Impressões finais: temporada de inverno (2021)

Fazia tempo que não tínhamos uma temporada de inverno tão forte como essa! A sensação que fica é a de que acabamos de correr uma maratona. Ufa! Nesta postagem vocês encontrarão as nossas impressões finais de 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu, Hanyou no Yashahime: Sengoku Otogizoushi, Horimiya, Jujutsu Kaisen, Kemono Jihen, Skate-Leading☆Stars, SK∞ e Wonder Egg Priority.

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2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu [Mari]

Quando sentei para escrever minhas impressões finais de 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu a primeira coisa que me perguntei foi “…ok, por onde eu começo?”. Digamos que apesar de ter apenas 12 episódios, tivemos muitas coisas para processar em 2.43.

Em primeiro lugar, a suspeita de que esta seria uma obra mais focada nos dramas pessoais dos personagens, tendo o esporte como pano de fundo, do que no vôlei propriamente dito se confirmou – até aí tudo bem. A meu ver, no entanto, a história sofreu bastante com a limitação de um cour, pois a autora quis explorar diversos conflitos envolvendo múltiplos personagens que, com a restrição de tempo, não conseguiram se desenvolver direito e frequentemente fizeram 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu parecer apenas um dramalhão que se esforça demais em suas tentativas de prender a atenção do espectador com os cliffhangers sinistros de cada episódio. Numa certa altura já era difícil levar os acontecimentos com seriedade, pois sabíamos que tudo se resolveria rapidamente na semana seguinte e eles não importariam mais. Sendo assim, eu acredito que as ideias para a construção da história e o desenvolvimento dos personagens eram boas, mas não foram bem executadas. Se 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu tivesse 24 episódios, por exemplo, acho que teríamos um resultado mais satisfatório. Ainda assim, isso não quer dizer que não houve acertos.

Mesmo com o tempo corrido, 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu conseguiu estabelecer dois núcleos narrativos que foram interessantes de se acompanhar: a própria Seiin, formada apenas por oito membros, que se tornou o dark horse da principal competição do anime, e a Fukuho, a típica powerhouse que está sempre presente nas obras de esporte – a equipe a ser batida. Com Haijima e Kuroba de um lado e Mimura do outro, somado ao contexto e as motivações que cada um tinha para vencer, era difícil escolher para quem torcer. Isso porque todo fã de esporte gosta de ver uma boa reviravolta e se sente inclinado a torcer para a Seiin, mas Mimura é um personagem carismático demais para simplesmente ignorarmos, ainda mais quando descobrimos sobre as dificuldades que ele passou e o que ele representa para a Fukuho. Em outras palavras, não importava quem ganhasse, havia apenas uma certeza: lágrimas cairiam no final.

Comparado a outros animes de esporte, 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu realmente não tem nada de especial, mas ainda é legal ver como uma autora diferente trabalha com os conflitos que já vimos em outras histórias, ou seja, como ela enxerga a questão da genialidade/talento vs. trabalho duro, do esporte como um passatempo estudantil vs. início de uma carreira, as diferenças de se praticar um esporte em regiões extremamente competitivas como Tóquio e o contraste que há em relação a regiões menos povoadas como Fukui etc.

Em relação à parte técnica, 2.43: Seiin Koukou Danshi Volley-bu é bem OK. Deu uma caidinha do meio pra frente, mas é algo que já se esperava de uma equipe que não dispõe dos mesmos recursos que uma franquia como Haikyuu!! possui, por exemplo. Mesmo com a animação limitada, as partidas contaram com o dinamismo da direção e não foram chatas de assistir. Aliás, acho que a essa altura é seguro afirmar que eles economizaram o melhor da parte técnica pro final, pois o showdown entre Seiin e Fukuho nos dois últimos episódios foi incrível. O meu destaque vai para a trilha sonora que, para além dos temas viciantes de abertura e encerramento, consistentemente se fez notar durante a série.

7.5/10

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Hanyou no Yashahime: Sengoku Otogizoushi [Mari]

Sabem aquele meme do “essa festa virou um enterro”? Então, é exatamente assim que eu me sinto em relação a Hanyou no Yashahime: Sengoku Otogizoushi. Quem me conhece há bastante tempo deve lembrar que InuYasha foi o primeiro anime que eu assisti inteiro e no idioma original e que por isso eu o considero a minha “porta de entrada” para o mundo das animações japonesas. Certamente eu teria uma opinião diferente se fosse reassisti-la hoje, mas ainda assim a obra tem um lugar especial no meu coração – motivo pelo qual eu fiquei bastante animada quando anunciaram essa espécie de continuação da franquia… e talvez este tenha sido o meu maior erro.

Deixando de lado o fato de o primeiro episódio ter sido basicamente uma recapitulação de como a obra original acabou, o começo de Yashahime foi OK. O anime tratou de nos apresentar às três protagonistas, Moroha, Setsuna e Towa, e qual seria o objetivo de cada uma na história: Moroha é uma caçadora de recompensa que possui uma dívida imensa que deve pagar (mais tarde descobrimos que esta dívida foi deixada por sua ex-mestre), Setsuna faz parte de uma organização especializada em matar demônios, e Towa até o início de sua jornada no Japão Feudal vivia a vida de uma adolescente comum, mesmo tendo a noção de que não pertencia àquela era e que havia perdido sua irmã. Quando as irmãs finalmente se reencontram, Setsuna não acredita em Towa de imediato e, para além de convencê-la, Towa precisa se adaptar ao Japão Feudal (algo que nunca acontece realmente, considerando que ela termina o anime sendo a mesma garota ingênua do início, só que agora tendo um pouco de noção sobre o próprio poder). Descobrimos que Setsuna é incapaz de dormir e Towa faz encontrar o demônio que roubou os sonhos de Setsuna sua missão. A partir de então, toda a jornada desenrola nessa direção, mas com diversos acontecimentos paralelos que às vezes até nos fazem esquecer que esse era o objetivo original das meninas, incluindo uma tal profecia que conecta as três ao principal vilão da história.

Honestamente, o roteiro de Yashahime tem muitos problemas, a começar pelo fato de que toda dificuldade ou inimigo que as garotas têm que enfrentar aparecem e morrem no mesmo episódio. A resolução dos conflitos frequentemente não tem peso algum. As tomadas de decisão são infantis e parece que a história nunca anda pra frente. Em vários momentos parece que estamos assistindo a fillers (o que é tecnicamente impossível já que Yashahime não é baseado em nada para tê-los). Mesmo quando há o potencial de desenvolver algo interessante, como nos episódios em que trazem o passado de Moroha e Setsuna, a execução é broxante. Eu estava dando o benefício da dúvida durante o primeiro cour, tentando convencer a mim mesma que eles estavam apenas estabelecendo os pontos principais e que dali pra frente as coisas começariam a ficar empolgantes, mas… tudo não passou de uma grande ilusão. Nem a nostalgia que eu senti com a aparição dos personagens da obra original me deixou genuinamente animada com Yashahime.

Talvez eu esteja velha demais pra curtir uma obra como essa? Talvez. Mas pode ser que no fim das contas Yashahime tenha sido só um projeto feito nas coxas para ganhar dinheiro em cima do sucesso da história original… Vai saber, né? A minha única certeza é que apesar de haver uma continuação confirmada, eu definitivamente não assistirei.

5.0/10

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Horimiya [Ana]

Eu queria muito chegar aqui ao final desses 13 episódios e dizer que minhas primeiras impressões estavam no caminho certo, afinal eu realmente gostei da estreia de Horimiya, embora eu soubesse onde estava me metendo ao ver algumas coisas que aconteciam mais pra frente no mangá. Ainda assim, eu fui de coração aberto, mas conforme fui bombardeada por situações que no mínimo me incomodavam, não teve como não sentir o meu apreço decaindo conforme os episódios passavam.

Primeiramente, temos uma obra que é composta pelo casal principal e diversos outros outros personagens, que embora as dinâmicas e envolvimentos amorosos sejam até interessantes, eles não têm tanto tempo de tela para que eu me importe o suficiente com todos eles, mas se tivessem ouso a dizer que poderiam até ofuscar a dinâmica do casal principal.

Eu entendo muito bem o tipo de mensagem que quis ser passada ao final, ainda mais na cena em que o Miyamura “encontra” a sua versão do passado, dando a entender que a sua relação com a Hori e tudo que aconteceu naquele ano o fez não ter mais mais vergonha ou medo de quem ele é, não precisa mais ter o cabelo comprido e esconder que tem piercings e tatuagens, pois ele conseguiu fazer amigos que gostam dele independentemente disso. E embora isso seja verdade, eu não consigo ver a relação de Hori e Miyamura como algo exatamente saudável.

Uma das principais diferenças de Horimiya em relação a outras obras do gênero, é que aqui a garota é quem tem uma postura mais dominante, Hori já era popular e extrovertida, enquanto ter uma personalidade mais passiva é algo que faz parte do Miyamura e isso por si só não é um problema e é até algo interessante de ser explorado. O problema é que isso começa a ultrapassar certos limites e Hori demonstra comportamentos abusivos como ciúmes excessivo até quando garotas tem interações mínimas com Miyamura, quando parece ter sido o fim do mundo ele ficar fora por alguns dias sem conseguir se comunicar com ela, ou todas as vezes em que ela realmente não respeita os limites dele, impondo seus desejos e passando por cima de todos os “nãos” até o deixar desconfortável e fazer o que ela quer. No final das contas ela faz o que quer com ele e isso não é algo que eu chamaria de consensual.

E se isso já parece ruim o suficiente, ainda teve a cereja do bolo pra mim, que foi a cena em que Hori faz um comentário claramente bifóbico, algo como “se um dia você me trocar por alguém, que seja uma garota e não um garoto”, em um tom de como isso seria um absurdo pra ela e corta pra cena seguinte e o Miyamura pede para seus amigos se afastarem dele. Era pra ser uma piada, talvez, mas não tem a mínima graça quando você pensa por um segundo o quão ofensivo isso pode ser.

O que mais me incomoda é que nenhum desses pontos é visto como problemático, eles não aparecem tanto nos últimos episódios, mas em compensação é substituído por discursos de “vamos ficar juntos pra sempre”, casamento e essas coisas. Meus Deus, vocês têm, tipo, 17 anos! Aquietem essas emoções! Depois de tudo que nos foi apresentado eu não consigo me comover, achar fofo ao algo assim.

De qualquer forma, não diria que o anime é de todo ruim, tem cenas que são engraçadas e outras dinâmicas interessantes, principalmente envolvendo os outros personagens. A qualidade da animação também é algo que permanece muito boa em todo o decorrer da adaptação, mas sinceramente não sei se é algo que eu recomendaria a alguém assistir.

7.0/10

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Jujutsu Kaisen [Ana]

Eu estou muito feliz por chegar aqui, depois de seis meses acompanhando, e confirmar que as minhas primeiras impressões estavam corretas. Jujutsu Kaisen foi um ótimo anime de se acompanhar e dava um excelente gostinho de “sextou” que vai fazer muita falta.

Jujutsu Kaisen é um shounen de luta, mas que além da sua atmosfera sobrenatural e toques de horror, o seu diferencial é trazer personagens extremamente carismáticos e uma trama muito empolgante de se acompanhar. É difícil dizer se algum personagem está ali de forma desnecessária, tivemos momentos de foco para muitos deles, sem contar que os diversos tipos de interações entre eles, seja de amizade ou rivalidade foram muito bem retratados. Ressalto bastante o crescimento do anime no segundo cour, embora na primeira metade tenha havido um bom arco envolvendo o Junpei, que conseguiu nos comover, mas que infelizmente teve um desfecho não muito agradável, com a morte de sua mãe e sua transformação em maldição, entretanto tudo acabou sendo necessário para o desenvolvimento do protagonista Itadori.

A partir da metade do anime tivemos o arco do torneio entre as escolas de Kyoto e Tóquio, que acabou rendendo não apenas diversas cenas de luta, como destaque para a história de outros personagens como Maki, e conflitos familiares com a irmã, Mai. O conflito de ambas, compartilhado com a luta de Nobara e Momo rendeu um dos pontos altos do anime, mostrando as incríveis habilidades das garotas, sendo o episódio 17 um dos melhores da temporada. Nesse mesmo arco, Itadori ao lado de Toudou enfrentava uma das maldições que julgo mais chatas, porque parecia que nada poderia derrotá-la, até mesmo com uma evolução dos poderes do Itadori. E lembrar que não passava de uma planta (planta faz isso?). E quando o vilão é overpowered só uma coisa mais overpowered ainda é capaz de derrotar. Que no caso, foi nada mais, nada menos, que Gojou mostrando ser bem apelão e derrotando uma maldição com extrema facilidade. O que faz eu me perguntar se em algum ponto surgirá algo desafiador até mesmo para ele ou que alguém poderá superá-lo.

Antes do final da temporada, tivemos até um episodiozinho com uma partida de beisebol pra dar uma aliviada e recebermos um um mini-arco que foca mais em Fushiguro, que apesar de ser um dos primeiros a ter contato com o Itadori, ainda não havia recebido o devido destaque. Esses episódios seguem uma linha mais investigativa, e pelo que eu sei, tomaram a decisão de não deixar eventos do mangá ficarem apressados, e a sensação que fica não apenas desse arco, mas da temporada como um todo é que algo maior está por vir, já que temos vilões que não foram permanentemente derrotados. E obviamente eu não poderia deixar de comentar sobre o último episódio, com a cena de luta incrível dando mais uma vez um destaque maravilhoso para a Nobara. Entenda, você é perfeita!

Em todos esses episódios, acredito que a adaptação foi muito bem executada, mesmo que por vezes remeta a clichês de outras obras dos gênero, ele consegue ter sua individualidade, quebrando algumas expectativas e sendo bastante criativo quanto às habilidades dos personagens. Mesmo animando outras obras ao mesmo tempo, o estúdio MAPPA e a equipe envolvida conseguiram entregar um ótimo trabalho, tivemos cenas de ação incríveis e muito bem animadas, e qualidade não decaiu até o último episódio. Vale também levantar sobre a trilha sonora, que incluiu até música do Masato do coldrain no último episódio, se encaixando muito bem com as cenas de ação. Acredito muito que Jujutsu Kaisen possa ser um dos grandes nomes do gênero e estou muito ansiosa para uma continuação.

9.0/10

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Kemono Jihen [Mari]

À época das minhas primeiras impressões da temporada eu rasguei elogios para Kemono Jihen. Agora que o anime acabou, no entanto, sinto que eu talvez estivesse um pouco emocionada demais quando as escrevi. Isso quer dizer que Kemono Jihen foi uma decepção? Não exatamente, pois para quem curte uma boa história de mistério, sobrenatural e horror, a obra continua sendo uma excelente pedida. A questão é que vai chegar um momento em que você vai ter que escolher se vai querer assisti-la com ou sem a mão na consciência e, dependendo de qual decisão você tomar, o prazer de acompanhá-la continuará intacto ou diminuirá drasticamente… Mas vamos por partes.

Começando pelos pontos positivos, eu mantenho o que disse sobre a solidez da parte visual de Kemono Jihen: consistentemente bem animado, o estúdio Ajia-Do não deixou a desejar em nenhum momento. Além disso, temos um elenco de personagens carismáticos e interessantes, pelo menos entre os principais (Kabane, Shiki, Akira e Inugami). A química que há entre os quatro é ótima e acompanhá-los em suas missões ou jornadas pessoais foi bastante divertido e, por vezes, triste (especialmente quando aprendemos sobre o passado de Shiki). Eu não diria que os três receberam a mesma quantidade de afeto e atenção por parte da autora, mas o fato é que todos eles se desenvolveram e amadureceram no decorrer desses 12 episódios: Kabane foi aprendendo aos poucos sobre como é viver em sociedade, como lidar com emoções e sentimentos humanos (incluindo os dele), e moldando a sua própria personalidade; Shiki resolve voltar atrás na sua decisão de não se importar com o que quer que tenha acontecido com seus pais e retorna às suas origens, ganhando coisas importantes no processo; e Akira, frequentemente considerado o “inútil” dos três, começa a trabalhar em sua proatividade e cresce principalmente ao reencontrar o irmão. Eu acredito que abordar as histórias de cada um dos integrantes da agência de Inugami serviu para enriquecer a construção do universo da obra, porém não fiquei muito feliz com a forma que essa abordagem foi organizada.

Ao sermos introduzidos ao universo de Kemono Jihen pela primeira vez fomos deixados com muitas perguntas como, por exemplo, “quem são os pais de Kabane e por que eles o deixaram pra trás?” e “quem é Inugami por trás da sua fachada de detetive”? Eu imaginei que obteríamos respostas a essas perguntas no decorrer do anime, mas isso não aconteceu. Embora Kabane seja teoricamente o protagonista da obra, ele é o menos explorado (não há um arco sobre o seu passado como houve com Shiki e Akira). Não sei se essa decisão de deixar Kabane por último foi da autora no mangá ou da equipe na adaptação, porém ficou esquisito de qualquer jeito – ou eles estão planejando uma segunda temporada ou estão descaradamente mandando a gente comprar o mangá. Também não aprendemos quase nada sobre o Inugami além do fato de ele frequentemente aparecer nos lugares e momentos mais convenientes possíveis para salvar/ajudar outros personagens. No fim das contas, terminamos Kemono Jihen sabendo o mesmo de Kabane e Inugami que sabíamos quando a obra começou, ou seja, nada.

Outro aspecto que me incomodou foi o tratamento que as personagens femininas receberam (quando eu falei sobre assistir com ou sem a mão na consciência eu estava me referindo a isso). Primeiro porque quase nenhuma personagem feminina vê a luz do dia, mesmo as que supostamente teriam papéis relevantes na história (Inari e Kon, por exemplo); em segundo lugar, as outras que aparecem são quase sempre vilãs (a “gata” que se aproveitava dos homens, as “moscas” que estavam por trás do caso da fábrica) e as que não são, se tornam vítimas de incidentes cruéis (mãe e irmã de Shiki). Achei no mínimo curiosa a escolha de mostrar quase que explicitamente os estupros sofridos pela mãe de Shiki (ainda que felizmente não romantizados) ao mesmo tempo em que cortaram a fala do irmão do Akira sobre como ele engravidaria as 200 mulheres de sua vila só para que elas deixassem seu irmão ir embora em paz e o que aconteceu depois disso. Obviamente são dois casos de abuso (lembremos que o irmão de Akira, assim como ele, tinha 14 anos), mas somente um foi utilizado como shock value. Particularmente eu não via a necessidade de mostrar nenhum dos dois acontecimentos de forma explícita, mas já que fizeram essa escolha, então por que tinha que ser justo o da mulher *de novo*? Há claramente um viés um tanto desagradável aqui.

Quando soube que os kemonos eram uma minoria entre os humanos eu imaginei que a obra teria espaço para trabalhar com temáticas de opressão e preconceito, mas tendo em vista tudo o que foi trabalhado até o último episódio, eu não acho que isso vá acontecer. Por outro lado, mesmo que eu tenha me enganado um pouco sobre a obra, conforme discutido até aqui, eu ainda tenho interesse em saber mais e com certeza apreciaria uma continuação. Quem sabe, né? Ficarei na torcida por uma segunda temporada.

7.5/10

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Skate-Leading☆Stars [Lucy]

Miojo é provavelmente a comida mais básica possível. Foi a primeira coisa que eu, que morro de medo de fogo, aprendi a cozinhar num fogão. Chega a ser difícil errar a mão num prato simples assim.

Assistir Skate-Leading Stars foi como ver alguém queimando miojo.

Veja bem, não estou falando que animes de esporte são genéricos e instantâneos como miojo, mas é fato que se você quer fizer o mínimo necessário, não precisa de muita reinvenção. Ainda assim, eu tenho certeza que se eu assistisse somente o primeiro e os dois últimos episódios de Skate-Leading Stars, eu não teria perdido absolutamente nada e ainda teria praticamente o mesmo entendimento da série. O início caótico foi divertido, mas o espírito se perdeu imediatamente após a estreia.

O anime sofre de um problema gravíssimo: os próprios personagens. Se você está acompanhando a história de um time buscando a vitória, você obviamente vai querer torcer por eles, mas eu não consegui me importar com praticamente nenhum dos personagens. Todos me parecem um tanto unidimensionais, e a única coisa que realmente se destaca neles é o character design. O único que eu realmente me importo é o Sasugai, o manager de moral questionável, que só está lá para ver o circo pegar fogo enquanto joga lenha. Ele também é um tanto limitado, mas pelo menos é divertido e ainda conseguiu trazer a esperança de um pouco de imprevisibilidade para a história.

Na verdade, ele é o único personagem que eu gosto na história inteira, porque os rivais sofrem do mesmo problema, e aqui entramos na segunda parte da situação: são muitos personagens para poucos episódios. Além do time principal, nós temos outras quatro escolas rivais, com um ou dois personagens de destaque por equipe. Compreendo que é uma competição e que precisamos ter outros concorrentes, mas se os principais já têm pouco tempo para brilhar, imagine a situação de todos esses antagonistas. Teria sido bem melhor dirigir o foco somente ao rival maior, ou no máximo abranger só mais um colégio além desses dois.

A nível técnico, Skate-Leading Stars é decente. Tem pouca patinação para um anime sobre o esporte, mas pelo menos compensaram nos episódios finais. O fato de os episódios precisarem ficar prontos duas semanas antes da transmissão japonesa não pareceu afetar a equipe, um sinal de ótimo planejamento. Estão de parabéns nesse ponto. Mas de resto… Não tenho muito mais o que elogiar.

Em termos muito simples, Skate-Leading Stars é chato. Ele te joga um monte de personagens, que apesar de bonitos (obrigada, Yana Toboso), não têm um pingo de carisma. A personalidade deles é rasa como um pires e mesmo os protagonistas chegam no máximo ao nível de uma piscina infantil. Logo, o anime não tem muitos atrativos. Não adianta criar vinte meninos bonitos e deixar por isso, porque eu não vou querer me apaixonar por eles se é só isso que eles têm. Animes de esporte são legais, amo o gênero, mas convenhamos: ele tem uma fórmula bem marcante. Tem trabalhos que a expandem e invertem nossas expectativas, mas não é o caso aqui. Eles não conseguiram nem seguir a receita do pacote. O fundo da panela ficou todo preto.

4.0/10

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SK∞ [Lucy]

SK8 se encaixa na bastante específica categoria que chamo de “animes de esportes praticados de maneira surrealista”. Aquela farofada que eu mencionei lá nas impressões iniciais, com o vilão assistindo corridas ouvindo Beethoven e tal, só se ampliou à medida que a competição foi ficando mais acirrada. Temos gente parando em cadeira de rodas por levar porrada de skate. Temos gente descendo desfiladeiro de skate. Temos manobras impossíveis com nomes péssimos, como “love hug” e “matador do amor”.

E como eu mencionei, eu amo esse tipo de coisa.

De longe, esse foi o anime mais divertido que vi nos últimos tempos. Os personagens são carismáticos, as corridas são cativantes e o humor é bem certeiro. A animação até certo ponto consegue acompanhar a energia do roteiro, mas infelizmente esse foi outro caso de produção que sofreu com prazos apertados e equipe enrolada. Não é algo que fica extremamente óbvio ao assistir, mas ainda é péssimo ficar sabendo dessa situação.

Infelizmente, nem tudo nesse mundo é rosas. Tem alguns pontos de SK8 que me deixaram um pouquinho desanimada. Sei que nesse tipo de anime, não adianta muito ficar pedindo por mais personagens femininas, mas custa pelo menos dar tempo de tela para as que existem? A Kiriko em especial me decepcionou, porque achei que ela seria uma pedra muito maior no sapato do Adam, ou até do elenco num geral, pela ilegalidade da liga de skate. No entanto, se cortassem as partes com ela dos episódios, não faria diferença alguma.

Falando no Adam, ele é outro elemento que preciso mencionar. Eu adoro ele como vilão, ele merecia demais ir pra cadeia, e achei interessante a construção do personagem dele. No entanto, precisa mesmo fazer o personagem mais queer-coded flertar abertamente com um menino mais de dez anos mais novo que ele? Deixou um gosto amargo na boca. Sei que esse tipo de comportamento é típico de vilão, mas o que me incomodou foi o cara mais gay de todos ter esse interesse aberto num adolescente, fazendo metáforas com Adão e Eva, casamento, coisa e tal. Talvez eu esteja vendo demais aqui, mas as entrelinhas me pareceram estar fazendo uma correlação péssima (até porque tivemos a mesma implicação infeliz em Banana Fish, outra obra dirigida por Utsumi).

Tirando esses dois deslizes mais gritantes, o resto da obra me agradou muito. O enredo não tem absolutamente nada de inovador, e muito dele é bastante previsível, mas isso não tira o charme do anime. Os dois protagonistas são uns amorzinhos, e o elenco de apoio não perde para eles nisso. Se fosse para eu colocar uma terceira reclamação aqui, seria que a quantidade de episódios não permite que certos personagens não sejam desenvolvidos melhor. Acho que o melhor exemplo disso é o Miya, que nunca mais tem sua carreira “diurna” como skatista mencionada depois da introdução dele. Fora isso, adoraria ver um pouco mais do trio Adam/Cherry/Joe nos dias de ensino médio deles.

Em resumo, nada é perfeito. O próprio encerramento do anime mostra isso, com os personagens tentando truques e quebrando a cara (ou outras partes do corpo) no processo. Mas, sinceramente, nada precisa ser perfeito também. Às vezes a diversão da experiência ameniza os erros e faz o produto final valer a pena.

7.0/10

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Wonder Egg Priority [Lucy]

Duas coisas precisam ser mencionadas antes de eu começar esse review. A primeira é que, em teoria, Wonder Egg Priority ainda não acabou. A produção do anime foi marcada por prazos apertados e condições péssimas. Em determinada altura, precisaram usar um episódio de recapitulação como recurso para conseguir mais tempo. O resultado é que isso avançou no cronograma da transmissão dos episódios, logo, ficou faltando um episódio, que será lançado apenas em junho. Ou seja, em resumo, isso aqui é uma espécie de “impressões da reta final”, em vez de “finais”.

Segundamente: Wonder Egg Priority não é um anime para todo mundo. Não falo isso por ser todo artístico e meio abstrato, falo isso porque é provavelmente o anime mais pesado que já vi, em termos temáticos. A lista de avisos de gatilho da série é gigantesca (essa thread é um exemplo das várias circulando pelo Twitter), a maioria das cenas que mencionam esses tópicos não o fazem de maneira leve, e eu recomendo que a confiram com calma se tiver interesse em assistir WEP. Falo isso como alguém que 1) praticamente não possui gatilhos, 2) costuma ter uma resistência boa para esse tipo de cena intensa, 3) precisei fechar meus olhos ou desviar o olhar da tela em certos momentos. É sério.

Tendo isso dito, vamos direto ao ponto: certamente é o meu anime da temporada, e já está como concorrente para anime do ano. Infelizmente, no entanto, nada é perfeito. Consistência não é o forte da escrita aqui, e o autor volta e meia solta umas ideias um cadinho misóginas para um anime tão sinceramente focado nas dificuldades e dores de meninas adolescentes. A questão toda do professor da Ai, quando comparado às outras figuras de autoridade mencionadas, é tão confusa que eu nem sei como colocar aqui de maneira coerente e sem jogar muito spoiler. Sem contar também que tem coisas que ainda não estão claras por essa falta do último episódio…

Outro ponto que estragou um pouco meu aproveitamento do anime foi a súbita inserção do enredo de ficção científica e simbologia freudiana (pois é) na segunda metade, escalando cada vez mais ao ponto de apresentar a antagonista (?) principal no antepenúltimo episódio. Ficou corrido e tenho certeza de que vai dar ponta solta na conclusão dessa parte da história. Mas quando Wonder Egg é bom, ele é fantástico. Eu adoro as protagonistas e os momentos entre elas, especialmente quando estão só fazendo “coisas de meninas”, são alguns dos pontos altos da série. É ótimo ver elas encontrando amizade e apoio umas nas outras no meio de tantos traumas. O worldbuilding inicial também é bastante interessante — se já não ficou claro, eu gostava bem mais quando era pura fantasia do que fantasia científica. Apesar da estrutura de “monstro da semana”, algumas das vítimas são bastante memoráveis, dando uma substância e profundidade muito maior ao formato.

Mesmo mantendo em mente o que eu falei lá no início sobre a produção de Wonder Egg Priority, a animação é um espetáculo à parte. Só é uma pena que a equipe tenha precisado se sacrificar tanto para entregar o produto final. Espero que o intervalo entre os dois últimos episódios deem uma rotina mais leve para eles, porque não somente eles necessitam disso, mas eles são muito merecedores. Mesmo nos piores momentos, o padrão visual manteve-se firme acima da média.

Wonder Egg Priority é um anime abstrato e um tanto confuso às vezes, como já comentei, e não à toa que eu ainda poderia falar mais outras quinhentas ou mil palavras sobre o que eu achei do que vimos até agora. Ao mesmo tempo, nem sei direito o que falar da série, porque enquanto eu reforço todos os meus elogios, quanto mais eu penso, mais críticas me surgem. Eu gosto da intensidade dele, mas o roteiro beira ao misery porn. Eu amo histórias que me deixam sem saber o que vai acontecer até o último instante, mas até eu tenho meus limites. Talvez mesmo depois do episódio final eu ainda não seja capaz de resumir meus pensamentos sobre a obra. Mas que foi uma baita montanha-russa, foi. Falo isso como um grande elogio.

8.0/10

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