Primeiras impressões: temporada de verão (2024)

Temporada nova, redator novo! Além dos nomes que vocês já conhecem, a partir desta temporada de verão o Rukh no Teikoku terá mais um participante em sua equipe: Plinio! Agora que somos em cinco a variedade de obras que resenhamos aumentará consideravelmente e esperamos que vocês sigam se divertindo conosco na nossa jornada contínua pelo mundo dos animes.

Nesta postagem vocês poderão conferir as nossas primeiras impressões de 2.5-jigen no Ririsa, ATRI -My Dear Moments-, Gimai Seikatsu, Katsute Mahou Shoujo to Aku wa Tekitai shiteita., Make Heroine ga Oosugiru!, MAYONAKA PUNCH, na-nare hana-nare, Nige Jouzu no Wakagimi, Senpai wa Otokonoko, Shikanoko Nokonoko Koshitantan, Shoushimin Series, Suicide Squad ISEKAI e Tasogare Out Focus.

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2.5-jigen no Ririsa [Pedro]

Esse anime talvez seja minha maior surpresa da temporada. Não uma surpresa “wow”. Nem uma surpresa “ugh”. Uma surpresa “meh”. E, talvez mais do que isso, uma que me lembrou dos anos 2000.

Produzido pelo J.C. Staff e adaptando o mangá de Hashimoto Yu que começou a sair na Jump+ em 2019, esse anime surpreenderá quem tenha lido o mangá. E certamente quem for introduzido a essa série pelo anime e for ler o mangá, sem sombra de dúvida. A surpresa? A infidelidade da adaptação. Não, não mudaram a história. Continua sendo a história de Okamura, interpretado por Enoki Junya, o típico otaku apaixonado por meninas 2D. Com o início do novo ano escolar, ele se vê como o único membro restante do clube de mangá. Todos os colegas, veteranos, se formaram. Sozinho, ele passa os dias idolatrando sua insubstituível waifu Liliel, a mocinha do anime (ficcional, claro) The Ashford Chronicles. Até que uma menina, Ririsa, visita o clube. Okamura, veja bem, detesta meninas 3D. E ele está pronto para detestar essa irritante menina 3D que invadiu seu paraíso otaku. Mas Ririsa, veja bem, não é como as outras meninas. Ela ama mangás, anime e videogames e seu personagem favorito é… Liliel! Tão favorito que ela quer ser Liliel, o que desperta sua paixão por cosplays. Okamura se vê então frente a frente com Liliel, embora ela não seja exatamente 2D. Mas também não é 3D como as meninas que ele despreza. Algo no meio? 2.5D! Genial essa brincadeira, né?

Pois então. Por quê, portanto, a adaptação não é fiel? Bom, bem diferente do que os outros estúdios têm feito nos últimos anos — com os exemplos mais recentes sendo Oniichan wa Oshimai!, de 2023, e Mato Seihei no Slave, no início desse ano — o J.C. Staff parece ter optado por ceifar o ecchi quase que por inteiro. O mangá de Hashimoto beira o hentai. Já no primeiro volume temos seios completamente expostos, quase todas as cenas mais sensuais tem panty e crotch shots. As reações de Ririsa de vergonha, embaraço ou timidez são completamente codificadas como hentai, com seu rosto vermelho, as lágrimas quase saltando dos olhos e os braços apertando o que é geralmente um decote fundo, mesmo quando ela está vestindo o uniforme da escola. Já a adaptação… não. No primeiro episódio se percebe que cenas inteiras foram cortadas (ou melhor, recortadas: todo o conteúdo em si se manteve, mas as cenas do mangá estão ausentes).

Foi-me dito, na semana de estreia, que essas modificações não são estranhas para quem vem acompanhando o mangá, ainda em publicação. Parece que alguns volumes, depois seja por iniciativa do próprio autor ou pressão editorial, a identidade, digamos, ecchi e bem explícita do mangá desaparece. Diria que, pessoalmente, desconfio que o imenso sucesso de Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru, de 2022, possa ter algo a ver com isso. 2.5-jigen no Ririsa estreia na Jump+ um ano e meio depois que Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru, na Young Gangan. A série, por isso mesmo, já tinha um sucesso bastante evidente e não estranha a Shueisha tentar um similar, mas mais jovem (já que a Gangan é uma revista seinen e a Jump+, ainda que publique coisas mais adultas, gráficas, explícitas, etc., ainda permanece confortavelmente na demografia shonen).

Não sei se recomendaria o anime. Não por isso. Fico feliz que algum estúdio ainda tenha algum senso básico de decência, contrário ao que o Bird fez com Oniichan wa Oshimai!, mas a qualidade geral desse anime ficou fraquinha. Nada incrível em termos de animação, Hashimoto pode ser basicamente um autor de hentai, mas a arte dele é incrível e não se parece em nada com os designs que essa produção escolheu. O romance e até mesmo o ecchi são sem graça, com aquelas baboseiras que animes de harém sempre têm.

⭐⭐

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ATRI -My Dear Moments- [Ana]

Como já dito na nossa postagem de apostas da temporada, ATRI -My Dear Moments- tem uma equipe e tanto por trás de sua adaptação, e já fica nítido nesse primeiro episódio que eles não estão para brincadeiras, com uma qualidade visual muito boa, a estreia chama a atenção por vários motivos.

A história se passa em um futuro em que parte da civilização foi submersa pelo aumento do nível do mar (um tanto preocupante pensar que esse de fato pode ser o nosso destino daqui alguns anos). Ikaruga Natsuki é um rapaz que mora sozinho por ter perdido sua família, além de uma de suas pernas, cheio de dívidas deixadas pela sua avó oceanóloga. Em uma busca submarina pelas ruínas do laboratório da avó, Natsuki faz a descoberta chocante de uma garota dormindo no fundo do mar, que pouco depois descobre ser uma robô de nome Atri.

Não só a aparência, mas tudo na garota se assemelha muito a de um humano, como emoções e até mesmo a perda de memória. No entanto, em um primeiro momento, ao descobrir que um robô como aquele vale muito dinheiro, Natsuki não pensa duas vezes em procurar um comprador para vendê-la, já que isso seria a solução dos seus problemas, mas com o passar do episódio percebemos que talvez não seja uma decisão tão fácil assim, como é mostrado na cena que ele resolve comprar sapatos para ela. Atri diz que deseja cumprir a ordem final de sua mestra e que até isso acontecer, seria a perna de Natsuki.

Acredito que daqui pra frente teremos esse conflito entre vender a Atri como uma simples mercadoria e se desfazer das dívidas ou permanecer com ela, já aparenta ter tanta humanidade quanto um ser humano real. Querendo ou não, ela também é um legado de sua família e acredito que com essa interação outros pontos do passado do Natsuki também serão explorados. Assim, mal posso esperar pelos desdobramentos que essa história irá nos levar.

⭐⭐⭐⭐

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Gimai Seikatsu [Plinio]

Talvez este anime seja mais relaxante do que eu imaginava. Quando ouço que o nome do anime é Days with My Stepsister (Gimai Seikatsu), é de se esperar, no mínimo, uma novela mexicana com tramas mirabolantes, momentos com muita vergonha alheia e um romance forçado, provenientes do tema “rivais que se apaixonam”. No entanto, a escolha de trilha sonora e de ritmo do anime proporcionam uma experiência muito menos turbulenta.

Essa experiência foi normal até demais em seu primeiro episódio. Seguindo sua proposta, o anime não possui nenhum personagem com reação exagerada, e também é cauteloso em como seus personagens lidam uns com os outros. Aos poucos é construída a moralidade de cada sujeito. A história começa em um momento onde não conhecemos nem uma fração do passado dos personagens, que parece ter impactado significativamente em quem eles são. Honestamente, a qualidade do anime se encontra no esforço da equipe de produção em fazê-lo ser mais relaxante do que dramático. A criatividade na direção de algumas cenas do anime me empolga para saber o que mais pode se bombear desse poço sem fundo. A construção de momentos calmos é complexa, demandando uma escolha correta de trilha sonora, transições de cena mais suaves e pouca movimentação de câmera. Caso feito de maneira errada, em vez da sensação de relaxamento, passa-se a sensação de falta de ritmo. Acredito que a sensação que esse episódio passa é similar ao assistir Insomniacs after school (KimiSomu), sendo esse o meu parâmetro de comparação até o fim da temporada. Um dia gostaria de explorar mais esses aspectos sob a lente da produção de um anime iyashikei, e como esse tema pode ser bem técnico em obras audiovisuais, utilizando recursos não existentes em obras literárias (como efeitos sonoros e transição de cenas). Talvez o primeiro episódio do anime tenha sido um caso isolado, mas se mantiver este ritmo, poderá ser um romance ainda mais técnico do que KimiSomu.

Existe um problema com Gimai Seikatsu, que é sua forma de comunicação. Todo personagem que utilize um vocabulário encontrado apenas em texto de crítica de cinema ou em alguma obra do Mário de Andrade para se comunicar no dia a dia, me dá a impressão de que ou o personagem é um amargurado social (vulgo “red pill”) ou antipático por natureza. Brincadeiras à parte, parece que nesse anime muito do diálogo é pouco natural. Natureza essa que não anula a mensagem, sendo que em uma das conversas, se defende uma mãe solteira que não possui ensino superior e que trabalha arduamente para manter a família. Minha expectativa com o anime é que ele seja coerente com o que propõe até o episódio final.

⭐⭐⭐

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Katsute Mahou Shoujo to Aku wa Tekitai shiteita. [Ana]

Não temos o costume de inserir animes curtos aqui, mas achei que Katsute Mahou Shoujo to Aku wa Tekitai shiteita. poderia ser uma exceção. Sabemos que infelizmente o material original é limitado devido ao falecimento da autora, tendo publicado apenas três volumes. Talvez por isso o estúdio BONES tenha optado por fazer episódios com a duração de 12 minutos, o que é uma pena já que boa parte desse tempo também vai para abertura e encerramento, sem contar uma longa cena da transformação da personagem, típica de qualquer mahou shoujo. Dessa forma, é difícil conseguir desenvolver de fato alguma profundidade durante o episódio, mas também não sei se essa é a intenção.

Nesse primeiro episódio basicamente tivemos as primeiras interações entre os protagonistas. Mira tem uma posição importante em uma organização do mal, vindo de uma família militar, naturalmente deveria ser inimigo da Byakuya Mimori, que é uma garota mágica a lutar pelo bem das pessoas, no entanto, se apaixona por ela à primeira vista. É engraçado as tentativas do rapaz em negar os seus sentimentos, ao mesmo tempo que não perde a oportunidade de comprar um novo doce para entregar para a garota, que coloca de lado sua saúde a ponto de ficar sem comer ou dormir, apenas para trabalhar como mahou shoujo. Antes que você pense que é algo muito nobre da parte dela, descobre que na verdade é tudo por dinheiro, pelo trato que ela fez com Mitsukai, um gato bem no estilo Kyuubey de Madoka Magica, só espero que não tão demoníaco quanto ele.

Visualmente a adaptação é bastante agradável e embora eu saiba que não devo esperar um super desenvolvimento dos personagens, ao menos pareceu algo bacana de se acompanhar. Aquele típico anime que não precisa se pensar muito, apenas esperar pelas cenas bonitinhas e engraçadas do casal.

⭐⭐⭐

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Make Heroine ga Oosugiru! [Plinio]

Adoro vivenciar os extremos. Se por um lado um dos meus maiores medos é sentir vergonha alheia assistindo a um anime, por outro lado eu me divirto assistindo as obras mais vergonhosas que poderiam existir. Too Many Losing Heroines (Makeine) é um tutorial da mentalidade dos jovens adolescentes, que muitas vezes não aproveitam um momento que envolve muita decepção amorosa e um lado não-instagramável da vida.

O título do anime está ligado a um termo cunhado pelo círculo otaku japonês para se referir às personagens femininas de comédia romântica, as heroínas perdedoras (Losing Heroines), que têm como principal característica não ser escolhida pelo protagonista masculino em suas histórias. Sabendo que o próprio título beira o ridículo, o primeiro episódio só deixa mais claro que a vergonha alheia é seu objetivo. Começando pelos pontos positivos, o anime brilha na direção, com muitas cenas utilizando enquadramento contra-plongée (ou câmera baixa) para situar os personagens principais como inferiores aos coadjuvantes, simulando a dinâmica romântica da obra.

A animação também é ótima, auxiliando na imersão, pois em algumas situações o objetivo é satirizar a vida como se ela fosse uma peça teatral dramática. Porém os elogios acabam por aí. A comédia e a realidade se misturam muito mal, os personagens acabam ficando caricatos e sem sal, tornando-os mais chatos do que o tolerável. Você acaba se importando muito mais com a dinâmica que os personagens secundários terão do que com a dos protagonistas. Talvez seja esse o motivo pelo qual todos estes esquisitos sejam “perdedores”. Percebo que também houve uma tentativa de escolher dubladores que não tenham atuado em papéis de destaque em romance, para não causar uma associação involuntária. O anime também abre brecha para uma sensação de traição, causada pela inevitável associação das protagonistas com os casais que se formaram e suas reações pessoais. Um festival de masoquismo.

Espero que o anime não busque generalizar as situações, dizendo que todas as pessoas com gosto X ou atitude Y sejam naturalmente perdedoras, já que por nenhum motivo aparente, citam o consumo de Boys’ Love de uma das personagens. Aliás, existe uma “categoria” para cada uma das três heroínas, sendo uma amiga de infância, uma atleta e uma bibliófila. Outro problema desesperador é a mensagem por trás da história da amiga de infância, na qual o protagonista julga que para algumas situações você não possui um caminhão grande o suficiente para a quantidade de areia do seu crush. Com certeza um anime nada motivacional.

O que há de especial em Makeine? Sinceramente, nada. Sinto que o anime Araburu Kisetsu no Otome-domo yo. já explorou bem os temas que querem mostrar aqui, principalmente sobre o drama da puberdade. Se qualidade técnica é o suficiente para te interessar, você encontrará cenas bem animadas, com selo de produção Aniplex.

⭐⭐

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MAYONAKA PUNCH [Mari]

Eu não sei o que eu esperava de MAYONAKA PUNCH quando resolvi assistir ao primeiro episódio, mas com certeza não era uma história sobre uma vampira lésbica cheia de tesão por uma “NewTuber” que ela “conheceu” em um sonho e que acaba de sofrer um cancelamento em massa por dar um soco em uma das suas ex-colegas de canal.

Sim, é exatamente isso que você leu.

Dirigido por Honma Shuu (Paripi Koumei), MAYONAKA PUNCH é mais um anime original do estúdio P.A. Works, conhecido justamente por não investir em adaptações com tanta frequência (embora eles tenham feito trabalhos fantásticos com elas a exemplo do próprio Paripi Koumei, Skip to Loafer e Uchouten Kazoku), preferindo se aventurar em séries próprias. Como todo anime original, é difícil prever o que será de MAYONAKA PUNCH daqui pra frente, mas me parece seguro afirmar que ele ao menos será diferente de tudo que o estúdio já fez.

As protagonistas Masaki (NewTuber fracassada) e Live (vampira no cio) certamente serão o foco da história em sua busca pelos 1 milhão de inscritos, mas sinto que o anime tentará explorar mais do que só a comédia. No episódio de estreia, por exemplo, tivemos um ponto de discussão interessante: o que uma enxurrada de comentários de ódio é capaz de causar em uma pessoa? Recentemente o anime de OSHI NO KO abordou essa questão e foi muito bem sucedido — MAYONAKA PUNCH tem a oportunidade de fazer algo parecido, ainda que por enquanto isso não passe de especulação minha.

Em termos técnicos, MAYONAKA PUNCH segue o padrão de qualidade do P.A. Works, que é acima da média. Quando soube que o estúdio estava com três animes confirmados para a temporada de verão (além de na-nare hana-nare que também incluímos nesta postagem, há Tensui no Sakuna-hime), eu fiquei um pouco preocupada imaginando que as produções poderiam derreter no meio do caminho, mas eles anunciaram que todos os animes ficaram prontos antes mesmo de estrearem. Esse nível de adiantamento é praticamente impensável na indústria dos animes (a exceção do Kyoto Animation), porém é um ponto muito positivo.

Não sei para onde vamos, mas vamos juntos.

⭐⭐⭐

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na-nare hana-nare [Lucy]

Com certeza a queridíssima Anna Aveiro Nakamura dos Santos Moreira Cuccittini roubou a cena nas redes sociais, mas estou aqui para avisar: tem bem mais em Narenare além dela!

Apesar da temática esportiva — cheerleading e parkour, mais especificamente — tenho a impressão de que a história será muito mais focada em introspecção e nos relacionamentos entre as personagens, bem típico dos dramas do P.A. Works. Essa frase pode fazer parecer que se trata de um anime sério e sóbrio, então já aviso que estou fazendo propaganda enganosa!

A preocupação do episódio é apresentar as protagonistas, carregando um tom bastante humorado ao fazê-lo. Algumas das meninas certamente são mais caóticas do que as outras, mas todas trazem bastante energia para a tela. Destaque para a Megumi, que no momento faz uso de cadeira de rodas — além de ter sofrido um acidente, ela menciona ter uma doença. Ainda assim, está na abertura como parte do time de líderes de torcida. Considerando que temos cenas dela fazendo fisioterapia e conhecendo os clichês do gênero esportivo, é possível que ela não use a cadeira até o final do anime. Entretanto, mesmo que seja só a princípio e depois “atualizem” a animação, já fico muito feliz por tirarem essa ideia do papel.

É uma primeira impressão um pouco caótica, sinceramente. Temos pouco enredo sendo apresentado, e se não fosse a abertura dando esse pequeno spoiler, não teria nem ideia de qual será a meta principal do grupo. Mas pelo menos é um caos organizado! O estilo do estúdio está impecável (como sempre) e cai como uma luva nesse monte de energia vagamente coesa. As cenas em computação gráfica não destoam terrivelmente do restante do episódio — apesar de que tenho certeza de que a paleta de cores tão vibrante pode ter sido uma escolha controversa da parte deles.

Falando em controvérsia, algumas das reações que vi mencionam que o estilo da narrativa se assemelha mais a um anime de idol do que de esportes. Preciso confessar que concordo. Não é incomum ver esse tipo de mistura ultimamente (o sucesso de “Uma Musume” — também do P.A. Works! — não me deixa negar), mas acho que é a primeira obra com essa pegada que me proponho a ver. Como fã dos dois gêneros, é claro que estou empolgada, mas se não é o seu caso… ainda assim, recomendo tentar! Mesmo que seja com a regra dos três episódios. Só recomendo também manter um pouquinho de suspensão de descrença, porque eu já fiz bom uso da minha — ou você vai me falar que é assim mesmo que a prática do parkour funciona?

Se for, não me avise. Vou ficar triste demais por nunca ter tentado aprender.

⭐⭐⭐⭐

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Nige Jouzu no Wakagimi [Mari]

A adaptação de Nige Jouzu no Wakagimi cujo mangá está sendo publicado no Brasil pela Panini desde o ano passado com o título de The Elusive Samurai é mais um gol de placa do estúdio CloverWorks. É impressionante a capacidade que eles têm de produzir visuais impactantes com uma consistência altíssima, vista poucas vezes na indústria. Nige Jouzu no Wakagimi é um daqueles casos raros de anime que valeriam a pena assistir mesmo que a história fosse ruim, pois ele tem tudo que os apreciadores de sakuga amam.

Dito isso, o enredo de Nige Jouzu no Wakagimi está longe de ser desinteressante, ainda que eu tenha ficado confusa com a quantidade insana de acontecimentos que tivemos em apenas 23 minutos. O episódio começou nos apresentando o protagonista Tokiyuki, um garoto de oito anos que será o próximo sucessor do xogunato Kamakura e que não é bom em nada além de fugir (especialmente das suas responsabilidades, como treinar). O clima era descontraído — parecia que eu estava vendo um slice-of-life com samurais. Só que aí numa reviravolta tudo foi ladeira abaixo, dando lugar a uma sequência de cenas violentas e o “fim” do domínio dos Kamakura. Eu fiquei mais surpresa do que o próprio Tokiyuki, que agora terá que partir em uma jornada para recuperar o que lhe foi roubado.

Nige Jouzu no Wakagimi é de autoria de Matsui Yuusei, criador de Ansatsu Kyoushitsu (Assassination Classroom), uma obra que gostei muito quando assisti. Estou curiosa para descobrir o que Matsui irá inventar agora que ele tem um setting completamente diferente daquele com o qual ele trabalhou em seu mangá anterior.

⭐⭐⭐⭐

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Senpai wa Otokonoko [Pedro]

Ah, eu estava esperando por esse. Honestamente, mais para alertar quem está conhecendo a série agora do que qualquer outra coisa. Escrito por Pom e publicado no formato de webtoon no serviço LINE, o mangá conta a história de Makoto, um garoto que gosta de “se vestir como mulher” (citando aqui diretamente o material de divulgação), Aoi, a menina que se apaixona por ele achando que ele é uma menina, e Ryuji, o amigo de infância que já era claramente apaixonado por Makoto muito antes dele começar a, de novo, “se vestir como mulher”.

Quem nos traz essa adaptação é o estúdio Project No.9. Se você, leitor, já conhece esse estúdio, bom, não deve achar estranho que estejam fazendo esse anime. E, penso, se você conhece já deve imaginar o spoiler protetivo, guardião, que eu não vou resistir em emitir. Eu acompanhei avidamente esse mangá desde que ele começou a ser publicado em 2019 até o seu fim em 2021 (Pom no momento está publicando uma prequel da série, chamada Senpai wa Otokonoko: The Encounter, também na plataforma LINE). A história parece que pode ser incrivelmente interessante. Uma menina claramente bissexual, que não se importa com a recusa de Makoto ao fazer sua declaração — recusa na qual ele admite ser um otokonoko (esse termo… olha, se você não conhece o termo ou as controvérsias ao redor dele, especialmente vindas dos elementos mais preconceituosos e especificamente transfóbicos na animanga-esfera, recomendo passar longe), um menino que faz crossdress e obviamente está questionando sua identidade de gênero e sua sexualidade, e outro menino, tendo que, porque se apaixona por Makoto, confrontar os seus próprios sentimentos e identidade sexual. O arco que esse cour produzido pelo Project No.9 vai adaptar é até bem interessante e não dá pra negar que estão fazendo um trabalho incrível: até os chibis que Pom faz no mangá eles fizeram com absoluta perfeição. Além disso, Sekine Akira, que interpreta Aoi (muitas coisas azuis na vida da primeira Precure principal não rosa em 20 anos), está absolutamente fantástica no papel — a Aoi é muito engraçada, totalmente um desastre bissexual e um ícone, não vou negar.

Entretanto, e aí vem o pequeno spoiler guardião: honestamente? Eu não recomendo. As temáticas problemáticas ou controversas ao redor das identidades de gênero na sociedade japonesa não recebem um tratamento terrível. Não é isso. Sim, a série de Pom não cai nas velhas armadilhas bestas que esse subgênero quase que inescapavelmente apresenta. Aliás, talvez o problema também seja exatamente por causa disso. Essa série poderia ter dito muitas coisas, mas não diz e nem vai dizer nada a respeito de quase nada. Pom — seja por quem quer que ela seja, seja por pressões editoriais e do sucesso (o mangá foi um imenso sucesso, venceu diversos prêmios, incluindo algumas votações do público sobre que mangá deveria ser adaptado em anime) — é fundamentalmente uma autora um tanto quanto sem espinha. A história poderia ter tomado diversos rumos, o drama emocional tido diversas repercussões, mas, num sentido bem literal, no fim nada acontece.

Fica bem difícil recomendar uma história que você já sabe que quem mais pode gostar dela, precisar dela, se identificar com ela, vai acabar se decepcionando. A nota só fica em três estrelas porque realmente o Project No.9 está fazendo um trabalho muito bonito.

⭐⭐⭐

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Shikanoko Nokonoko Koshitantan [Pedro]

O termo nunca deslanchou no Ocidente, nem aqui no Brasil e nem nas praias gringas, mas no Japão há um usado muito frequentemente para esse tipo de anime. Ele também é usado para games e até fez algumas aparições de destaque nas duas últimos temporadas por causa de Shangri-la Frontier. kuso-anime. Kuso (糞,くそ,クソ), que geralmente ganha o mal nome quando traduzido de coisas como m*rda, f*dido, ou, na melhor das hipóteses, bobagem, é o termo descritivo para coisas absurdamente satíricas. E, olha, se tem algo que descreve Shikanoko Nokonoko Koshitantan tem que ser esse termo.

Adaptação do mangá de Oshioshio publicado na Shonen Magazine Edge, de 2019 até 2023, e na Magazine Pocket, a partir de 2023 — a Shonen Edge fechou as portas —, essa série absolutamente insana é trazida para nós pelo Wit Studio, dirigida por um dos mestres absolutos do estilo kuso-anime no que concerne o cada vez mais popular subgênero de garotas fofinhas fazendo coisas fofinhas: Ohta Masahiko. Ohta dirigiu duas temporadas de YuruYuri (2011 e 2012), Kotoura-san (2013), Sabagebu (2014), as duas temporadas de Himouto! Umaru-chan (2015 e 2017), Gabriel DropOut (2017) e, mais recentemente, já no Wit Studio, o excelente anime original Onipan (2022). Não preciso nem dizer que eu sou muito fã. E já era fã do mangá também.

Nele somos introduzidos a Koshi Torako, uma linda estudante do Ensino Médio que parece, para todos os fins, ser absolutamente perfeita. Boas notas, boa em esportes, cordial e benquista pelos colegas e professores, presidente do conselho estudantil e representante de turma, ajuda sua comunidade. Um dia, porém, em seu caminho para escola ela se vê tendo que salvar uma menina que está presa num poste. Ela está presa num poste porque está pendurada pelos… chifres. Ela é uma menina veado. Uma menina-corça. A deer friend. Ao ser salva a menina agradece em profusão dizendo: “obrigado yankee onee-san”. De algum modo a menina veado sabe do passado secreto de Torako. Ela era uma yankee, uma delinquente! Ao estrear no Ensino Médio, Torako decidiu mudar. Ser a aluna, a menina perfeita, mas de algum modo — ela diz que são seus chifres, capazes de detectar delinquentes — essa menina sabe. Torako se despede com pressa, garantindo à menina-corça que ela salvou que ela tem que estar enganada, e corre para o colégio.

Em típico estilo de anime, advinha? A menina veado é a nova aluna se transferindo para sua turma e senta-se, claro, ao lado dela. Shikanoko Noko, ou, como ela gosta que a chamem, Noko-tan quase entrega o segredo de Torako, que consegue desviar a conversa — para outra coisa igualmente hilária. No fim, Torako acaba entrando para o Shika Club, o clube do veado, formado por Noko-tan e assim começam as desventuras de Torako, que Noko-tan passa a chamar de Koshi-tan, e a menina cervo, veado, corça, como preferirem chamar, Noko-tan.

Como é de se esperar, Masahiko + Wit Studio é uma recomendação inescapável pra mim. E a adaptação está muito boa. Toda o humor visual que Oshioshio traz para o mangá, fazendo maravilhosos trabalhos de colagens com fotografias e desenhos realistas, uma série infinita de referências a anime, mangá e cultura não só pop, mas japonesa no geral e específica do local onde a série se passa — en Hino, região metropolitana de Tóquio, onde se encontra o famoso rio Tama. O anime ficou muito bem feito, as piadas transferiram do mangá para animação de forma muito hilária. Han Megumi, que é muito, muito provável que você conheça muito bem (é bem provável que quem esteja lendo seja mais jovem do que a carreira da Han, que começa em 1988 e inclui pequenos papéis como o Gon, no remake de Hunter x Hunter, Akko de Little Witch Academia, ou Arima Kana em Oshi no Ko) mesmo que não saiba disso, no papel de Noko-tan e Fujita Saki, a eterna Yukari, musa ícone deusa maravilhosa, no papel de Torako, estão absolutamente fantásticas.

O único pormenor é totalmente externo à produção: a tradução, legendas e dublagens estão absolutamente péssimas. Algumas pessoas desconfiam que seja traduzido por IA, outras apenas que é uma belíssima de uma terrível tradução (recomendo dar uma olhada na reportagem no MarySue). Não consegui tempo de dar uma olhada em como estão as legendas em português, mas não me espantaria se estivessem tão horríveis quanto as em inglês ou alemão.

⭐⭐⭐⭐½

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Shoushimin Series [Lucy]

O destaque de Shoushimin Series é com certeza o visual cinematográfico, com direito à proporção de tela em widescreen. O estúdio Lapin Track não economizou recursos: os cenários estão belíssimos e os personagens são desenhados com tamanho detalhismo que chega a distrair. Destaque para o encerramento, que me deixou morrendo de saudades do meu xodó Sarazanmai, animado pela mesma equipe. É um trabalho fantástico, um episódio que parece mais um curta do que um anime para TV.

… Seja isso para o bem, ou para o mal. Teoricamente, isso era para ser um positivo, mas teve algo no anime que me causou um estranhamento inerente. É lindo, mas é polido até demais. Dado que essa é a impressão que tive dos protagonistas, das duas uma: ou foi intencional, ou eu que tô vendo coisa onde não tem…

Independentemente da resposta, é inegável que a direção tem momentos inspirados — gostei da escolha de colocar nosso pequeno detetive no lugar dos “criminosos” quando ele está fazendo suas deduções, e tem uma sequência perto do final do episódio que agradou muito o meu lado “estava fazendo edit no Tumblr em 2014”. Entretanto, só consigo descrever o produto final como “pretensioso”. Não que isso seja algo inteiramente ruim; eu mesma me defino como extremamente pretensiosa, mas fico com medo que foquem tanto no estilo que esqueçam da substância.

Claro, considerando o histórico do autor da novel original — aposto que praticamente todo mundo que pegou para assistir esse anime veio pelo fator “mesmo autor de Hyouka” —, me sinto um pouco mais segura. Ainda temos muito a conhecer desses personagens, e minhas expectativas estão bem altas… Mas ainda tem algo faltando para mim. Os diálogos entre eles me deram uma impressão rígida, pouco realista. Claro que isso explica também o porquê de eles quererem tanto ser normais! E estranhamentos à parte, pelo menos a dinâmica entre os dois me ganhou. Logo, vou ficar cautelosamente positiva. Mesmo que o meu parecer sobre o roteiro não seja muito favorável, a produção é tão cativante que angaria um pouco mais da minha boa vontade.

Até porque eu gosto bastante de histórias onde nada acontece…

⭐⭐⭐ ½

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Suicide Squad ISEKAI [Mari]

Suicide Squad ISEKAI estreou na HBO Max com três episódios de uma vez. Este tipo de decisão de marketing não é exatamente uma raridade na indústria recente dos animes — Kusuriya no Hitorigoto fez a mesma coisa ano passado, e também temos visto cada vez mais episódios “especiais” de estreia com 1h de duração (mais ou menos o equivalente a 3 episódios). É algo que pode beneficiar as séries de TV quando se justifica ter uma espécie de prólogo longo, mas no caso de Suicide Squad ISEKAI eu não vi muito sentido. Eles poderiam ter lançado os episódios um a um mesmo, até porque vão ser só 10 no total, e o número de semanas que um anime fica no ar impacta diretamente no tempo que as pessoas despenderão falando sobre ele. Vai entender… ¯\_(ツ)_/¯

Decisões equivocadas à parte, o que esperar de Suicide Squad ISEKAI? O anime é uma completa patifaria, como já se esperava de uma história que gira em torno do caótico Esquadrão Suicida da DC Comics (aqui formado por Harley Quinn, Clayface, Peacemaker, King Shark e Deadshot) que precisa cumprir uma missão em um isekai. Eu confesso que achei a proposta inicial interessante, pois o Esquadrão não foi parar em um novo mundo por acaso — trata-se de um plano arquitetado por Amanda Waller, chefe da A.R.G.U.S. (Advanced Research Group Uniting Super-Humans), para obter mais recursos que seriam úteis à organização. Mas acontece que esse plano é deixado de lado na maior parte do tempo, pois o Esquadrão acaba se envolvendo com a Família Real desse novo mundo, que está em guerra. Eles são forçados a trabalhar para essa família, que internamente tem conflitos (especialmente entre a Princesa e a Rainha, embora pouco tenha sido revelado até então). Outros personagens da DC se envolvem na disputa, escalonando o caos… E é basicamente isso.

Se você conhece o Esquadrão Suicida de outras mídias provavelmente vai se divertir com a adaptação, mas se esse for o seu primeiro contato com esses personagens, talvez você sinta que eles são como cascas vazias, pois não há tempo de explorar o background de cada um e falta motivos ao espectador para se importar com eles. Particularmente, eu tenho gostado muito da Harley Quinn — além de ter um design belíssimo, a interpretação da Nagase Anna está simplesmente impecável. Ela pegou a essência da personagem de uma forma que poucos conseguem e eu confesso que a Harley me tira um sorriso toda vez que dá apelidos com -chan (Puddin’-chan, Nana-chan, etc) aos outros personagens, algo que só poderia existir em anime mesmo. O resto do Esquadrão, no entanto, não me desperta grandes sentimentos. Embora eles tenham uma dinâmica divertida, eu não ligaria se qualquer um deles morresse.

(Ok, minto, talvez eu ficaria um pouco triste se o Nana-chan fosse de arrasta pra cima).

Enfim, Suicide Squad ISEKAI é um ótimo desenho no sentido de ser bem animado — o Wit Studio raramente decepciona —, porém falta substância. Pode ser que o enredo se desenvolva de uma maneira satisfatória nos episódios subsequentes? Pode. Eu vou criar expectativas quanto a isso? Não. Ainda assim vou assistir a essa batida de carro feito um pedestre desavisado até o fim? Com certeza.

⭐⭐⭐

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Tasogare Out Focus [Lucy]

Ah, o clássico romance colegial. Entra temporada, sai temporada, e sempre acabamos tendo alguns desses para aproveitar. Mesmo que o clichê esteja reconhecidamente saturado, às vezes é necessário pouco para me convencer. Tasogare Out Focus, a princípio, já conseguiu me comprar. Acho que esse será meu anime de “fim do dia” da temporada, para relaxar sem esperar grandes emoções ou reviravoltas.

Mas sinceramente? Quero estar enganada.

Admito que a ideia do casal principal trabalhando juntos num filme me interessa mais do que o romance por si só. Sinto que as dinâmicas entre os personagens (não apenas os protagonistas, mas também o elenco secundário) podem render bastante, e têm um potencial enorme na questão “ficção versus realidade”. A ideia de um grupo de garotos (supostamente) héteros trabalhando num romance gay levanta possíveis enredos bem interessantes, seja quanto a questões de sexualidade, ou em relação ao desenvolvimento de personagens.

Tendo isso dito, estou satisfeita que pelo menos o aspecto romântico foi direto ao ponto! Nosso protagonista já adquire ciência dos próprios sentimentos logo cedo, com quase nenhuma enrolação ou questionamentos extensos. Agora, o que é mais delicado é como ele agirá frente a isso… Mas acredito que não teremos muito drama antes de eles ficarem juntos, visto que originalmente o mangá era um oneshot. Na verdade, estou curiosa com como será o ritmo do anime — considerando que a série é composta de três volumes únicos, com alguns spin-offs publicados entre eles, me pergunto o que entrará ou não na adaptação.

Pelo menos não preciso me preocupar se irão acertar ou não o tom do romance: o estúdio Deen tem um extenso currículo se tratando de Boys’ Love, sendo este o segundo título do gênero por eles só este ano, então já é possível ter uma noção do que deve vir por aí. No âmbito visual, como esperado, a arte e a animação não são um primor, mas também não chegam a doer nos olhos — é bem “qualquer coisa”, mas serve ao propósito. Pelo outro lado, acredito que terão o mesmo cuidado que demonstraram com outras obras recentes, como “Sasaki to Miyano” e “Tadaima, Okaeri”. No final das contas, é isso que importa de verdade para mim.

⭐⭐⭐

Um comentário em “Primeiras impressões: temporada de verão (2024)

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