Impressões finais: temporada de verão (2020)

Se eu tivesse que definir a temporada de verão de 2020 em uma palavra, eu diria que ela foi esquecível. Embora algumas continuações muito esperadas tenham estreado e um ou outro título novo tenha chamado a atenção, ao contrário de outras temporadas, houve pouca variedade de obras com qualidade. Nesta postagem vocês encontrarão nossas impressões finais de Ahiru no Sora, Fugou Keiji: Balance:Unlimited, Great Pretender, Kanojo, Okarishimasu e The God of High School.

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Ahiru no Sora [Mari]

Após uma longa jornada de 50 episódios sem pausas entre os cours, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela equipe, Ahiru no Sora encerrou sua transmissão. Ainda que meus sentimentos sobre a obra sejam conflitantes, devo admitir que vou sentir falta de acompanhar as aventuras do Colégio Kuzuryuu nas minhas quartas-feiras. É realmente uma pena que Ahiru no Sora tenha terminado no exato momento em que parecia que as coisas começariam a engrenar…

“Calma aí. As coisas ‘começariam‘ a engrenar? Depois de 50 episódios?!

Pois é, caro leitor. Eu queria que fosse exagero meu, mas a verdade é que em cinquenta episódios o Colégio Kuzuryuu não ganhou uma única partida (incluindo amistosos e partidas oficiais). Quem assiste bastantes animes de esporte sabe que é normal o time dos protagonistas sofrer uma derrota dolorosa. Este costuma ser o ponto de partida que marca o início do desenvolvimento dos personagens. É a partir desse tipo de derrota que eles renovam suas motivações, melhoram suas habilidades e amadurecem. Não é um artifício novo dentro das narrativas de esporte, mas é um que costuma funcionar. O problema é que em Ahiru no Sora o autor não soube quando parar: os protagonistas perdem sempre, nos mais diversos sentidos da palavra. Os garotos não só não conseguem vencer suas partidas como a mãe do protagonista falece, o clube deles pega fogo, a menina que o protagonista gosta (?) é assediada e eles são proibidos de jogar. Tudo, absolutamente tudo dá errado para os personagens dessa história, o que torna a experiência de acompanhá-los extremamente frustrante! Mesmo que o autor tenha um objetivo em mente, faltou alguém pra dar um tapinha no ombro dele e falar, “Hinata-sensei, segura um pouco a onda aí, por favor, porque você está indo longe demais. A gente já entendeu o seu ponto”.

Em termos de desenvolvimento, eu diria que o autor obteve sucesso em transformar os delinquentes do Colégio Kuzuryuu em personagens “gostáveis”. Momoharu, Chiaki e até o Yasu em certa medida me parecem ter crescido bastante em comparação ao início da obra. O Sora, por outro lado, não mudou muito, tirando o fato de que agora ele pretende entrar na quadra como “ele mesmo” (fazendo alusão aos tênis da falecida mãe que ele deixou de usar) e de ter encontrado um rival na Taiei (que coincidentemente também é baixo como o Sora, cuja mãe foi a responsável por ensiná-lo a jogar basquete). Os outros membros do time meio que não fedem nem cheiram, talvez com exceção do Mokichi, que resolveu voltar a praticar o esporte depois de ter desistido uma vez, assim como os irmãos Hanazono, e que recebeu um pouco mais de tempo de tela. Quanto às personagens femininas, eu sinto que o autor não sabia muito bem o que queria fazer com elas. Embora a mãe do Sora exerça um papel fundamental na história, não sabemos praticamente nada sobre o seu passado como jogadora ou sequer que doença ela tinha. A Madoka, que inicialmente parecia muito empenhada com o esporte, perde a sua paixão no meio do caminho e passa os últimos episódios saindo com garotos que ela nem gosta e que não possuem relevância para o enredo. Aliás, não dá nem pra saber se a Madoka é pra ser o interesse amoroso do Sora ou do Momoharu, visto que em momentos diferentes o autor tenta empurrar narrativas conflitantes. Acho que a minha maior surpresa foi a Nao, que talvez na verdade seja “o” Nao. Não me parece coincidência que as munhequeiras da personagem tenham as cores da bandeira trans, que ainda declara no último episódio que “gostaria de ter nascido como garoto”. Seria interessante se o status da Nao como garoto trans fosse confirmado e tratado com a mesma normalidade de sempre.

Para além das emoções do esporte, vale destacar que Ahiru no Sora traz algumas críticas explícitas ao modelo educacional japonês. O autor me parece frisar bastante a necessidade de dar uma segunda chance aos alunos, de compreendê-los e guiá-los em direção ao caminho certo em vez de simplesmente abandoná-los à própria sorte, taxando-os de fracassados ou causas perdidas quando eles errarem, independentemente da gravidade do problema. A mensagem do autor é clara: é preciso aprender a lidar com as consequências de suas próprias ações, porém isso não significa que um “delinquente” está eternamente condenado a virar um marginal. É possível melhorar.

Em relação à parte técnica, bem… As expectativas já não eram altas para começo de conversa. No começo a animação até que se manteve consistente, mas após a primeira partida disputada pelo Colégio Kuzuryuu a qualidade começou a cair. Faltou fôlego sobretudo na reta final do anime. Apesar disso, não foi um completo desastre, então tudo bem. Poderia ser pior. Por tudo que o autor apresentou, eu vou dar uma nota relativamente boa, mas não acho que esta seja uma experiência que eu vá recomendar para outras pessoas.

7.0/10

Fugou Keiji: Balance:Unlimited [Lucy]

“O miserável que pegou um livro dos anos 70, olhou pro protagonista e disse ‘vamos deixar ele gostoso e fazer um anime dele’ é um gênio.” – eu, 2020

Eu tenho uma relação muito engraçada com Fugou Keiji. Como eu disse lá nas minhas primeiras impressões, achei o Daisuke absurdamente insuportável de princípio. Depois de um tempo, virou aquele “ódio de brincadeira”. E no final… eu tava gostando dele. Eles conseguiram. O detetive insuportável até que é legal.

Ajudou bastante o fato do anime ter estabelecido um enredo principal que fazia sentido, e que dava de fato vontade de acompanhar (algo que não ocorre tanto quanto deveria nesse gênero, infelizmente). O elenco secundário também funciona bem — seja com Haru, Suzue, ou até a equipe da delegacia, acompanhar o lado da história deles foi divertido também, apesar de eles não terem o diferencial que rendeu alguns dos melhores momentos dos episódios: o tal do ‘balanço ilimitado’ da conta do Daisuke. É um conceito interessante que foi trabalhado de maneira satisfatória.

E falando em satisfatório! Apesar do enorme delay causado pela crise do COVID, a produção manteve-se estável até o final da série. Não tenho nada a reclamar sobre a animação, e apesar disso não fazer muita diferença no produto final, acho que esse anime tem o combo de abertura/encerramento mais forte do ano. Abro aqui também breve parênteses para elogiar Yuusuke Oonuki, dublador do Daisuke, pelo bom trabalho como protagonista logo em seu primeiro papel! A voz dele é um tanto diferente do que estou acostumada a ouvir, espero que continue na indústria.

Em resumo, me diverti mais que o esperado com Fugou Keiji. Fui assistindo de maneira despretensiosa, e daí aos poucos os personagens e o conceito foram crescendo no meu gosto. Agora que a viagem acabou, posso afirmar que eu assistiria tranquilamente uma segunda temporada só sobre o Daisuke e o Haru rodando o mundo atrás de criminosos enquanto a Suzue aproveita suas muito merecidas férias.

Fica aí a sugestão, viu, CloverWorks?

8.0/10

Great Pretender [Lucy]

ANIME DO ANO.

10/10.

Ah, eu tenho que explicar o porquê?

Bem.

Se você conferiu o post das primeiras impressões da temporada, deve ter reparado que eu me empolguei bastante com o início de Great Pretender. Apesar de eu ter interpretado errado a intenção da história, a questão dos jogos de charlatanismo ainda é muito do meu interesse. E a execução aqui foi magnífica!

Cada mini-arco após o inicial se relaciona com a história de vida de um dos protagonistas — que são bem escritos e têm uma ótima química entre si. O enredo da origem dos personagens é realista e plausível, apesar da extravagância de seus planos, e devo acrescentar que me surpreendi bastante (de maneira positiva) com a história da Abby, que… digamos que foi realista até demais. Foi um tema que certamente não esperava que utilizassem!

Os planos em si foram bastante previsíveis, seguindo uma estrutura relativamente intocada ao longo dos arcos. No entanto, foi essa química entre os personagens que impediu a história de desenvolver uma fadiga, de parecer esticada demais. É divertido assistir eles roubando gente rica e de moral questionável, simples assim. Esse é o melhor jeito que eu consigo descrever a experiência de assistir esse anime: pura diversão.

Quanto ao visual…

Ah, o visual. Esse anime é lindo. Rico em cores, vibrante, artístico. Apesar de termos tantas locações dentro da história, cada cidade ficou com seu estilo distinto e uma boa ambientação. O character design de Yoshiyuki Sadamoto (Neon Genesis Evangelion), que eu esqueci de mencionar anteriormente, é outro destaque positivo (apesar de às vezes o Makoto parecer um pouco demais com o Shinji, mas eu posso superar). A trilha sonora tem um toque delicioso de jazz, com direito à uma faixa estilo “agora você sabe que algo vai acontecer”, que nunca falhou em empolgar.

Em resumo: se ainda não ficou claro, eu amei Great Pretender! Mas eu gostaria de uma nova temporada? Honestamente, não. No último episódio há uma cena pós-créditos que teoricamente serve como um gancho para novos casos, mas… a ideia não me agrada muito. Faz parecer que os desenvolvimentos do último caso foram em vão, que a evolução de certos personagens ocorreu à toa. Não quero dar mais spoilers sobre isso, então sugiro que confiram logo o anime — muito provavelmente, será uma das melhores coisas que vocês verão esse ano.

10/10

Kanojo, Okarishimasu [Lucy]

Seres humanos são questionáveis por natureza. Gananciosos, egoístas, complexos. Kanojo, Okarishimasu poderia ser uma história sobre como o amor pode mostrar não só o melhor, como também o pior de uma pessoa… mas como o autor tem uns 12 anos de idade, pelo visto, o foco final é em como o protagonista é sortudo por ter quatro gostosas agarradas ao braço dele, e todo homem existente nesse universo precisa comentar sobre isso quando ele estiver por perto, ou eles vão morrer, ou algo assim.

Eu não sei nem por onde começar. Sim, eu sei que eu não deveria esperar grandes coisas de um gênero cujo foco é juntar um monte de menina bonita aos pés de um cara, mas eu gosto de me iludir, sabe? Eu tinha esperanças reais.

Infelizmente, o protagonista jogou elas fora junto com os lenços de papel que você vê ele descartando constantemente. Inclusive, vale avisar que as piadas sexuais são bem frequentes. Eu não tenho problema com humor desse tipo, mas essas piadas nunca funcionam e parece que nunca dá tempo de respirar entre elas, também. É o auge da quinta série, com toda a vergonha alheia inclusa.

Seguindo ao enredo, tenho que conceder uma coisa: é realista a Chizuru insistir em acreditar no Kazuya. Eu também passei por isso ao longo do anime. Ele reconhece os próprios erros, sabe o que deveria ou não estar fazendo. Eu queria acreditar que dessa vez ele ia tomar jeito, mas assim como ela, fui tapeada todas as vezes. A cena da abertura onde ele corre em círculos (em cima de um símbolo de retweet) é um resumo perfeito da trajetória do rapaz, e por consequência, do anime em si.

Tendo dito isso, o elenco secundário também não ajuda muito. Os amigos de Kazuya são tão imprestáveis quanto ele, e o harém…

Eu gostei da Sumi, ela é um amorzinho, mas o fato de ela ter aparecido somente no *penúltimo* episódio não ajuda muito o caso dela. A Ruka é simplesmente péssima, e apesar de ser possível justificar a falta de noção dela por ela ser adolescente, toda a motivação dela é de uma extrema forçação que beira o irreal. Já a Mami é um caso mais ambíguo, porque eu a detesto também, mas acho ela a personagem mais interessante da história… mesmo que ela tenha sido esquecida por quase metade do anime, então foi mais um caso de potencial que poderia ter sido melhor trabalhado. Pra completar nosso quarteto de heroínas, temos Chizuru, a luz no fim do túnel, a fonte da minha força pra terminar o primeiro ato dessa odisseia. Gosto muito dela, e queria do fundo do meu coração que ela estivesse numa história melhor.

Em resumo, é um harém no qual eu não sinto a menor vontade de torcer por nenhuma garota: ou eu acho que a menina merece algo muito melhor, ou eu acho que nem o protagonista merece uma menina assim. Não tem meio-termo.

Vamos passar brevemente aos positivos, porque se tem algo que traz uma breve redenção a KanoKari, é sua animação. O estilo do character design manteve-se consistentemente lindo, e eu amei a quantidade de atenção que foi colocada em montar os looks das meninas ao longo dos episódios. É um anime de visual muito bonito, e esse talvez seja o maior atrativo da obra. Fora isso, queria também dar destaque pro tema de abertura! Com certeza é um dos meus favoritos desse ano, e a melhor parte de todos os episódios.

Mas essas coisas perdem a força e caem por terra uma vez que você começa a acompanhar os personagens e, por consequência, se irritar com eles. Se você pensar por um outro ângulo, Kanojo, Okarishimasu é uma história sobre as imperfeições dos seres humanos. Se focasse nisso, poderia ser bem mais interessante, porque como romance, é horrível.

4.5/10

The God of High School [Ana]

Eu não sei nem o que dizer aqui direito, só fico realmente decepcionada que uma adaptação de manhwa tenha seguido esse caminho. Não dá nem pra julgar a obra em si ao saber que decidiram adaptar cerca de 200 capítulos em 13 episódios, era meio óbvio que não daria certo.

Embora nas minhas primeiras impressões eu já tinha ficado com ideia de que seria pura pancadaria e eu não sabia bem por que estava vendo aquilo, eu ainda tinha uma ponta de esperança de que não fosse apenas isso, eu tinha até gostado do trio de personagens principais e da proposta e os primeiros episódios não foram de todo ruim para mim. Mas então o negócio começou a ir ladeira abaixo. Havia umas lutas paralelas ao torneio que eu nunca entendia o estava acontecendo e isso começou a ficar cada vez mais frequente com o passar dos episódios e eu me perguntava se o problema era que apenas eu não estava conseguindo acompanhar o negócio, mas depois eu vi que isso era algo mais generalizado e chegou ao ponto de que eu nem me importava mais em tentar entender e só terminei para ver onde realmente tudo aquilo ia dar.

Além do trio principal nos são apresentados diversos outros personagens que têm alguma maior ou menor importância, mas no fim, ninguém que seja realmente muito memorável. E na luta final era óbvio que não podia faltar o famoso “tirar o poder do c*” do protagonista Mori, para derrotar o vilão overpower. E o clichê de ele desistir do seu desejo de reencontrar o seu avô falecido para na verdade ajudar as outras pessoas que haviam se ferido na batalha.

Acho que de tudo que o anime nos ofereceu podemos salvar a boa animação, o voice acting e a abertura, o resto é melhor deixar no esquecimento.

5.0/10

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