Primeiras Impressões: Temporada de Verão (2019)

Assim como esperávamos, a temporada de verão de 2019 começou forte. Tivemos o retorno de autores já conhecidos e queridos pela galera, como Ookubo Atsushi e Shinohara Kenta, e também uma adaptação baseada em um mangá de Okada Mari, outro grande nome da indústria. Apesar de nem todas as obras terem atingido nossas expectativas, parece seguro afirmar que a temporada promete.

Ao contrário do que fizemos durante a spring season, dessa vez resolvemos avaliar todas as apostas que tínhamos feito inicialmente para ver se elas de fato entregaram. Portanto, nessa postagem constarão as nossas primeiras impressões de Araburu Kisetsu no Otome-domo yo., Dr. Stone, Enen no Shouboutai, Given, Kanata no Astra, Katsute Kami Datta Kemono-tachi e e Vinland Saga.

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Araburu Kisetsu no Otome-domo yo. [Ana]

Ah, a adolescência, os hormônios aflorando, nem um clube de literatura formado – pelo que parece – as virjonas da escola consegue tratar com naturalidade um tema que deveria ser algo normal, mas que nessa idade parece impossível: sexo! A curiosidade, o tabu, a insegurança, o choque ao finalmente se dar conta de que o menino que se tem uma queda desde a infância não é mais uma criança, de uma maneira um tanto… traumática, tudo isso pode explodir a cabeça de uma adolescente descobrindo a sexualidade.

Achei bastante interessante a maneira como Araburu Kisetsu no Otome-domo yo. mostrou que pretende trabalhar o tema nesse primeiro episódio. Geralmente ao se tratar de sexo acabamos caindo em uma dualidade que não acrescenta muita coisa à obra: fanservice ou uma comédia escrachada que chega a ser até ofensiva. Embora o humor esteja presente na adaptação, achei que foi muito bem trabalhado até então. Além disso, as personagens são bastante críveis, indo desde a garota com maior curiosidade que acredita que está perdendo tempo da sua vida, até a que mal pode ouvir algo relacionado, e claro, a que eu acredito que tenha uma maior relevância na história, a Kazusa, que entra em pânico pegando o crush num momento bem íntimo, se é que me entendem.

Assim, fiquei bastante curiosa em como a obra irá trabalhar as cinco personagens principais e suas relações individuais com a sexualidade, e como continuará trabalhando com o humor a partir daqui. A animação é relativamente simples, mas ok até então, e um dos pontos altos pra mim foi a trilha sonora do episódio. Sem entrar em muitas repetições ao já dito no post de apostas da temporada, tanto a autoria de Okada Mari, quanto a direção responsável são fatores que podem acrescentar qualidade à adaptação, portanto acredito que ao menos esse será um anime divertido de se acompanhar.

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Dr. Stone [Ana]

Pelo visto existe um hype relativamente grande em cima de Dr. Stone e me disseram que eu como cientista deveria falar sobre ele. Pois bem, não posso falar muito até então. Eu fiquei relativamente curiosa com o fato de as pessoas simplesmente terem sido transformadas em pedra do nada, mas aparentemente a história não buscará responder por que isso aconteceu, mas sim na possibilidade de uma reconstrução da civilização.

Até o momento conhecemos Taiju, um rapaz que era estudante do ensino médio, incrivelmente enérgico e cuja motivação de vida é um dia poder declarar seu amor à Yuzuriha, mesmo depois de tanto tempo petrificado. Taiju até certo momento é a única pessoa a fugir do estado de petrificação, até encontrar com seu colega Senku, que com sua extrema inteligência já pensava em como poderia usar da ciência para reverter aquela condição.

O primeiro episódio foi bastante introdutório, mostrando como de uma hora para outra todo mundo foi transformado em pedra e em como ambos mantiveram a consciência durante tanto tempo. Além disso, Senku cria a hipótese de que eles ficaram expostos a um composto sob uma caverna e que aos poucos isso foi capaz de libertá-los. Ao constatar isso, começaram a testar a veracidade dessa hipótese em um pássaro comprovando ser verdadeira. Assim, acredito que o próximos passo será tentar fazer com que outras pessoas sejam libertas da petrificação.

Tanto em termos técnicos como da história em si gostei do que vi, no entanto ainda não consigo prever muito os pontos que prenderão minha atenção à obra, me restando acompanhar os próximos episódios para descobrir.

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Enen no Shouboutai [Mari]

A primeira coisa que chama a atenção em Enen no Shouboutai é, sem dúvidas, o visual da adaptação. Nas palavras de Kevin, do Sakuga Blog, esse resultado foi “a combinação de uma eficiência recém descoberta do David Production com a disposição do comitê executivo, que alocou tempo extra para o projeto, somadas a um grande afluxo de criadores do estúdio SHAFT que se refugiaram em um projeto no qual seus freios poderiam ser removidos com segurança”. Assim, Enen no Shouboutai tornou-se “um impressionante mostruário de efeitos de animação tão diverso em estética que você poderia até se esquecer da temática centrada no fogo, com uma ação de ritmo acelerado e um ambiente animado em estilo steampunk.” Para os fãs de sakuga, o anime é um prato cheio.

Apesar de ter uma história simples – o protagonista é um jovem garoto que sonha em se tornar herói – centrada em um fenômeno que ainda não sabemos a causa e será um dos pontos a serem explorados pela narrativa, eu diria que Enen no Shouboutai teve uma das melhores estreias da temporada. Além da excelente animação, a obra conta com um elenco de personagens carismáticos que não precisam fazer muito esforço para nos conquistar e, pelo menos nesse primeiro episódio, soube como mesclar bem os elementos de ação, drama e suspense. Embora os leitores do mangá já tenham me alertado que a escrita tende a ser o ponto mais frágil da obra, eu ficarei na expectativa para que ela ao menos faça jus a todo o trabalho duro que está sendo colocado nesse visual espetacular.

☆☆☆☆☆

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Given [Mari]

Depois de muitas escolhas de títulos infelizes e adaptações ruins, os fãs de BL – ou simplesmente qualquer pessoa que tenha interesse em ver um relacionamento homoafetivo bem representado – têm um motivo para comemorar: o anime de Given é exatamente tudo que a gente quis esse tempo todo!

A obra centrada nos personagens Satou Mafuyu e Uenoyama Ritsuka começa contando a história de como eles se conheceram, basicamente se resumindo em Ritsuka ajudar Mafuyu a consertar sua guitarra, e subsequentemente Mafuyu tentar convencer Ritsuka a ensiná-lo a tocar. Há um contraste de personalidades bem interessante e às vezes até cômico entre os dois, o que nos dá esperança de um futuro relacionamento cuja dinâmica permitirá que ambos cresçam juntos. Enquanto Mafuyu não passa de um novato que mal pode esperar para começar a aprender, Ritsuka já é um guitarrista experiente que com o tempo perdeu um pouco da sua inspiração, porém percebe a animação contagiante de Mafuyu e se lembra de como ele também foi um dia, o que torna esse arranjo entre os dois garotos perfeito para Ritsuka, além de ajudar Mafuyu, reacender a paixão que ele tinha pelo instrumento.

Ainda não sabemos por que Mafuyu carrega uma guitarra por aí quando ele não sabe tocar, mas fica subentendido que aquele instrumento é importante para ele, o que deixa a audiência curiosa para descobrir o motivo. Acredito que esse será um dos primeiros pontos a serem explorados pela narrativa. Estou ansiosa para ver como esses dois garotos tão diferentes um do outro construirão seus laços e futuro.

Quanto à parte técnica, eu achei tudo muito bonito, desde o design dos personagens a animação em si e a trilha sonora. Fico levemente preocupada com o fato do estúdio Lerche estar trabalhando em duas adaptações ao mesmo tempo (que não são exatamente fáceis de animar), mas fico na torcida para que consigam manter a qualidade desse primeiro episódio no decorrer da série.

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Kanata no Astra [Mari]

A mais nova adaptação baseada em um mangá de Shinohara Kenta, autor de Sket Dance, já começou com tudo: o primeiro episódio foi um especial de uma hora, construído com elementos visuais de uma produção cinemática, que tratou de nos apresentar ao universo de Kanata no Astra e introduzir os personagens cujas aventuras espaciais nós acompanharemos no decorrer dos próximos três meses.

Apesar de contar com um tempo maior de duração, o episódio de estreia basicamente se limitou a estabelecer os pontos da narrativa que já conhecíamos pela sinopse, abrindo espaço para que eles sejam explorados mais adiante. Me pareceu uma escolha acertada, pois com um elenco principal tão diverso quanto esse, é necessário que os espectadores conheçam os personagens primeiro, senão fica difícil de criar uma ligação emocional que os faça se importar com o futuro desses garotos e garotas e o consequente desenrolar da história.

Assim como mencionado na postagem de apostas para essa temporada, a ideia por trás de Kanata no Astra não é algo novo, porém não vejo isso como um problema desde que o autor saiba como trabalhá-la. Optar por um elenco principal de nove personagens requer coragem – por outro lado, é uma escolha que expande as possibilidades de desenvolvimento, podendo torná-lo ainda mais interessante. Sendo assim, fico ansiosa para ver até onde Shinohara irá nos levar.

De maneira geral, a adaptação está muito bonita. Tirando um uso de CG meio estranho aqui e ali, não tenho do que reclamar. Além disso, vários dos meus seiyuus preferidos estão no cast, como Yoshimasa Hosoya, Hayami Saori e Shimazaki Nobunaga. Quem conhece o autor sabe que ele faz bastante uso do humor, mas que por ser algo subjetivo, nem sempre funciona. Eu não ligo muito pra isso, porém deixo o alerta pra quem prefere uma narrativa mais séria não acabar se decepcionando com a obra.

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Katsute Kami Datta Kemono-tachi e [Mari]

Tudo aconteceu tão rápido nesse primeiro episódio de Katsute Kami Datta Kemono-tachi e que eu nem sei por onde começar. Logo de cara somos arremessados em meio a uma guerra civil do Norte contra o Sul, descobrimos que há seres humanos capazes de se transformar em feras e que esses indivíduos correm o risco de eventualmente perderem o total controle sobre si mesmos, de repente acontece uma reviravolta e praticamente todo o elenco de personagens ao qual fomos apresentados de início está morto. Ufa. Fiquei até sem ar enquanto escrevia esse parágrafo.

Sinceramente, eu achei que o anime tinha potencial, mas agora não tenho mais tanta certeza. Eu estava interessada em ver como esses indivíduos, transformados em máquinas de guerra, seriam reinseridos na sociedade. Eu queria ver mais das interações do esquadrão e descobrir se o protagonista daria jeito de se declarar pra moça que ele gosta ou não. Entretanto, tudo isso foi por água abaixo em um único episódio. Não sei se eu gosto dessa ideia de caça às feras. Devo assistir pelo menos mais um ou dois episódios pra resolver se vale a pena continuar ou não, até porque ainda não conhecemos a outra protagonista da história, porém sugiro que não criem muitas expectativas caso tenham imaginado a mesma coisa que eu.

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Vinland Saga [Mari]

Aqui temos mais uma adaptação que resolveu começar de um jeito diferente: ao contrário de Kanata no Astra, que iniciou com um especial de uma hora, Vinland Saga resolveu soltar logo os três primeiros episódios de uma vez. Eu não sei de onde saem essas decisões de marketing, mas bem, não estou reclamando, afinal eu estava ansiosa para ver qual era o lance de um dos animes mais esperados do ano. Será que a adaptação atingiu as expectativas?

Comecemos pelo visual. Eu tenho certeza que algumas pessoas vão estranhar o uso constante de CG que, apesar de ser coeso com o 2D, não costuma ser a regra, porém esse já era o esperado tendo Yabuta Shuuhei na direção. Não acho que essa decisão traga prejuízos à obra, mas deve levar um tempinho para nos acostumarmos. Fora isso, o resto está OK. Embora o mangá de Vinland Saga seja elogiado tanto pela arte quanto pela história, eu sinto que o anime será carregado de fato pela poderosa narrativa de Yukimura Makoto, o que deve bastar desde que se mantenha a qualidade da animação – por mais que seja diferente – e se faça um bom uso dos outros recursos técnicos, como direção e trilha sonora.

O primeiro episódio antecipa os acontecimentos ao que constava na sinopse – o assassinato do pai de Thorfinn – e assim conhecemos um pouco sobre o universo da obra, fortemente inspirado pela História, e a família do protagonista. Não é novidade pra ninguém que eu sou uma grande fã de adaptações históricas e por isso espero bastante de Vinland Saga, mas não me parece que eu vá me decepcionar, afinal o mangá é reconhecido pela sua qualidade e não tenho dúvidas de que podemos confiar em Seko Hiroshi (Mob Psycho 100, Banana Fish), o responsável pela composição da série. Além disso, creio que valha a pena mencionar que eu adorei os temas de abertura e encerramento, cantados por dois dos meus artistas japoneses preferidos – a banda Survive Said The Prophet e a cantora Aimer, respectivamente.

2 comentários em “Primeiras Impressões: Temporada de Verão (2019)

  1. Essa temporada está bem interessante! O que mais me chamou atenção foi Vinland Saga e Kanata no Astra.
    Dr. Stone e Fire Force eu talvez dê uma conferida pra ver se é interessante. Eu espero que essa parte de “ciência” do dr. stone não seja bullshit, mas me disseram que é bem amsi focada em química.

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  2. Eu li muitas críticas sobre fire force e não consegui entender o que era tão ruim assim, sabe? Ver mais alguém elogiando me deixou feliz. Para mim pareceu um anime divertido e bem produzido.
    Eu tinha algumas dúvidas com given, depois de ler tantos elogios, estou inclinada a ver.

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