Top 25 | Os animes mais subestimados da década (2011-2020)

O tamanho da indústria de animação japonesa é impressionante. A cada três meses, cerca de quarenta títulos são transmitidos pela televisão, com histórias para todos os gostos. Em meio a tantos animes, é lógico que alguns passam despercebidos pelo público, por melhores que sejam.

Na segunda parte do nosso especial sobre os animes da última década, dedicamos nossa atenção à esses títulos injustiçados. Nosso critério para definir o que foi “subestimado” ou não foi a quantidade de usuários listados no site MyAnimeList — que com certeza não é a autoridade máxima no assunto, mas apresenta membros o suficiente para julgarmos se foi só impressão nossa, ou se de fato mais ninguém viu esse anime. Segue a lista das obras que achamos que merecem mais atenção, em ordem alfabética:

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ACCA: 13-ku Kansatsu-ka (2017) [Mari]

Do mesmo estúdio que animou Death Note, One Punch Man, No Game No Life e vários outros títulos que possuem mais de um milhão de membros no MyAnimeList, ACCA: 13-ku Kansatsu-ka conta a história de Jean Otus, vice-diretor do departamento de inspeção da ACCA, um órgão governamental do reino de Dowa que fornece serviços públicos aos cidadãos do país, estabelecido a partir de um acordo de paz entre o rei de Dowa e os 13 estados que integram o seu reino após uma revolta. Com o novo sistema, Dowa tem vivido um período de mais de cem anos de paz, mas internamente existem rumores de que um golpe de estado pode estar por vir, e cabe ao protagonista investigar todas as 13 entidades políticas para verificar a veracidade destes rumores.

Me surpreende que um anime de mistério tão bem feito quanto ACCA: 13-ku Kansatsu-ka seja tão pouco comentado, especialmente por ser de um grande estúdio (Madhouse). A obra é rica em diversidade, mostrando como o reino é composto por diferentes culturas e estilos de vida, e o que não faltam são personagens carismáticos. Além de ser bem animado, ACCA: 13-ku Kansatsu-ka ainda conta com uma belíssima trilha sonora e um elenco recheado de dubladores talentosos. É realmente um crime que este anime não seja minimamente popular!

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Ballroom e Youkoso (2017) [Mari]

Apesar de não contar com a melhor animação que o Production I.G teria capacidade de oferecer, visto seus trabalhos em Haikyuu!!, Kuroko no Basket e Diamond no Ace, Ballroom e Youkoso ainda foi uma das melhores coisas que tivemos em 2017. A obra não só aborda um tema pouco comum aos animes – a dança competitiva – como sabe escrever e utilizar os seus personagens de forma eficiente.

“Principais ou secundários, todos eles possuem uma função na história e são devidamente desenvolvidos para cumpri-la. Explora-se backstories, motivações, perspectivas para o futuro, entre outros aspectos enriquecedores para se construir as relações entre os personagens. Acompanhar o crescimento de Tatara e seus amigos é de uma imensa satisfação.”

Isso foi o que eu disse em minhas impressões finais da temporada de outono daquele ano e acredito que se eu fosse assistir ao anime uma segunda vez, essa percepção manteria-se verdadeira. Para quem gosta do dinamismo de uma obra de esporte e tons de humor, Ballroom e Youkoso é uma excelente pedida.

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Diamond no Ace (2013-2020) [Lucy]

Quem acompanha o Rukh há algum tempo já tem Diamond no Ace como velho conhecido. É figurinha carimbada em várias de nossas listas, mas ainda assim não vamos perder mais uma oportunidade de divulgar a obra!

A história é bem típica para o gênero esportivo — o time de um colégio quer recuperar a glória de seu passado, e seus jogadores se dedicam a serem os melhores possíveis. Clichês à parte, é um anime que entretém bastante, e muito disso é graças a dois fatores: os personagens e a direção. As partidas podem durar vários episódios, mas conseguem evitar a monotonia. Os personagens são desenvolvidos de maneira apropriada, e até os jogadores mais secundários têm seus momentos. Enquanto até fez certo sucesso quando foi lançado, Diamond no Ace ainda é desconhecido pela maioria do fandom. O que é uma pena, visto que é um dos melhores animes do gênero.

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Donten ni Warau (2014) [Mari]

Esta não é a primeira vez que Donten ni Warau aparece numa lista de recomendação por aqui, mas eu faço questão de exaltá-la novamente já que se trata de um dos poucos shoujos históricos e de ação a conseguir uma adaptação para anime. Eu amo absolutamente tudo dessa história: os personagens, a arte, os plot twists, os dubladores. Ainda que não seja a adaptação mais chamativa que o Doga Kobo já fez, ela tem um lugar especial no meu coração e, pela sua qualidade, certamente merece ser mais conhecida.

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Doukyonin wa Hiza, Tokidoki, Atama no Ue. (2019) [Lucy]

Doukyonin, ou My Roommate is a Cat, como também é conhecido, é a montanha-russa mais gentil que eu frequentei na minha vida. Não faltam momentos fofos, mas quando o anime mira no seu coração, ele acerta em cheio. O enredo é simples e não apresenta grandes acontecimentos; seu foco é concentrado no desenvolvimento pessoal do protagonista, impulsionado por sua gata de estimação. Ambos passaram por grandes dificuldades, mas juntos aprendem a lidar um com o outro e com aqueles ao seu redor. Parece clichê, e pode até ser, mas não deixa de ser uma linda história. A direção consegue criar perfeitamente a atmosfera necessária para contar essa jornada, e o resultado é emocionante. Vale a pena dar uma chance, mesmo que você não seja fã de drama… ou de gatos.

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Eizouken ni wa Te wo Dasu na! (2020) [Lucy]

Temos que admitir: boa parte do barulho que Eizouken fez lá no começo do ano foi por causa da (fantástica) abertura e de algumas polêmicas sobre o character design. O anime em si, infelizmente, não teve a mesma repercussão que os memes que vieram dele. Diria que é um cult hit, porque foi muito elogiado pela crítica, mas ainda é pouco conhecido entre o público geral. Sinceramente, isso é uma pena, já que Eizouken é uma das produções com maior espírito criativo que já assisti. Há muito de cativante no anime: a quantidade de detalhes colocados nas cenas, a caracterização do mundo ao redor das personagens, a maneira que a imaginação vívida de Asakusa é expressa.

Não é uma representação fiel da indústria de animes como Shirobako foi, mas ainda é interessante de assistir por esse ângulo. Enquanto Shirobako trata bastante da produção, Eizouken é sobre paixão. É sobre o que motiva as pessoas a quererem fazer animes, e esse sentimento é transmitido com muita força.

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Flying Witch (2016) [Mari]

Em comparação com outros animes iyashikei da lista, eu imagino que Flying Witch seja ligeiramente conhecido, mas nem de longe se fala o suficiente sobre ele. Talvez o problema esteja no estilo da obra, que mesmo para padrões de slice of life, tem um ritmo um tanto lento, o que pode afastar algumas pessoas. No entanto, é justamente isso que torna a obra tão prazerosa: a tranquilidade que nos permite apreciar cada momento da jornada da bruxinha Makoto e suas interações com seus amigos e familiares. Mesmo que não possua um elenco extenso, existe variedade entre os seus personagens. É uma obra engraçada e divertida, perfeita para relaxar.

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Fune wo Amu (2016) [Lucy]

Com um tema tão peculiar, esse é um dos casos onde até que é compreensível a pouca popularidade. Fune wo Amu trata da elaboração de um dicionário, acompanhando a equipe responsável pela tarefa. Enquanto o centro das atenções permanece entre as quatro paredes da editora, os personagens também apresentam vida própria e até recebem certo desenvolvimento. Não ocorre nenhum conflito ou grandes emoções ao longo dos episódios, é tudo muito mundano — mas sem deixar de ser interessante. Talvez esse seja o anime mais realista que já vi, e esse é o grande diferencial da história. É um conteúdo raro de encontrar, ainda mais com um nível decente de qualidade.

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Gakuen Babysitters (2018) [Lucy]

A definição da frase “tão doce que te dá diabetes”.

Gakuen Babysitters é mais um desses animes feitos para relaxar… e nesse caso, morrer de fofura. A história é praticamente inexistente, visto que o foco é em acompanhar o dia-a-dia do “clube de babás” de um colégio, com ocasionais momentos emocionantes, para tocar (mais ainda) o seu coração. Esse “clube de babás”, na verdade, não é nada além do maternal onde ficam os filhos e netos dos professores, onde alguns alunos ajudam com as tarefas. Nosso protagonista Ryuuichi é um desses ajudantes, enquanto seu irmãozinho Kotaro é um dos bebês que precisa tomar conta. O anime não é nada de inovador, mas executa bem o que se propõe a fazer. Minha única ressalva é que algumas piadas e personagens podem ser desconfortáveis, mas suas aparições são raras e rápidas. Fora isso, é uma boa pedida para aliviar a mente depois de um longo dia.

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Gatchaman Crowds (2013-2015) [Mari]

Como eu disse em outra oportunidade:

Gatchaman Crowds é um anime de aventura e ficção científica que envolve seres transcendentais, alienígenas, super-heróis e um dispositivo em formato de livro que, ao ser ativado, transforma as pessoas escolhidas em uma espécie de mecha muito louco. Lendo a sinopse, você definitivamente não sabe o que esperar de um trem desses, certo? Mas eu digo: vai fundo porque vale a pena. Por detrás dessa proposta absurda, a obra original do estúdio Tatsunoko Production na verdade fala sobre política e as implicações que ela traz para as nossas vidas”.

Gatchaman Crowds é uma obra visualmente muito bonita e única que traz questionamentos interessantes sobre o nosso cotidiano, cuja relevância parece ter aumentado ainda mais no momento político conturbado que estamos vivendo.

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Ginga e Kickoff!! (2012) [Mari]

Ginga e Kickoff!! talvez seja a única obra verdadeiramente desconhecida desta lista, pelo menos no Ocidente. Até hoje eu nunca vi uma única alma comentar sobre ela. Imagino que os principais motivos sejam a ausência de uma licença por aqui e o público alvo, que é infantil. É realmente uma pena, pois Ginga e Kickoff!! é um dos poucos mangás de esporte com times mistos a receber uma adaptação para anime e que de fato trata suas personagens femininas com o cuidado e respeito que merecem. É um must-watch para os fãs de animes de esporte.

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Great Pretender (2020) [Lucy]

Um minuto de silêncio por mais uma vítima da infame “Netflix jail”. É a única justificativa que consigo arranjar para Great Pretender não ter tido um sucesso estrondoso. O elenco é carismático, as histórias entretêm, a equipe de produção é recheada de nomes que conseguem demonstrar aqui porque são tão famosos. O lado bom é que a parte final do anime finalmente está chegando à plataforma, então não percam mais tempo para ver essa obra maravilhosa. Como comentei nas minhas impressões finais:

“É divertido assistir eles roubando gente rica e de moral questionável, simples assim. Esse é o melhor jeito que eu consigo descrever a experiência de assistir esse anime: pura diversão. […] Sugiro que confiram logo o anime — muito provavelmente, será uma das melhores coisas que vocês verão esse ano.”

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Hourou Musuko (2011) [Lucy]

Hourou Musuko abordou lá no início da década um tema ainda muito incomum na indústria: transgeneridade, de um ponto de vista sério e humanizado. Enquanto acredito que ele abriu várias portas para hoje podermos ler títulos como Kanojo ni Naritai Kimi to Boku e Fukakai na Boku no Subete wo, não me lembro de nenhum outro mangá sobre o assunto ter sido adaptado para anime após Hourou.

Creio que só isso já deveria ser o suficiente para que mais pessoas considerem assistir esse anime, visto que há cada vez mais uma grande demanda por histórias LGBT+. É claro, alguns aspectos da história já envelheceram bastante nesses dez anos — os personagens apresentam pouco conteúdo fora de seus conflitos de gênero e sexualidade, e isso pode incomodar muitos espectadores — mas ainda é uma história que vale a pena ser assistida. O tema de “crescer enquanto tenta descobrir quem você é e qual é o seu lugar no mundo” é universal. Creio que Hourou Musuko rompe as barreiras do nicho — até mesmo quem não tem costume de assistir animes pode se interessar no título.

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Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru (2018) [Lucy]

Quando comparado a outros animes de esportes, Kazetsuyo tem alguns pontos atípicos. O elenco é composto por universitários, quase todos são iniciantes, suas motivações para se envolverem com o esporte não vão além da necessidade de um lugar para morar. Ainda assim (ou será que por causa disso?), é mais um exemplo de maestria dentro do gênero.

Boa parte do desenvolvimento dos personagens é ligado à corrida, e vale mencionar: todos eles são muito carismáticos e interessantes pelos mais diversos motivos. Dada a natureza de “underdogs” do time, é claro que uma boa dose de drama se faz presente. No entanto, é tudo conduzido de maneira convincente e pontuado pela bela arte e animação. Se for para resumir o anime em uma palavra, diria que ele é bastante “humano”. O senso de união desenvolvido pelo time é tangível e envolvente, e fica difícil não se emocionar à medida que os rapazes se aproximam de seus objetivos.

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Koi wa Ameagari no You ni (2018) [Mari]

Da série: obras que poderiam ter acabado muito mal, mas que o enredo surpreendeu.

Quando eu li na sinopse de Koi wa Ameagari no You ni que a protagonista Akira, de 17 anos, estava apaixonada pelo seu chefe Kondou, de 45, todos os alarmes possíveis soaram na minha cabeça. O problema não era nem a garota gostar de um homem muito mais velho do que ela já que esse tipo de crush é comum na adolescência, mas o meu medo era de que o adulto da relação se aproveitasse desse sentimento e da ingenuidade da Akira para abusar dela. Felizmente isso não aconteceu! Kondou lida com a situação de uma forma madura, em momento algum sequer cogita encostar um dedo na Akira, e a história deles acaba por se transformar em um conto de superação, de retomada de uma paixão que ficara pra trás: Akira com a corrida e Kondou com a literatura.

Koi wa Ameagari no You ni com certeza está entre os animes mais bonitos que o estúdio Wit Studio já adaptou. Não só pela qualidade da animação, mas pela sensibilidade com a qual a equipe conduziu o tema. O diretor Watanabe Ayumu (Major 2nd, Uchuu Kyoudai) e a roteirista Akao Deko (Amanchu!, Flying Witch) em especial estão de parabéns. Aliás, se vocês pesquisarem sobre ela, verão que é um nome recorrente nesta lista…

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Lupin the Third: Mine Fujiko to Iu Onna (2012) [Lucy]

A longevidade da franquia Lupin the Third é impressionante. Chega a ser quase triste, no entanto, como levaram mais de trinta anos para criarem uma história centrada na única personagem feminina do elenco. O lado bom, se é que podemos falar assim, é que a produção compensou um pouco pela demora. O trabalho da diretora Sayo Yamamoto, mais conhecida por Yuri!!! on Ice, trouxe um produto refinado e belíssimo. O ponto alto do anime, sem dúvidas, é sua estética. A arte e atmosfera de Mine Fujiko to Iu Onna são impecáveis.

No tocante ao enredo, a história toma um rumo mais episódico em sua primeira metade, revelando pouco a pouco as peças do passado de Fujiko. É interessante tentar ‘pescar’ o que poderá ou não ser relevante adiante. Apesar de mais raras, as interações entre o grupo de Lupin também são divertidas de acompanhar, e a dinâmica entre os personagens é brilhante. Vale mencionar, aliás, que apesar de todas as outras temporadas, é possível assistir esse anime sem ter conhecimento prévio da franquia. Na verdade, esse foi meu primeiro contato com Lupin! E apesar do tom mais sério do anime, não poderia ter tido uma primeira impressão melhor.

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Major 2nd (2018-2020) [Mari]

Falo com tranquilidade que Major 2nd é o melhor anime de esporte (dentre os convencionais) com times mistos já feito. Eu já tinha gostado da primeira temporada quando tivemos duas garotas desempenhando papéis importantes tanto no time do protagonista quanto no time rival, principalmente por ser num contexto de beisebol, que infelizmente ainda é um esporte majoritariamente focado na performance masculina, mas acabei sendo surpreendida positivamente ao descobrir que na segunda temporada ⅔ da nova equipe do Daigo era formada por garotas. Embora existam diferenças claras entre os garotos e as garotas quando se diz respeito ao condicionamento físico, o autor mostra que elas são sim capazes de competir em alto nível e em pé de igualdade, pois só a força bruta não é garantia de nada no beisebol e pode ser superada com estratégias. Estou ansiosa para ver como será o último ano desses garotos e garotas juntos, já que a partir do ensino médio os times mistos não serão mais permitidos. Espero muito que tenhamos uma terceira temporada!

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Princess Principal (2017) [Mari]

“À sombra da guerra, elas têm apenas um objetivo em mente: completar sua missão.”

Se não fosse a Ange segurando uma pistola no pôster do anime, os desavisados poderiam pensar que Princess Principal seria só mais um caso de CGDCT (Cute Girls Doing Cute Things). Mas, como este detalhe indica, há muito mais por trás desses rostinhos fofos. O grupo de protagonistas é composto por Dorothy, uma motorista experiente e com uma personalidade marcante; Ange, uma mentirosa de sangue frio e atiradora perita; Chise, uma samurai proficiente; e Beatrice, uma especialista em imitação de voz. Juntas, as garotas empregam suas habilidades individuais para que a Commonwealth possa sobreviver em um mundo cercado de conspirações, mistérios e infiltrações.

Princess Principal é um anime original dos estúdios Actas e Studio 3Hz. Não me lembro de ter passado um único episódio sem me empolgar com as excelentes sequências de ação e a trilha sonora que faz você se sentir como se realmente estivesse em um filme.

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Servant x Service (2013) [Lucy]

Mais um slice of life garante seu lugar nesta lista! Servant x Service é uma comédia com uma pitada de romance, ambientada inteiramente numa repartição pública. Muitos comentaristas no MyAnimeList comparam o anime com uma sitcom, e acho que é uma colocação muito apta. Não há enredo aqui; tudo é movido pelos personagens. Logo, a maior parte do humor nasce das interações e dinâmicas do elenco. É claro que cada um tem suas características um pouco exageradas em nome da comédia, mas isso não prejudica a diversão (muito pelo contrário). Novamente, é o tipo de anime para descansar e rir um pouco ao final do dia.

(Um comentário adicional: o mangá original é da mesma autora de Working!!, outra comédia romântica ambientada num local de trabalho, dessa vez num restaurante. Também tem uma ótima adaptação em anime, mas como é da década passada, não conseguimos encaixar nesse especial. Se esse é o seu tipo de história, fica mais essa recomendação!)

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Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu (2016-2017) [Lucy]

Sou muito suspeita para falar de Rakugo. Acho que é uma obra-prima de natureza ímpar. É a vida de um homem profundamente ligado à arte, o último mestre naquilo que faz. É a história de um relacionamento trágico, de uma família incerta, e de novos começos. É também um drama muito bem construído e ritmado. Em 26 episódios, conseguiu contar desde a infância até a morte de um único personagem, com tempo suficiente para trabalhar igualmente aqueles ao seu redor. Tudo isso mantendo um alto padrão, tanto no enredo quanto nos aspectos técnicos. Ainda vou falar um pouco mais sobre Rakugo numa futura postagem do especial (spoiler!), mas adianto uma coisa: é uma das melhores obras que essa década tem a oferecer.

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Uchouten Kazoku (2013-2017) [Mari]

Como eu disse em outra oportunidade, Uchouten Kazoku é uma obra que pode ser um pouco difícil de se engajar pelo fato de ter um enredo que leva tempo para começar a fazer sentido – motivo pelo qual ela te prende, em um primeiro momento, especificamente pela estética. Apesar disso, trata-se de um anime extremamente divertido, contando o dia a dia dos irmãos Shimogamo e suas lutas diárias, ao mesmo tempo em que se aproximam da verdade sobre a morte de seu pai. A obra é competente ao desenvolver seu enredo, balanceando o drama e a comédia de modo eficaz, sem perder a seriedade e entretendo seus espectadores. Embora não seja um anime original, eu o colocaria como uma das obras mais criativas que o P.A. Works já produziu.

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Udon no Kuni no Kiniro Kemari (2016) [Mari]

Você gosta de animes no estilo de Amaama to Inazuma, Barakamon ou Usagi Drop (vamos fingir que a segunda parte do mangá não existe)? Se sim, Udon no Kuni no Kiniro Kemari foi feito pra você.

Udon no Kuni no Kiniro Kemari conta a história de Tawara Souta, que resolveu dar uma pausa em seu trabalho em Tóquio e retornar à sua cidade natal em Kagawa. Embora seus pais não estejam mais por perto, sua antiga casa e o restaurante udon da família o lembram dos tempos em que eles ainda estavam juntos. Relembrando sua infância, Souta entra no restaurante e encontra um menino sujo dormindo. A princípio, ele não pensa muito sobre a situação e fornece comida e roupas para o menino, porém logo descobre que ele é na verdade o suposto tanuki metamorfo que habita Kagawa há muitos anos. Vendo a vida solitária que ele vinha levando, Souta resolve acolhê-lo e chamá-lo de Poko.

Udon no Kuni no Kiniro Kemari é aquele tipo de obra que te faz ficar com o coração quentinho. Meus níveis de dopamina subiam em 100% a cada novo episódio que eu assistia. Ah, e a música de abertura é maravilhosa!

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Yagate Kimi ni Naru (2018) [Mari]

Não é como se nossas opções fossem muitas, mas Yagate Kimi ni Naru ainda se sobressai pra mim como o melhor anime Yuri da década. Embora não fuja do padrão escolar inicialmente, a obra faz questão de normalizar o amor entre mulheres na vida adulta também, mostrando em diversas ocasiões o casal formado pela professora das protagonistas e a dona da cafeteria que elas visitam. Além de ter uma narrativa um pouco diferenciada ao explorar o ponto de vista de quem é “gostado” e não de quem “gosta” como tema central, YagaKimi é uma belíssima jornada de autoconhecimento e aceitação. O estúdio TROYCA fez um ótimo trabalho com a adaptação, o que inclusive coroou o anime como um dos mais populares de 2018 no Japão. Adoraria que ele se tornasse mais conhecido no Ocidente também!

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Yowamushi Pedal (2013-2018) [Lucy]

De todos os animes mencionados nesta lista, talvez Yowamushi Pedal seja o mais famoso. Ainda assim, me surpreende que ele não chegou ao mesmo nível que alguns de seus contemporâneos, como Haikyuu!! ou Free!. Talvez tenha sido pela quantidade maior de episódios, ou por ser sobre um esporte ligeiramente menos familiar ao público, mas com certeza não foi por causa de falta de qualidade.

A história é limitada, focando em campeonatos estudantis, e o padrão da animação decai ao longo das temporadas, mas é inegável como YowaPeda conseguiu cativar seus fãs. O anime não hesita em levar o tempo necessário para desenvolver seu elenco e a relação entre os personagens. O resultado é que todos os rapazes são muito bem desenvolvidos, com personalidades que vão além de “tipos” (o capitão, o gênio, etc). É o que leva o clichê do “poder da amizade/união” a ser trabalhado de maneira fantástica aqui, sem forçar a barra ao ponto do ridículo. As corridas ganham o peso necessário para que você se importe com o resultado delas. Tudo é apresentado de maneira que te prende ao anime e te faz torcer de verdade pelo time. Apesar da cadência lenta, há um ritmo constante, e é isso o que torna Yowamushi Pedal tão gostoso de assistir.

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Yuukoku no Moriarty (2020) [Mari]

Eu não pretendia colocar um anime que ainda está em andamento nesta lista, mas aí eu vi que Yuukoku no Moriarty não está nem nos dez primeiros animes mais assistidos dessa temporada. Como assim?! No quesito qualidade, pra mim está disputando com Jujutsu Kaisen pelo título de AOTS (Anime of the Season). Será que é porque Yuukoku no Moriarty não esconde que é contra o sistema de classes e os otakus metidos a capitalistas (kkk) não gostaram disso? Fica aí o questionamento. Falarei dele com mais detalhes nas minhas impressões finais da temporada, mas adianto: tem uma das melhores OSTs do ano, ótimos personagens e é muito bem animado. Os pontos levantados pelo autor são absolutamente necessários ao debate político, seja na Inglaterra do século XIX ou no Brasil de hoje.

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