Primeiras impressões: temporada de outono (2026)

Após três temporadas incríveis de animes, parece que encerraremos o último trimestre do ano relativamente em baixa. Apesar de termos algumas continuações aguardadas, são poucos os títulos novos que nos chamaram a atenção. Confiram nesta postagem nossas primeiras impressões de Doumo, Suki na Hito ni Horegusuri wo Irai Sareta Majo desu., Hotaru no Yomeiri, TETSURYO! meet with Tetsudou Musume e #Zombie Sagashitemasu:

Doumo, Suki na Hito ni Horegusuri wo Irai Sareta Majo desu. [Lucy]

Com um título tão autoexplicativo (“oi, sou uma bruxa e meu crush quer que eu faça uma poção do amor pra ele”), acredito que não tem muito pra eu explicar sobre a premissa desse anime, né? Porque pelo menos nesse primeiro episódio, ele também não apresentou muita coisa além disso por 24 minutos. De fato, ela é uma bruxa, e logo no início do episódio, o crush dela pede pra fazer uma poção de amor. Cumpriu o que prometeu! Nos vemos em três meses nas impressões finais.

Falando sério, ainda deve ter muito mais coisa a ser revelada; caso contrário, o anime periga ser um nothingburger danado. Até agora, tivemos a dinâmica e os motivos da paixão da protagonista explicados, assim como a história pessoal dela, mas não sabemos muito sobre o nosso interesse romântico (além de sua personalidade literal e determinada), nem fomos apresentados a nenhum potencial conflito além do amor não correspondido. A proposta da paixão convence e é compreensível, mas até mesmo animes “relaxantes” assim, do tipo que vão direto ao ponto sobre expectativas, ainda precisam de alguma base sob a qual se estruturar para as engrenagens rodarem direitinho. Um ponto positivo para as minhas esperanças é que tivemos secundários apresentados aqui e acolá, e, é claro, tem o mistério de para quem essa poção será entregue. O negócio é saber, também, como planejam preencher os episódios nesse meio-tempo. Vou me manter otimista, porém cautelosa.

Felizmente, não vou precisar dessa cautela toda para comentar sobre os aspectos técnicos: é uma produção simples, não reinventa a roda, mas parece ser bastante competente. O anime está bem bonitinho, com belos cenários, cores agradáveis, e uma direção redondinha. Acredito que o visual não será um aspecto problemático ao longo da temporada, a não ser que alguma coisa dê muito errado no estúdio Diomédea nas próximas semanas. Desse lado, acho que está tudo seguro. Logo, resta apenas esperar para que o romance engate e dê gosto de torcer pelo casal.

★★★

Hotaru no Yomeiri [Mari]

Sabe aquele ditado popular que diz “remédio pra doido é um doido e meio”? Então, estou certa de que Tachibana Oreco, autora de Hotaru no Yomeiri, ouviu essa frase em algum lugar e decidiu transformá-la em um mangá. Finalizada em doze volumes, a obra coleciona indicações a prêmios como o Tsutaya Comic Award e o Kodansha Manga Award, além de possuir mais de um milhão de cópias em circulação. A adaptação para anime veio em um momento em que o shoujo está em alta e pelas mãos do ótimo estúdio David Production.

Hotaru no Yomeiri se passa em uma época em que as mulheres não podiam escolher com quem se casar. Elas eram vistas como objetos de desejo ou moedas de troca, sempre servindo às ambições dos homens — especialmente os nobres. Para Satoko, uma bela jovem cuja saúde frágil espanta possíveis pretendentes, encontrar um homem que possa lhe dar uma vida estável e que faça seu pai feliz é tudo que ela quer. Satoko não tem uma boa relação com as irmãs ou madrasta nem possui grandes aspirações, portanto cumprir com seu propósito na sociedade é o que lhe mantém motivada para continuar vivendo. No entanto, o que ela não esperava é que uma voltinha despretensiosa pela cidade terminaria com ela pedindo Shinpei, um assassino de aluguel, em casamento.

O primeiro episódio do anime basicamente trata de estabelecer essa premissa, que não é exatamente revolucionária dentro do gênero de dark romance, mas que chama a atenção. Eu gosto que Satoko, apesar de suas dificuldades, não é uma coitadinha na busca de um príncipe encantado — tamanha ingenuidade sequer passa por sua cabeça. Ela pensa em termos práticos e age com o que tem de melhor ao seu alcance. Gosto também que Shinpei, apesar da natureza de seu “trabalho”, não é completamente desprovido de humanidade. Definitivamente não parece que ele tem todos os parafusos bem apertados na cabeça, mas não sabemos como nem por que ele se tornou um assassino. Vê-lo frente a frente com alguém que convive com a morte constantemente à espreita é, no mínimo, instigante. Estou curiosa para descobrir que tipo de relacionamento os dois irão desenvolver.

Em termos técnicos, Hotaru no Yomeiri é bem feito. Eu confesso que arquei uma sobrancelha quando vi que o David Production, conhecido principalmente pelas adaptações de JoJo no Kimyou na Bouken e Enn Enn no Shouboutai, tinha sido o estúdio escolhido para adaptar um shoujo. Contudo, entendi perfeitamente o motivo após assistir à estreia. Não se deixem enganar — ainda que o romance seja um tema central, há uma enorme brutalidade em torno dos protagonistas. Fica aqui o meu aviso de gatilho para quem não se dá bem com gore.

A única coisa que me deixou pensativa — e até um pouco preocupada — foi a confirmação de que o anime terá doze episódios. Ao mesmo tempo em que eu adoraria ver uma adaptação completa, eu espero que a equipe não tente enfiar todos os volumes do mangá em uma única temporada. São muitos os exemplos em que esse tipo de tentativa acabou por estragar o que teria sido um anime incrível… Seria uma pena se o mesmo acontecesse aqui.

★★★★

TETSURYO! meet with Tetsudou Musume [Rin]

Para quem estava com saudades de um slice of life fofinho de universitárias com algum interesse específico em comum, finalmente temos um novo candidato. Eu, particularmente, sou uma grande fã de como o Japão tem boa parte do país interligado por ferrovias pela facilidade de viajar dentro do país. Este primeiro episódio de Tetsuryo já me conquistou logo no começo por falar da frustração que é querer ir para um lugar longe para ver algo novo, mas nunca conseguir realizar esse desejo porque o dia a dia é tão corrido que até esquecemos o que tínhamos vontade de fazer.

Neste primeiro episódio acompanhamos a história de Sata Misaki, que, como uma estudante do ensino médio qualquer, é bastante indecisa com o que ela quer fazer da vida. Ela adquire o interesse em viagens após ver uma apresentação de turismo de uma companhia ferroviária. Por conselho de sua amiga de infância, Yayoi, ela anota a vontade de viajar para longe em sua lista de desejos, mas acaba se esquecendo disso. Ela só se lembra dessa ideia na faculdade, quando conhece brevemente o Clube de Viagens Ferroviárias e decide, por impulso, sair numa viagem sozinha.

Apesar de ter sido uma cena bem curta, eu gostei bastante de ver Misaki finalmente realizando seu desejo de viajar. Sabe, eu até que me vi bastante na personagem aqui. Muitas vezes o que precisamos fazer para realizar algo que queremos é simplesmente tirar um dia, mergulhar de cabeça e aproveitar! Pode ser que seja um sentimento de alívio temporário e irresponsável, mas é algo de que precisamos antes de sermos tomados pelo mal-estar da frustração.

Como esse episódio me pareceu raso, não consigo saber se é realmente para esse lado que o anime pretende seguir ou se isso aqui pode ser só coisa da minha cabeça, porém de início me despertou uma certa curiosidade. Apesar de simples e sem muito brilho, acho que vai ser um slice of life universitário divertido e que pode se tornar mais memorável dependendo de como as outras personagens do clube influenciam a história. Por enquanto, não tenho grandes expectativas e vou aproveitar esse passeio.

★★★

#Zombie Sagashitemasu [Plinio]

Depois do fatídico “Dia Vermelho”, 90% da humanidade pereceu devido a um vírus zumbificador. A história se passa 13 anos após a tragédia. São muitos sinais. Brincadeiras à parte, o bom humor é o carro-chefe de Katsuwo (Hitoribocchi no Marumaru Seikatsu; Mitsuboshi Colors), e #Zombie Sagashitemasu é sua terceira obra adaptada para as telas.

Fomos introduzidos a um grupo de sobreviventes que busca o paradeiro do pai de uma das integrantes. Aki recebe a missão de matar o próprio pai caso o encontre transformado em zumbi. Assim, junto a Natsuki e Haru, o grupo busca verificar todas as baixas confirmadas, uma por uma. Sem conhecermos o passado que os uniu, aguardamos pacientemente a conclusão dessa jornada.

A estreia faz referência a vícios linguísticos, como a falta de conhecimento da nova geração em relação aos kanjis ou a repetição de frases “fáceis de falar”, quase como se esse fosse o tema principal da obra. No entanto, acredito que o foco se moverá em direção ao redescobrimento de tecnologias e à crítica sobre a falta de interesse em conhecimentos básicos, tratados pelos personagens como se fossem inúteis para a sobrevivência.

Uma marca registrada do autor é o dinamismo entre os personagens, que possuem personalidades escrachadas e servem como fonte inesgotável para vídeos curtos e virais. Talvez, ironicamente, essa “viralização” seja um ponto trabalhado pelo autor, o que explicaria a presença da hashtag no título. É um anime inofensivo, que pode ou não fazer você rir, e que só recomendo se estiver com bastante tempo livre. Afinal, considerando que uma pessoa passa em média 7,5 segundos assistindo a cada Shorts ou Reels, um único episódio de anime equivale a cerca de 180 desses vídeos.

★★½

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