Especial | Por que ler One Piece em 2020 pode ser muito bem-vindo?

Este texto foi redigido pela Pah, dona do Chimichangas, em um projeto colaborativo com o Rukh no Teikoku.

One Piece é um título bem comentado em praticamente qualquer época do ano, seja pelas vendas surreais de seus volumes, seja pela propaganda de muitos fãs tentando mostrar as qualidades da história, ou mesmo pelo tamanho imenso que a jornada tem. Mesmo com empecilhos e barreiras naturais, One Piece é um ótimo mangá para começar a ser lido em 2020, e esse texto vai tentar explicar o porquê.

No dia em que esse texto está sendo escrito, One Piece já está com quase 95 volumes. É muito volume. É muita história. Isso é inegável. Por isso é fundamental que se tenha em mente que nem todo mundo tem a condição de dedicar tanto tempo para ler 95 volumes em um pouco mais de meio ano.

E a ideia não é dizer que você precisa devorar a história para estar em dia ainda esse ano. No entanto, One Piece não é uma história conhecida por leitores dropparem, ou deixarem de lado na metade de uma saga. Isso acontece porque a história é bem dinâmica de ler, apesar da quantidade de volumes.

E é por isso mesmo que a recomendação neste texto é para que você leia, e não veja o animê. Isso quer dizer que o animê não tem seu valor? Não, na verdade o fandom de One Piece adora o animê, e por vezes há fãs que preferem animado. Mas há de se pesar a questão da dinamicidade.

A quem nunca viu nada de One Piece na vida, começar hoje no animê é realmente pedir para demorar mais para chegar aos atuais. Além dos fillers, que são comuns nesse tipo de produção, a Toei Animation, responsável pela adaptação, possui um tempo bem apertado para entregar os episódios e fazem de tudo para estarem atrás do mangá, para que o animê não entre em hiato.

E nessa condição há bastante adição de cenas e diálogos para alargar os episódios. Ainda que, depois da saga de Skypiea (que inicia no volume 24 do mangá) o animê seja bastante fiel ao mangá, ele ainda acaba alongando um pouco a história. Como a ideia aqui é tentar absorver a história sem que se demore tanto, o mangá é a melhor escolha.

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O início de One Piece é lento?

Há no meio otaku a ideia de que One Piece só fica bom depois do capítulo 71071893, e é preciso ter muita paciência para chegar na parte boa dele. Bem, do meu ponto de vista, de uma fã que acompanha One Piece desde 2002, é um tipo de artifício discursivo muito falho.

Os battle shounen da Shounen Jump costumam mesmo ter muitos capítulos, ou ao menos mais de 20 volumes. Isso quer dizer que todo autor fica ao menos 5, 6 anos em uma única história. One Piece é de 1997, ele tem mais de 20 anos, é uma exceção até mesmo para a Shounen Jump.

Ao contrário de histórias que dizem que a Shounen Jump pressionou para que o autor esticasse a história (como de fato aconteceu com Yu Yu Hakusho, Dragon Ball, Naruto e outros), One Piece sempre teve uma narrativa linear e sagas que contavam alguma coisa importante para o que de fato é o plot da história.

Pode parecer bastante irônico dizer isso, mas há pouquíssimos momentos realmente inúteis no mangá, ou que deixou claro que o autor foi pressionado e apressou algum final. Mas também é preciso ter uma noção sobre One Piece: o Eiichiro Oda, o autor, tem uma fórmula de narrar e contar a história que não é tão usual nos mangás.

O início de One Piece é direto e reto: Luffy quer ser o Rei dos Piratas, e para isso ele tem que encontrar o One Piece, o tesouro perdido de Gold Roger, que morreu há 22 anos. Para isso, ele precisa viajar ao mar. Nos primeiros volumes sabemos que: o One Piece está na Grand Line, um mar perigoso e bem maior do que o mar em que o Luffy está: East Blue.

Portanto, o objetivo que deixa aquela pulga atrás da orelha é essa tal de Grand Line. Para ele chegar lá, ele precisa de um mínimo de preparação. E por isso os primeiros volumes são dele achando seus companheiros. E não podiam ser quaisquer companheiros. O vínculo de confiança e crença no sonho do Luffy deveriam importar, pois o universo da pirataria é cheio de traições e mau-caratismo.

No mangá, esse desenvolvimento todo dura 11 volumes, até eles entrarem na Grand Line. Para uma história bem mais limitante, no sentido de ter um universo menor, menos personagens e com um objetivo mais concreto, 11 volumes é um número ótimo para em seguida fazer um final. Mas em One Piece essa narrativa é diferente.

Nos 2 ou 3 primeiros volumes parece que o universo de One Piece não é tão grande assim, mas quando chegamos após a saga do Baratiê vemos que tudo é muito mais complexo do que parecia. Há raças diferentes, poderes de akuma no mi diversos, outros tipos de grupos, como os Shichibukais e os Revolucionários, além da Marina/GM e os piratas.

Se você não acha estar preparado para algo tão grande desse tipo, dificilmente One Piece vai te fisgar, e tá tudo bem. De início ele é um mangá simples, de traços simples e limpos, e que tenta passar uma mensagem muito clara: luta pela liberdade e contra autoritários (de todos os tipos).

O papel dele de início é fazer o feijão com arroz, que é mostrar os companheiros, suas dificuldades e por que decidiram seguir Luffy. É no volume 11 que de fato a ficha cai que as possibilidades de história aumentam ao menos 10x e que tudo se torna mais complexo.

Em Yu Yu Hakusho existe essa ficha também. Até quando Yusuke enfrenta Hiei, quem o imaginaria no Torneio das Trevas poucos volumes depois, e ainda formando grupo com o mesmo Hiei? Esse desenvolvimento precisou de um tempo para se formar.

Em One Piece é justamente isso, mas com 11 volumes, e quando esse desenvolvimento toma forma, é possível ver o potencial da história. Se a pessoa não curtiu esse desenvolvimento inicial (que para ser absorvido nem precisa ser lido até o vol. 11), não tem por que continuar, ou mesmo esperar o capítulo 200 e tantos.

Não vejo motivos para uma pessoa ter que ler mais de 10 volumes para enfim ver que pode valer a pena continuar. Eu mesmo dificilmente fico 10 volumes lendo algo que não me surpreendeu positivamente.

One Piece 06

Como explicar tudo isso?

One Piece foi rascunhado no papel, teve um planejamento razoável pelo Oda até a primeira grande saga da história, que de primeira seria a última: Alabasta. A saga de Alabasta acaba exatamente no volume 23 do mangá. Havia um plano básico até ali. No entanto, o mangá explodiu de sucesso antes de Alabasta, ainda na saga do Chopper.

Esse sucesso foi tão, mas tão grande, que o próprio Oda percebeu que era possível explicar todo aquele montante de ideia que ele ainda tinha. E aquelas explicações históricas todas tomam mais forma nas sagas seguintes: Skypiea e Water Seven/Enies Lobby.

O sonho do Luffy tem uma barreira muito grande para ser atingida: a própria história. O One Piece, o tesouro, se tornou uma lenda que piratas e outros cidadãos não acreditam. Ninguém achou nada, nenhuma dica sobre ele em tanto tempo.

Tudo sobre o tesouro é nebuloso, e a gente vai descobrindo o porquê durante as sagas, que possuem objetivos que muitas vezes nem se tratam diretamente sobre encontrar informações sobre o One Piece. É justamente por isso que há uma infinidade de conteúdos sobre a história.

O mangá é vivo como o universo de Harry Potter, Senhor dos Anéis ou mesmo Game of Thrones, e por isso não tem como ser contado em poucos volumes. Mas, pode ter certeza, essa jornada toda é muito gostosa de ser lida de uma vez só.

One Piece 17

Por que ler agora?

Acompanhar One Piece semanalmente por vezes pode ser desgastante e demorado. Eu senti muito isso lendo as sagas de Impel Down e Dressrosa. Mas, quando você pega os volumes antigos e vai lendo um atrás do outro, a história se mostra muito mais clara e a narrativa é bem mais encaixada.

É por esse motivo que começar One Piece em 2020 pode ser muito positivo para você. Diferente de fãs antigos que ficavam esperando eras para ter mais da história, você vai conseguir ler linearmente e fazer as associações com muito mais facilidade, pois vai lembrar mais das coisas que leu e acompanhou. E isso é fundamental para One Piece, pois tudo está conectado.

Há poucos erros narrativos na história, o que significa que o Oda não esquece momentos chaves, personagens e nem aquilo que ele já contou anteriormente. Hoje ele possui assistentes para ajudar na releitura da história para marcar essas questões narrativas, assim nada principal será deixado de lado.

Isso faz com que, no roteiro, One Piece seja uma colcha de retalhos muito bem costurada e unida. Comparado a outros mangás de muitos volumes, como Naruto e Bleach, em One Piece isso é feito com muita seriedade, afinal, as coisas têm que fazer sentido e personagens não podem ser esquecidos.

É claro que isso não exime One Piece de problemas estéticos, narrativos ou de desenvolvimento de personagem. Mas, é quase impossível comparar outros mangás battle shounen com One Piece no quesito desenvolvimento de roteiro. Muitos falam de Fullmetal Alchemist, mas ainda que a Arakawa pudesse explorar bem mais seu universo, ela focou em uma única tarefa, e ela fez isso com uma perícia enorme.

Já em One Piece, a história não se trata exatamente do Luffy. O Luffy é uma peça importante do mecanismo, mas ele sozinho é exatamente NADA. Sem outros acontecimentos, outros personagens e sagas já passadas, nada do mangá iria andar. Volto a repetir: o universo de One Piece é vivo, tem muita coisa rolando além do Luffy e que importa quase que igualmente.

Em FMA, esse tipo de universo podia ter sido explorado, pois há uma formação para isso, mas outros países/reinos não foram explorados, outras guerras não aconteceram e outros personagens não tiveram uma saga toda de desenvolvimento apenas para eles.

Por essa característica (o universo vivo), One Piece tem um modus operandi que difere bastante de praticamente qualquer outra obra. Pode ser difícil de se imaginar lendo tanto volume, mas a formação da história é muito interessante, há referências de todo tipo de cultura que você possa imaginar, e tem mensagens muito positivas para qualquer um que seja adolescente ou adulto.

Mas vai sem pressão. Leia sem expectativas. O legal é justamente isso, conhecer os personagens, Luffy, seus companheiros, ir experimentando o universo por trás, e aí, se te chamar atenção e continuar depois da saga do East Blue, vai ver que a leitura fica ainda mais dinâmica e cheia de possibilidades imaginativas.

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