Impressões finais: temporada de primavera (2026)

Com mais altos do que baixos, a temporada de primavera deste ano nos deixou satisfeitos. Nesta postagem vocês poderão conferir nossas impressões finais de Akane-banashi, Awajima Hyakkei, Ganbare! Nakamura-kun!!, Hidarikiki no Eren, Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana, Koori no Jouheki, MARRIAGETOXIN, Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai e Tongari Boushi no Atelier.

Akane-banashi [Ana]

Akane, entenda, você é tudo! Fico muito feliz pelas minhas expectativas terem sido atendidas em um anime sobre Rakugo. Confesso que eu, particularmente, talvez não me interessasse por uma performance de Rakugo na vida real. Mas quando eu me peguei rindo de verdade com a apresentação de “Jugemu” da Akane, soube que fui rendida.

Acho que, além de um visual de encher os olhos e um trabalho excepcional dos atores de voz, o que faz Akane-banashi brilhar é justamente conseguir trazer essa arte tradicional japonesa de uma forma mais contemporânea. Ademais, é muito satisfatório observar como, além de Akane atingir o seu objetivo de vingar o seu pai, isso só foi possível porque ela conseguiu superar a si mesma e usar até mesmo situações do cotidiano como aprendizado durante sua jornada.

Vale mencionar que Akane-banashi não gira apenas em torno de apresentações de Rakugo, mas também em torno da personalidade de Akane e de como ela é uma protagonista extremamente carismática. Com isso, nós temos o contexto em que Akane está inserida, suas interações com os demais personagens, que, no geral, também são muito bons, ou pelo menos cumprem o seu papel narrativo e como ela também consegue transformar as pessoas ao seu redor, por exemplo, a professora.

Por fim, se Akane-banashi não tivesse uma continuação, também não seria algo ruim, porque ele tem o seu clímax e consegue encerrar o arco, sem deixar expectativas abertas, assim, o que vier depois será apenas lucro. É definitivamente um anime que eu recomendo para quem busca algo que explore a cultura tradicional japonesa, principalmente com um toque mais moderno.

9.0/10

Awajima Hyakkei [Mari]

Confesso que eu queria ter gostado mais.

Embora eu ache a temática de Awajima Hyakkei interessante, pois gosto de obras que discutam sobre o significado e o poder da arte, tudo aqui é muito confuso. Mas vamos começar do começo…

A história se passa em Awajima, uma escola para garotas onde aquelas que sonham em estar presentes nos grandes palcos do teatro e que possuem algum talento se reúnem. Como esperado de um ambiente onde a competição é inevitável, há todo tipo de drama: meninas que só conseguiram se matricular na escola porque são filhas de alguém importante; meninas que de fato são especiais, mas que evocam inveja por conta de seus dons e sofrem bullying, às vezes até desistindo no meio do caminho; relações que parecem ir além da amizade, mas que a autora nunca concretiza… e por aí vai. É, até certo ponto, um drama adolescente convencional. Para adicionar um pouco de tempero na história, no entanto, a autora decide que não haverá um único núcleo de personagens. Sendo assim, ao longo dos episódios, nós acompanhamos diferentes grupos de garotas em diferentes épocas, às vezes com grandes saltos temporais entre eles. É uma ideia interessante no papel, porém com o andar da carruagem nós chegamos a um momento em que os espectadores já não sabem mais quem é quem (e o design das personagens também não ajuda muito, embora eu goste do traço da autora em si).

Não vou negar: Awajima Hyakkei traz algumas discussões instigantes. Quando você é uma pessoa horrível como adolescente, é possível se redimir no futuro? Um praticante de bullying merece ser perdoado se ele passar o resto de sua vida tentando ser melhor? Apenas trabalho duro é o suficiente para atingir seus objetivos ou você também precisa de “sorte”? Você realmente conhece as pessoas com quem estuda ou trabalha? São várias questões que rendem horas de conversas, mas que nem sempre recebem a atenção que merecem.

Awajima Hyakkei de fato faz jus ao seu título: “Cem cenas de Awajima”. A sensação que eu tive foi de que eu realmente estava assistindo a uma coleção de momentos — intencional por parte da autora, obviamente — e não foram todos que me despertaram o interesse. E, aqueles que o fizeram, não tiveram o desenvolvimento que eu esperava. Neste sentido, acredito que minha frustração com Awajima Hyakkei é mais culpa minha do que da obra em si.

Por fim, o anime é consistentemente bem feito do primeiro até o último episódio. O diretor Asaka Morio inclusive tem um lugar especial no meu coração, pois foi ele o responsável pela direção das adaptações de Nana, Chihayafuru e Yamada-kun to Lv999 no Koi o Suru. É uma pena que o material não tenha o ajudado dessa vez.

6.0/10

Ganbare! Nakamura-kun!! [Ana]

Os gays realmente não conseguem vencer. Sinto muito, Nakamura, você tentou… Ainda assim, acredito que devemos comemorar pequenas vitórias. O avanço na amizade com Hirose já foi bastante gratificante, embora fique aquele gostinho de quero mais quando a história termina.

A verdade é que, independente de ser um BL, Ganbare! Nakamura-kun!! é muito divertido e me deixava animada para ver cada episódio. Fico aliviada que cenas mais constrangedoras, como as que dominaram os primeiros episódios, não foram tão frequentes ao longo do restante do anime. De humilhação já basta ser um gay tímido que não consegue se declarar, a gente não precisa de mais.

Confesso apenas que achei o plot do namoro do Hirose um pouco desnecessário, já que o negócio durou apenas o intervalo entre um episódio e outro para que a gente sofresse. Além disso, a maioria dos personagens secundários é interessante, tirando um ou outro colega de sala que me dava um pouco de preguiça. No fim, não tem como não achar o Hirose muito fofinho e não torcer para que um dia ele veja o Nakamura mais do que como um amigo, mas ele passa tanto uma vibe “por mim” (insira aqui o sticker do macaco deitado) que, com certeza, ele não deve perceber as segundas intenções do colega. Digo isso porque ele cagou pro término do namoro que teve com a menina lá por um dia.

Por fim, considerando que o material original é bastante curto, acredito que a equipe fez um excelente trabalho em adaptar essa história para os treze episódios que ela teve. O visual do anime também é bastante agradável, pois, apesar de lembrar obras mais antigas, também não deixa de ser atual. Embora fique esse gostinho de querer uma continuação desse interesse romântico que permaneceu unilateral até o fim, recomendo muito Ganbare! Nakamura-kun!! para quem procura algo leve e divertido para assistir.

9.0/10

Hidarikiki no Eren [Lucy]

Falar de Hidarikiki no Eren é falar em “ambição” a nível metatextual. É uma história que se desenvolve em torno das ambições de seus personagens, apresentada de maneira também deveras ambiciosa, com sua longa linha do tempo e saltos de perspectiva. Mas, ironicamente, tal como o anime é dedicado “àqueles que não conseguiram se tornar gênios”, dedico esse review “àquelas obras que não conseguiram causar o impacto que queriam”.

Eu até me sinto um pouco mal em dissecar Hidarikiki no Eren desse jeito. Claramente, essa é uma história muito pessoal para o autor; tem trechos que fica nítido que essa é maneira dele de transmitir suas crenças e até desabafar sobre a carreira dele. Mas ele é um péssimo mensageiro, ou, pelo menos, um escritor questionável. Alguns aspectos do enredo conseguiram prender minha atenção: as partes sobre o trabalho de designer e o dia-a-dia da agência são bem interessantes e até fidedignas, visto que me lembraram de vários causos e reclamações que já ouvi de amigos da área. Mas o drama pessoal…

Meu Deus, que dramalhão. Que vergonha alheia. Todos os personagens relevantes têm a mentalidade de adolescentes, porém estão envolvidos em conflitos até bem maduros, o que só serve para criar uma cruza bizarra de novelona com mangá shonen motivacional. Ninguém é desenvolvido direito, a não-linearidade é trabalhada de maneira que chega a causar confusão, e o resultado é uma galhofa estrondosa. Se no primeiro episódio você me falasse que esse anime tem um mini arco sobre traição logo depois de apresentarem a personagem passivamente suicida com distúrbio alimentar, eu certamente teria tantas perguntas quanto você tem agora (considerando que você não tenha assistido ainda, óbvio).

Francamente, acredito que o problema maior disso tudo é que a trajetória dos dois protagonistas é tão distinta, que fica difícil de conciliar o tom de ambas as narrativas. Estou ciente de que essa deve ser a intenção do autor, mas em vez de se complementarem, o contraste só torna as diferenças mais grosseiras…

Porém, é neste ponto que revelo: o enredo talvez nem seja a parte mais questionável do anime. Desde o princípio, já era nítido que essa seria uma produção mais humilde. Posso tentar ser positiva e falar que a animação não “derreteu” ou coisa parecida, mas a que custo foi isso? Alguns diretores de episódio conseguiram ser mais criativos em como deram a volta nas limitações, mas ali pelo miolo da série tem diversas sequências reaproveitadas e até mesmo cenas repetidas sem qualquer alteração de um episódio para o outro. Ficou um visual “decente”, no final das contas, mas muito pouco inspirado. Para uma série com tanto prestígio pelas artes visuais, chega a ser um pouco deprimente, se não irônico.

Novamente, eu queria dar um voto de boa-fé para esse anime. Eu admiro a paixão que foi colocada na obra original, e como mencionei, tiveram aspectos que me interessaram. E convenhamos, fui criada vendo novela, é claro que eu vou me entreter em algum nível com o dramalhão, né? Mas não acho que era esse o aproveitamento que eu deveria ter tirado daqui. É uma pena.

6.0/10

Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana [Plinio]

Geralmente é possível contar nos dedos a quantidade de animes yuri que recebem uma boa adaptação. Como parte da brincadeira, às vezes é mais fácil definir algo subjetivo como a qualidade do anime do que dizer se ele é considerado um anime yuri. Antevendo a serialização, o autor realizou um chá-revelação confirmando o gênero yuri após uma série de ofensas de alguns idiotas na internet. Pensando em como a sociedade costuma lidar com rejeições, maturidade é o principal ponto a ser discutido. Será que somos muito mais imaturos do que costumamos pensar?

Certa vez, deparei-me com a história de um japonês que dizia ter renascido após se relacionar com uma brasileira. Ela lhe ensinou o que é a vida e como vivê-la. Isso porque não havia alternativa dentro da cultura japonesa que justificasse falhas. A partir de um jeitinho brasileiro, a mulher o encorajou e ensinou que sempre dá pra recomeçar. A partir de um tipo de sentimentalismo, o japonês encontrou esperança, e buscou junto a sua família um sentimento que só existiu durante a infância. Não sendo este um caso isolado no extremo oriente, a maior parte do mundo ocidental também julga o sentimentalismo sobre a racionalidade. Gosto de pensar que há um desequilíbrio nesta balança, tendendo aos sentimentos, já que a racionalidade precisa ser exercitada, mas infelizmente, há um esforço em neutralizar os sentimentos a fim de formatar as pessoas para atender apenas às vontades do capital. Neste caso, Japão e Brasil são opostos em seus valores, e por isso que há impacto em descobrir outro jeito de viver.

Graças à montagem cênica, representada por uma república de estudantes universitárias, a estrutura hierárquica está presente até mesmo em seu lar. Kamiina Botan e Chang Chin-lan são, por exemplo, calouras de Ibuki e Gujou. Independente de experiências, a relação já começa desbalanceada. Ibuki só permite a aproximação de Botan quando ela soluça ao consumir uma bebida alcoólica gaseificada, e é neste momento que Ibuki permite uma brecha de intimidade para Botan, que se justifica conforme descobrimos seu trauma social. Em idas e vindas de um triângulo amoroso, o anime mostra que para permitir a abertura através do álcool, é primeiro necessário demonstrar maturidade. Ao relaxar a cabeça e se permitir agir, falar e pensar sem amarras, algumas relações que seriam engessadas devido à hierarquia se tornam humanas graças aos sentimentos. Bem, esta é a explicação do anime para todas as cenas quase obscenas que Botan protagoniza. Ela é uma atacante nata, um rosto inocente que esconde uma leoa passional. O avanço do anime depende sempre de um balanço entre a liberdade dada por Ibuki, e pela investida liderada por Botan. Para o caso de Chang Chin-lan, o anime compara como culturas diferentes lidam com o romance (que também é justificado pelo parágrafo anterior). É um anime arte, que busca valorizar o material original investindo em música, animação e todo o conjunto da obra. No entanto, isso não parece ser verdade nos primeiros episódios do anime, e tem tudo a ver com uma homenagem feita ao autor.

Conversando com colegas, percebi que a sensação que o anime passa é legítimo de um iyashikei. É difícil a recomendação de qualquer obra semelhante, e a que mais chega próxima desta atmosfera é um antigo anime chamado Yama no Susume. Antes mesmo de ter a autoria do material original, o mangaká Hey havia trabalhado como animador em Yama no Susume. Seus gostos pessoais foram reconhecidos por colegas de trabalho durante a produção do anime, e os mesmos são apontados como responsáveis pela adaptação de seu mangá. Sem falar nas artes de transição, que aparecem no meio do episódio. Ou na trilha sonora de cidade interiorana, que relaxa mais que a própria bebida. No fim, Kamiina Botan, Yoeru Sugata wa Yuri no Hana é uma experiência completa, digna de aprendizado.

9.0/10

Koori no Jouheki [Plinio]

Nunca havia sentido tanta dificuldade em escrever uma crítica como ocorreu com Seihantai Kimi na Boku, obra anteriormente adaptada de Agasawa Koucha. É tanta precisão ao retratar a adolescência e a psique humana que não parecia se tratar de uma fantasia, mas um recorte da realidade. É aquela sensação de dizer que o Oda é um gênio, só que com uma história comum. Me alegra demais a existência de obras que aprimoram o gênero de vida cotidiana na atualidade. Isso vale para os primeiros seis episódios de Koori no Jouheki, tão somente eles. O anime é claramente dividido em duas partes, uma contemplando o primeiro ano do ensino médio de Koyuki, estabelecendo seu relacionamento com Miki, Minato e Youta, e a segunda parte envolvendo novos vilões, dignos de novela.

Demorei para entender o porquê do início lento da história. A própria Koyuki é uma personagem muito enigmática e que tem seus sentimentos reprimidos por vontade própria, consequência de uma decepção social durante o ensino fundamental. O primeiro episódio parece ser muito pouco centrado em Koyuki, uma vez que se faz necessário montar este cenário onde todos a enxergam como a rainha de gelo, incapaz de demonstrar sentimentos. O anime passa a ser palatável quando personagens mais carismáticos tomam espaço no tempo de tela. Youta é um deles, é praticamente o mais significante. Com uma personalidade de irmão mais velho, a relação dele com Koyuki começa bem saudável e invejável.

Visualmente, as cenas são compostas por formatos “chibi” dos personagens, que suavizam qualquer linha de diálogo em algo levemente cômico, por mais absurda que a brincadeira seja. Todos os personagens têm uma versão neste estilo, mas seu uso precisa ser controlado, pois é ele que dá o tom dos diálogos. Desta forma, a autora controla o ritmo da comédia com o drama, conseguindo controlar a duração da tensão dramática com uma parte mais bem humorada. A relação dos dois é considerada invejável porque contorna alegações de interesse romântico, e idealiza a relação de amizade entre homem e mulher. Apesar do meu desejo de mais animes que consigam construir círculos de amizade de todos os gêneros, aqui a calmaria dura pelo menos uns quatro episódios antes de engrenar em dramas pessoais e consequências de relacionamentos quebrados, que culminam na formação de um romance.

Youta possui problemas familiares que correspondem aos de Koyuki, aproximando os dois pela facilidade de compreensão mútua. Minato cultiva uma grande desconfiança, uma vez que sua aura e ego são negativados ao sentir um certo ciúme. O problema é que o apelo de Minato é o de tentar ser caridoso, utilizando conversas esparsas que podem até ser úteis quando uma pessoa se sente só, mas nenhuma destas ações gera um relacionamento real, e inevitavelmente sua vibe é a de um interesseiro. Miki começa fingindo ser quem não é, apenas para depois se arrepender. Todos eles acabam resolvendo seus problemas em episódios para tratar de sua personalidade, e assim constroem uma dinâmica mais saudável.

É muito interessante como até então o anime não estabelece inimigos ou vilões, apenas passados esquecíveis. O mais próximo desta categoria é Minato, que conforme dito anteriormente, se mostra uma pessoa muito amigável e pura, que tem pouquíssima consciência do que faz. No entanto, a revelação do passado de Koyuki e seu último relacionamento quase que resultam em um atestado de vilania, a ponto de usar os sentimentos de outro para uma proteção pessoal. Toda a primeira parte do anime gira em torno destas tensões sobre um passado não definido. Ao dar forma a este passado, todos os conflitos se resolvem naturalmente. A segunda parte do anime já é resultado de um drama colegial clássico, envolvendo triângulo amoroso e episódios de confissão entre os amigos. Esta evolução da história parece até um aprendizado da autora quanto à escrita tradicional de mangás do gênero, uma vez que se trata da sua primeira obra. Na segunda parte do anime, o muro de gelo da protagonista está praticamente no chão. A partir dos esforços constantes de Minato para conquistá-la, aos poucos ela começa a ceder, percebendo um sentimento por ele. Comparativamente com o que vinha sendo trabalhado até então, o romance não parecia ser um sentimento fácil de Koyuki sentir. Até porque, muitos de seus dramas do passado estavam atrelados com a falta de paixão em seus relacionamentos.

O gancho que resultou no fim da primeira temporada gera uma vontade imensa de continuar assistindo. Esse é o principal resultado deste anime como adaptação. Se em outras obras é necessário justificar algumas sensações amargas apelando para um questionamento se o problema é de um roteiro ruim ou simplesmente do autor, para a dobradinha de animes adaptados de Agasawa Koucha isso é inexistente. É uma ótima notícia, visto que será uma das primeiras autoras a ter mais de um anime adaptado no ano, e estar presente em todas as temporadas.

8.5/10

MARRIAGETOXIN [Ana]

Após uma estreia que eu considerei muito boa, apesar da loucura, não sei se o desenrolar de MARRIAGETOXIN era exatamente o que eu tava esperando. Confesso… Eu sabia que se tratava de um shonen, então seria óbvio que o romance ficaria em segundo plano. Mas o cara está literalmente procurando uma esposa para sucessão do seu clã, devido a isso, eu não esperava que o desenvolvimento de algum romance ficasse tão em segundo plano assim.

É um pouco frustrante o fato de que Gero, ao longo dos episódios, acaba conhecendo uma mulher mais bonita e legal que a outra, e até mesmo quando a gente acha que vai rolar alguma coisa, acaba não dando em nada. A verdade, todos nós sabemos, é que o verdadeiro casal dessa história é Gero e Kinosaki, mas eles só não têm culhão o suficiente para desenvolver. Enquanto isso, as mulheres vão ficando lá na geladeira da “amizade” do Gero.

As cenas de ação são o que de fato sustentam MARRIAGETOXIN, enquanto os personagens precisam lutar só com gente maluca. Foi interessante conhecer um pouco do universo, os outros clãs e tudo mais. Além disso, foi possível observar um desenvolvimento emocional do protagonista conforme os episódios passam, o que dá um pouco mais de satisfação ao acompanhar a obra.

No fim, ao menos o anime foi bem animado, há diversos personagens interessantes, e a música de abertura é muito boa. Dessa forma, embora eu confesse que não sei se minhas expectativas foram atendidas, foi minimamente divertido acompanhá-lo. Além disso, a volta da aparição da irmã no último episódio confirma que Gero precisa correr na sua jornada em busca de uma esposa e, com isso, temos também a confirmação de uma segunda temporada. E se o anime me dá vontade de continuar assistindo, eu diria que ele cumpriu minimamente o seu papel.

8.0/10

Shunkashuutou Daikousha: Haru no Mai [Plinio]

Tal como havia comentado nas primeiras impressões, os olhos para esta adaptação estavam voltados para o tratamento quanto ao material original. A escolha desta adaptação é, por muitos, comparada com Violet Evergaden, trabalho de maior proeminência da autora Kana Akatsuki. Entretanto, um excesso de alegorias, falhas de concepção e montagens cênicas desnecessárias transformam conceitos criativos em defeitos crônicos. Eu queria acreditar que esta não é uma condicional gerada pela autora do material original, e sim resultado de uma péssima adaptação, mas, seja ao fim do anime ou mesmo do término desta crítica, tive que repensar minhas concepções.

As alegorias do anime tangenciam um período da história japonesa onde o poder imperial estava fragmentado em jovens descendentes da linhagem imperial. Dada a situação, algumas famílias apresentavam o poder real, por meio da força militar, e utilizavam da conveniência da mitologia fundadora do Japão para agregar força espiritual, ao manter os descendentes enclausurados. Tais eventos deram origem ao período do shogunato. Durante o anime, os agentes das estações sempre pareceram mais deuses em cativeiro do que seres com vontade própria, e durante a história é reforçado este pensamento. A dificuldade de os agentes estabelecerem parcerias ou apenas se encontrarem por livre vontade acaba sendo justificada pela alegoria, mas se torna inconveniente para o espectador. Pensando em uma era de conteúdo globalizado, talvez criar uma obra sem o devido contexto pode causar mais confusão do que celebração por uma referência erudita. Além de que, nos episódios finais, o reencontro dos dois principais agentes da história acaba sendo tão simples que colapsa a própria metáfora.

Justificando a ênfase em estações do ano, complementando as referências anteriores, temos um total de quatro agentes. Havendo esta temporada um subtítulo (Haru no Mai), temos então uma montagem cênica contemplando principalmente, mas não apenas, um romance entre a agente da primavera e o do inverno. Entretanto, antevendo uma continuação para o material original, uma outra história ocorre em paralelo aos eventos do anime, unindo principalmente a história da agente do verão com a agente do outono. No episódio final da série, a resolução desta história paralela se fecha tão abruptamente que causa confusão sobre a real necessidade das cenas envolvendo este segundo núcleo, que só é justificado a partir da informação que esta continuação existe e que seria útil, tão somente, em caso de uma sequela.

Parte da reviravolta do enredo do anime ocorre sobre os tipos de abusos que Hinagiku sofreu sob cativeiro. Sendo revelado inteiramente nos episódios finais, a história revela que Misuzu, a algoz da tragédia, forçada por um trauma inferido a si por sua família e arredores, resolve impor a Hinagiku que ela seja abusada sexualmente a fim de gerar um filho mais facilmente controlável do que a própria. Esta reviravolta bombástica e macabra, para além de ser incoerente com a construção do mundo que coloca a escolha do próximo agente como um evento aleatório, parece destoar demais com o que se espera das histórias de Kana Akatsuki, porém acontecimentos praticamente idênticos também estiveram presentes no material original de Violet Evergarden, onde em uma das cenas a protagonista é encontrada ensanguentada sob o cadáver de diversos homens, e que a adaptação resolveu reduzir tamanha pressão a uma curta cena de flashback, sem o devido contexto. Digo que este pode ser um problema grave para quem, até o momento, confiou na historia de Shunkashuutou Daikosha como sendo no mesmo teor de Violet Evergarden baseando apenas nas respectivas adaptações, mostrando que as escolhas podem ser mais coerentes se criarmos um contraste da equipe da Kyoto Animation em comparação com a da Wit Studio.

E por fim, a exploração das personagens femininas na historia é também um dos pontos fracos do anime. Apoiado fortemente no romance, a relação com os personagens masculinos no anime é reduzida a um porto seguro, onde os mesmos parecem corresponder a uma impotência das mulheres em resolver seus próprios problemas, estando ali apenas para ser um gostoso peso de papel. É aqui que há uma reincidência da história de Kana Akatsuki em insistir em relações com distanciamento de idade, principal tema de Violet Evergarden. Para além de insistir em uma amizade muito apoiada em auxílio mutuo e dependência emocional, a relação entre Hinagiku e Sakura é muito mais forte do que a relação com os meninos. A escrita é tão boa quando se trata das duas, que justifica tanto o surgimento quanto o retorno dos poderes de Hinagiku ao amor que a mesma sente por Sakura, que parece até que a autora trabalha contra a realidade, desconsiderando um relacionamento entre elas como uma alternativa.

Para não terminar esta crítica no baixo astral, preciso citar pontos positivos. Talvez o anime seja fácil de assistir, uma vez que todos os episódios terminam com um ótimo gancho. É um recurso válido, uma vez que o drama também é um dos principais gêneros da obra. E como não citar Kensuke Ushio, que está praticamente sob cativeiro no meio desta equipe. Hoje, já considerado um dos maiores compositores do Japão, com uma trilha instrumental tendo mais de 15 milhões de reproduções só no YouTube (in the pool – Chainsaw Man Reze Arc). Aqui, o mesmo criou uma ótima trilha tema para o anime. Em resumo, acredito que o principal problema desta adaptação foi trabalhar de menos nestes óbvios defeitos da história. Quando colocamos em comparação com a obra da Kyoto Animation, temos praticamente um teste de bancada, padronizando a escrita e revelando a verdadeira importância dos roteiristas.

7.0/10

Tongari Boushi no Atelier [Mari]

Eu só não digo que Tongari Boushi no Atelier foi perfeito porque esta primeira temporada acabou bem no meio de um arco que me deixou com os cabelos em pé e agora eu vou ter que esperar até Deus sabe quando pela continuação (que ao menos está confirmada!). Dito isso, se eu tivesse que descrever Atelier em duas palavras, elas seriam: absolute cinema!

Devido ao grande sucesso da obra original, eu cheguei com grandes expectativas para acompanhar o anime de Atelier. E, embora eu tenha ficado com um pezinho atrás por conta dos adiamentos em relação à data de estreia e por estar nas mãos de um estúdio que, apesar de reunir muito talento, vinha de uma adaptação catastrófica em termos de cronograma, fui surpreendida positivamente. A adaptação se manteve com altíssima qualidade do começo ao fim, fazendo com que a espera realmente tenha valido a pena.

Ainda que não tenha um enredo revolucionário, tudo em Tongari Boushi no Atelier é tão bem construído que dá gosto de assistir. Os personagens são multidimensionais — mesmo que uns estejam recebendo mais atenção do que outros neste momento —, o sistema de magia parece ter uma lógica clara, e o universo onde a história se passa é rico culturalmente. Nós somos apresentados a povos de diferentes lugares e até mesmo épocas, descobrimos que os bruxos não são um monólito e que há grupos com crenças e objetivos distintos, e que eventos passados influenciam diretamente na estrutura de poder atual. A coitada da Coco só queria encontrar uma forma de salvar sua mãe e acabou se tornando parte de algo que vai muito além dela e que pode mudar completamente o mundo como ela conhece… Ela não tem mesmo um minuto de paz.

A impressão que eu tenho é que esses primeiros 13 episódios foram uma espécie de prólogo, afinal, somente quatro dos quinze volumes já lançados do mangá foram adaptados. Sinto que é a partir de agora que o ritmo vai aumentar… E mal posso esperar para ver o que vai acontecer em seguida!

9.5/10

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