Impressões finais: temporada de inverno (2020)

O ano de 2020 não tem sido fácil pra ninguém. O surto do novo coronavírus vem mudando a forma com que levamos nossas vidas e os próximos meses serão difíceis, com distanciamento social e fechamento de fronteiras. Ainda bem que podemos contar com os nossos hobbies para passarmos o tempo e não enlouquecermos. Nesta postagem falaremos sobre nossas impressões finais de Diamond no Ace: Act II, Eizouken ni wa Te wo Dasu na!, Haikyuu!!: TO THE TOP, Jibaku Shounen Hanako-kun, Koisuru Asteroid, Oshi ga Budoukan Ittekuretara Shinu e Runway de Waratte.

Daiya

Diamond no Ace: Act II [Mari]

Depois de um ano inteiro no ar, Diamond no Ace: Act II encerra o seu ciclo com 52 episódios. Quem acompanha o blog há bastante tempo sabe o quanto gostamos de animes de esportes e o quão animadas estávamos para essa continuação. Devo dizer que acompanhar Diamond no Ace: Act II foi uma experiência gratificante e frustrante ao mesmo tempo.

Primeiro vamos aos aspectos positivos: o desenvolvimento dos personagens. Após muitos tropeços e lições, tudo aquilo pelo qual o Sawamura esteve trabalhando para atingir se concretiza nessa temporada. Ele não só melhora suas habilidades como arremessador, mas renova sua determinação de se tornar o Ás do time, amadurece como pessoa e atleta e assume uma maior responsabilidade ao invés de deixar tudo nas mãos do Miyuki, além de tentar, à sua maneira, guiar os jogadores mais novos. O Furuya, por outro lado, faz o caminho inverso: enquanto Sawamura crescia cada vez mais, ele se afundava em suas próprias expectativas, até que se machuca e é obrigado a recomeçar. O contraste entre os dois personagens é bastante interessante e, na minha opinião, Daiya faz um bom trabalho ao abordar as diferentes perspectivas de seus protagonistas. Também vale mencionar o crescimento de outros personagens como o Haruichi, o Kanemaru e o Tojo que, assim como o Sawamura, para além de suas aspirações pessoais, assumiram uma responsabilidade maior para com o time, e os terceiranistas que sempre são os mais sedentos pela vitória e estão dispostos a colocar tudo em jogo. A continuação também nos trouxe alguns personagens novos, mas apesar de apresentarem um certo potencial, ainda não tivemos tempo suficiente para nos apegarmos a eles. Finalmente, Daiya ainda trouxe uma discussão sobre mentor/aprendiz com o atual e o ex-técnico da Seidou, algo que foi de certa forma revigorante, já que não costumamos ver esse tipo de reflexão entre dois personagens já adultos.

Em relação aos aspectos negativos… Bem, aquilo que temíamos aconteceu. Manter animes longos no ar sem fazer pausas entre os cours é uma tarefa difícil. A produção de Daiya tinha conseguido fazer isso sem comprometer a qualidade da animação quando havia dois estúdios trabalhando no projeto: o Madhouse e o Production I.G. Com a saída do Production I.G., somada ao fato de que o Madhouse estava animando outra adaptação de dois cours ao mesmo tempo (Chihayafuru 3), não demorou para que os problemas de Diamond no Ace: Act II começassem a aparecer. Infelizmente não é exagero quando as pessoas falam que alguns episódios pareciam apresentações de slide, só que com voz e trilha sonora por cima. Daiya se mantém em pé por causa de sua história, mas é uma pena que a animação não faça jus à qualidade dela. Eu gostaria muito de ver para onde a obra vai caminhar a partir daqui e uma quarta temporada seria muito bem-vinda, porém se isso de fato acontecer, eu espero que eles façam pausas entre os cours (como Haikyuu!!) ou fechem uma nova parceria para que a produção não sofra tanto.

8.0/10

Eizouken

Eizouken ni wa Te wo Dasu na! [Mari]

Falar sobre Eizouken ni wa Te wo Dasu na! é um pouco difícil pra mim porque eu sinto que se eu tivesse mais conhecimento em relação ao processo criativo de uma animação eu poderia oferecer considerações melhores, afinal, Eizouken é um prato cheio para os amantes desta arte. De qualquer forma, acredito que vale a pena destacar aqui que a adaptação é muito bem animada e tem uma direção já característica do Yuasa. É legal ver como Eizouken mescla seus elementos de fantasia e realidade, que sempre contribuem para o desenvolvimento da história, por mais bobo que possa parecer em um primeiro momento.

Eu gosto como Eizouken ni wa Te wo Dasu na! aborda indiretamente uma questão de gênero por meio da forma que escolheram representar suas personagens femininas, fugindo de um character design padrão e dando variedade ao seu elenco. Gosto também como personagens de backgrounds e personalidades completamente diferentes interagem entre si e se unem para atingir um objetivo comum. A obra traz discussões interessantes sobre o papel dos educadores e da escola de uma maneira geral na vida de seus estudantes, assim como o contraste entre a maneira que as coisas são dentro e fora dela, no “mundo real”. Kanamori é uma personagem particularmente fascinante nesse sentido, pois ela destrói quaisquer ilusões que Asakusa (que vive no seu próprio mundo) e Mizusaki (que vem de uma família extremamente privilegiada) possam ter. Embora eu ame o trio de protagonistas, se eu tivesse que escolher uma delas para sentar e conversar por horas a fio, com certeza eu escolheria a Kanamori.

É triste quando uma obra tão boa e gostosa de acompanhar chega ao fim, mas pelo menos Eizouken ni wa Te wo Dasu na! terminou de uma maneira satisfatória (ainda que o anúncio de uma continuação fosse muito bem-vindo!).

9.0/10

Haikyuu!!

Haikyuu!!: TO THE TOP [Ana]

Eu acho incrível o quanto esse anime consegue ser bom, embora sejamos meio suspeitas para falar. Minha única frustração é que quando as coisas realmente começaram a engrenar, eles decidiram cortar a temporada, mas entendo a decisão do estúdio já que isso ajuda a manter a consistência da animação a longo prazo.

Foi muito interessante ver que o Hinata mesmo tendo ficado apenas recolhendo bolas durante o treinamento na Shiratorizawa conseguiu absorver e aprender muitas coisas só pela observação. O anime traz novamente o conflito do Kageyama de ser um rei egocêntrico, mas ele também acaba mostrando que evoluiu. Algo que pega no coração é quando os antigos membros do Clube que já graduaram vão assistir e veem os atuais terceiranistas brilhando. Tivemos até um episódio mais centrado na Shimizu (entenda, você é perfeita!). Além disso, tivemos aparições de outras escolas que têm um cantinho no nosso coração como a Nekoma e Fukurodani, que provavelmente terão participações maiores na continuação, já que permanecem no campeonato. E pra fechar, a reação do Hinata ao conhecer o Hoshiumi, outro jogador que também é baixo mas é considerado muito bom, foi excelente. Ainda não sei dizer se gosto ou não dele, mas gostei bastante do ponto levantado sobre as pessoas sempre comentarem “você é bom apesar de ser baixo” enquanto para um jogador alto, ele só é bom.

A única coisa que me deixou um pouco incomodada foi a mudança no character design, não que esse seja pior que o anterior, mas alguns personagens ficaram mais diferentes do que outros, e demora um pouco pra se acostumar com o novo visual, mas nada que realmente comprometa a qualidade do anime.

9.0/10

Hanako-kun

Jibaku Shounen Hanako-kun [Lucy]

Se me permitem falar de maneira casual, eu achei Hanako-kun gostosinho de assistir. Os personagens têm uma química ótima, o estilo creepy cute é muito agradável aos olhos — fiquei apaixonada pela estética! — e apesar da mistura de gêneros (comédia + mistério + sobrenatural + romance…?), a obra foi bem executada.

O anime tem dois momentos bastante distintos: os episódios estilo “monstro da semana” e o desenvolvimento do enredo. Isso é um ponto-chave para o sucesso da história: o seu envolvimento com o mistério principal corresponde ao quão interessado você está nos personagens, e a metade inicial cumpre perfeitamente essa função. A mudança de tom entre os dois é notável, mas não é brusca; os elementos sempre estiveram ali, só acontece da balança estar pesando mais para um lado agora do que para o outro.

Mas, é claro, nem tudo é perfeito, e em alguns momentos o ritmo da história parece um pouco inconstante. Alguns personagens e relacionamentos são desenvolvidos de maneira um tanto súbita, quase apressada, e fica a sensação de que não causaram o impacto desejado. A maior frustração que eu tive, no entanto, foi com a protagonista Nene. Eu gostei bastante dela, e vi um interessante potencial nela, mas ela não recebe autonomia dentro da história. No final das contas, acaba ficando presa na posição de “menina indefesa que precisa sempre ser socorrida e protegida pelo protagonista”.

Tirando esse pequeno pesar, foi um anime que me agradou bastante. E cumpriu bem o seu propósito, porque eu quero muito ir atrás do mangá pra saber como continua essa história!

7.5/10

Koisuru Asteroid

Koisuru Asteroid [Ana]

Acredito que não há muito o que dizer sobre Koisuru Asteroid que já não tenha sido falado em suas impressões iniciais. Realmente foi um Cute Girls Doing Cute Things, embora as coisas fofas envolvessem geologia e astronomia, e mesmo assim também não foi nada extremamente novo em meio a vários animes do tipo, mas ao contrário do que muita gente julga apenas por isso, não significa que tenha sido ruim.

Foi bastante leve e engraçado acompanhar as meninas do Clube de Geociências durante esses 12 episódios. Podemos dizer que o subtexto yuri foi realmente bem leve, mas isso também não é algo ruim já que a mensagem de amizade que fica é bem legal ao ver a dedicação da Mira e da Ao em tentar cumprir a promessa de descobrir um novo asteroide juntas que haviam feito quando crianças. Além disso, todas as personagens que têm uma certa relevância são bastante adoráveis, desde as senpais do clube, as meninas que entram posteriormente, a professora etc.

Eu entendo que um anime assim não agrada todo mundo, mas às vezes as pessoas jogam um hate desnecessário. Não diria que essa é uma obra incrível, mas gostei bastante de acompanhá-la e acho que merece mais amor.

7.5/10

Oshibudo

Oshi ga Budoukan Ittekuretara Shinu [Mari]

Queria aproveitar esse momento para agradecer a todos que possibilitaram o lançamento dessa adaptação porque com certeza foi a obra que mais me fez rir nessa temporada, além de ter me abençoado com um casal sapatão maravilhoso (sério, não há nenhuma explicação heterossexual para o relacionamento entre a Maki e a Yumeri).

Como falei nas minhas primeiras impressões, eu nunca fui muito fã de idols, embora até tenha assistido alguns animes do gênero. Apesar disso, os fãs de Love Live vão ter que me desculpar, mas nenhuma outra obra de idol me divertiu tanto quanto Oshi ga Budoukan Ittekuretara Shinu. Ao contrário de LL!, por exemplo, OshiBudo divide seu foco entre os fãs e as idols: ao mesmo tempo em que é possível a gente se identificar com as dificuldades e os momentos de alegria pelos quais os fãs passam, nós também vemos como as coisas funcionam pela perspectiva de quem possibilita tudo isso. OshiBudo aborda a cultura idol de uma maneira leve, engraçada, mas em alguns momentos também satiriza situações e atitudes presentes na indústria. Dá pra ver que a pessoa que escreveu a história realmente sabe do que está falando.

Em relação à parte técnica, eu gostaria de destacar a atuação das seiyuus – especialmente da Ai Fairouz, que fez um trabalho excelente com a Eripiyo. Além disso, o anime não fez uso de CG durante as apresentações, o que é muito comum em adaptações desse gênero, e merece ser parabenizado por isso. Aliás, a identidade visual da obra é linda, como pode ser visto com seus inúmeros cenários de tirar o fôlego. Não sei quais são as chances de uma segunda temporada, mas eu definitivamente gostaria de uma continuação.

8.5/10

Runway de Waratte

Runway de Waratte [Lucy]

Lá nas minhas primeiras impressões da temporada, relatei minhas curiosidades sobre Runway de Waratte — sobre como funcionaria um anime shounen sobre moda e como seria dividido o foco entre os dois protagonistas. As respostas são: isso aqui é um shounen de esportes disfarçado e eu me enganei sobre Chiyuki e Ikuto.

Após os primeiros episódios, Chiyuki é deixada de lado, tornando Ikuto o protagonista de fato. Apesar de ambos serem underdogs, o menino apresenta vários clichês para te fazer querer torcer por ele: a família é pobre, a mãe viúva vive no hospital, ele tem três irmãs caçulas pra cuidar… mas mesmo assim, não consegui me prender ao rapaz, provavelmente porque desde o começo achei Chiyuki mais interessante como protagonista. Isso não é exclusivo de Ikuto, na verdade: a maior parte dos personagens carece de carisma. O enredo gira ao redor das carreiras desse elenco, mas não consegui me interessar pelo que poderia acontecer com eles a seguir.

De longe, os momentos menos entediantes foram os desfiles, que considero como os pontos altos do anime. Destaco os designs das roupas criadas pelos personagens na história, ficaram bem trabalhados e convincentes. A palavra que eu usei para definir a produção do primeiro episódio foi “competente”, e posso usá-la para o resto do anime. Infelizmente, apesar de bonitos, os visuais não foram o suficiente para prender minha atenção à história.

6.0/10

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