Primeiras impressões: temporada de primavera (2021)

A primavera chegou e trouxe consigo mais uma poderosa temporada de animes. Entre continuações muito esperadas pelo público e novos títulos de autores famosos, teremos obras para todos os gostos. Nesta postagem vocês poderão conferir nossas primeiras impressões de 86, Bakuten!!, Bishounen Tanteidan, Fumetsu no Anata e, Jouran: The Princess of Snow and Blood, Mashiro no Oto, Sayonara Watashi no Cramer, Shakunetsu Kabaddi e Tokyo Revengers.

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86 [Mari]

Se eu tivesse que resumir a estreia de 86 em uma única palavra, esta provavelmente seria frenética. Mesmo que as cenas de ação não tenham tomado conta de todo o episódio, a quantidade de informações que recebemos nesses primeiros minutos da adaptação nos deixaram com muitas perguntas e pouco tempo para digeri-las.

Embora saibamos que há uma guerra entre a República de San Magnolia e o Império Giadiano, conhecido como “Legião”, o motivo do conflito ainda é desconhecido. Esta “República”, aliás, é muito esquisita, pois não dá pra realmente dizer que “o poder emana do povo” quando parte da população oficialmente nem existe, quem dirá ter poderes políticos. Há uma claríssima divisão de classes entre os indivíduos do Distrito 86, que sequer são considerados humanos, e o resto do país. A podridão do Exército está escancarada para qualquer um ver. Enfim, várias sementinhas foram plantadas aqui, e estou curiosa para descobrir como a autora irá trabalhar com esses temas e como será a aproximação da protagonista (a única que parece acreditar que as pessoas da Divisão 86 também são gente) com os Spearheads, que obviamente nem a conhecem e já a odeiam.

Quanto à parte técnica, eu diria que 86 teve uma das estreias mais visualmente bonitas da temporada, mas confesso que senti falta da trilha sonora do lendário Sawano Hiroyuki. Vocês me prometeram nos trailers que teríamos músicas épicas e até agora eu não recebi nada! Espero que isso mude nos episódios futuros. Além disso, não sei se fiquei muito feliz com as transições rápidas entre cenas do cotidiano da protagonista e da Divisão 86 e as cenas de luta. Eu entendi a intenção do diretor, afinal, as vidas dos Spearheads são tão triviais quanto comer um pão no café da manhã, mas como tudo ocorre tão rapidamente, a tensão que deveríamos sentir simplesmente desaparece. Veremos se essas escolhas do diretor irão perdurar ao longo de toda a série ou não.

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Bakuten!! [Mari]

Se eu dissesse que não dei uma leve broxada com a apresentação de 5 minutos feita 95% em CGI a qual Bakuten!! nos apresentou logo no começo do episódio de estreia, eu estaria mentindo. Claro, não é como se eu esperasse que as performances fossem completamente em 2D, já que nem o MAPPA conseguiu esse feito com Taiso Samurai, mas… poxa, Zexcs, eu esperava um modelo híbrido melhor. De qualquer forma, ignorando o CGI ao qual teremos que nos acostumar no decorrer da série, eu curti a estreia, mesmo que a proposta seja bem simples e não fuja muito do que já vimos em outros animes de esporte.

Futaba Shoutarou, o protagonista, é um garoto que até então vivia sob o lema “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Embora tenha praticado diferentes esportes durante o ensino fundamental, como natação, futebol e beisebol, ele não era realmente apaixonado por nenhum deles, além de ser um atleta mediano que sequer conseguia chegar às equipes titulares. A atitude de Shoutarou só muda quando ele conhece a ginástica rítmica, que desperta nele um sentimento novo: o desejo genuíno de praticar um esporte e se tornar bom nele. Apenas “seguir o fluxo” não será mais o suficiente para Shoutarou.

O resto da narrativa é construído em cima de tropes comuns nos animes de esporte: o colégio no qual Shoutarou se matricula não tem um histórico positivo na ginástica rítmica, visto que o clube parece ser novo e até a chegada de Shoutarou e outro calouro, sequer tinha membros suficientes para participar do Intercolegial; espera-se, portanto, que nas futuras competições eles sejam o “dark horse” que terá que enfrentar outros colégios que já possuem clubes estabelecidos e prestigiados da modalidade. Os outros personagens seguem arquétipos como “o capitão corajoso e extrovertido”, “o vice-capitão calmo e descolado”, “o senpai esquentadinho”, “o senpai que não tem papas na língua” e “o calouro genial/prodígio do esporte”.  Utilizar esses arquétipos como base na hora de criar um personagem não é realmente um problema, mas para escrever uma história interessante será preciso que eles sejam mais do que isso. Eu acredito que a equipe, sob a direção de Kuroyanagi Toshimasa (Fune wo Amu), terá capacidade para tal.

Não esperemos de Bakuten!! mais do que ele pode oferecer. Se mantivermos as limitações do anime em mente e focarmos naquilo que ele de fato está comprometido em entregar, acredito que encontraremos muita diversão pela frente!

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Bishounen Tanteidan [Lucy]

Não vou mentir para ninguém que meus motivos para me interessar por esse anime são puramente estéticos. O Shaft é um dos meus estúdios favoritos, gosto muito do trabalho do Akiyuki Shinbo, e apesar dos pesares que tive, as partes que vi da série Monogatari provaram que o estilo do diretor casa perfeitamente com a obra do Nisioisin. Logo, se você me apresenta uma série que junta essa galera toda, e ainda por cima é feita para o público feminino, é claro que eu vou correndo assistir!

O primeiro episódio é bastante introdutório, dedicando-se a apresentar nossa protagonista e ambientá-la entre os cinco rapazes do clube de detetives, em vez de ir direto ao dilema da menina. A impressão inicial é que cada um dos rapazes se encaixa num “tipo” (o atlético e fofinho, o delinquente que na verdade é gentil, etc), mas tenho a impressão (e a esperança) de que eles vão quebrar esse molde ao longo da série. Também estou bastante satisfeita com a protagonista, aliás. Ela tem motivações próprias e um sonho a conquistar, além de conseguir preencher o papel de “ponto de vista do espectador” sem deixar de ter personalidade. Funcionou bem o suficiente para eu já estar torcendo por ela, e para que ela se mantenha como personagem principal da história.

Acho que já está bem claro que não estou com grandes expectativas, mas vou ficar muito feliz se a obra conseguir chegar ao final de maneira consistente. Digo isso tanto pelo enredo quanto pela animação — infelizmente, o Shaft tem uma fama de só terminar os episódios quando eles saem em Blu-ray. Aparentemente eles têm melhorado bastante nisso nos últimos anos, mas ainda fica o medinho. De qualquer maneira, esse é um anime que acompanharei de maneira bastante casual e despretensiosa, mas com muita esperança de que ele acabe sendo melhor do que eu esperava!

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Fumetsu no Anata e [Lucy]

Muito bom, piorou minha depressão.

Você sabe que a narrativa é boa quando por mais previsível que o enredo seja, a entrega ainda te faz sentir com a intensidade de como se você já não soubesse o que vai acontecer. O episódio todo é uma tragédia anunciada, todos os desenvolvimentos são extremamente óbvios, mas eles ainda conseguiram me deixar triste. Eu fiquei mal de verdade depois de assistir o primeiro episódio de Fumetsu no Anata e.

O impacto emocional do episódio é certamente a coisa mais marcante sobre ele, mas isso não veio puramente do roteiro, como ficou claro aí em cima. A animação, apesar de não ser nenhuma obra-prima, mantém um bom nível de qualidade. Ao juntar isso com a trilha sonora, a dublagem (fiquei impressionada ao ver que é praticamente o primeiro papel de Reiji Kawashima) e a direção, o poder do soco que esse anime te dá no estômago foi bastante amplificado.

Tirando esse momento inicial, a série apresenta uma proposta interessante e com amplas possibilidades. Nosso protagonista é uma entidade capaz de se transformar em qualquer coisa desde que essa coisa morra perto dele (aparentemente). Ao final do episódio, após tomar uma forma humana, ele parte em uma jornada (até porque não tem muito o que fazer no meio do nada onde ele estava). Me pergunto se ele manterá essa forma ou continuará trocando constantemente — para ser honesta, espero que sim, porque os diferentes pontos de vista, de acordo com como ele esteja vivendo, são um atrativo bem grande para mim.

Falo com todo o meu coração que o episódio é bom de verdade, mas se o resto da série tiver o mesmo tom dele, não sei se vou aguentar terminar os outros dezenove. A vida real já tem melancolia demais e eu sou o tipo de pessoa que usa ficção como escapismo. O anime é ótimo, mas tenho quase certeza que não é para mim. Espero que eu consiga continuar a acompanhar, porque parece que será uma das grandes obras do ano.

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Jouran: The Princess of Snow and Blood [Ana]

Eu até brinquei antes de escrever minhas impressões que em vez de estrelinhas eu avaliaria as estreias com bombinhas, porque olha… Fui premiada nas minhas dessa vez. Começando com Jouran: The Princess of Snow and Blood, não apenas o nome forte como o trailer haviam me despertado bastante a atenção por se tratar de uma versão alternativa da história japonesa se passando na Era Meiji envolvendo conflitos do governo e organizações de extermínio.

No entanto, o primeiro episódio nos trouxe pouco da história em si, focando em nos ocupar com cenas de ação e nos deixando um pouco perdidos. O estúdio Bakken Record é praticamente um estreante e devo dizer que gostei bastante do estilo da animação, mas parece que foi apenas isso. É bonito de se ver, mas só isso não sustenta o anime todo, né? Outro ponto é que trata-se de uma versão alternativa da história que mescla elementos da época que se passa (1931) com um avanço científico (o país desenvolveu sua própria fonte de energia) e por isso a caracterização dos personagens e tudo mais é muito bonita, não muito clara.

Os Nue são a organização de extermínio, da qual Sawa faz parte. Ela possui uma espécie de “poder azul”, apesar de ser a típica protagonista com passado trágico e que agora é fria e rigorosa, buscando por uma espécie de vingança na sua procura pelo Janome, que causou o extermínio das pessoas da sua cidade incluindo seus pais. Apesar de tudo, Sawa tem uma boa relação com Asahi, uma garotinha de sete anos cujos pais foram mortos por ninguém menos que a própria Sawa, mas os pais dela eram bastante abusivos, ou seja, percebemos que as relações são bastante complexas nesse universo. Dos outros personagens destaco a Elena como outro interessante, ela também faz parte dos Nue e é uma prostituta com princípios questionáveis, mas muito bonita, haha.

Espero que as coisas fiquem mais claras nos próximos episódios e que o foco não seja apenas nos mostrar “cool action scenes”, pois não sabemos até que ponto isso é capaz de ser sustentado e seria um potencial desperdiçado ao não aproveitarem a premissa que têm nas mãos.

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Mashiro no Oto [Mari]

Enquanto assistia à estreia de Mashiro no Oto com o resto do pessoal do Rukh no Teikoku, a gente brincou dizendo que esse era “o Kono Oto Tomare! que temos em casa”, porém após uma breve pesquisa descobrimos que na verdade deveria ser o contrário, visto que o primeiro iniciou a sua serialização em 2010 e o segundo em 2012; Kono Oto Tomare! apenas teve a sorte de ser adaptado para anime antes. Que plot twist, né? Mas bem, deixando as comparações de lado…

Eu terminei o primeiro episódio de Mashiro no Oto com a sensação de que tinha acabado de correr uma maratona. Embora eu tenha gostado do que vi e entenda a escolha de apresentar diversos personagens logo no início para fisgar o interesse do espectador, me preocupa que talvez esta possa ser uma adaptação apressada demais. Como o mangá já tem 27 volumes e animes de maneira geral costumam ser uma forma de divulgar o material de origem, pode ser que o comitê de produção queira socar o máximo de conteúdo possível na adaptação, o que estragaria o desenvolvimento da história, afinal, estamos falando de uma longa jornada de aprendizado, amadurecimento, superação, encontros e desencontros. Nossos personagens estão buscando um significado para as suas vidas e lutando pela realização de seus sonhos e os processos pelos quais eles passarão não podem ser corridos.

Ao que tudo indica, Mashiro no Oto deve ter apenas um núcleo narrativo centrado no protagonista Setsu, mas que será expandido conforme ele interagir com outros personagens e formar novos laços, como ocorreu com a introdução da Yuna e seu namorado Taketo. Ainda sabemos muito pouco sobre Setsu e a aparição repentina de sua mãe no final do primeiro episódio talvez indique que teremos alguns esclarecimentos em breve. Eu imagino também que ele vá voltar para o colégio, então Setsu terá um cotidiano diferente daquele que fomos apresentados até o momento. Estou ansiosa para descobrir como ele se adaptará a um novo ambiente e aonde a sua busca pelo seu som o levará.

Em relação à parte técnica, excetuando a maratona que tivemos que encarar, eu não tenho do que reclamar. As performances com o shamisen provavelmente serão o maior desafio dos animadores, mas eu gostei do que vimos no primeiro episódio, então manter essa qualidade já seria o suficiente pra mim. Também achei o character design muito bonito, especialmente da mãe do Setsu, e eu não poderia deixar de comentar sobre o incrível elenco de dubladores que foi reunido aqui. Sabemos que o negócio vai ser bom quando o anime já começa com um diálogo entre Shimazaki Nobunaga e Hosoya Yoshimasa!

Aguardemos os próximos capítulos…

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Sayonara Watashi no Cramer [Ana]

Em‌ ‌meio‌ ‌a‌ ‌uma‌ ‌escassez‌ ‌de‌ ‌animes‌ ‌de‌ ‌esporte‌ ‌femininos,‌ ‌não‌ ‌só‌ ‌em‌ ‌quantidade,‌ ‌mas‌ ‌também‌ ‌em‌ ‌qualidade,‌ ‌nós‌ ‌que‌ ‌amamos‌ ‌animes‌ ‌do gênero sempre‌ ‌ficamos‌ ‌animadas‌ ‌com‌ ‌um‌ ‌anúncio‌ ‌desse‌ ‌tipo.‌ ‌Logo‌ ‌de‌ ‌cara‌ ‌temos‌ ‌alguns‌ ‌pontos‌ ‌positivos,‌ ‌que‌ ‌na‌ ‌verdade‌ deveriam‌ ‌ser‌ ‌o‌ ‌mínimo,‌ ‌mas‌ levando‌ ‌em‌ ‌consideração‌ ‌as‌ ‌últimas‌ ‌obras‌ ‌de‌ ‌esporte‌ ‌feminino‌ animadas,‌ ‌já‌ ‌ficamos‌ ‌felizes‌ ‌em‌ ‌não‌ ‌ver‌ ‌garotas‌ ‌em‌ ‌uniformes‌ ‌sexualizados‌ ‌como‌ ‌em‌ Tamayomi‌ ‌em‌ ‌que‌ ‌as‌ ‌meninas‌ ‌jogam‌ ‌beisebol‌ ‌de‌ ‌shortinho.‌ ‌São‌ ‌garotas‌ ‌que‌ ‌desejam‌ ‌jogar‌ futebol‌ ‌e‌ ‌levam‌ ‌isso‌ ‌a‌ ‌sério.‌ ‌

No‌ ‌entanto,‌ ‌a‌ ‌obra‌ ‌traz‌ ‌alguns‌ ‌elementos‌ ‌genéricos‌ ‌como‌ ‌elas‌ ‌fazerem‌ ‌parte‌ ‌de‌ ‌um‌ ‌time‌ que‌ ‌não‌ ‌tem‌ ‌muito‌ ‌prestígio,‌ ‌personagens‌ ‌que‌ ‌eram‌ ‌de‌ ‌times‌ ‌rivais‌ ‌e‌ ‌agora‌ ‌passam‌ ‌a‌ ‌jogar‌ no‌ ‌mesmo‌ ‌time‌ ‌no‌ ‌ensino‌ ‌médio,‌ ‌embora‌ ‌a‌ ‌relação‌ ‌pareça‌ ‌mudar‌ ‌um‌ ‌pouco‌ ‌quando‌ ‌Sumire‌ e‌ ‌Midori‌ ‌se‌ ‌tornam‌ ‌colegas.‌ ‌É‌ ‌interessante‌ ‌ver‌ ‌o‌ ‌choque‌ ‌de‌ ‌personalidades,‌ ‌não‌ ‌apenas‌ das‌ ‌duas,‌ ‌mas‌ ‌das‌ ‌outras‌ ‌integrantes‌ ‌do‌ ‌time:‌ ‌Nozomi,‌ ‌Sawa‌ ‌e‌ ‌Aya.‌ ‌Todas‌ ‌são‌ ‌bem‌ ‌únicas‌ e‌ ‌têm‌ ‌suas‌ ‌próprias‌ ‌motivações,‌ ‌e‌ ‌o‌ ‌fechamento‌ ‌do‌ ‌primeiro‌ ‌episódio‌ ‌já‌ ‌traz‌ ‌uma‌ mensagem‌ ‌bem‌ ‌bacana‌ ‌sobre‌ ‌como‌ ‌o‌ ‌trabalho‌ ‌em‌ ‌equipe‌ ‌pode‌ ‌ser‌ ‌recompensador. Nozomi‌ ‌sempre‌ ‌fora‌ ‌talentosa‌ ‌e‌ ‌suas‌ ‌antigas‌ ‌colegas‌ ‌a‌ ‌deixaram‌ ‌porque‌ ‌“não‌ ‌conseguiam‌ lhe‌ ‌acompanhar”‌ ‌e‌ ‌hoje‌ ‌ela‌ ‌tem‌ ‌o‌ ‌seu‌ ‌time‌ ‌para‌ ‌apoiá-la‌ ‌e‌ ‌não‌ ‌precisa‌ ‌fazer‌ ‌tudo‌ ‌sozinha,‌ ‌e‌ mostra‌ ‌isso‌ ‌para‌ ‌Sumire.‌ 

Ainda,‌ ‌a‌ ‌obra‌ ‌retrata‌ ‌a‌ ‌dificuldade‌ ‌do‌ ‌reconhecimento‌ ‌do‌ ‌futebol‌ ‌feminino,‌ ‌em‌ ‌como‌ ‌a‌ seleção‌ ‌nacional‌ ‌luta‌ ‌para‌ ‌ganhar‌ ‌seu‌ ‌devido‌ ‌respeito.‌ ‌Vale‌ ‌lembrar‌ ‌aqui‌ ‌que‌ ‌a‌ ‌seleção‌ feminina‌ ‌japonesa‌ ‌é‌ ‌uma‌ ‌das‌ ‌melhores‌ ‌do‌ ‌mundo,‌ ‌tendo‌ ‌inclusive‌ ‌ganhado‌ ‌a‌ ‌Copa‌ ‌do‌ Mundo‌ ‌de‌ ‌Futebol‌ ‌Feminino‌ ‌há‌ ‌10‌ ‌anos,‌ ‌mas‌ ‌se‌ ‌nem‌ ‌elas‌ ‌têm‌ ‌o‌ ‌devido‌ ‌reconhecimento,‌ quem‌ ‌dirá‌ ‌adolescentes‌ ‌do‌ ‌ensino‌ ‌médio‌ ‌que‌ ‌buscam‌ ‌praticar‌ ‌o‌ ‌esporte,‌ ‌sendo‌ ‌isso‌ refletido‌ ‌nos‌ ‌famosos‌ ‌comentários‌ ‌direcionados‌ ‌às‌ ‌meninas‌ ‌de‌ ‌que‌ ‌isso‌ ‌não‌ ‌seria‌ ‌esporte‌ para‌ ‌elas‌ ‌e‌ ‌que‌ ‌elas‌ ‌não‌ ‌seriam‌ ‌tão‌ ‌boas‌ ‌quanto‌ ‌um‌ ‌menino.‌

Sendo‌ ‌do‌ ‌mesmo‌ ‌autor‌ ‌de‌ ‌Shigatsu‌ ‌wa‌ ‌Kimi‌ ‌no‌ ‌Uso,‌ ‌é‌ ‌de‌ ‌se‌ ‌imaginar‌ ‌que‌ ‌teremos‌ ‌uma dose‌ ‌de‌ ‌drama,‌ ‌até‌ ‌porque‌ ‌isso‌ ‌consta‌ ‌como‌ ‌um‌ ‌dos‌ ‌gêneros‌ ‌listados,‌ ‌a‌ ‌gente‌ ‌só‌ ‌torce para‌ ‌que‌ ‌as‌ ‌coisas‌ ‌sejam‌ ‌bem‌ ‌dosadas.‌ ‌Fica‌ ‌difícil‌ ‌não‌ ‌fazer‌ ‌comparações‌ ‌aqui,‌ ‌mas‌ ‌com‌ tantos‌ ‌pontos‌ ‌genéricos,‌ ‌acho‌ ‌difícil‌ ‌que‌ ‌Sayonara‌ ‌Watashi‌ ‌no‌ ‌Cramer‌ ‌seja‌ ‌algo‌ ‌ao‌ ‌nível‌ ‌de‌ Major‌ ‌2nd‌ ‌2nd‌ ‌Season,‌ ‌por‌ ‌exemplo,‌ ‌que‌ ‌embora‌ ‌retrate‌ ‌um‌ ‌time‌ ‌de‌ ‌beisebol‌ ‌misto,‌ ‌é‌ ‌em sua‌ ‌maioria‌ ‌formado‌ ‌por‌ ‌garotas‌ ‌e‌ ‌traz‌ ‌muito‌ ‌à ‌tona‌ ‌as‌ ‌dificuldades‌ ‌da‌ ‌inserção‌ ‌delas‌ ‌no meio‌ ‌do‌ ‌esporte‌ ‌e‌ ‌faz‌ ‌isso‌ ‌de‌ ‌forma‌ ‌brilhante.‌ ‌Ao‌ ‌mesmo‌ ‌tempo‌ ‌acho‌ ‌difícil‌ ‌as‌ ‌coisas‌ descarrilharem‌ ‌de‌ ‌vez‌ ‌como‌ ‌foi‌ ‌no‌ ‌caso‌ ‌de‌ ‌Hanebado!‌.

Agora‌ ‌uma‌ ‌das‌ ‌coisas‌ ‌que‌ ‌mais‌ ‌me‌ ‌incomodou‌ ‌foi‌ ‌a‌ ‌parte‌ ‌técnica.‌ ‌Algumas‌ ‌cenas‌ ‌de‌ movimento,‌ ‌por‌ ‌exemplo,‌ ‌durante‌ ‌os‌ ‌jogos,‌ ‌até‌ ‌que‌ ‌têm‌ ‌uma‌ ‌animação‌ ‌fluida,‌ ‌mas‌ ‌o‌ restante‌ ‌parece‌ ‌tudo‌ ‌muito‌ ‌simples,‌ ‌até‌ ‌o‌ ‌próprio‌ ‌design‌ ‌das‌ ‌personagens‌ ‌não‌ ‌é‌ ‌muito‌ atrativo.‌ ‌Isso‌ ‌é‌ ‌bastante‌ ‌estranho‌ ‌porque‌ ‌o‌ ‌estúdio‌ ‌LIDENFILMS‌ ‌têm‌ ‌diversas‌ ‌obras‌ ‌bem‌ animadas,‌ ‌inclusive‌ ‌com‌ ‌a‌ ‌participação‌ ‌do‌ ‌mesmo‌ ‌character‌ ‌designer,‌ ‌então‌ ‌não‌ ‌dá‌ ‌pra‌ entender‌ ‌muito‌ ‌bem‌ ‌o‌ ‌que‌ ‌aconteceu‌ ‌aqui,‌ ‌e‌ ‌porque‌ ‌a‌ ‌coisa‌ ‌parece‌ ‌meio‌ ‌precária.‌ ‌Talvez‌ destinaram‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌orçamento‌ ‌para‌ ‌trazer‌ ‌dubladores‌ ‌como‌ ‌Junichi‌ ‌Suwabe‌ ‌(que‌ ‌inclusive‌ faz‌ ‌um‌ ‌Aizawa‌ ‌2.0‌ ‌aqui)‌ ‌e‌ ‌Saori‌ ‌Hayami,‌ ‌haha.‌ ‌

Acho‌ ‌que‌ ‌o‌ ‌anime‌ ‌tem‌ ‌potencial‌ ‌ao‌ ‌menos‌ ‌de‌ ‌ser‌ ‌divertido‌ ‌de‌ ‌acompanhar,‌ ‌se‌ ‌a‌ ‌produção‌ não‌ ‌tiver‌ ‌salvação,‌ ‌espero‌ ‌que‌ ‌ao‌ ‌menos‌ ‌a‌ ‌história‌ ‌compense.‌ ‌Nos‌ ‌resta‌ ‌aguardar.‌ ‌

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Shakunetsu Kabaddi [Ana]

Já‌ ‌se‌ ‌passaram‌ ‌dois‌ ‌episódios‌ ‌de‌ ‌Shakunetsu‌ ‌Kabaddi‌ ‌e‌ ‌eu‌ ‌ainda‌ ‌não‌ ‌sei‌ ‌exatamente‌ ‌o‌ que‌ ‌eu‌ ‌sinto‌ ‌em‌ ‌relação‌ ‌a‌ ‌ele.‌ ‌Esse‌ ‌anime‌ ‌é,‌ ‌com‌ ‌certeza,‌ ‌um‌ ‌acontecimento.‌ ‌A‌ ‌fórmula‌ aqui‌ ‌foi‌ ‌das‌ ‌mais‌ ‌malucas‌ ‌possíveis,‌ ‌pegar‌ ‌um‌ ‌esporte‌ ‌que‌ ‌quase‌ ‌ninguém‌ ‌nunca‌ ‌ouviu‌ falar,‌ ‌um‌ ‌bando‌ ‌de‌ ‌personagens‌ ‌caricatos‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌bater‌ ‌o‌ ‌olho‌ ‌você‌ ‌provavelmente‌ ‌vai‌ pensar‌ ‌já‌ ‌ter‌ ‌visto‌ ‌ele‌ ‌em‌ ‌algum‌ ‌lugar,‌ ‌efeitos‌ ‌sonoros‌ ‌e‌ ‌onomatopeicos‌ ‌para‌ ‌ilustrar‌ ‌os‌ ataques‌ ‌do‌ ‌jogo‌ ‌e‌ ‌uma‌ ‌dose‌ ‌de‌ ‌humor‌ ‌questionável.‌ ‌Confesso‌ ‌não‌ ‌estar‌ ‌exatamente‌ surpresa,‌ ‌porque‌ ‌desde‌ ‌que‌ ‌vi‌ ‌o‌ ‌trailer‌ ‌já‌ ‌havia‌ ‌entendido‌ ‌que‌ ‌seria‌ ‌dedo‌ ‌no‌ ‌c*‌ ‌e‌ ‌gritaria,‌ mas‌ ‌isso‌ ‌não‌ ‌torna‌ ‌mais‌ ‌fácil‌ ‌de‌ ‌digerir.‌ ‌

O‌ ‌enredo‌ ‌é‌ ‌algo‌ ‌bem‌ ‌simples,‌ ‌Tatsuya‌ ‌Yoigoshi‌ ‌foi‌ ‌por‌ ‌muito‌ ‌tempo‌ ‌um‌ ‌jogador‌ ‌futebol‌ muito bom, mas que ‌passou‌ ‌a‌ odiar ‌esportes,‌ e ‌recebe‌ ‌um‌ ‌convite‌ ‌para‌ ingressar‌ ‌no‌ ‌clube‌ ‌kabaddi‌ ‌do colégio. O esporte é originário na Índia Antiga e é popular em países como Paquistão e Bangladesh. Ele parece mesclar elementos de pega-pega, queimada e rugby (sem uma bola), e por mais que o primeiro episódio seja basicamente os membros do clube ensinando o kabaddi ao Tatsuya para convencê-lo a permanecer no clube ao mesmo tempo que pretende nos mostrar como funciona com animações explicativas, eu ainda fiquei um pouco confusa, mas acredito que com o decorrer dos episódios, com mais disputas isso fique mais claro.

Me incomoda um pouco que a produção não parece lá aquelas coisas, a animação não parece muito fluida em alguns momentos e a transição de cenas é algo bastante abrupto. Sem contar que já tivemos algumas cenas reaproveitadas do primeiro para o segundo episódio, e se não bastasse isso, assim como comentei no início, os próprios personagens parecem ter sido reciclados de outros lugares como uma semelhança física assustadora. Souma é a cara do Saitama de One Punch Man, Kei do Shoichi de Kuroko no Basket e Shinji do Gyoumei de Kimetsu no Yaiba, pode ser só umas inspiração ou coincidência, mas ainda assim parece que o anime não tem uma identidade própria.

Um ponto que chega a ser irritante, mas que consegue ser efetivo em fazer o negócio entrar no cérebro é o efeito sonoro do “struggle”, um dos ataques do jogo. Não sei se era pra ser cômico ou qual outra intenção, mas depois de muitas vezes começa a ficar desnecessário. Você termina o episódio com “struggle” e “kabaddi, kabaddi, kabaddi” na cabeça. Socorro! E se o struggle era pra ser um artifício cômico que talvez não tenha dado muito certo o restante do humor permanece numa linha tênue entre ser aquele engraçado que você nem acredita que está rindo daquilo ou só muito idiota mesmo.

E nisso se resume ‌Shakunetsu‌ ‌Kabaddi‌, uma loucura. Mas ainda assim o anime toca em alguns pontos interessantes como clubes de esportes que não são muito populares não recebem muito reconhecimento e que é considerado um desperdício Tatsuya estar em um clube como esse e não jogando futebol, sendo que o rapaz agora parece encontrar a diversão no esporte que ele havia perdido. Acho que o negócio aqui vai ser não pensar demais e só se deixar levar e tentar ao menos garantir umas risadas e esperar até o final entender como kabaddi funciona.

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Tokyo Revengers [Lucy]

Fui assistir Tokyo Revengers completamente às cegas, somente com o conhecimento de que era uma história sobre delinquentes (e por isso que decidi assistir). Talvez tenha sido a melhor escolha, porque dessa maneira os plot twists do episódio conseguiram funcionar comigo. Não sei se eu ficaria tão envolvida se eu já soubesse do foco principal da história.

Justamente por isso que tentarei ser o mais sucinta possível, pois imagino que se você está lendo isso agora, tem interesse no anime e quer ver se é bom. Já ouço elogios ao mangá de Tokyo Revengers há meses, então somando isso à proposta que o final do episódio deixa, o que posso te dizer sem revelar muito é que eu estou bastante animada pelo que está por vir.

Se você não liga para spoilers do episódio, então vamos ao ponto.

Esse foi um emprego muito legal do formato “viagem no tempo a fim de melhorar e/ou salvar vidas”. Primeiro que eu gostei muito da possibilidade do protagonista ir e voltar, e fiquei curiosa sobre como essas viagens afetarão a linha do tempo atual, já que ficou bem claro que as ações dele no passado irão alterar o presente. Me pergunto se ele fará mais aliados contando a verdade sobre o futuro, como ocorreu com o irmão da Tachibana, ou se eles terão que fazer tudo por conta própria. Pelo que a abertura demonstra, realmente devemos passar um tempinho vendo Hanagaki alterando o próprio passado antes de podermos chegar nas consequências dessas mudanças. De qualquer maneira, aplaudo o criador da história até aqui, pois, sendo sincera, não costumo ter paciência para esse tipo de história.

No tocante aos aspectos técnicos, tudo me parece bem dentro do padrão até o momento. O LIDENFILMS não é um estúdio exatamente conhecido por sua qualidade, mas também não tem grandes manchas no currículo (tirando você, Berserk de 2016). A única possível barreira no caminho do estúdio é o fato de que Tokyo Revengers terá dois cours, e o estúdio não aparenta ter muita experiência com esse tipo de cronograma (com a exceção de três títulos, todos os outros na história do estúdio tiveram apenas um cour). Vamos torcer para que tudo dê certo para a equipe!

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