Impressões finais: temporada de primavera (2019)

Nossas impressões finais da temporada de primavera de 2019 serão mais curtas do que o normal já que dessa vez ficamos com o incrível número de 2 (dois) animes para falar, pois todas as outras obras escolhidas por nós foram confirmadas com mais de um cour (Carole & Tuesday, Diamond no Ace: Act II, Fruits Basket (2019), Kimetsu no Yaiba e Mix), além de termos desistido de Fairy Gone. Isso significa que a gente vai morrer para fazer a próxima postagem de impressões finais? Provavelmente. Mas até lá, fiquem com Dororo e Kono Oto Tomare!.

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Dororo [Ana]

Dororo é uma adaptação de um mangá publicado no final da década de 1960 de autoria de Osamu Tezuka. Embora eu não tenha lido, soube que o final foi um tanto apressado pelo autor, já que os leitores da época não receberam a obra de uma maneira agradável, assim certa parte do desfecho do anime ficou por conta da equipe responsável pela adaptação.

Dororo é uma garotinha que perdeu toda sua família e até certo ponto da história se passa por um garoto. Aqui é aquela velha história de que garotos são socialmente mais aceitos e menos discriminados em diversas situações. Embora a obra carregue seu nome, o personagem principal da obra é Hyakkimaru, que traz consigo uma história muito trágica. Mesmo antes de nascer, Daigo, governante de Ishikawa, extremamente egoísta, ambicioso e ganancioso faz um pacto oferecendo a vida de seu filho a 12 demônios a fim de melhorar a situação de seu povo, salvando-os da pobreza e doenças. Parece realmente uma ótima ideia sacrificar a vida de seu próprio filho para salvar uma maioria e se livrar da responsabilidade de ser um bom governante por conta própria, não é?

No entanto, devido às preces de sua mãe, mesmo tento várias partes de seu corpo levadas pelos demônios, Hyakkimaru sobrevive e a história gira em torno dele lutando contra os demônios e recuperando as partes de seu corpo. É nessa jornada que ele acaba conhecendo a Dororo, que tem um papel fundamental durante sua trajetória deixando-a menos dolorosa, como se fosse uma irmã mais nova. Durante a primeira metade do anime, a narrativa é um pouco mais sólida e podemos ver Hyakkimaru na companhia de Dororo lutando contra os demônios e aos poucos recuperando algumas partes de seu corpo como a pele, audição, tato, olfato e voz, e como ele vai se adaptando a essas mudanças.

No início da segunda metade da adaptação tivemos uma pequena decaída tanto na animação, quanto na narrativa, no entanto isso voltou a melhorar nos episódios finais. Descobrimos que Dororo em suas costas carrega um mapa para um tesouro escondido e tentam usá-la para roubar esse tesouro. Ao mesmo tempo, Hyakkimaru movido pelo ódio acaba se distanciando de Dororo por um tempo. É bastante interessante como a obra mostra que as pessoas não são 100% boas ou más. Ao mesmo tempo em que Daigo foi extremamente cruel com seu próprio filho, foi capaz de acolher Hyogo e Mutsu quando crianças. Esses dois acabam por lutar ao lado do filho mais novo de Daigo, Tahoumaru, que preocupado com a situação de seu povo, aceita o destino imposto pelo seu pai de matar o seu próprio irmão.

Hyakkimaru e Tahoumaru acabam se enfrentando diversas vezes, o que acaba ficando um pouco maçante quando chega à última batalha, mesmo com o diferencial de que Tahoumaru incorpora o 12º demônio, que acaba corrompendo suas ações. Esse demônio inclusive fora o que não havia conseguido pegar uma das partes de Hyakkimaru inicialmente, sendo esse o fato que o fez sobreviver ao nascer. Apenas nessa última batalha ele consegue recuperar as partes que lhe faltavam: os braços e a visão. Ainda assim, é bastante interessante ver como foi o desenvolvimento emocional do personagem até ali, em que muitas vezes foi movido pelo ódio e frustração, reconhecendo a importância e a amizade da Dororo e evitando matar o seu irmão, mesmo ele não sobrevivendo no fim. Por mais que Hyakkimaru tivesse inúmeros motivos para transformar sua dor em ódio e vingança, percebeu que esse caminho não é tão recompensador quanto valorizar quem está ao seu lado e se importa com ele.

Ainda, vale a pena citar alguns momentos bastante bonitos como quando Hyakkimaru reencontra Jukai, que foi alguém que lhe criou por boa parte da vida e lhe ensinou tanta coisa, já tendo recuperado alguns de seus sentidos, como o tato. Assim como quando encontra sua mãe, Nuinokata, e também do envolvimento que ela tem com a Dororo no final. Embora Nuinokata pudesse se redimir e agora passar a vida com Hyakkimaru, ela resolve se sacrificar ficando ao lado do Tahoumaru que também teve seu amor negligenciado durante sua vida. Hyakkimaru decide então buscar a sua humanidade, e Dororo, por sua vez, usar o seu tesouro para ajudar o povo de Ishikawa. Ainda que os dois tracem caminhos diferentes, é bem bonito quando se reencontram adultos no futuro.

Apesar de alguns baixos no decorrer da adaptação, Dororo foi um anime que me surpreendeu positivamente desde o começo e que gostei bastante de acompanhar. Não posso deixar de citar aqui que os temas de abertura e encerramento são muito bons, principalmente a primeira abertura, que foi uma das melhores da temporada passada na minha opinião.

8.5/10

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Kono Oto Tomare! [Mari]

Eu gostaria de começar dizendo que poucas vezes eu me senti tão frustrada com o fato de uma obra não ter sido encaminhada a um estúdio com mais recursos como eu me senti em relação a Kono Oto Tomare!. Eu não gosto muito de comparar mangá e anime já que são mídias diferentes, produzidas por pessoas diferentes e com resultados diferentes que merecem ser avaliados separadamente. Apesar disso, é difícil evitar comparações quando se trata de Kono Oto Tomare!.

Eu diria que até mais ou menos metade do anime o estúdio estava se virando bem – alguns cortes aqui e ali, com uma animação modesta porém eficiente, e por aí vai. No entanto, a qualidade da adaptação foi deteriorando no decorrer das semanas, e chegou a um ponto nos últimos episódios em que parecia que estávamos assistindo a uma apresentação em PowerPoint. Além disso, os cortes passaram a ser maiores e inclusive os roteiristas trocaram a ordem de alguns eventos, coisa que eu não consegui entender muito bem, e o último episódio acabou do nada. Aparentemente há um segundo cour confirmado mais pra frente e eu espero que esse intervalo sirva para a produção recuperar a qualidade inicial da adaptação, mas me pareceu um erro terminar essa primeira parte sem nenhum gancho ou anúncio.

A história de Kono Oto Tomare! é muito boa. Todos os personagens possuem personalidades, backgrounds e motivações próprias, ainda que os holofotes passem mais tempo em uns do que em outros. A maior parte das interações é crível e a escrita realmente te fazer sentir coisas. Você se importa com os personagens, você torce por eles, você ri e chora com eles. É uma pena que o anime não tenha conseguido manter a qualidade da obra original, mas eu definitivamente recomendo dar uma olhada nos primeiros episódios e, caso goste, eu diria para ir ler o mangá sem medo de ser feliz.

7.0/10

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