um pequeno avanço na aproximação entre ele e Hirose. Por mais que as situações nem sempre saiam como Nakamura planejou, a gente sabe que ele está tentando o melhor que pode para vencer sua timidez, inclusive criando coragem para perguntar se Hirose quer ser seu amigo.

Depois de inúmeras histórias com casais héteros nessa vibe do personagem tímido tentando aproximação, é interessante ver essa proposta em versão BL. No geral, achei a história bastante divertida, embora alguns momentos sejam um pouco constrangedores demais, mas um spoiler de quem já viu o terceiro episódio é que isso dá uma melhorada, e a adição de outros personagens na dinâmica acabou funcionando bem.

A adaptação também está bem animada. O design dos personagens lembra bastante animes mais antigos, inclusive acho incrível como na abertura o Nakamura parece ser um protagonista de battle shonen, mas nesse caso a batalha é com ele mesmo, haha! De qualquer forma, apesar de não esperar grande profundidade, sinto que vai ser algo divertido de acompanhar.

⭐⭐⭐⭐

Hidarikiki no Eren [Lucy]

Hidarikiki no Eren parece ter uma lista de ideias prontas para me agradar: drama, elenco adulto, temática relacionada à arte e criatividade, ambientação no final dos anos 90 até o início da década de 2010, um bom tema de abertura como bônus…

Contudo, infelizmente, ainda não fui 100% convencida pela obra. Estou curiosa sobre como essa extensa linha do tempo vai se conectar, e mais urgente, como os personagens terão se desenvolvido depois desses doze anos. Se eles ainda estiverem agindo com os nervos à flor da pele, entretanto, vai ficar bem mais difícil de eu levar a história a sério. Claro que reconheço que ainda estão na adolescência, essa introdução não é nada além de um longo flashback, e para mim está nítido que esse exagero nos extremos opostos de visão e atitude são propositais.

O problema maior é que até agora não fui conquistada pela dupla central da obra. Nossa personagem-título me soou um tanto unidimensional, se assemelhando mais à um recurso do roteiro no nível de complexidade de uma “manic pixie dream girl”, mas não vou mentir que estou apostando minhas fichas que isso será resolvido quando revelarem que aconteceu com o pai dela. Ter um pouco mais da perspectiva dela ao longo dos episódios também ajudaria muito, na verdade, porque também estou sem muita paciência para o idealismo cego do protagonista. Tenho expectativas semelhantes para ele, que parece desesperadamente querer viver um roteiro de mangá shounen dos anos 90. Tenho certeza também que em dentro de três episódios ele vai quebrar a cara de maneira desastrosa! O único risco que corremos aqui é que eu, também, quebre a cara se nada disso acontecer.

Estou, entretanto, me mantendo um tanto esperançosa. O embate filosófico central à obra é interessante, além de terrivelmente relevante para todo mundo que se envolveu com algum tipo de arte desde jovem. Como alguém que escolheu um caminho parecido com o que o Koichi traçou para si no início do episódio, fico intrigada com quais aspectos dessa vivência o autor preferiu abordar. Imagino que não será algo totalmente preto no branco como os personagens fazem parecer na ingenuidade deles; seria muito interessante ver como personalidades tão explosivas lidariam com o “mundo real”.

Tratando-se dos termos técnicos da produção, os destaques acabam vindo mais da direção de storyboard do que de arte (apesar de eu ter gostado bastante do graffiti-desabafo da Eren); alguns momentos me saltaram aos olhos como tentativas mais ambiciosas de traduzir o espírito artístico inerente ao enredo. Acho uma ótima ideia, afinal, a temática demanda que a obra abrace criatividade e invenção. Ia fazer um pequeno comentário sobre o orçamento não permitir isso plenamente, mas durante minhas pesquisas para escrever esse trecho, descobri que o anime está sendo parcialmente financiado pelo próprio autor do mangá! Acaba ficando inevitável torcer para que a empreitada dê certo. Tanto pelo esforço dele, quanto pelo meu entretenimento…

⭐⭐⭐½

Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana [Plinio]

Não existem segundas intenções quando se está bêbado. É por conta da facilidade em transmitir as reais vontades que algumas drogas estão presentes na história da humanidade. Alguns estudos citam que a produção de cereais, como a cevada ou o trigo, foram primariamente desenvolvidos para produzir bebidas fermentadas antes mesmo de desenvolver uma culinária a partir delas. Isso porque há relatos de chimpanzés que administram consumos alcoólicos fermentados para estabelecer maior dominância social, seja por meio da violência ou por meio das atitudes extravagantes sob o efeito do álcool. É tudo sobre a vontade de potência.

Em Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana, a protagonista de mesmo nome (Kamiina Botan) se apresenta a um dormitório feminino, mais similar a uma república estudantil, onde vivem cerca de outras 5 estudantes universitárias. Como pessoas adultas, todas vivem de responsabilidades e experiências próprias, com histórias obscuras que não são facilmente declaradas quando sóbrias. Tentando se aproximar de Ibuki, que possui um hobby de degustação de bebidas alcoólicas, e realizando sua primeira experiência com álcool após sugerir o insumo como forma de “quebrar o gelo” entre si e sua veterana, Botan se torna uma outra pessoa, ou melhor, ela mesma. Suas falas indicam um interesse íntimo em sua veterana, expondo a luxúria que é retida pela máscara social. Um tesão indescritível.

A companhia segue para casa, quando a caloura convida sua colega para beber no quarto. Na presença de outras personagens da república, uma aparente inveja surge pela facilidade de Botan ao se aproximar de Ibuki, e Gujou Kanade, uma estudante de mestrado, busca compreender o segredo do sucesso. Fumante, Kanade parece utilizar do tabaco para diminuir a tensão de momentos críticos. Percebendo que a relação nesta casa será bem complicada, Botan se aproveita para florescer seu lado caótico.

Este é o segundo trabalho de animação do estúdio Soigne, responsável pela adaptação de mono. O estilo de arte busca a confortabilidade, pensando justamente na atmosfera pelo qual outros adultos poderiam aceitar. Afinal, a história se trata de pessoas adultas, sobre problemas de pessoas adultas e direcionada para adultos. A trilha sonora é composta por Hashiguchi Kana (A3! Season Spring & Summer, Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e 2nd Season), que escolhe um tema acústico leve, puxado para o light rock. A compositora de série é Yonaiyama Youko (Yubisaki to Renren, Paripi Koumei, mono), e já está anunciada na equipe da segunda temporada de Skip to Loafer, sendo este anime um bom termômetro para os trabalhos futuros. E citando também as atrizes de voz de Kamiina Botan e Tonami Ibuki, Suzushiro Sayumi e Aoyama Yoshino, respectivamente, foram responsáveis por outras personagens interessantes, como Miyu de Seihantai na Kimi to Boku por parte de Suzushiro, e Himedaka Sakura de Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai, por parte de Aoyama. Ambas destacam-se na corrida pela melhor atriz de voz do ano, com papéis muito notáveis. Acredito que minhas impressões finais do anime serão muito apologéticas ao uso de drogas recreativas, então já peço desculpas pela quebra de expectativa.

⭐⭐⭐⭐⭐

Koori no Jouheki [Plinio]

“Diga-me com quem andas e te direi quem és.” Nossos relacionamentos cotidianos costumam ser repletos de intrusos: pessoas que não escolhemos conhecer, mas que surgem como uma “venda casada” por serem amigas daqueles que estimamos. Há também quem sejamos obrigados a conviver, como colegas de trabalho, de estudo ou da igreja. Sem podermos interferir nessa ordem natural, aceitamos a convivência forçada. Para lidar com esse dilema, Koori no Jouheki testa a hipótese que habita o imaginário comum de um estadunidense: levantar um muro… de gelo.

Acompanhamos Hikawa Koyuki, uma jovem fechada e solitária. Marcada por casos de bullying no ginasial, ela se culpava pelos abusos sofridos, acreditando que sua falta de reação gerava uma permissividade automática. Por isso, buscou mudar sua personalidade ao ingressar no ensino médio. Apesar do passado difícil, ela manteve contato com sua amiga Azumi Miki e, graças aos seus temperamentos opostos, consegue aproveitar o colégio com quem realmente importa. Miki tenta apresentá-la a novos amigos que possam respeitá-la, mas resta saber se Koyuki conseguirá abrir sua rígida barreira para aceitá-los.

O primeiro episódio é tão inexpressivo quanto a própria protagonista. A história parece não saber como prender o espectador: não há um mistério claro, uma motivação forte ou um obstáculo evidente a ser superado. O único ponto de interrogação é a mudança na aparência de Koyuki, o que soa como um retrocesso se comparado a certas obras de temáticas semelhantes da mesma autora. Ao observar diferentes adaptações, percebe-se que os cortes de conteúdo, tão criticados pelos fãs do material original, às vezes têm sua utilidade. Koori no Jouheki marca a estreia de Agasawa Koucha como autora, embora sua segunda obra, Seihantai na Kimi to Boku, tenha sido adaptada na temporada anterior. É nítido como a maturidade do segundo trabalho, com interações dinâmicas e design vibrante, contrasta negativamente com os parâmetros de Koori no Jouheki.

Infelizmente, as falhas narrativas aqui se somam aos problemas de produção. Direção e roteiro parecem jogar em times opostos. Enquanto a direção se esforça para dinamizar as cenas, o roteiro escolhe momentos em que literalmente nada acontece. O resultado é a sensação de que tentam enganar o público com uma estreia que, definitivamente, não empolga.

⭐⭐½

LIAR GAME [Lucy]

No espírito das comemorações dos dez anos do Rukh no Teikoku, temos a adaptação de um mangá que estou enrolando para ler desde ANTES da fundação do blog. O tempo voa, né? E ao mesmo tempo, tudo permanece igual. Pela segunda temporada seguida, estou acompanhando um anime cuja versão original é do início do milênio, e sua influência pode ser sentida até hoje. Não estou reclamando dessa coincidência! Sou eu que escolho o que resenho, e como já ficou claro anteriormente, eu adoro revisitar essas histórias.

Dessa vez, estou me divertindo com um remanescente da época do boom do seinen de jogos de alto risco — e apesar da produção um tanto limitada, acho que o estúdio Madhouse é uma escolha perfeita para esse anime. Faz totalmente o estilo que associo com os trabalhos deles: obras voltadas para o público adulto, suspense, joguinhos mentais. Death Note, Kaiji, Monster, Paranoia Agent… todos foram animados pelo Madhouse mais ou menos na mesma época da publicação do mangá de LIAR GAME. Logo, confio plenamente na capacidade da equipe; estou tranquila quanto à adaptação. O único problema é que essa “produção limitada” que mencionei pode acabar atrapalhando um pouco a experiência. A animação está bem estática, e apesar da direção tentar compensar isso com algumas pequenas invenções de ideias no storyboard, não sei se será o suficiente para carregar o visual.

Ou seja, de resto, tudo depende do roteiro, né?

Pois: se você não aguenta protagonistas “tapados”, recomendo que não tente sobreviver ao primeiro episódio. Nao é uma menina tão ingênua que beira à estupidez, não possui um neurônio capaz de pensamento crítico. A narrativa coloca ela como a maior coitada do mundo, e ainda assim ela permanece com uma fé imutável no bem da humanidade… e é por consequência das ações dela que ela se afunda ao longo do episódio, então fica um pouco complicado tentar defendê-la.

Ainda assim, vou fazer uma pequena tentativa. Acho que a escrita da história opta por exacerbar todo traço de personalidade dos personagens, porque em algumas cenas, os diálogos chegam a ser caricatos de tão exagerados. Talvez seja a maneira do autor de enfatizar o ponto que ele quer apresentar… O único porém é que esse ponto hipotético ainda não está muito claro, mas óbvio, só tivemos 24 minutos de história até o momento. E nenhum mísero segundo foi desperdiçado, diga-se de passagem. É tudo bastante direto ao ponto e sem muitas justificativas, mas não creio que seja o momento para isso também. Para mim, LIAR GAME parece uma questão de dar tempo ao tempo…

Por hora, vou deixar as coisas se desenrolarem um pouco mais antes de eu estabelecer uma opinião um pouco mais forte. Estou disposta a dar essa chance, até porque a dinâmica entre os protagonistas parece que vai ser divertida, ao menos, mas caramba… Talvez eu realmente esteja começando a ficar muito chata, porque só consigo pensar “claro que a menina é burra feito uma porta e é um homem que vai salvar ela”. Queria, de fato, poder voltar para 2015 e conseguir desligar meu cérebro um pouquinho mais antes de começar a assistir o segundo episódio.

Mas se tem uma coisa que não mudou desde aquela época, é o fato de que eu adoro personagens golpistas e mestres do disfarce. Logo, meus dedos estão cruzados pelo sucesso dessa empreitada.

⭐⭐⭐

MARRIAGETOXIN [Ana]

Quando vi os trailers de MARRIAGETOXIN eu já imaginava que seria uma palhaçada e, bem, eu estava certa, mas ainda assim é o tipo de palhaçada que me diverte facilmente. O primeiro passo é eu fingir que meus conhecimentos de toxicologia não existem e que meu cérebro é lisinho — assim, me sinto pronta para um universo onde um “mestre dos venenos” precisa encontrar uma esposa.

Brincadeiras à parte, MARRIAGETOXIN combina elementos peculiares que acabam funcionando juntos. Hikaru Gero é um assassino que, para garantir a continuidade do seu clã e poupar a irmã (lésbica) de ser forçada a se casar e ter um herdeiro, decide encontrar uma esposa, mesmo tendo zero experiência com relacionamentos. Por ironia do destino, seu alvo atual é Mei Kinosaki, uma golpista de casamentos, e nada mais perfeito para a ocasião do que propor que ela o ajude nessa empreitada em troca de poupar sua vida, certo? As expectativas deles em si virarem um casal já são quebradas logo no início (ou será que não? kkk), mas é certo que as interações entre eles ainda vão render ótimos momentos.

Terminei o episódio rindo e me perguntando “o que diabos eu tô assistindo?” ao mesmo tempo em que afirmava “foi para isso que eu vim”, então tudo certo. A animação está incrível, as cores chamam bastante atenção e o character design é bem bonito. Mal posso esperar para os próximos episódios.

⭐⭐⭐⭐⭐

Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai [Plinio]

Em maio deste ano completam-se 10 anos desde o primeiro teaser de Violet Evergarden. Escrita por Kana Akatsuki, a light novel foi vencedora de um dos prêmios da Kyoto Animation para obras literárias, e como uma das recompensas, houve o anúncio de uma adaptação para anime. A autora fez seu sucesso a partir dessa obra, que já de início parecia ser rica e cheia de nuances. O maior marketing por trás de Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai é Kana Akatsuki, e se não fosse por isso, talvez esse anime não tivesse outra chance.

O ciclo sazonal segue de acordo com rituais de agentes das estações, que trazem as características de cada período referentes àquele clima do ano. No meio do inverno, Hinagiku Kayo, a agente da primavera, é sequestrada, impedindo assim a realização do ritual que encerraria a temporada e mergulhando o Japão em um inverno sem fim. Cada agente possui um servo, responsável por sua defesa pessoal. Sakura Himedaka, serva de Hinagiku, se martiriza pela falha na defesa de sua mestra perante seu sequestro, e jura que irá encontrá-la e nunca mais irá deixá-la sozinha.

O anime é sobre romance, apesar de tudo. Esse é o porto seguro da autora, então por mais que haja muito drama no primeiro episódio, é extremamente provável que seja uma história sobre perdão e reconexão. Gostaria de compartilhar uma experiência prática, que mimetiza bastante essa relação entre estações, principalmente entre a primavera e o inverno. Em regiões de clima temperado, existem cultivares adaptadas para condições ambientais especiais, como uva e maçã, que necessitam de geadas para crescerem fortes e saudáveis. A geada atua como uma espécie de máquina de criogenia, conservando as folhas e eliminando as pragas. É uma dança harmoniosa entre o inverno, que é rigoroso e desolador, e a primavera, que é delicada e estimulante. A passagem de uma estação para a outra é como um abraço de despedida entre dois fenômenos naturais. Apesar disso, nem tudo são flores. Às vezes, por conta de fenômenos raros, a umidade do ambiente torna o inverno desolador, e em vez de proteger as plantas, ele as machuca (por meio de eventos de baixa umidade). Pesquise sobre “geada negra” para entender melhor o fenômeno. É uma pequena contribuição que acredito que possa guiar, metaforicamente, a história.

A estrutura do primeiro episódio parece seguir as histórias episódicas de Violet Evergarden, onde somos apresentados a uma problemática, envolvendo um figurante que entrega uma missão ao protagonista. Ao compreendermos a motivação por trás do pedido, nos emocionamos. As informações realmente importantes são derrubadas às migalhas durante os episódios, e quando reunidas aos montes, temos o verdadeiro enredo do anime. Hinagiku é uma pessoa frágil, com pouca articulação na voz, e que parece não confiar em ninguém que não seja Sakura. Somado ao fato de ter sido sequestrada, parece que o resultado foi um trauma que a impede de realizar seu papel. Para minhas primeiras impressões, nada foi muito concreto, mas como dito anteriormente, faz parte da estrutura narrativa. Ter uma protagonista tão inerte pode te deixar receoso, então acredito que, dada a reputação da autora, e pela construção de mundo e suas regras sobrenaturais, podemos ter episódios bem emocionantes.

O estúdio responsável pela animação é o WIT STUDIO, e o único destaque de peso na produção que conheço é Kensuke Ushio, compositor musical responsável por Chainsaw Man, Ikoku Nikki, Heike Monogatari e muitas outras obras famosas. Tal qual análises de bancada, creio que a variável fixada aqui é o material original. A responsabilidade por qualquer defeito de ritmo, ambientação, coerência, e outras variáveis da adaptação, deverá cair sobre a própria produção do anime.

⭐⭐⭐½

Tongari Boushi no Atelier [Mari]

Um tiro na cara teria doído menos.

Tongari Boushi no Atelier — internacionalmente conhecido como Witch Hat Atelier — parece, à primeira vista, ser uma história de fantasia qualquer. A protagonista Coco, uma menina que deve ter os seus dez anos de idade, é apaixonada por magia. No entanto, ela não possui a capacidade de usá-la e passa seus dias apenas sonhando com tal possibilidade enquanto ajuda sua mãe no ateliê da família. Por se tratar de uma habilidade que é supostamente inata, Coco se convence de que simplesmente poder admirar outras pessoas fazendo uso da magia é o suficiente para deixá-la feliz. Tudo vai muito bem, obrigada, até que um incidente vira o mundo de Coco de cabeça pra baixo e ela descobre que a tal da magia não é um mar de rosas.

De cara, Tongari Boushi no Atelier propõe um questionamento: quando uma criança faz algo errado, sem ter noção das graves consequências, ela merece ser punida? Se sim, como? Se não, quem lidará com as consequências? 

Assim como eu e você, leitor, podemos ter respostas diferentes para essa pergunta, os personagens de Tongari Boushi no Atelier também têm. Não entrarei em detalhes para não estragar a experiência de quem ainda vai assistir aos dois primeiros episódios — sim, tivemos uma estreia dupla —, mas me considero no mínimo intrigada. Estou ansiosa para descobrir qual será o desenrolar das aventuras e desventuras de Coco e dos outros personagens que ela conhecerá no caminho.

Por fim, vale destacar que o anime está um espetáculo! Os visuais são vívidos, com uma fluidez raramente encontrada em adaptações sazonais. Certamente o período de espera entre o anúncio em 2022 e a estreia, inicialmente prevista para 2025 e adiada para este mês, valeu a pena. Agora nos resta apenas torcer para que a qualidade seja mantida até o fim.

⭐⭐⭐⭐⭐

Yomi no Tsugai [Mari]

Vou ser sincera com vocês: eu terminei o primeiro episódio de Yomi no Tsugai que nem o meme da Nazaré.

Vejam bem: quando a autora que criou uma das obras mais influentes dos anos 2000 resolve lançar um novo trabalho, todos ficam atentos. Já faz mais de quinze anos que Fullmetal Alchemist acabou e até hoje as pessoas argumentam — com certa razão — que esse é um dos melhores animes de todos os tempos. Além disso, não demorou muito para que Arakawa desse continuidade ao sucesso estrondoso de FMA com o lançamento de outro mangá, Gin no Saji, que também colecionou elogios e prêmios apesar de não ter tido tanto apelo popular quanto seu antecessor (em parte por tratar de temáticas completamente diferentes). Sabendo de tudo isso, como não se empolgar com Yomi no Tsugai?

Bem, o primeiro episódio fez com que eu segurasse um pouco as minhas expectativas. Embora eu tenha plena confiança na capacidade de Arakawa de escrever boas histórias, eu achei esse começo muito confuso. A gente vai de uma vila pacata com pouca ou nenhuma tecnologia onde as pessoas convivem em paz a uma invasão aérea e terrestre por parte de um exército — com todo o aparato que forças militares do século XXI teriam — que não sabemos de onde veio em questão de pouquíssimos minutos. Os personagens que supostamente eram gêmeos não são gêmeos… Mas na verdade são gêmeos sim. Ah, e tem umas paradas sobrenaturais acontecendo ao mesmo tempo. 

Em resumo, é uma salada de frutas total. Agora nos resta esperar para ver se o sabor vai ficar bom com o preparo da chefe ou se vai virar uma parada incomível. 

(Pelo menos a aparência está boa).

⭐⭐⭐⭐

 

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