Crítica | The Promised Neverland 2: era melhor ter visto o filme do Pelé

Quem acompanha o Rukh no Teikoku há bastante tempo sabe que a gente não costuma comentar sobre continuações com frequência porque preferimos dar prioridade aos títulos novos, mas o que está acontecendo com a segunda temporada de The Promised Neverland é um cuspe tão grande na cara dos fãs que ficou difícil ignorar.

Quando anunciaram que The Promised Neverland 2 incluiria um arco original, eu já fiquei meio assim, sabe? Mas pensei: bem, pelo menos a contribuição vai ser feita pelo autor da obra, Kaiu Shirai, então não deve rolar nada que estrague a história como aconteceu com tantos outros animes que tentaram uma rota original (Ao no Exorcist S1, Claymore, Tokyo Ghoul S2 etc.), certo?

Errado.

Eu não poderia estar mais enganada.

Vejam bem, eu não sou totalmente contra a inclusão de material original em adaptações, até porque se fosse para ver um completo Ctrl C + Ctrl V de cada painel do mangá, era melhor ficar com o mangá mesmo. Inclusive já debatemos aqui no blog em parceria com o Gapso do HGS Anime sobre o que torna uma adaptação boa ou ruim. À época, concluímos que “…boas adaptações podem ser caracterizadas como aquelas que possuem sua própria identidade, porém não perdem de vista o que é essencial do seu material de origem. Elas podem até seguir rotas diferentes, mas a mensagem é a mesma, e as mudanças realizadas no anime não afetam a parte central da história”. Este, no entanto, não é o caso de The Promised Neverland 2.

Como alguém que leu e gostou muito do mangá, a minha decepção com TPN 2 começou logo no primeiro episódio. Aquele era o momento que marcava uma grande mudança para o Ray como personagem, que para além de desistir das suas ideias de autosacrifício, como pudemos ver na S1 quando ele quase ateia fogo a si mesmo e onde demonstra que nunca tinha a intenção de realmente sobreviver ao lado de Emma e Norman, ele decide incorporar a “emoção” de Emma à sua racionalidade, prometendo que, ao contrário dos seus planos iniciais para fugir do orfanato, de agora em diante ele não deixaria ninguém da sua família ficar para trás. Essa cena é muito forte no mangá, é de se ficar todo arrepiado enquanto lê, mas eu não senti nada disso no anime. Toda a tensão que permeou a primeira temporada e que é característica do mangá parece que desapareceu na continuação. Outro exemplo de cena que ficou completamente “meh” na adaptação foi aquela em que Emma e Ray percebem que Mujika e Sonju não são humanos devido às suas pegadas.

Considerando que o estúdio CloverWorks está entregando dois animes absolutamente fantásticos nesta temporada (a adaptação de Horimiya e o original Wonder Egg Priority), a sensação é de que TPN 2 acabou ficando como última prioridade, pois se trata de uma franquia estabelecida, popular e que teoricamente geraria “dinheiro fácil”. Claro, eu não conheço os bastidores do estúdio para afirmar nada, até porque são equipes diferentes que trabalham em cada obra, mas é difícil esconder o desapontamento quando traçamos uma comparação entre as três.

Mas até aí tudo bem.

(Não estava realmente bem… mas tudo bem).

Eu podia aceitar que tecnicamente a segunda temporada não seria aquilo tudo se pelo menos a história compensasse… Porém foi aí que TPN 2 descarrilou de vez. Estamos apenas no episódio 5 e uma parte IMENSA do enredo já foi cortada. É verdade que os últimos arcos da obra deixaram os fãs divididos. Muita gente não gostou do rumo que o enredo tomou, principalmente com o retorno do [censurado] e o seu plano genocida. Eu entendo o Shirai querer fazer algo diferente, pra ver se dessa vez conseguiria escrever um desfecho melhor. Mas nada disso justifica as mudanças que ocorreram AGORA.

A parte do mangá que deveria ser adaptada na segunda temporada ainda é muito boa. É o auge de TPN após o arco da fuga. Além disso, é aqui que o leitor obtém várias dicas sobre o desenrolar da trama e eles mudaram TUDO: no anime, a Mujika não fala para a Emma procurar pelas Seven Walls. O Mister, um dos personagens mais relevantes para o avanço do enredo nesse momento da história, não está no abrigo quando eles chegam lá (e na verdade não há o menor sinal de que ele ainda vá aparecer). A parede, que deveria ter o alerta sobre os Poachers, está apenas pichada com um grito por ajuda.  E o anime simplesmente pula o arco inteiro da Goldy Pond, que é recheado de personagens e momentos memoráveis e que com certeza era o que os fãs estavam mais ansiosos para ver animado. Não só isso, mas a volta do [censurado] indica que a partir de agora o anime possivelmente vai tentar socar todos os capítulos restantes nos próximos seis episódios, ou seja, parece que o comitê de produção nunca teve a intenção de dar mais do que duas temporadas para TPN.

Não dá pra entender. Não dá pra aceitar. E é um desrespeito com os fãs.

Se eu puder dar um conselho para vocês, seria: larguem o anime enquanto há tempo e leiam o mangá. Apesar da queda de qualidade mais pro final, ainda é uma jornada que vale muito mais a pena do que essa salada de desastres que está sendo a segunda temporada de The Promised Neverland (mesmo que no fim das contas o resultado seja um produto minimamente interessante… se é que isso é possível).

4 comentários em “Crítica | The Promised Neverland 2: era melhor ter visto o filme do Pelé

  1. Eu não terminei o mangá (ainda) e já faz um tempo que tinha parado de acompanhar, então não me lembro tão bem das coisas. Inclusive assisti essa cena do Ray desistindo das tendências suicidas dele e lembrei que acontecia no mangá, que eu ficava tocada, mas não lembrava o suficiente da cena pra a falta de impacto ser tão forte assim… Vou prestar atenção nisso quando reler.
    Acho que é bom a gente esperar um pouco mais e ver como as coisas se desenrolam, já que estamos sem nenhuma noção do que vão fazer no anime. Apesar que, a essa altura, parece meio difícil de salvar mesmo… Entendo demais a decepção.
    Aliás, sempre bom ver post de vocês falando de obras/questões específicas, eu acho muito gostoso de ler!

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  2. Sinceramente goldy pond foi o arco mais destoante da obra e compreendo sua supressão, até porque se o inserissem, tomaria toda a temporada, porém ainda assim é um caso bizarro

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  3. odiei com todas as minhas forças a segunda temporada, tiraram meu personagem preferido e outro 50 (literalmente), até o meu demonio preferido granduque Leuvis. Estragaram td sério, e quem diz gostar é pq n lê o mangá. Me decepcionaram

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  4. Faz pouco tempo desde que li o mangá! Voltei a assistir o anime dps do episódio do [censurad] e notei o quão extremo foi a modificação que fizeram da obra na animação. Detestei. Espero que honrem pelo final dessa segunda temporada.

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