Primeiras impressões: temporada de inverno (2023)

Primeiramente gostaríamos de desejar um Feliz Ano Novo para todos vocês que acompanham o Rukh no Teikoku! Esperamos que 2023 nos surpreenda positivamente. Nesta postagem vocês poderão conferir as nossas primeiras impressões de Buddy Daddies, HIGH CARD, Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi, Monogatari, Mou Ippon!, Revenger, Spy Kyoushitsu, Tomo-chan wa Onnanoko! e UniteUp!.

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Buddy Daddies [Ana]

Tirou o meu Spy x Family me deixando apenas com Spy x Family, só que gay. É quase impossível não fazer comparações já que a obra trata de dois “melhores amigos” assassinos que moram juntos e acidentalmente acabam na situação de ter que criar uma garotinha.

Já iniciamos com a interação entre os dois “daddies” de personalidades contrastantes. Enquanto Kazuki é extremamente extrovertido, Rei é completamente o oposto e passa a maior parte do seu tempo jogando videogame. Apesar de Rei parecer irritante por não fazer absolutamente nada em casa, Kazuki foi capaz de abandonar um gatinho na rua simplesmente porque o outro não cuidaria devidamente. Talvez eu estivesse esperando demais de um criminoso ter alguma compaixão por um animal, no entanto, por algum motivo eles acabam por querer cuidar da Miri, uma menina de quatro anos que acidentalmente entra em um tiroteio em um hotel enquanto procurava por seu pai (não revelarei aqui quem é, mas caso assistam, aguardem o plot twist).

É óbvio que muita gente vai dizer que Buddy Daddies é uma espécie de fujobait, mas eu sinceramente só estou aqui porque dois criminosos cuidando de uma garotinha parece ser algo incrível independente da relação que os dois tenham. Dito isso, por mais que a premissa não seja extremamente inovadora, e que é difícil se ter expectativas se tratando de um material original, eu gostei bastante das cenas de ação, da interação dos personagens, e da estreia como um todo. Foi bastante divertido assistir esse primeiro episódio e aguardo ansiosamente por mais.

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HIGH CARD [Ana]

Esse Sakura Card Captors tá meio diferente! Brincadeiras à parte, HIGH CARD possui alguns elementos que me remetem a outras obras: um pouquinho de Kakegurui (o que já era esperado já que seu autor está envolvido na produção) e Akudama Drive (que embora eu não tenha assistido, ouvi mais de uma pessoa apontar). Apesar disso, HIGH CARD tem o seu diferencial, vindo como um bom retorno do estúdio Hibari que estava em hiato desde 2017.

Em relação a Kakegurui, a semelhança fica mais na vibe meio maluca e, claro, por envolver cartas, já que o contexto é completamente diferente. Finn Oldman é o protagonista, um jovem órfão que vai a um cassino atrás de dinheiro pois seu orfanato está prestes a fechar, no entanto, lá ele é envolvido em uma confusão e por fim descobre que existem 52 cartas – exatamente as mesmas cartas de um baralho – que conferem poderes aos seus usuários. A minha comparação com Sakura vem por existir um grupo de jogadores, comissionados pelo próprio rei, responsável por capturar essas cartas. Esse grupo seria o “HIGH CARD”, que atuam disfarçados de funcionários de uma fabricante de carros de luxo, e Finn acaba por ser escolhido como o quinto membro do grupo. Finn está nessa apenas pelo dinheiro, mas é de se imaginar que não será uma tarefa fácil, e daqui virão os conflitos da história.

Como toda obra original é difícil saber os rumos que o roteiro tomará, e embora HIGH CARD seja apenas uma história maluca de gente querendo ter poderes sobre-humanos vindos de cartas de baralho, acredito que tenha o potencial de nos entreter. Confesso que esperava que os poderes oferecidos pelas cartas fossem algo mais próximo de um “super-herói”, mas na prática não é bem assim. Por exemplo, Finn conseguiu um 2 de espadas e isso lhe concedeu apenas um revólver. No entanto, aparentemente existe um ranking de poderes que varia com o valor das cartas, assim como é de fato em um jogo de cartas, então espero ser surpreendida com as próximas cartas que aparecerão.

Por fim, até o momento gostei bastante da animação, da trilha sonora e do design dos personagens, que consegue passar bastante da personalidade dos mesmos. Além disso, temos ótimas trilhas de abertura e encerramento. Se a obra se mantiver assim, ela tem tudo para ao menos ser algo divertido de se acompanhar.

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Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi [Mari]

Não é sempre que a gente tem a oportunidade de acompanhar em anime uma comédia romântica com personagens adultos, então fiquei bastante animada com o anúncio de Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi. A comparação óbvia que as pessoas estão fazendo é com Wotakoi, mas as duas obras não têm muito em comum para além do elenco adulto e da ambientação, visto que Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi também se passa em um escritório.

Enquanto uma focava na cultura otaku, esta trabalha com elementos de folclore japonês. Logo no primeiro episódio temos um personagem que é descendente de uma Yuki-onna (o protagonista Himuro-kun) e outra que é descendente de uma Youko (uma de suas colegas de trabalho, Komori-san). Confesso que achei meio esquisita a forma com a qual todo mundo aceitou prontamente que Himuro e Komori não eram seres humanos comuns, mesmo que fosse pelo alívio cômico. Dito isso, pode ser que essa seja uma indicação de que Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi não se leva muito a sério, e talvez nós devamos fazer o mesmo.

Embora o primeiro episódio tenha coberto um período de um mês, pouca coisa aconteceu. A estreia serviu mesmo para nos apresentar aos protagonistas, seu ambiente de trabalho, e apontar para que direção o anime deve caminhar. Eu acredito que o foco deve se manter sobre o relacionamento dos personagens, sobretudo Himuro e Fuyutsuki, e não me parece que veremos muito mais dos elementos de fantasia para além dos momentos cômicos. Ainda que, particularmente, eu acharia mais interessante acompanhar uma jornada de amadurecimento mais séria e que se aprofundasse mais nas dificuldades das relações humanas, não penso que tomar um caminho mais leve e cômico seja ruim – apenas terei que ajustar as minhas expectativas.

Em termos técnicos, Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi é OK. Eu acredito que a transição de um quadrinho do Pixiv para uma série de anime poderia ter sido feita de uma maneira melhor, visto que as piadas (tanto em texto como visualmente) se repetem com frequência e, enquanto no papel temos um resultado diferente, na tela elas podem rapidamente se tornar cansativas. Além disso, a animação é bem simples e não temos tanto foco em character acting como eu gostaria, considerando que em histórias como Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi os personagens e suas interações formam o coração da obra. Mas, bem, não é como se estúdios pequenos como Zero-G e Liber dispusessem de uma grande equipe ou orçamento, então acho que o que eles entregaram está dentro do esperado. Ao menos o character design é bonito e o elenco de dubladores está recheado de nomes famosos na indústria, como Ishikawa Yui, Kobayashi Chiaki, Sakura Ayane e Uchiyama Kouki.

Ao que tudo indica, Koori Zokusei Danshi to Cool na Douryou Joshi será um daqueles animes sem muitas pretensões e que você apenas sentará para assistir e relaxar.

E tá tudo bem com isso.

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Monogatari [Mari]

Monogatari é o filho feio de Natsume Yuujinchou com Shingeki no Kyojin.

O primeiro episódio começa com um flashback da infância do protagonista, Kunato Hyouma, que mostra como um tsukumogami – uma espécie de espírito que é capaz de tomar forma física ao possuir objetos antigos – arruinou a sua família ao matar sua irmã e irmão mais velhos. Desde então, Hyouma desenvolve um ódio mortal por todos os tsukumogami, incluindo aqueles que não são perigosos.

Hyouma faz parte de um dos três clãs que são responsáveis por guiar os tsukumogami, pois a maioria só vai parar no mundo dos humanos sem querer. Em muitos casos, os “exorcistas” não precisam sequer usar violência para selá-los – uma conversa com o tsukumogami é suficiente para realizar o procedimento. Hyouma foi treinado pelo seu mestre para usar a violência como último recurso, mas é óbvio que, devido ao seu ódio pelos espíritos, ele faz dela o seu primeiro. Depois de muitos sermões, seu mestre decide que para mudar a atitude de Hyouma será necessário tomar medidas mais drásticas, e o envia para conviver com Nagatsuki Botan, uma garota que vive com seis tsukumogami. A ideia é que Hyouma perceba que sua abordagem está errada, pois há espíritos que não são nocivos para os humanos – muito pelo contrário, eles podem inclusive ajudar a preservar a humanidade.

Embora a premissa não tenha nada de original, eu tinha me interessado pelo contraste que existe entre os dois personagens principais, e acho que esse conflito de ideias pode nos render discussões instigantes. O problema é que nada em Monogatari é bem executado – Hyouma é um pé no saco, tal qual a sua sósia Eren Yeager, e é difícil simpatizar com ele; as explicações sobre os tsukumogami e os três clãs já mencionados são confusas; e esteticamente o anime é muito feio. Além do character design genérico, a adaptação é nitidamente limitada visualmente, e até os backgrounds são pobres. Para um anime que será carregado pelos seus personagens e suas cenas de luta, isso é um mau sinal. Eu confesso que fiquei bastante decepcionada com o estúdio Bandai Namco Pictures, pois eles haviam acabado de entregar uma belíssima adaptação de Koukyuu no Karasu na temporada anterior. Eu não saberia dizer se as equipes, para além dos cargos principais, envolvidas nas suas adaptações são as mesmas ou se são diferentes, mas a sensação que fica é que eles gastaram tudo de bom com Koukyuu no Karasu e para Monogatari só ficaram “os restos”.

De qualquer forma, eu fiquei com a sensação de que Monogatari era capaz de entregar mais do que vimos no primeiro episódio. Eu ainda darei uma chance para os próximos dois ou três episódios para ver se melhora, pois ao menos o elenco de personagens – com exceção do Hyouma – é divertido, e a Haori é interpretada pela minha seiyuu favorita, Miyuki Sawashiro. Dito isso, eu já me enfiei em muitos buracos por causa de seiyuu nessa vida, e não sei se meu amor pela Sawashiro será forte o suficiente para me manter interessada até o final caso o anime não demonstre nenhum sinal de melhora nos próximos episódios…

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Mou Ippon! [Lucy]

Nossa, que anime bonito.

É sempre um prazer ter uma obra sobre esportes femininos, mas dá alegria demais quando é bem feitinho assim. Dá pra ver que a produção tá se aproveitando bem dos recursos que tem — tem muitos quadros parados e conversas usando chibis, mas mesmo esses momentos ainda estão muito agradáveis aos olhos. Pode ser que seja mais parcialidade da direção por esse ritmo e não uma indicação do estado do estúdio, mas mesmo assim, há um clima muito aconchegante na calma e nas cores quentes desse primeiro momento.

Dentro dos padrões do anime de esporte, a premissa é bem genérica: reviver o clube e participar de campeonatos (pelo menos é o que julgo pela abertura). Já mordi a língua falando isso antes aqui no blog, mas acho que dessa vez acerto que esse é o tipo de anime que você sabe o que vai receber se decidir assistir. Tendo isso dito, sinceramente, fico feliz que a gente pode ter um anime de esporte feminino genérico sim! Não tô nem aí que tem mil iguais masculinos, nenhum deles tem a protagonista desse aqui desmaiando e passando vergonha ao vivo. Já estou na expectativa pelo first win da lenda. Aliás, até a história dela é um pouquinho familiar também: a pessoa que sabe que não é naturalmente talentosa, mas é esforçada e por mais que tente desistir, ainda ama demais o que faz para conseguir largar de uma hora pra outra. É claro que o incentivo das colegas também ajuda… É difícil não se afeiçoar por ela quando você vê o quanto ela gosta de lutar.

Apesar de todos esses lugares comuns do gênero, ainda sinto que tem algo especial aqui. Tem um clima inerente muito gostoso, é bastante relaxante e você sente que a equipe está trabalhando com uma ideia que gosta. Inclusive, vi alguns elogios à animação das lutas de judô que afirmavam que o estúdio entende bem o que está fazendo. Fora isso, assumo que a primeira cena me pegou de jeito quanto ao sentimento de amor pelo esporte que você pratica. Se essa sensação for a mensagem central da obra, vai valer a pena cada episódio. Manterei minhas expectativas altas para o que está por vir!

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Revenger [Mari]

Ah, que saudades que eu estava de ter o meu coração despedaçado pelas histórias do Urobuchi Gen. Bem-vindo de volta, Butcher!

(Não que ele realmente tenha sumido, mas depois dos sucessos de Fate/Zero, Mahou Shoujo Madoka★Magica e Psycho-Pass, ele não conseguiu emplacar outro).

Bem, conhecendo a peça, eu fui ver Revenger já esperando o momento que a desgraça iria acontecer, e é claro que o Butcher não nos decepcionou! De emboscada a assassinato em massa e suicídio, este primeiro episódio teve de tudo um pouco. Fica aqui o meu aviso aos leitores que possam ser sensíveis a estes temas.

Revenger conta a história de Kurima Raizo, membro de um clã de samurais conhecido como Satsuma, e que é ordenado a matar o pai de sua noiva. Como todo bom samurai, Raizo acata suas ordens sem muito questionar, mas após o feito ele se vê incapaz de voltar para casa e encarar Yui. Preso neste limbo, Raizo conhece Usui Yuen, um artesão que também é um mestre assassino frequentemente contratado para investigar o que acontece no submundo da região. Raizo, então, descobre que ele foi traído pelo seu clã, e as batalhas que ele vinha travando tinham motivos e consequências muito maiores do que ele poderia imaginar. Auxiliado por Yuen, Raizo resolve se vingar e, ao completar sua missão, fica sem rumo. Eu imagino que a partir daqui ele se juntará ao grupo de Yuen, que lhe dará um propósito de vida e também uma forma de se redimir pelo crime que cometeu.

A especialidade de Urobuchi Gen é criar personagens com princípios apenas para destruí-los no desenrolar de suas histórias. Ainda que nem sempre tal destruição resulte na morte de seus personagens, eles nunca terminam os mesmos. Estou curiosa para descobrir o que ele planejou para Raizo e companhia, e como ele explorará o mundo dos samurais que ele veio criando até aqui. Afinal, por mais que muito se fale em orgulho de samurai, não é sempre que suas batalhas têm motivos nobres…

Tecnicamente Revenger não dispõe da mesma qualidade de obras anteriores do autor, especialmente se compararmos com Fate/Zero, que estava nas mãos do estúdio ufotable. Dito isso, apesar de termos que ajustar nossas expectativas, eu acredito que o Ajia-Do fará um bom trabalho com Revenger – trabalhos recentes como Kakushigoto e Kemono Jihen não me deixam mentir. Inclusive não posso deixar de parabenizar o character designer Hosogoe Yuuji, pois só tem homem gostoso nessa história – e olha que nem de homem eu gosto!

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Spy Kyoushitsu [Lucy]

Tem algumas obras que se carregam de imediato apenas pela ideia inicial. No caso de Spy Kyoushitsu, a ideia de juntar um grupo de alunas “falhas” para uma missão tão importante é interessante o suficiente para fazer eu me perguntar quais as verdadeiras intenções da organização com isso — ainda mais quando as próprias personagens também levantam suas próprias teorias. Há também o professor que almeja a alcunha de “melhor espião do mundo”, porém igualmente incompetente às alunas quando se trata de didática. E o mais curioso é que normalmente isso seria apresentado como uma comédia, mas até o momento tudo é colocado com a mais pura seriedade de um mistério. Há até mesmo a possibilidade de uma tensão política, considerando o contexto pós-Primeira Guerra Mundial, mas não estou apostando minhas fichas nisso.

O problema é quando acabam não levando essa ideia inicial adiante, e aí ela não aguenta e desmorona sob o resto da obra. Saio do episódio com uma leve aprovação devido ao twist das habilidades da protagonista Lily, assim como as capacidades do professor — de longe a parte mais interessante do episódio —, mas além da tal Missão Impossível e o treinamento para realizá-la, fica a sensação de que falta uma intenção clara de para onde a história seguirá. Fora isso, há a questão do elenco de apoio: ainda não vimos quase nada delas, e as meninas foram apresentadas com uma fala por vez para cada uma, enquanto o nome delas aparece na tela. Longe de ser a melhor escolha, a meu ver. Não lembro de praticamente nenhuma delas… está cedo para julgar muito, mas espero que pelo menos os próximos episódios sejam dedicados às outras alunas antes de entrarmos de vez na missão, porque senão não ia ter diferença alguma se elas estivessem lá ou não.

No lado técnico, só consigo descrever o episódio como “competente”. Não há grandes momentos de animação, mas o character design é bonitinho e gosto do tom mais sóbrio da paleta de cores. Eu até diria que faltou um pouco de energia para melhorar, mas não sei se combinaria com o clima da obra. É preciso também considerar que a preocupação aqui foi introduzir o universo, e talvez a direção se encontre melhor a partir daqui. Vou me manter positiva, mas também não tenho esperanças de que Spy Kyoushitsu será fantástico. Se eu me divertir, já estará valendo.

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Tomo-chan wa Onnanoko! [Ana]

É um tanto difícil eu não pensar que se a gente tirar a heteronormatividade, a premissa da história parece perder um pouco de sentido. Basicamente temos aqui o plot do “ela é apaixonada por ele, mas ele não a vê como uma garota e por isso não retribui os seus sentimentos”. Devo confessar que para um primeiro episódio, de fato algumas situações funcionam como comédia, mas ainda assim fico com o pé atrás.

Nesse episódio fomos apresentados aos protagonistas Tomo e Jun, que são muito amigos desde a infância. Tomo é uma típica garota tomboy, tem cabelo curto, é musculosa, não age de maneira tão delicada…enquanto Jun é mais um protagonista genérico da vida. Para mim ele só parece mesmo ser um tapado incapaz de perceber que a garota está a fim dele, mesmo após se declarar explicitamente e vem com esse papo de “brother” para cima dela. Já no primeiro episódio achei a química da Tomo com a amiga ou o outro personagem secundário (Misaki) muito mais interessante, mas minhas esperanças de algo ocorrer entre ela e Misaki já foram arrancadas de mim tão rápido quanto as criei.

Como comentei anteriormente, de fato houve situações cômicas, embora eu tenha sentido que as cenas se desenvolveram de forma um tanto rápida, com transições um pouco abruptas, e situações repetidas, como a Tomo socando o Jun por qualquer motivo. Tudo isso fez um pouco mais de sentido quando descobri que a obra original é um mangá 4-koma, onde de fato as coisas precisam ter um início e um fim dentro de uma página, assim acredito que não deve ser uma adaptação tão fácil de se fazer, ainda mais se tratando de um estúdio (Lay-duce) que não tem tantas obras em sua bagagem. Levando isso em consideração, até que o saldo é relativamente positivo, só temo que as situações repetitivas acabem perdendo a graça com o tempo.

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UniteUp! [Lucy]

Começa mais uma temporada, e cá estou eu novamente para falar do título idol do trimestre. E é claro que se desta vez temos um produzido pelo queridinho estúdio CloverWorks, ele jamais teria como passar batido aqui, até porque se tem uma coisa que não dá pra falar sobre o episódio é que ele tá feio. A arte é o maior destaque, de longe! Os cenários foram muito bem detalhados, o traço do character design tem uma delicadeza bem agradável e está combinada com uma animação à altura. Em certos pontos, me lembrou um pouco a versão original de The Idolm@ster — o que é um grande elogio, porque acredito que esse é um dos animes mais bem produzidos do gênero. Apesar das apresentações feitas em computação gráfica serem um pouco decepcionantes (considerando que as performances do recém finalizado Bocchi the Rock!, do mesmo estúdio, eram desenhadas à mão), não é aquele CG horroroso mega mecânico. Achei muito bem feito, na verdade!

Há também uma preocupação maior com o enredo do que o anime de idol mediano. Não há aquele clichê de apresentar todos os personagens possíveis de uma vez, como acontece muito no gênero. O episódio todo é dedicado a introduzir o protagonista na indústria musical, dando uma veracidade considerável ao processo. Me incomodou um pouco que o rapaz estava sendo gravado e exposto na internet o tempo todo — ao contrário do coitado, eu ia sim ficar muito brava com o meu amigo que fizesse isso — mas nesse mesmo passo, é legal ter um personagem principal que não seja doido por música, por ser idol, por seguir esse sonho cintilante. Ele tem outros interesses e frustrações anteriores, tem amizades que não estão no ramo, uma vida inteira sem qualquer ligação com esses elementos. Novamente, dá um toque de realismo que eu aprecio muito depois de tantos outros protagonistas seguindo esse pique. É o suficiente para me deixar curiosa sobre as histórias e as motivações dos outros integrantes do projeto, e acredito que a série manterá esse ritmo constante porém moderado.

Tudo aponta para um bom resultado. Se ele mantiver essa direção, acho que poderá até mesmo estourar a bolha dos animes musicais. Entretanto, eu sinto que ainda faltou algo para realmente me capturar. Não sei se é porque de fato estou acostumada demais com a estrutura comum de outras obras sobre idols e acabei estranhando, se é pela parte do show business ainda não ter engrenado, ou se é simplesmente porque o best boy certo para mim ainda não apareceu. Seja lá o que for, espero que os próximos episódios tragam esse fator especial, porque eu quero muito gostar de UniteUp!.

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