Primeiras impressões: temporada de verão (2021)

A expressão “tirar leite de pedra” nunca se mostrou tão verdadeira quanto nesta temporada. Apesar de termos algumas continuações esperadas, a quantidade de títulos novos com potencial para entregar algo interessante aparenta ser minúscula. A boa notícia é que pelo menos as obras que escolhemos acompanhar têm tudo para serem boas experiências. Nesta postagem vocês encontrarão nossas primeiras impressões de Kageki Shoujo!!, RE-MAIN, Shiroi Suna no Aquatope, Uramichi Onii-san e Vanitas no Carte.

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Kageki Shoujo!! [Ana]

Pode ser que eu esteja um pouco emocionada aqui, mas depois das últimas temporadas em que eu resenhei só bombas, estou feliz por ter assistido algo que eu realmente gostei. É gay, bonitinho e divertido, tudo que eu precisava! Entendo que talvez esse tipo de anime envolvendo teatro e por ser só com garotas (o que pra mim é ótimo, mas infelizmente sabemos que pra muita gente não) não seja a praia de todo mundo, mas acredito que vale a pena dar uma chance para Kageki Shoujo!!.

O primeiro episódio foi bem introdutório, nos apresentando as principais personagens. Logo de cara vemos que existe um enorme contraste entre as protagonistas. Enquanto Sarasa Watanabe acaba chamando bastante a atenção de todos, não apenas por ser bem mais alta que as outras garotas, mas também por ser inocentemente meio sem noção – chega atrasada, fica conversando alto onde não deve etc. – além de se mostrar bem expansiva e determinada, Ai Narada procura exatamente o oposto: não ser notada. A garota parece ter um histórico de assédio de fãs por ser uma exidol, principalmente vindo de meninos, e embora pareça um alívio estudar em uma escola só de meninas, isso meio que vai por água abaixo quando ela se vê obrigada a conviver justamente com a Watanabe.

Ainda não vimos muito do teatro em si, mas já dá pra ter uma noção que a escola é bem rígida, o que nos faz perguntar se apenas a determinação de Watanabe será suficiente para que ela consiga alcançar seu objetivo ou se terá que trabalhar em sua postura, ao mesmo tempo que Narada também tem seus pontos a serem trabalhados, assim acredito que a interação entre as duas será bem importante para o desenvolvimento de ambas. Embora seja uma dinâmica engraçada, na vida real eu tenho certeza que eu seria como a Narada e teria dificuldades para lidar com alguém como a Watanabe, haha! Já podemos deduzir que elas possivelmente vão interpretar um casal, então acho que está mais que permitido shippar.

Até o momento gostei da animação e o design dos personagens é bem bonito, assim, estou bem animada e curiosa para o desenrolar da história. Embora ainda tente manter minhas expectativas medianas para evitar decepções, acredito que foi uma boa estreia, espero que continue assim e que no fim tenhamos uma boa adaptação.

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RE-MAIN [Mari]

Para a surpresa de ninguém, é claro que uma das minhas escolhas da temporada para comentar seria um anime de esporte. Quem acompanha o Rukh no Teikoku há bastante tempo está careca de saber que eu sou uma grande fã de animes de esporte e que gosto de ver modalidades diferentes sendo exploradas, como salto ornamental, atletismo, ginástica rítmica, polo aquático, entre outras (mesmo que nem sempre estas histórias sejam bem feitas). Eu comecei a ver RE-MAIN com o mesmo nível de conhecimento sobre polo aquático que o protagonista em seu estado amnésico, ou seja, nenhum. Espero aprender sobre a modalidade junto com ele!

Embora eu tenha lá as minhas ressalvas em relação ao estúdio MAPPA, especialmente depois das inúmeras denúncias sobre as péssimas condições de trabalho que os animadores têm enfrentado devido à enorme quantidade de adaptações que eles vêm fazendo, eu achei o primeiro episódio muito bonito. No entanto, o veredito mesmo sobre a qualidade da animação só vai sair quando tivermos as partidas animadas. Eu imagino que bastante CGI será utilizado, o que poderá ser ou não um problema: se bem feito, como vimos em Bakuten!!, o resultado pode ser ótimo; se mal feito, teremos algo semelhante a DAYS (outro anime de esporte do MAPPA), que não me traz boas lembranças. Fica aqui a torcida para que o estúdio tenha aprendido algumas lições com seus projetos anteriores!

Quanto à premissa em si, eu a vejo como um ponto de partida interessante. Não só por se tratar de um esporte “diferentão”, mas também porque há o elemento do acidente, que gerou uma perda de memória de um período específico da vida do protagonista, e as consequências disso. Minato, que um dia foi uma grande estrela do polo aquático, agora terá que recomeçar a sua jornada do zero, sem sequer poder contar com o conhecimento sobre a modalidade ou o condicionamento físico que ele tinha antes. Há um caminhão de expectativas sobre um Minato que não existe mais, e eu me pergunto como isso será trabalhado na história. Certamente haverá um pouco de drama envolvendo seus ex-companheiros de time, o que é totalmente compreensível, mas eu imagino que de uma maneira geral a mensagem que teremos aqui será positiva, partindo de uma ideia de superação. Nem tudo serão flores, mas o Minato é um protagonista muito carismático e alto astral, por isso torço para que finalizemos esta história com um sorriso no rosto!

Vale mencionar também que a abertura de RE-MAIN, “Forget Me Not” do grupo sul-coreano ENHYPEN, é possivelmente uma das melhores da temporada. Além disso, o elenco de dubladores traz vários nomes que eu gosto bastante, como Uemura Yuuto, Saitou Souma, Furukawa Makoto, Hatanaka Tasuku, Uchida Yuuma e Hanae Natsuki.

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Shiroi Suna no Aquatope [Mari]

Considerando o subtítulo de Shiroi Suna no Aquatope, “the two girls met in the ruins of a damaged dream” (“as duas garotas se encontraram nas ruínas de um sonho destruído”, em tradução livre), e a temática do anime de uma forma geral, eu tenho certeza que ele foi escrito por um millennial. Por quê? Bem, não há nada mais millennial do que sair do ensino médio e/ou faculdade e ter os seus sonhos de carreira imediatamente destruídos simplesmente porque fazemos parte de uma geração em que a mão de obra tem se tornado cada vez mais especializada ao mesmo tempo em que não há emprego para todo mundo devido não só à alta competitividade do mercado proporcionada por um capitalismo selvagem, mas também às crises econômicas. A realidade de deixar a casa dos pais aos 18 anos para se tornar um adulto independente tem ficado cada vez mais distante.

Vimos pela perspectiva da Fuuka que não se trata de falta de esforço; o sistema que exige que algumas pessoas sejam “atropeladas” para que ele possa continuar funcionando. Ainda não sabemos exatamente quem é ou quais são os objetivos da outra protagonista, Kukuru, mas estou curiosa para descobrir que dinâmica será estabelecida entre as duas. Eu imagino que a Fuuka buscará um recomeço trabalhando no aquário, e que Kukuru se esforçará ao máximo para tornar o seu sonho realidade, mesmo correndo sérios riscos de dar tudo errado. Eu não sei até onde a equipe pretende levar a ideia da “dura realidade” e que rumo a história tomará, mas confio no diretor Shinohara Toshiya (Irozuku Sekai no Ashita kara, Nagi no Asu kara) e na roteirista Kakihara Yuuko (Asobi Asobase, Gakuen Babysitters). Torço para que tenhamos um desfecho interessante!

Em termos técnicos, Shiroi Suna no Aquatope ficará pau a pau com Vanitas no Carte na disputa para decidir a série mais bem animada da temporada. Confesso que fiquei com um pezinho atrás quando vi que Aquatope terá 24 episódios sem pausa entre os cours, ao contrário de Vanitas, que será split cour. Tanto o P.A. Works quanto o BONES costumam entregar trabalhos acima da média, mas é realmente difícil para uma série de TV manter a qualidade que Aquatope mostrou em seu primeiro episódio por 6 meses consecutivos. O jeito é rezar para que a produção esteja bastante adiantada e que eles saibam o que estão fazendo!

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Uramichi Onii-san [Ana]

Esse é com certeza um anime que você não pode levar as coisas muito a sério. Pode parecer meio idiota dizer isso quando se olha para a proposta de adultos depreciativos com a vida apresentando um programa de TV infantil, mas achei necessário depois de ver uma série de reviews negativas sobre Uramichi Onii-san.

É claro que quando se trata de comédia, o que é engraçado ou não pode ser bastante particular e o tipo de humor aqui realmente pode não funcionar para todo mundo. Falar sobre como a vida adulta é uma m*rda para um bando de crianças nos seus cinco anos é uma situação que beira o absurdo, e é exatamente essa a graça. Acho que o negócio funcionou pra mim porque sou bem da faixa etária dos personagens – final dos 20, início dos 30 anos – e as piadas depreciativas são muito identificáveis. É um tipo de humor que pode te deixar desconfortável e acredito que seja exatamente essa a intenção, embora com o exagero às vezes só me dê vontade de mandar todo mundo fazer uma terapia, mas isso acabaria com a história, né? No fundo a gente sabe que Uramichi só não foi demitido porque isso é uma obra fictícia e bem, cada um tem a Xuxa que merece.

Sabendo que estamos pisando em um terreno particularmente suspeito, devo confessar que tirando essa proposta maluca, outro ponto que chama muito a atenção é o cast absurdo de dubladores escalados. Como já havíamos comentado na postagem de apostas, deve ter apenas uns dois ou três personagens que não serão dublados por um veterano da indústria. Sem contar que o tema de abertura é cantado por Mizuki Nana e Miyano Mamoru, sendo o último também responsável pelo encerramento. Haja orçamento para tudo isso! Vale ainda comentar que os personagens dos dois parecem ter sido feitos especificamente para eles, se disser que não houve uma inspiração ali, estarão mentindo. O ponto alto do episódio foi a interpretação incrível do Miyano com as piadas sobre p*nto. Se a pessoa assistindo não der nem uma leve esboçada nessa parte, não tem salvação mesmo…

Em relação à animação, apesar de o Studio Blanc. ter poucas e questionáveis obras em seu catálogo e esse parecer ser o primeiro trabalho maior sem assistência, eu achei as coisas bem ok, e espero que continue se saindo bem no decorrer dos episódios. O que me intriga mesmo é como a obra continuará abordando a questão do humor e até que ponto Uramichi e seus colegas de trabalho millennials sem perspectiva de vida continuarão nos entretendo (e mantendo seus empregos).

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Vanitas no Carte [Lucy]

É cedo para dizer o que será o melhor anime da temporada, mesmo em uma tão estranhamente fraca quanto a atual, mas tenho que admitir que estou com grandes esperanças para Vanitas no Carte.

Não faltam pontos positivos para eu listar sobre os dois primeiros episódios: a direção está ótima, a animação está conseguindo emular perfeitamente a impecável arte do mangá, e a trilha sonora de Yuki Kajiura rouba a atenção em algumas cenas. Apesar de o enredo ainda estar em sua fase introdutória, os elementos revelados mostram uma boa construção do mundo. Por fim, a dinâmica entre os dois protagonistas é interessante e divertida! Será que tem mais algo que eu possa pedir?

…Na verdade, tem sim. Antes de tudo, fica aqui aquele comentário obrigatório de esperar que a qualidade da animação se mantenha. Sei que eu sempre falo isso, mas tem um brilho em Vanitas que eu espero muito que não se esvaia ao longo da temporada. As cores saltam ao olhar, o estilo diferente empregado nos flashbacks é muito bonito, e é necessário que o visual consiga acompanhar aquilo que a direção demanda dele. Estou sinceramente impressionada, porque até mesmo o CGI está bonito! Mesmo que não fique totalmente integrado, fica longe de se destacar negativamente. Visto que o estúdio Bones trabalha em esquemas de times — onde cada equipe fica encarregada de uma obra — acredito que o padrão será mantido.

Fora isso, estou intrigada com o rumo que a história tomará. Apesar de eu não ser muito fã de fantasia, o ambiente “vitoriano” (entre aspas, já que é na França) e os elementos cyberpunk me pareceram bastante atraentes como complemento do lado vampiresco do enredo. Ademais, há um “quê” de mistério sobre o passado de Noé e a origem do livro de Vanitas. Aliás, já tenho minhas dúvidas até sobre a humanidade do próprio Vanitas. Estou certa de que seja lá quais forem os desenvolvimentos do enredo, eles me agradarão — Jun Mochizuki, a autora de Vanitas, também escreveu um dos meus mangás favoritos de todos os tempos, Pandora Hearts. Se ela estiver tão inspirada aqui quando esteve durante a obra anterior, minhas esperanças serão completamente justificadas!

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2 comentários em “Primeiras impressões: temporada de verão (2021)

  1. Kageki Shoujo!! me empolgou demais pra querer ver porque é uma história que envolve teatro, que é uma coisa que eu amo demais. Espero que seja muito bom até o final. Achei engraçado que mesmo com pouca coisa os escolhidos da temporada tem muito potencial! Empolgado demais com Vanitas desde o primeiro pv, Uramichi parece que tem um senso de humor que se a pessoa que estiver assistindo tiver uma idade próxima dos personagens acho que vai captar bem a vibe do humor.
    Re Main e Aquatope são gostos muito específicos meus que adoro aquário e anime de polo aquático parece algo no mínimo inovador. Uma história que era pra ter uma pegada meio triste pelo passado do protagonista mas tá com cara de que vai ser aquele anime de deixar o coração flamejante de quentinho e animação com as partidas.

    Surpreendendo até a mim mesmo, empolgado com o potencial dessa temporada

    Curtido por 2 pessoas

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