Impressões finais: temporada de verão (2022)

Você sabe que a summer season de 2022 foi tenebrosa quando os melhores animes que estiveram no ar nesses últimos três meses eram na verdade adaptações que tinham começado na temporada anterior. Dito isso, nem tudo é digno da lata de lixo…

Nessa postagem vocês poderão conferir nossas impressões finais de AOASHI, Bucchigire!, Kumichou Musume to Sewagakari, Love All Play, RWBY: Hyousetsu Teikoku, Soredemo Ayumu wa Yosetekuru, Summertime Rendering e Yofukashi no Uta.

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AOASHI [Mari]

Se você é louco por futebol como eu e estava em busca de um anime que representasse de forma fiel e emocionante o que é realmente o esporte, alegre-se: você acaba de encontrá-lo! Para mim, AOASHI é um gol de placa.

Como eu já dizia nas minhas primeiras impressões da temporada, embora a premissa de “prodígio do interior recebe uma proposta de algum técnico aleatório para tentar a vida numa cidade grande” não seja exatamente nova, dessa vez não estamos tratando de um time de ensino médio (ainda que esta seja a faixa etária dos jovens do time que Ashito joga). A proposta aqui não é se tornar o campeão nacional do torneio de escolas (aspiração comum de personagens em animes de esporte); é jogar (e ganhar) a liga juvenil formada pelos times que já fazem parte da Liga Japonesa. O objetivo desses jogadores não é apenas criar memórias que levarão consigo para o resto da vida, é se profissionalizar. E, para Ashito, que vem de uma família pobre, sustentada pela mãe solo e o irmão mais velho, e que não possui nenhum outro talento, esse é o seu único caminho. É uma trajetória que poderíamos inclusive relacionar aos milhares de jovens de favelas brasileiras que possuem o mesmo sonho e veem no futebol a sua única chance de ascensão social.

No começo de AOASHI o nosso protagonista sabe tanto quanto a gente sobre como funcionam as categorias de base japonesas, ou seja, nada. Ashito sequer conhece o futebol como jogo de táticas e estratégias e ele é tecnicamente muito inferior aos seus colegas que treinaram no Esperion desde pequenos. Ashito, porém, tem um talento: uma visão ampla do campo e uma memória fotográfica das quais poucos jogadores desfrutam. Fukuta Tatsuya, técnico do time A da categoria de base em que Ashito jogaria no Esperion, reconhece imediatamente esse talento e por isso o convida para fazer parte da sua equipe, já pensando em seu futuro e em como ele fará uso do jogador. A jornada de Ashito não é fácil, mas é muito gratificante ver como ele vai superando as suas dificuldades, lapidando as suas técnicas, e se aproximando cada vez mais do jogador que ele quer se tornar um dia.

De maneira geral, AOASHI é bastante realista. Mesmo o talento de Ashito não é um poderzinho tirado do c*, mas sim uma habilidade encontrada em jogadores do mundo real (ainda que rara). Os personagens de fato agem como jovens que querem se profissionalizar e quem escreveu a obra entende verdadeiramente sobre futebol. Podemos ver isso nos treinamentos, nos jogos, até nas comemorações que são representadas nas aberturas do anime. E o mais legal disso tudo é que, apesar de o “tatiquês” estar presente, ele não é excessivo. AOASHI mostra mais do que fala, e é assim que um bom anime de esporte tem que ser.

Eu espero muito que tenhamos uma continuação de AOASHI, pois esses primeiros 25 episódios não foram mais do que uma introdução ao universo da obra. Vale mencionar que a animação adaptou apenas 12 volumes do mangá, que já tem 29 lançados e segue em andamento. Ainda tem muuuuita coisa pela frente e eu gostaria que a equipe do Production I.G continuasse com o excelente trabalho que fizeram com esta série.

9.0/10

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Bucchigire! [Ana]

*Respira fundo* Eu sinceramente nem sei como começar e olha que daqui pra frente é só ladeira abaixo nas coisas que eu vou comentar.

Desde o início acho que o que me chamava atenção nem era a história em si, mas o conjunto do character design, as cores, a animação (que teve suas leves escorregadas, mas ainda ok) e os personagens excêntricos. De fato a história não me conquistou tanto e talvez eu tenha desligado meu cérebro em alguns momentos. Ao menos foi minimamente interessante ver as cenas de ação, e as interações entre os personagens. As duplas no geral funcionaram bem, principalmente Sakuya e Ichibanboshi, que passaram a se dar bem, Sougen e Suzuran (o maluco da ciência com o maluco dos espíritos) e Gyatarou e Bou, que puxavam mais pro lado cômico. Ainda, o casal de crossdressers de grupos opostos também foi uma surpresa positiva.

A luta final foi meio estranha, ainda mais com a “forma final” do Rashomaru. Mas ao menos acabou se redimindo e se sacrificando para salvar a todos após toda a busca por um poder o qual ele não merecia. A tentativa de ressuscitar Abe no Seimei já é algo um tanto genérico entre animes que se passam no passado japonês, e o uso das armas “modernas” na verdade deixou o negócio mais cômico.

No fim, não tenho muito a acrescentar, já não tinha lá tantas expectativas, e acredito que é um anime que fica na média, embora não sei se seria algo que veria novamente.

6.0/10

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Kumichou Musume to Sewagakari [Mari]

De uma proposta hilária – um membro da yakuza temido por todos ao seu redor assume o papel de babá de uma menininha de sete anos – a um desfecho emocionante, Kumichou Musume to Sewagakari tem tudo que uma obra de slice of life precisa apresentar. Eu tenho lá as minhas dúvidas sobre o quão realista é a representação da máfia japonesa aqui e também não acho que a obra foi capaz de balancear muito bem os dois lados do Kirishima e o que eles realmente significam, mas de uma forma geral, eu me diverti assistindo.

Kumichou Musume to Sewagakari tem um elenco de personagens diversos, não só em termos de aparência como de personalidade também, o que leva a interações e dinâmicas que nunca ficam chatas. A obra traz algumas mensagens legais sobre família e responsabilidade afetiva. E, bem, a Yaeka e suas amigas são a coisa mais fofa do universo. É uma pena que nem sempre a série tenha conseguido transitar naturalmente entre as suas duas temáticas conflitantes, especialmente por causa das mudanças abruptas de cena em vários momentos, embora eu não saiba se esse foi um problema do anime em si ou do mangá.

Como um anime de yakuza, Kumichou Musume to Sewagakari não é muito interessante. Como um slice of life sobre pessoas problemáticas com passados difíceis encontrando umas nas outras o calor de uma família que realmente se ama e se ajuda, no entanto, a obra é bem gostosa de assistir.

8.0/10

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Love All Play [Ana]

Acho que nem preciso me prolongar muito aqui – minhas primeiras impressões foram quase previsões de que, de fato, em meio a tantos animes de esporte, Love All Play não tem nada de mais.

Além de ser difícil ter um apreço genuíno pelo protagonista e outros personagens acabarem tendo mais carisma, às vezes é meio complicado de entender o desenvolvimento desses personagens, e não ajudou o fato de que a animação que já não era aquelas coisas começou a capengar ainda mais, a ponto de termos semanas que os episódios atrasaram. Apenas em algumas partidas era possível ver um certo investimento na animação e olhe lá, a maioria parecia uma apresentação de slides.

No final foi até legal ver a escola toda se mobilizar para assistir ao campeonato de badminton. Embora eu não concorde com as motivações do Yusa, por tratar a Rika como um troféu, até que foi justo ele ter ganhado do Mizushima, que apesar do crescimento ainda não se equipara ao Yusa. Além disso, a vitória do Matsuda foi uma das poucas coisas que também valeram a pena, pois ele deu tudo de si e o pai pode vê-lo jogar mesmo que por pouco tempo. Sinto que faltou explorar um pouco mais os outros personagens, mas acredito que o foco era mostrar o protagonista sem graça como a nova aposta do time, vai entender…

De fato, Love All Play não nos ofereceu nada grandioso, embora não seja de todo ruim, vai acabar caindo num mar de esquecimento.

6.0/10

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RWBY: Hyousetsu Teikoku [Lucy]

Indo direto ao ponto: se você é iniciante no mundo de RWBY e quer avaliar se esse anime pode ser um bom ponto de partida, fique sabendo que não é. Vá assistir a série original, dá pra ver as primeiras duas temporadas no mesmo período de tempo que você gastaria com o anime. Mas se você já gosta de RWBY e quer saber se o spin-off cumpriu o que prometeu…

Sim, mas não muito. Na verdade, a não ser que você seja bastante fã da franquia — e especialmente da Weiss —, eu dou a mesma recomendação: você vai provavelmente se divertir mais revendo os primeiros volumes, porque o que temos aqui é a “versão da Shopee” desse início da história. A fim de providenciar o suficiente para um novato entender o mundo de RWBY, o anime resume a primeira temporada da web série em cerca de três episódios. Só de ler, já dá pra imaginar a sensação de pressa que isso causa, né?

E o pior é que nem tinha necessidade de correr tanto! Porque com toda a sinceridade, Ice Queendom poderia tranquilamente ter sido elaborado como filme. Um formato menor teria beneficiado o conceito simples, descartando toda a barriga que o anime acumulou por precisar estender essa ideia por quase nove episódios. O resultado final ficou raso e cansativo, e até mesmo como estudo da personagem principal ainda acabou falhando.

Imaginando do ponto de vista de um espectador de primeira viagem, não consigo ver motivo para eu me importar tanto com a menina presa nos próprios sonhos, nem com a relação entre ela e as colegas de time. Muito pouco foi trabalhado antes de entrar nesse arco! E visto que o tempo nesse outro mundo nunca vai muito longe em explorar a mente dela, ou até mesmo as motivações das ações e conceitos que ela demonstra nos primeiros episódios, quase nada é acrescentado à caracterização. Ao menos nem tudo foi em vão: a questão do racismo da Weiss foi trabalhada de maneira decente — melhor do que eu esperava, na verdade, a começar já pelo fato de que não deixaram isso de lado — e a união que ela forma com a Blake ao fim do anime pareceu verossímil dentro do que foi apresentado.

E para não deixar de falar sobre a parte técnica, acredito que esse lado também sairia no positivo com a idealização da obra como filme. A equipe do estúdio Shaft teve problemas durante a produção do anime devido à pandemia de COVID (foi um processo bem longo, como explicado em entrevista, e é preciso reconhecer que eles se saíram muito bem dentro das circunstâncias. Entretanto, esperava mais da direção visual (para um “mundo dos sonhos”, é tão pouco criativo…), e a animação parece simplificada demais em alguns momentos. Ou seja, por mais que o produto apresentado seja satisfatório, não possui muitos destaques — ironicamente, uma boa definição do anime como um todo. Os momentos mais próximos do cânone de RWBY trouxeram uma sensação gostosa de familiaridade, então seria injusto dizer que a equipe perdeu o ponto da adaptação, mas… minha impressão final é a mesma que eu tinha após o primeiro episódio, só que num tom bem mais pessimista: a melhor parte desse anime é o que ele poderia ter sido.

5.0/10

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Soredemo Ayumu wa Yosetekuru [Ana]

Certamente um dos animes do gênero já feitos. Não diria que é ruim, mas acho que já me cansei da mesma fórmula de romances em que os personagens nitidamente se gostam, mas não acontece nada, a única diferença aqui é o clube de shogi, que ainda assim não foi o suficiente para tornar a adaptação de fato interessante em meio a tantas antecessoras.

De fato, Soredemo Ayumu wa Yosetekuru tem vários momentos bonitinhos e até engraçados, no entanto senti que a história é muito arrastada, poderia ter se encaixado em metade dos episódios talvez. Além disso, os personagens não deixam de ser um tanto genéricos. Embora a Urushi seja carismática, Ayumu é a falta de carisma em pessoa. Além disso, a interação com os outros personagens também foi interessante, mas parece que ninguém tem lá muita personalidade, talvez só a personagem da HanaKana que poderia fazer um casal com a Urushi melhor do que o canon, hahaha.

O último episódio, para mim, foi um verdadeiro balde de água fria. Talvez eu tenha me iludido achando que algo de fato fosse acontecer? Talvez… Mas deixaram a gente sonhar pelo jeito em que as coisas estavam se desenvolvendo… Até mesmo a Rin, que havia entrado no clube de shogi só por causa do Ayumu, já estava conformada, deixando o caminho livre para ele se declarar para Urushi. Ele finalmente conseguiu vencer uma partida contra ela e simplesmente nada acontece??? Não era isso que você queria? Além disso, a própria Urushi fica meio triste com o discurso dele de treinar ainda mais e de fato ser melhor do que ela no shogi, uma das únicas coisas em que ela de fato é boa e gosta tanto. Por que simplesmente não pode aceitar que ela seja melhor e se declarar ainda assim? Por não querer se sentir inferior a garota? A gente perde até a vontade de torcer pelo casal assim…

Em aspectos técnicos não tenho muito o que dizer, mesmo a maioria dos dubladores sendo novatos, se saíram bem. A qualidade da animação também se manteve. O que mais me incomodou foi o (não) desenrolar da história, e o pior é me ver caindo nesse mesmo tipo de armadilha novamente.

6.0/10

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Summertime Rendering [Mari]

Eu pensei muito antes de escrever as minhas impressões finais de Summertime Rendering. A conclusão que eu cheguei é que eu não tenho QI o suficiente para escrever sobre essa obra da forma que ela realmente merece. Tantas coisas aconteceram no desenrolar desses 25 episódios que eu não acho que conseguiria fazer um apanhado geral para discutir tudo que foi apresentado por ela. Se eu soubesse que a coisa seria tão frenética assim, eu teria feito impressões semanais, pois aí sim eu seria capaz de falar sobre a história de Summertime Rendering apropriadamente.

O que eu posso dizer é o seguinte: quando eu digo que muita coisa acontece, é muita coisa mesmo, e tudo tem um motivo para ser daquele jeito. Nem sempre as explicações estarão explícitas e nem sempre as coisas serão desenvolvidas da melhor maneira, mas se você gosta de obras no estilo de Steins;Gate ou Higurashi no Naku Koro ni, acredito que você irá curtir Summertime Rendering.

Em termos técnicos, aliás, não tenho dúvidas de que este é um dos melhores títulos do ano. Eu amo o trabalho da Matsumoto Miki, responsável pelo design dos personagens, que é muito bonito. Ainda que nem sempre apresente a mesma qualidade, a animação é incrível, especialmente nas cenas de luta. Desde a segunda temporada de Major 2nd o OLM vem caminhando para se tornar um dos meus estúdios preferidos. Espero ver mais do trabalho desta equipe no futuro.

9.0/10

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Yofukashi no Uta [Mari]

O problema de Yofukashi no Uta é que ele demorou 11 episódios para ficar interessante, que foi quando eles introduziram a personagem Uguisu Anko, uma detetive particular especializada em casos envolvendo vampiros, e cuja missão é exterminá-los. Veja bem, não é porque a Anko é dublada pela Sawashiro Miyuki, minha seiyuu favorita, que eu estou dizendo isso. Sim, a voz da Sawashiro caiu como uma luva na personagem, mas o ponto é: foi necessário esperarmos 11 episódios para o conflito entre humanos e vampiros, que deveria ser óbvio, se estabelecer.

Até o episódio 11 tudo o que víamos eram os sonhos e fantasias de um adolescente de 14 anos que não tinha nenhuma noção das consequências daquilo que ele queria escolher para si mesmo. Eu não acho que todas as aventuras de Ko e companhia tenham sido uma perda de tempo, mas seria perfeitamente possível diminuir todo aquele lenga-lenga para uns quatro ou cinco episódios e então já incluir a Anko na história. Eu perdi as contas de quantas vezes foi repetido que “a noite é divertida” e como tudo girava em torno disso quando o universo da obra tinha muito mais a oferecer. Sim, no começo era de fato divertido, mas depois de tantos episódios sem o enredo sair do lugar eu comecei a ficar entediada e frustrada com o potencial desperdiçado.

Yofukashi no Uta tem mensagens que vão além de “vamos nos divertir à noite” e algumas são genuinamente interessantes, como as críticas à forma com a qual os trabalhadores são tratados pelo sistema capitalista, especialmente as mulheres. Temos também um personagem canonicamente bissexual cuja sexualidade é respeitada e tratada com naturalidade, ainda que isso tenha ocorrido mais pro final da história. O autor me parece ter um viés nitidamente progressista, mas ele não desenvolve as suas ideias e em vez disso perde muito tempo tentando desenvolver o romance sem graça do Ko e da Nazuna.

Confesso que se a adaptação não fosse tão bonita e bem feita, talvez eu nem tivesse assistido até o final. Fico feliz de ter permanecido visto que os últimos três episódios foram melhores do que todos os outros juntos, mas é uma pena pensar que Yofukashi no Uta poderia ter sido muito mais.

7.0/10

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