Primeiras impressões: temporada de inverno (2021)

Primeiramente nós, da equipe no Rukh no Teikoku, gostaríamos de desejar um Feliz Ano Novo para todos os seguidores do blog! Ficamos na torcida para que nos próximos meses todos possamos estar belos e vacinados. Nesta postagem vocês encontrarão as nossas primeiras impressões de 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu, Horimiya, Kemono Jihen, SK∞, Skate-Leading☆Stars e Wonder Egg Priority.

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2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu [Mari]

Visto que parece impossível evitar comparações, vamos direto ao ponto: 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu não é o “novo Haikyuu!!” – algo que a obra nunca sequer teve a pretensão de ser. São propostas diferentes que pouco têm em comum entre si para além da modalidade esportiva escolhida. Enquanto seu antecessor é um verdadeiro mangá/anime de esporte de cabo a rabo – ou seja, foi estruturalmente construído como tal –, 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu é mais um drama no qual o esporte serve como pano de fundo. O vôlei é a força que move a narrativa, mas não é o seu ponto central. Neste sentido, a obra se assemelha muito mais a Hoshiai no Sora, por exemplo.

Neste primeiro episódio fomos apresentados aos protagonistas Kimichika e Yuni, dois garotos com personalidades diametralmente opostas. Kimichika é do tipo que não se importa com aquilo que não lhe interessa ao mesmo tempo em que trata com a máxima seriedade o que ama – neste caso, o vôlei. Sedento pela vitória e cego pela sua paixão pelo esporte, ele fez e disse coisas cujas consequências foram muito mais sérias do que ele poderia imaginar. Kimichika parece ter se esquecido do aspecto mais importante do vôlei: trabalho em equipe. Uma escola pode ter as melhores instalações e os melhores jogadores, mas se eles não souberem trabalhar em equipe, não ganharão nada. Quando Kimichika se dá conta do clima insuportável do clube pelo qual ele foi responsável em grande parte por criar já é tarde demais. Yuni, por outro lado, é do tipo “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Ele não tem a mesma paixão que seu colega pelo esporte nem parece ser muito ambicioso de uma maneira geral. Ainda assim, se Kimichika quiser continuar praticando o vôlei que ele tanto ama, vai precisar de alguns companheiros (Yuni incluso). A questão é: como Kimichika vai conseguir motivar seus colegas e criar uma equipe competitiva sem que o ambiente se torne outra vez um poço de toxidade? Estou curiosa para descobrir como esses dois personagens que possuem tanto potencial vão se desenvolver e qual será o futuro do clube de vôlei do Colégio Seiin.

Em termos técnicos podemos dizer que 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu teve uma estreia sólida. Não é fácil adaptar um esporte de contínuo movimento como o vôlei dentro de um cronograma tão apertado como o dos animes que passam na TV. Ainda assim, uma direção dinâmica ajuda (e muito!) e a equipe responsável pela adaptação parece entender isso. Se a consistência da animação do primeiro episódio for mantida, eu não vou ter do que reclamar, afinal, a obra está visualmente muito bonita – os cenários em especial me atraíram bastante. Vamos ver que outras surpresas nos aguardam ao longo das próximas semanas!

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Horimiya [Ana]

Só do nome do anime ter entrado nos assuntos mais comentados do Twitter no dia da estreia já dá pra dizer que foi no mínimo impactante. Obviamente uma grande quantidade de pessoas falando sobre não quer dizer que exista uma relação com a qualidade, mas nesse caso, acho que podemos fazer essa relação.

Já vou começar dizendo que uma das coisas que mais me impactaram foi a animação. Só na sequência de abertura já dá pra ver que o estúdio CloverWorks está investindo pesado no negócio e isso é confirmado ainda mais no decorrer do episódio, mas claro que a estreia não brilha apenas por isso.

Horimiya é uma comédia romântica que já traz o nome do ship logo no título. Hori e Miyamura são estudantes do ensino médio e embora bastante diferentes entre si, possuem algo em comum, ambos têm um lado que não é mostrado aos outros colegas de sala. Logo no início nós vemos que Hori não é muito de socializar com os colegas de sala após as aulas, se esquivando dos convites para ir ao karaokê, por exemplo, e pouco depois descobrimos que ela faz isso pois precisa cuidar do irmão mais novo e dos afazeres de casa.

Foi um incidente com o irmão de Hori que fez com que ela e Miyamura tivessem um encontro inesperado fora do colégio, no entanto o garoto se mostra bastante diferente de como é visto normalmente. Eu realmente fiquei surpresa quando o garoto cheio de piercings – e que depois nos é revelado que também esconde várias tatuagens – era o mesmo colega de sala de Hori que os outros vivem dizendo que é só um otaku estranho. Achei interessante que a obra quebra expectativas duplamente, porque primeiro ele nem é um otaku e na verdade não vai muito bem nos estudos, mas também que apesar de todos os piercings e tatuagens é um garoto bastante gentil.

Os personagens são bastante carismáticos, embora a Hori pareça um pouco explosiva também, e a aproximação dos protagonistas aconteceu de forma até rápida, já que no final do episódio a garota já fazia até uma porção do jantar dedicada ao Miyamura na casa dela, mas de certa forma não senti que as coisas foram apressadas, e o tom de comédia também é bem agradável. A única coisa que me deixou com uma leve preocupação foi a inserção de um personagem – o professor – com atitudes bastante problemáticas (pedófilas), espero que esse tipo de atitude seja condenada. No mais, fiquei bastante animada em continuar assistindo, esperando que os próximos episódios mantenham a qualidade apresentada nesse primeiro.

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Kemono Jihen [Mari]

Eu estaria exagerando se dissesse que Kemono Jihen teve a melhor estreia da temporada, mas não tenho dúvidas de que foi uma das mais sólidas tanto no visual quanto na escrita. Ainda que a proposta da obra não tenha nada de muito especial, Kemono Jihen é bom naquilo que faz. Temos dois elementos principais: o mistério e o sobrenatural. Se a autora souber o momento certo de trabalhar cada um (e quando misturá-los) pode sair algo muito interessante daqui.

O primeiro episódio trata de nos apresentar a dois dos protagonistas – Kabane e Kohachi – e preparar o terreno para o desenrolar da trama. Descobrimos que há demônios vivendo escondidos entre os humanos, que os seus números e suas interferências têm aumentado significativamente nos últimos anos, que eles não morrem de verdade quando são “mortos” e possuem um cheiro peculiar (uma forma de identificação), que nem todos os demônios são realmente maus e que é possível conter a sua sede de sangue com uma espécie de amuleto. Ainda assim, o episódio nos deixa com muitas perguntas: quem são os pais de Kabane e por que eles o deixaram pra trás? Quem é Kohachi por trás da sua fachada de detetive? Estaria ele “coletando” crianças demônios por aí para evitar que elas fossem mortas?

O enredo tem muito potencial para trabalhar questões de preconceito e opressão. Também pode ser uma boa história de mistério e ação. Se os outros personagens forem tão carismáticos quanto o Kohachi e adoráveis como o Kabane, certamente teremos uma jornada divertida (ainda que dramática) pela frente!

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SK∞ [Lucy]

É claro que qualquer anime de esporte automaticamente entra no meu radar, mas nesse caso aqui seria inevitável — é muito difícil ignorar uma série com Hiroko Utsumi no cargo de diretora. Utsumi também trabalhou nas primeiras duas temporadas de Free!, e acredito que Sk8 tem potencial para ser tão bom de acompanhar quanto seu predecessor foi.

Pelo menos já é possível averiguar que essa é uma produção que está recebendo bastante atenção dos envolvidos. Tem uma energia muito boa transmitida pelos cenários e designs coloridos e expressivos, cheios de pequenas individualidades para cada personagem. A animação manteve um nível ótimo, sem deixar a qualidade cair durante as corridas. Na verdade, alguns dos pontos altos do episódio vêm do skate, como a cena onde um dos protagonistas faz uma manobra elaborada no ar.

Sk8 acerta em cheio num fator muito importante para envolver alguém numa história sobre competições: os protagonistas. Os dois me cativaram bem rápido, consigo me ver torcendo por eles nas futuras batalhas. Particularmente, adorei a ideia do Langa usar a experiência com snowboarding dele para poder competir, e quero ver de que outras maneiras vai conseguir inovar em cima do skate. Além disso, há espaço para desenvolver sua história pessoal — um ponto que atraiu minha curiosidade. O outro protagonista, Reki, é o típico rapaz cheio de energia focado em fazer o que ama, mas tem um carisma genuíno, e isso já é um ótimo começo.

Ainda não dá pra falar muito sobre o enredo, visto que esse é um episódio bastante introdutório. Convenhamos também que a maioria dos animes de esporte são movidos pelos seus personagens, então os rumos de Sk8 estão ainda bastante indefinidos… mas acredito que será uma jornada divertida. Fala sério, como não gostar de um anime que apresenta seu provável antagonista como uma sombra que assiste os competidores em vários telões enquanto ouve a quinta sinfonia de Beethoven, regendo os skatistas?

Não sei vocês, mas eu amo esse tipo de palhaçada.

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Skate-Leading☆Stars [Lucy]

Do mesmo jeito que 2.43 inevitavelmente seria comparado com Haikyuu!!, Skate-Leading☆Stars foi julgado de imediato como uma obra que buscava os fãs de Yuri!!! on Ice. De fato, os dois tratam de patinação no gelo, mas as semelhanças terminam aí. Stars tem uma premissa e elenco totalmente diferentes, e sua energia também é um tanto mais… caótica.

O episódio começa com o passado dos personagens, explicando por que nosso protagonista Kensei largou a patinação e mostrando que quase todo o elenco principal já se conhece desde essa época. O ritmo só engrena mesmo depois da passagem de tempo, quando Kensei é incentivado por um rapaz de moral extremamente questionável a se envolver novamente com o esporte. Sua única motivação é uma rivalidade unilateral, e seu desejo de recomeçar é visto com maus olhos pelo resto do elenco, que no presente integra um time colegial.

Isso é só a superfície do iceberg, porque eu não mencionei a parte onde eles basicamente sequestram um patinador e roubam a identidade dele, ou o fato de que o protagonista consegue copiar as pessoas só olhando e por isso consegue se apresentar com um programa completo após anos sem pisar num rinque. Também tem a questão da versão de patinação artística praticada pelos personagens ser totalmente inventada, o que é algo que sempre me deixa um pouco receosa. Quero ver se vão conseguir explicar melhor como funciona isso de “skate leading”.

Uma surpresa que tive foi quanto ao ritmo da produção — o anime está sendo transmitido no exterior com duas semanas de antecedência em relação ao Japão. Isso quer dizer que a equipe já deve estar numa fase avançada, sempre algo bom de se ver. Apesar do estúdio J.C. Staff ter uma fama de altos e baixos, acredito que Skate-Leading☆Stars deixará uma marca positiva na história do estúdio. Outro destaque é o diretor Goro Taniguchi, conhecido pelo polarizante Code Geass. Seu portfólio se compõe quase todo de séries de ação, então estou curiosa para ver como irá trabalhar uma série esportiva.

Por mais que muita coisa tenha acontecido durante o primeiro episódio, ainda não sei o que dizer sobre Skate-Leading☆Stars. Sinceramente, não tenho grandes expectativas. Se conseguir entregar uma experiência que me divirta, já vai valer o tempo gasto, mas duvido que teremos uma grande obra ao final da temporada.

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Wonder Egg Priority [Lucy]

Admito: entrei aqui totalmente cega, não vi trailer nem sinopse. Somente o pôster de Wonder Egg Priority foi o suficiente para chamar minha atenção.

Acho que foi a melhor escolha que eu fiz nessa temporada.

A maior parte do episódio se passa dentro de um sonho da protagonista Ai, ou em uma dimensão paralela — ainda não está muito claro o que é esse outro mundo. Na verdade, muito sobre a história e a própria Ai ainda está no ar, cabendo aos espectadores juntar as peças e teorizar sobre o que ocorreu e o que acontecerá. O que dá pra saber de imediato é que a obra é recheada de visuais simbólicos, com tons de terror psicológico. Esse “outro mundo”, inclusive, me lembrou um pouco das bruxas de Madoka Magica, com direito a monstrinhos e machados.

Sendo sincera, eu gosto muito desse tipo de história onde não dá pra entender de cara o que está acontecendo. Logo, não é surpresa que eu tenha me empolgado bastante com essa estreia. Já tenho minhas teorias sobre certas hipóteses levantadas, e estou ansiosa para que as outras personagens sejam apresentadas. Posso afirmar que já fui completamente conquistada pelo potencial presente aqui!

Mesmo com esse ponto de partida intrigante, o maior destaque da série é a animação. O trabalho do estúdio CloverWorks está impressionante! A fluidez nos movimentos e expressões das personagens é fascinante, apesar da quantidade de detalhes do character design. A ambientação surreal é bem construída pelos cenários e efeitos aplicados. O PV mostra um pouco disso que estou falando; vale a pena conferir se você ainda está em dúvida sobre Wonder Egg.

No entanto, tenho avisos sobre o conteúdo: um dos temas centrais da obra (até o momento) é bullying, e apesar de não ser explícita, há uma cena de suicídio. Fora isso, os trechos nessa dimensão paralela têm sua cota de violência, com uma quantidade considerável de sangue. Não é nada exagerado, mas creio que não custa avisar.

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3 comentários em “Primeiras impressões: temporada de inverno (2021)

  1. Achei que ia finalmente poder chegar aqui pra comentar tendo assistido todos os que vocês resenharam… aí vi Horimiya aí KDOAKOSD Horimiya é uma leitura que eu adio faz tempo e provavelmente vou adiar o anime também até conseguir ler. Mas fiquei curiosa porque a produção parece estar incrível.

    2.43 e Wonder Egg Priority são definitivamente meus preferidos da temporada até agora! Super ansiosa sempre que tô esperando o próximo episódio.
    Eu não sabia direito o que esperar de 2.43, mas quando assisti fiquei super satisfeita. Parece mesmo com Hoshiai no Sora, e desse eu morro de saudade sempre que possível. Não dá pra ter esse tipo de expectativa por enquanto, mas eu ia amar se também tocassem em questões LGBTQ+ do jeito que Hoshiai tocou… bom, não custa sonhar um pouco, né? De qualquer forma, se continuar do jeito que está, vai ser muito bom.
    Também tenho essa esperança pra Wonder Egg Priority, embora eu ache beeeem mais provável que aconteça alguma coisa do tipo lá. Sobre o episódio, foi forte demais, fiquei muito feliz. A direção linda, um clima bem único, eu amei.
    Acabei de assistir o primeiro episódio de Kemono Jihen e me surpreendi com um clima diferente do que eu tava esperando. Não sei direito o que é que eu estava esperando, mas foi uma surpresa boa… Gostei do ritmo do episódio e a trilha sonora me chamou atenção.
    Sobre SK8… “Fala sério, como não gostar de um anime que apresenta seu provável antagonista como uma sombra que assiste os competidores em vários telões enquanto ouve a quinta sinfonia de Beethoven, regendo os skatistas?”
    DEPOIS DISSO, EU NEM PRECISO DIZER MAIS NADA. É EXATAMENTE ISSO! O tipo de exagero que eu adoro.
    SK8 também me surpreendeu, não tinha visto que Utsumi ia dirigir e quando cheguei lá não estava esperando que fosse tão divertido.
    Agora que tô percebendo, me surpreendi com tanta coisa essa temporada que talvez seja só minha culpa por ter expectativas tão baixas/por não estar tão afim de assistir anime antes disso.

    Skate Leading Stars é o que achei mais “ok, nada de mais” dos que estou assistindo que vocês comentaram, mas quero continuar vendo porque é sobre patinação (mesmo que a modalidade seja inventada… o que eu também achei bem esquisito). Pra mim pareceu que as performances estavam recebendo uma atenção legal dos animadores, então já é alguma coisa, espero que não piore com o tempo (né, Yuri on Ice?). Não tenho muita expectativa, só quero que consigam me manter minimamente interessada até o final…

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