Especial | Pride Month 2021: conheça a equipe do blog e 21 obras LGBTs que você não pode deixar de conferir!

Embora 2021 venha sendo difícil devido à incompetência do governo brasileiro para gerir a crise do Covid-19, ele se trata de um ano especial para o blog, pois em 29 de abril completamos cinco anos de existência! Infelizmente não conseguimos fazer um post comemorativo para a data, porém agora que arrumamos um tempinho, resolvemos aproveitar que junho é o mês do Orgulho LGBT para contar um pouco da história da equipe, como membros da comunidade LGBT e fãs de anime, assim como suas experiências com o Rukh no Teikoku.

Sabemos que apesar de a situação ter melhorado nos últimos anos, o mundo otaku/geek/nerd ainda é muito conservador e, por diversas vezes, hostil com indivíduos LGBTs. Sendo assim, é importante que ocupemos esses espaços e mostremos que a nossa comunidade deve ser plural e que não há lugar para o preconceito aqui. O Rukh no Teikoku se orgulha de ser um blog feito por pessoas LGBTs apaixonadas por anime desde a sua concepção e, embora tenha uma visibilidade modesta, ficamos felizes de poder contribuir com essa causa. Que venham mais cinco anos!

download20210604211306Mari

Fundadora, Editora-Chefe, Redatora, Tradutora

Hoje, olhando para trás, eu consigo pensar em vários momentos em que a minha eu adolescente demonstrou indícios de gostar de garotas. Fosse assistindo a um filme qualquer onde uma cena inesperada em que duas garotas se beijavam me fez sentir coisas, ou repensando os relacionamentos que eu tinha com as minhas amigas lá pelos últimos anos do ensino fundamental, e até mesmo as minhas crushes em mulheres famosas (Fergie, Katy Perry, Angelina Jolie…), chega a ser cômico pensar que eu só fui realmente aceitar essa atração aos 15 anos de idade. Desde então, eu tenho apenas duas certezas na minha vida: a de que eu vou morrer um dia e a de que eu gosto de garotas. Quanto aos homens, eu honestamente não tenho certeza, especialmente por também estar no espectro demissexual. Sendo assim, eu não costumo me identificar como lésbica; prefiro utilizar os termos “gay” ou “queer”, que funcionam como bons guarda-chuvas. Em português, no entanto, se estou em um ambiente distraído ou entre amigos, também me sinto confortável com a gíria “sapatão”. Ah, e a essa altura não deve ser novidade para ninguém, mas eu e a Ana estamos juntas há seis anos! 🙂

download20210604211449Em relação à minha história como fã de anime, bem, como toda criança que cresceu nos anos 90 e 2000, eu costumava assistir ao que passava na TV: Pokémon, Digimon, InuYasha, Dragon Ball, Beyblade e Yu-Gi-Oh! são as séries das quais tenho lembranças mais vívidas. No entanto, eu não enxergava esses desenhos como diferentes das produções ocidentais, nem sabia que eram de fato “anime”. Esta percepção só veio aos 15 anos, quando durante uma aula de artes a professora pediu que desenhássemos algo em estilo mangá e nos deu alguns exemplos de obras nas quais poderíamos nos inspirar. Logo de cara eu reconheci o InuYasha, que era o meu desenho favorito quando criança, e comentei com a colega que estava sentada ao meu lado. Foi aí que eu descobri que ela já era otaku e que vários dos nossos amigos em comum também eram! Então, após eu e ela decidirmos reassistir InuYasha do início e dessa vez em sua versão original, aos poucos eu fui apresentada a diferentes obras populares da época e comecei a acompanhar animes por temporada, dos quais nunca mais larguei, e cá estamos nós, quase 10 anos depois, seguindo firmes e fortes!

Magi.The_.Labyrinth.of_.Magic_.full_.1340158Eu criei o Rukh no Teikoku em 2016, uma época em que eu não estava muito bem da cabeça e inclusive fui obrigada a dar uma pausa na faculdade. Esse blog se tornou o meu refúgio, um lugar onde eu podia falar abertamente sobre as coisas que eu gostava e as causas que eram importantes pra mim, assim como ajudar outras pessoas e fazer novas amizades. Me manter ocupada com algo que eu amava foi essencial para a minha recuperação! E, embora eu não seja mais tão ativa aqui quanto gostaria, eu me sinto muito grata por tudo que conquistamos nesses cinco anos. Eu aprendi bastante pesquisando para escrever postagens e interagindo com diferentes pessoas, por exemplo. O Rukh é um lugar único e especial pra mim e espero poder mantê-lo por muito tempo!

Finalmente, sobre as minhas obras preferidas, concordamos que nossas escolhas não necessariamente precisariam ser animes e mangás, portanto outras mídias asiáticas, como doramas, manhwas, manhuas, jogos e outros, desde que tenham elementos LGBTs importantes também são elegíveis. Para o meu Top 10 eu escolhi dois animes, um OVA, um filme, três mangás e três webtoons.

ASAGAO-TO-KASE-SAN1) Asagao to Kase-san. (OVA + Mangá)

Kase-san é possivelmente o meu Yuri preferido de todos os tempos. Não por ser revolucionário ou algo do tipo, mas porque é uma obra que tem ocupado um lugar especial no meu coração nesses mais de 10 anos em lançamento. Embora tenha lá os seus defeitos, eu gosto muito de ver o quanto as protagonistas amadureceram ao longo dessa jornada, inclusive permanecendo juntas do ensino médio à faculdade, uma coisa que não é muito comum em histórias do gênero (normalmente as obras terminam quando as personagens resolvem ficar juntas no colegial e o resto fica por conta da nossa imaginação). Também gosto de ver o quanto a autora Takashima Hiromi evoluiu com o passar dos anos, sobretudo em relação à arte do mangá. Kase-san é o tipo de obra que me deixa com o coração quentinho e que eu não quero que acabe. Os volumes que importei dos EUA com muitas lágrimas, sangue e suor, aliás, são os mangás mais queridos da minha coleção. Torço muito para que tenhamos uma continuação em anime e que mais pessoas conheçam essa obra maravilhosa!

Licenciado por: HIDIVE (OVA) e Seven Seas Entertainment (mangá) [ambos em inglês]

top-10-animes-saint-valentin-Given2) Given (Anime + Filme + Mangá)

Se eu tivesse que resumir Given em poucas palavras, eu diria que a obra apresenta tudo o que eu sempre quis ver em uma história do gênero. Assim como na vida real, não existem pessoas perfeitas, e eu gosto de como a autora contrasta as personalidades e sentimentos de seus personagens. Kizu Natsuki é uma exímia escritora e o anime realmente conseguiu dar vida à sua criação, captando as emoções que já estavam presentes no mangá, mas agora com dubladores que caíram com uma luva em seus respectivos papéis e uma trilha sonora maravilhosa. Mesmo com as limitações do estúdio Lerche, seja em questão de recursos ou mesmo de tempo, como foi no caso do filme, Given é sem dúvidas uma das melhores obras que eu assisti nos últimos anos.

Licenciado por: Crunchyroll (anime e filme) e NewPop (mangá) [ambos em português]

cover3) Lily Marble (Mangá)

Até hoje eu sinto uma dorzinha no coração quando lembro que Lily Marble foi praticamente cancelado pela sua editora, que forçou a autora a terminar a sua história na metade, fazendo com que apenas dois dos quatro casais tivessem um desenvolvimento apropriado. É realmente uma lástima, pois fica nítido com o timeskip no final do mangá que a Kisugae tentou amarrar as coisas da forma que dava, mas mesmo assim ficamos com um gosto amargo na boca ao ver tanto potencial sendo jogado fora. Dito isso, aquilo que ela de fato conseguiu concluir foi muito bem feito e vale a pena dar uma lida. Kisugae trabalha com diversos temas da vida adulta, alguns inclusive polêmicos, como traição e tradições sufocantes da sociedade japonesa, e a arte é de tirar o fôlego! Realmente espero que ela tenha mais oportunidades no futuro para poder desenvolver as suas histórias da forma que gostaria.

Licenciado por: Manga.Club [em inglês]

134) Moonlight Garden (Manhwa)

Moonlight Garden é um dos meus manhwas preferidos não só dentro do GL, mas de uma maneira geral. Eu sempre gostei de obras que retratam períodos históricos e os elementos de fantasia que foram incluídos pela Kang Unnie no roteiro se mesclaram muito bem com a proposta da obra. Falo com tranquilidade que Moonlight Garden é um excelente manhwa do começo ao fim, e que a artista MissPM é uma das melhores que essa indústria já viu.

Licenciado por: Lezhin e Tapas [ambos em inglês]

81-xglxc72L5) Octave (Mangá)

Octave é a obra mais antiga dessa lista. Se não me falha a memória, foi o primeiro drama que realmente me pegou de jeito com tamanha carga emocional enquanto eu ainda engatinhava como leitora de Yuri. Pode ser que em uma releitura eu já não ache a obra mais tão incrível assim, não só por ter uma arte extremamente simples, como é perceptível, mas também por correr o risco de ter ficado datada. Ainda assim, é um mangá que traz discussões importantes sobre sexualidade e vida adulta, e que foi importante para o meu próprio processo de autoaceitação na época em que li.

Licenciado por: Planeta Cómic [em espanhol]

442331-352x5006) Sweet Guilty Love Bites (Mangá)

Apesar de ser curtinho (o mangá é composto por apenas três capítulos), eu me lembro até hoje da marca que Sweet Guilty Love Bites deixou em mim. Foi a primeira obra da Amano Shuninta que eu li e não demorou muito para que ela se tornasse uma das minhas mangakás preferidas do gênero. A Shuninta tem um arcabouço enorme e é especialista em nos fazer chorar (seja de rir ou de tristeza, às vezes tudo numa mesma obra). No caso de Sweet Guilty Love Bites, eu realmente amo de paixão a Parte B, intitulada “Guilty Love”.

Licenciado por: TAIFU COMICS [em francês]

037) The Third Party (Manhwa)

The Third Party é a minha obra preferida da Enjelicious (ou só ENJ), uma autora filipina que tem ganhado cada vez mais visibilidade desde que começou a trabalhar com o LINE WEBTOON, onde ela lança seu quadrinho atual, Age Matters. A ENJ é mais um caso de artista que se destaca não só pela excelente qualidade de seus desenhos, mas também pela profundidade de seus enredos. Ela gosta bastante de trabalhar com narrativas não-lineares e soltar dicas no decorrer dos capítulos que, mais pra frente, farão todo o sentido pro leitor, que poderá ou não exclamar o famoso “eu sabia!”. Poder acompanhar as suas obras semanalmente é uma experiência muito divertida, embora as dicas sejam mais fáceis de se pegar quando você faz uma leitura contínua da história. De qualquer forma, The Third Party tem de tudo um pouco: triângulos amorosos, tretas milionárias, críticas a tradições ultrapassadas etc. Só é uma pena que o manhwa não tenha sido mais longo, pois eu fiquei com um gostinho de “quero mais”!

Licenciado por: Lezhin [em inglês]

81objDf8omL8) Umibe no Étranger (Filme + Mangá)

Umibe no Étranger é sem dúvidas um dos filmes mais bonitos que eu assisti nos últimos tempos. Eu escrevi extensivamente sobre ele na resenha crítica que publiquei em março deste ano, então vou redirecioná-los para lá:

Resenha | Homofobia internalizada, relacionamentos conflituosos e o processo de autoaceitação em Umibe no Étranger

Licenciado por: Seven Seas Entertainment (mangá) [em inglês]

 

8f8200ebda0a685e4dda562b51f08d73a7c43fea_hq9) What Does The Fox Say? (Manhwa)

What Does The Fox Say? foi o primeiro contato que eu tive com os manhwas lá no longínquo ano de 2015… E caras, que experiência foi essa! Talvez um dos motivos de eu ter gostado tanto de Given foi porque eu li WDTFS antes, que tem uma vibe muito semelhante àquilo que Kizu Natsuki faz (sabe, aquele negócio de trabalhar com personagens imperfeitos, enfrentar dificuldades da vida adulta, descobrir-se a si mesmo e tudo mais?). A diferença é que o Team Gaji faz isso de uma maneira muito mais crua que a autora de Given e a parte erótica da coisa também é muito mais frequente e explícita em WDTFS. Apesar dos trancos e barrancos que as autoras tiveram que passar durante a publicação do quadrinho (mudança de plataforma, relicenciamentos etc.), elas conseguiram entregar uma verdadeira obra-prima, e às vezes eu me pego desejando que WDTFS nunca tivesse acabado apesar de ter um final amarradinho, pois foi uma experiência realmente incrível.

Licenciado por: Tappytoon [em inglês]

EB_K2NkUcAAiuBM.jpg large10) Yagate Kimi ni Naru (Anime + Mangá)

Eu posso soar um pouco emocionada ao dizer isso, porém na minha opinião Yagate Kimi ni Naru se consolidou como um dos Yuris mais importantes dos últimos anos. Não só pelas mensagens que a obra passa, mas também pelo sucesso que fez no mundo todo: além de ser um dos mangás mais populares do gênero no Japão e ter ganhado um anime que esteve no Top 10 dos mais assistidos no ano em que foi lançado, a versão em inglês do mangá, feita pela Seven Seas Entertainment, esgotou em mais de uma ocasião e, para a surpresa de todos, até para o Brasil ele veio! Não há dúvidas de que YagaKimi ressoou com o público LGBT de uma forma que nenhuma outra obra recente conseguiu e eu realmente espero que todo esse sucesso signifique que teremos uma continuação em anime!

Licenciado por: HIDIVE (anime) e Panini (mangá) [em português]

Ana

Co-fundadora, Redatora

Primeiramente, pra tudo isso fazer sentido, já começo dizendo que sou a anciã dessa formação do blog, com meus quase 29 aninhos. Diferentemente de muitas vivências e até mesmo das histórias que ouvia na época em que eu comecei a questionar a minha sexualidade – o que só me deixava ainda mais confusa – durante muito tempo não havia um sinal muito marcante de que talvez eu estivesse fora da heteronormatividade. Desde criança, além do fato de eu nunca ter gostado da cor rosa, sempre estive muito dentro do padrão do que é considerado feminino. Isso seguiu também na minha adolescência, e só havia uma coisa que era vista como muito estranha: eu não conseguia gostar romanticamente de ninguém. Mesmo que eu me relacionasse com meninos, eu não sentia absolutamente nada romântico por nenhum deles.

Eu acredito que tive muita influência do meio em que estava inserida, um contexto extremamente religioso em uma cidadezinha minúscula do interior, numa época em que as referências que eu tinha eram basicamente todas heterossexuais. As que não eram, iam para o outro extremo, como a “lésbica caminhoneira”, com o qual eu também não me identificava. Apenas quando eu comecei a ter mais contato com a internet, e com o mundo em geral fora da minha bolha, que eu percebi que talvez eu não tinha uma incapacidade de me apaixonar, eu só não estava olhando para meninas como uma possibilidade, porque nunca me passou pela cabeça ser uma possibilidade. Foi por volta dos 18 anos, na mesma época que eu rompi com minha religiosidade e mudei de cidade pra fazer faculdade, que eu comecei de fato a questionar a minha vida toda. Mal sabia eu que sim, meninas não apenas seriam uma possibilidade, como se tornariam minha única possibilidade.

Na época foi um processo bem difícil, porque a sensação de não pertencimento era muito grande tanto no meio heterossexual, quanto em relação às pessoas LGBTs que comecei a conhecer. Hoje conheço diversas histórias de descobertas tardias da sexualidade, mas na época as narrativas do “eu sempre soube”, as experiências, tudo era muito diferente do que eu vivia, e por isso levei muito tempo para realmente me entender e me aceitar. Por um período cheguei a pensar que eu poderia ser bi, mas depois entendi que relações com homens realmente não iam funcionar pra mim, e foi só beirando meus 20 anos que realmente me entendi como lésbica e atualmente, como a Mari já disse, namoramos há mais de seis anos. ❤

Pretty Guardian: Sailor Moon: 1 | Amazon.com.brPor mais que eu conhecesse os animes que passaram na TV quando eu era criança, como Pokémon, Digimon, Dragon Ball, Sailor Moon e Sakura Cardcaptors, eu acabo não considerando muito porque ou eu não lembro nada do que eu vi ou simplesmente odiava, como o caso de Dragon Ball. Então digo que minha história com animes começou mesmo no meu último ano do ensino médio (2009). Uma menina que era nova na turma já era bem otaku, vivia levando mangás pra ler etc, então eu e uma outra amiga nos interessamos e juntas vimos o primeiro anime com áudio em japonês. A gente assistiu Vampire Knight, porque essa nossa amiga amava e um tempo depois assisti Strawberry Panic! (a sapatão dentro de mim já tava gritando) e mais alguma coisa ou outra nessa época. Depois que terminei o ensino médio, fiquei um tempo meio afastada e só por volta de 2012 eu passei a me interessar novamente, minha irmã também via algumas coisas, tentou me arrastar pra ver Naruto, mas eu fugi. O que me fez voltar de vez foi Fairy Tail. Eu já estava na faculdade, mas dei um jeito de maratonar uns cento e tantos episódios que tinham na época, e comecei a ver novamente um anime ou outro, mas foi quando conheci a Mari, que ela me afundou de vez no buraco de assistir um milhão de coisas por temporada e cá estou eu.

Eu meio que fui arrastada para o blog por ser namorada da criadora, haha… A gente se conheceu porque eu escrevia fanfic de Fairy Tail, mas mesmo assim eu sinto que a escrita não é tanto meu forte. Tentei escrever um post ou outro no começo, mas não deu muito certo, então segui apenas fazendo as impressões dos animes da temporada, o que já é um grande feito pra mim!

Eu brinquei que a Mari já tinha colocado todas as obras que eu queria falar, mas depois de vasculhar o meu cérebro, achei diversas coisas que poderia citar aqui. Infelizmente, muitas delas não são propriamente LGBTs, apenas tem um certo subtexto, então no fim, eu trouxe um filme, um anime e três webtoons.

The Handmaiden, Chan-wook Park – 24fps1) The Handmaiden (Filme)

Acho que essa é a única recomendação daqui que não é 2D, né? The Handmaiden (A Criada, em português), é um thriller psicológico erótico sul-coreano de 2016 que se passa na Coreia sob o domínio colonial japonês. Um vigarista atuando como “Conde Fujiwara” planeja seduzir Hideko, uma herdeira japonesa, e se casar com ela, para no fim roubar sua herança. Ele traz a Sookhee para ser empregada de Hideko e encorajá-la a se casar com ele. Só que… Bem, as duas se pegam… Não quero dar muitos detalhes, porque o que mais tem nessa história é reviravolta. Subdividido em três partes, até os últimos minutos, você nunca sabe quem é que está de fato sendo enganado (quem está assistindo, obviamente!). Por mais que seja relativamente longo, é um filme que prende muito, e vale muito a pena, só fiquem atentos à classificação etária!

*Esteve disponível para assistir na Netflix, porém não está mais no catálogo. 😦

Oshi ga Budoukan Ittekuretara Shinu Batch Subtitle Indonesia [x265] -  Samehada2) Oshi ga Budoukan Ittekuretara Shinu (Anime)

Eu realmente pensei duas vezes antes de colocar OshiBudo na minha lista, porque ela é uma daquelas obras que não deixa a coisa extremamente explícita, apesar de não há nenhuma explicação heterossexual para o que existe entre Eripiyo, a garota que é obcecada pela sua idol favorita, e Maina, uma integrante secundária de um grupo de idols. A obra foca mais na interação de fã e ídolo, mas é inegável que o coraçãozinho delas bate mais forte uma pela outra. Sem contar que é realmente muito engraçado e bonitinho e também temos mais um casalzinho composto por duas outras integrantes do grupo, então é só amor.

Licenciado por: FUNimation [em inglês]

Ring My Bell by Yeongol - Manga3) Ring My Bell (Manhwa)

O início de Ring My Bell foi um dos mais engraçados que já vi (rindo da desgraça da protagonista? Provavelmente!), e ele me conquistou logo de cara. Uma quadrinista que precisava criar um romance abruptamente levou um pé na bunda da sua ex. Ela acaba se esbarrando com a sua vizinha, que deixa cair um panfleto completamente homofóbico. A menina fazia parte de um clube cristão na faculdade, mesmo não sendo realmente homofóbica, e nunca tinha passado pela sua cabeça se envolver com uma mulher (nossa, parece a história de alguém, né? Haha). As duas fazem um casal muito bonitinho, o desenrolar da história é bem cativante e temos também personagens secundários ótimos! Recentemente a autora, Yeongol, lançou uma short story (Outro), com uma história com uma pegada mais pesada, mas está disponível apenas em coreano por enquanto.

Licenciado por: Tapas [em inglês]

NEW RELEASE: Two Birds in Spring – YOUR FANTASY, OUR CONTENT4) Two Birds in Spring

Dor! Se tivesse que resumir essa história em uma palavra, seria isso que eu diria. Dá tanta coisa errada, desde o passado da Sena repleto de bullying escolar, homofobia, a heterossexualidade compulsória que ela se forçou a aceitar depois de quase desistir de viver… Até quando as coisas parecem que finalmente vão dar certo entre ela e a Jinri, somos surpreendidos… Mas enfim, sem mais spoilers! Só queria dizer que Minguk23 está de parabéns em nos tirar as mais diversas emoções em Two Birds in Spring, e as cenas mais… quentes, digamos assim, também são ótimas.

Licenciado por: Lezhin [em inglês]

Kuru (working again) on Twitter: "Season 2 full banner #mageanddemonqueen  #webtoon… "5) Mage and Demon Queen

Para quem gosta de uma história engraçada e repleta de elementos de fantasia, essa aqui é ótima. A webtoon criado pela filipina Kuru (Color-LES) traz uma maga aventureira, Malori, cujo maior objetivo de vida é conquistar a rainha demoníaca Velverosa. E Malori é uma pessoa bem persistente, porque olha… É de perder as contas a quantidade de vezes que ela supera todos os obstáculos para chegar até Vel, mas… As coisas não saem como ela planejou. Quando a gente conhece a Vel, consegue entender perfeitamente as motivações da Mal! Haha…  Essa é uma história bem longa, ainda em lançamento, e o desenvolvimento não é dos mais rápidos, mas Malori e Vel fazem um casal inusitado e que ao mesmo tempo combinam tanto que não tem como não se apaixonar por elas e querer devorar os capítulos!

Licenciado por: LINE WEBTOON [em inglês]

índiceLucy

Redatora

A minha trajetória de descoberta foi um tanto confusa. Desde bem pequena sempre tive trejeitos e gostos tipicamente “masculinos”, então cresci sendo provocada por isso e tendo minha sexualidade posta em cheque antes mesmo de eu saber o que era se interessar por alguém. Quando cheguei na adolescência, me apaixonei por um menino e namoramos por certo período — fiquei de certo modo até aliviada, porque era uma prova de que sim, eu gostava de meninos, apesar de nenhum em particular ter me interessado antes disso… até que eu me apaixonei pela minha melhor amiga de infância e tive que encarar e aceitar que era possível que eu não gostasse de meninos.

Juro que foi muito mais complexo que isso, mas não temos espaço para esse drama todo aqui. O resultadodownload20210604211449 foi que tudo começou a fazer sentido quando eu cheguei na definição de assexualidade, porque tirando essas duas pessoas, eu realmente não tinha sentido mais nada por ninguém, independente do gênero. Por um bom tempo, me identifiquei como assexual panromântica, mas como esses são termos que boa parte da população não conhece, quando me perguntavam, eu respondia que era bi. Ao longo dos anos, peguei afeição pelo rótulo… ainda tenho uma certa relutância em largar uma identidade que me deixou tão confortável por tanto tempo, então atualmente, se pedirem para eu me definir, falo que sou queer, simplesmente por não conseguir decidir. Que irônico, não?

Aliás, no final eu consegui aceitar meus sentimentos e tudo o que eles queriam dizer sobre mim, e após muitos acontecimentos dignos de fanfic, estou com a minha melhor amiga de infância até hoje (já faz sete anos desde então). Ela faz artes sáficas maravilhosas, então talvez você deveria conferir o Twitter dela! É só uma sugestão. 😉

Chrono Crusade, Vol. 1: Moriyama, Daisuke, Moriyama, Daisuke:  9781413900842: Amazon.com: BooksJá a minha trajetória com os animes é um ponto totalmente fora da curva. A única das grandes séries populares que assisti foi Pokémon, e mesmo assim muito pouco porque só tinha alguns VHS dos primeiros episódios. Um dos motivos para isso é que sou a caçula do blog (22 anos), então as maiores febres dos animes ocorreram quando eu ainda era literalmente um bebê… e o outro motivo é azar mesmo: estudava de manhã e não tinha TV a cabo. Logo, não deve surpreender tanto quando eu falo que meu primeiro contato oficial foi quando uma colega de turma da quarta série (ou quinto ano, para quem é mais novo ainda do que eu) me emprestou um volume de Chrno Crusade pra eu ler durante uma aula. Eu não lembro nada de Chrno Crusade, só que tem uma freira e que adorei aquele volume que eu li, então comecei a pegar os volumes seguintes emprestado com ela todo mês. Isso foi mais ou menos na época que Naruto estava estourando, e ela também colecionava o mangá. Pedi emprestado para ver se era tão legal assim, e aí… o resto é história. Passaram-se doze anos e eu já gastei mais da metade da minha vida consumindo animes e mangás.

Antes de entrar para a equipe, eu já conhecia boa parte do pessoal do Rukh pelo Twitter. Se não me engano, fiz amizade com a Mari porque ela precisava de ajuda para baixar um negócio e eu me prontifiquei. De conversa em conversa, no início de 2020 ela me convidou para escrever as impressões iniciais de A3! Season Spring & Summer, que a essa altura já era meu fandom principal há algum tempo. Nisso acabei escrevendo sobre mais algumas coisas aqui, e ajudei com outras ali, e quando vi, estava escrevendo meu magnum opus: comparando um anime ruim à miojo queimado. A vida realmente dá voltas.

A minha escolha de obras não foi só na base da preferência, mas algumas entraram por importância pessoal. Também incluí recomendações gerais! Preciso ressaltar que ao elaborar a lista, reparei o quanto eu gosto de obras que trabalham com subtexto, como Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. Também pensei em séries com muito shiptease e fandom LGBT expressivo, como Love Live! (que inclusive me ajudou muito com minha descoberta e aceitação). No entanto, como não são histórias explicitamente LGBT, preferi por não incluí-las na lista.

Meg㋐n @🚒Promare🔥+🥒👮🏾‍♂️Sarazanmai👮🏻‍♂️ on | Anime, Memes engraçados  e Fandom1) Sarazanmai (Anime)

Eu comentei brevemente sobre Sarazanmai durante o nosso especial de melhores da década, mas não mencionei sobre a presença LGBT na obra (se bem que isso já é esperado, visto que é um anime do Ikuhara). Temos personagens abertamente queer, com suas paixões e relacionamentos canônicos tomando destaque ao longo dos episódios. Um dos sub-arcos da série é uma analogia ao tratamento da indústria de animes a obras que contenham personagens explicitamente gays, e recomendo essa thread caso isso tenha te interessado — mas cuidado, porque é coberto de spoilers até o último episódio da série. E se quiser assistir ao anime, cuidado também, porque não é a coisa mais safe for work do mundo.

Licenciado por: Crunchyroll [em português]

Shoujo Ai — can you recommend me a manga or manhwa... the top...2) Tamen de Gushi (Manhua)

Com certeza você já viu gente usando metadinha desse manhua — e eu também sou culpada desse crime. Apesar do enredo já não andar há um tempinho, Tamen de Gushi foi uma das obras importantes para mim durante meu processo de aceitação. A obra, completamente em formato de tirinhas, narra a evolução do relacionamento entre duas meninas, de estranhas à namoradas. Vários capítulos desviam dessa rota, então a progressão lenta pode ser um problema para alguns, mas eu acho que ainda vale a pena porque esses extras em sua maioria ou são engraçados ou são muito fofos.

*Infelizmente não foi licenciado por nenhuma empresa ocidental.

Naoko Yamada Oyuncu3) Kobayashi-san Chi no Maid Dragon (Anime)

Adianto que eu sei que Kobayashi-san tem um monte de questões problemáticas e que não é lá o pico da representatividade, mesmo que o anime já seja bem melhor que o mangá original em ambos os quesitos. Porém ele tem algo a favor dele que nenhuma outra obra tem: é o anime favorito da minha mãe. Assistimos juntas (ela sentou do meu lado quando comecei o primeiro episódio e quis ver todo o resto) e ela adorou. Isso já foi depois que eu saí do armário e assumi meu relacionamento para ela, mas ainda teve algo de muito mágico em vê-la morrendo de amores por uma família com duas mães. Fora isso, tirando os momentos estranhos, de fato a obra é recheada de cenas adoráveis e personagens marcantes. Tudo isso com nenhuma explicação heterossexual para nada, em momento nenhum! Mesmo com algumas ressalvas, ainda vale a menção.

Licenciado por: Crunchyroll [legendado e dublado em português]

Yaoi no Sekai: Bokura no Shokutaku4) Bokura no Shokutaku (Mangá)

Se minha indicação anterior já não denunciou isso, deixo explícito aqui: amo histórias de casais gays cuidando de crianças. Bokura no Shokutaku tem apenas um volume, mas é super eficaz em aquecer o coração nesse breve espaço. O foco não é inteiramente no romance, mas também na história de um homem encontrando um espaço onde se sente confortável e aceito. Por meio da culinária, ele encontra uma nova família que o acolhe do jeito que ele é. Uma leitura levinha e adorável.

Licenciado por: Seven Seas Entertainment [em inglês]

SQUARE ENIX MANGA-I Think Our Son Is Gay Vol. 1 Manga | Newbury Comics5) Uchi no Musuko wa Tabun Gay (Mangá)

Por fim, recomendo uma comédia recente e ainda em andamento sobre um adolescente gay e sua família. Os capítulos são do ponto de vista da mãe dele, que já deduziu quase tudo sobre o menino, e são pequenas doses instantâneas de fofura. Tanto a mãe quanto o irmão caçula do protagonista apoiam o rapaz em silêncio, até porque ele acha que eles não desconfiam de nada. Pouco a pouco, descobrimos mais sobre a vida deles, e a mãe também encontra chances de entender melhor o filho. É divertido e amorzinho, agora só falta ter em português!

Licenciado por: Square Enix Manga [em inglês]

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O cara da TI

Quando eu penso se houve um dia em que eu me descobri bi, acho que não existe: eu simplesmente me interessava pelas pessoas independentemente do gênero e não consigo de fato pontuar quanto tempo faz que penso dessa forma. Refletindo um pouco mais, talvez eu me encaixe como panromântico, mas não gosto muito de me colocar em caixinhas, afinal, eu sou eu; você que tá lendo é você e o que importa é todo mundo ser feliz com o que nos deixa feliz 🌈. Em 2016 eu conheci a Mari, já era fã do blog e comentava direto. Um dia disse que ia ver um anime que foidownload20210605215410 recomendado e a Mari respondeu me pedindo pra “mandar uma mensagem no Twitter me dizendo o que achei”, e esse foi o início de uma bela amizade ❤️. Conheci a Ana pouco tempo depois e alguns anos pra frente, acabei me tornando o “cara da TI” do blog, hahaha.

Falando um pouco sobre animes agora, minha história começou lá em 2011 com um amigo me mostrando uma uma cena de luta de One Piece e dias depois comecei a fazer maratonas do anime. Daí pra frente vi muitos shounens de lutinha, especialmente nos primeiros anos (e alguns animes que não sei como consegui ir até o fim), e então comecei a usar drogas mais pesadas (shounens de esporte). Com o passar dos anos assisti muita coisa diferente, alguns dos meus animes favoritos são Fullmetal Alchemist: Brotherhood, Little Witch Academia (pois adoro Harry Potter, escrito pela Emma Watson, e tudo que envolve bruxaria etc) e Haikyuu!! (obrigado, Mari!). Claro que também vi animes como Digimon (o Tamers é meu favorito de todos os tempos), Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon etc, mas não costumo contar como o início pois naquela época eu não fazia ideia da enorme cultura que envolve todo o mundo dos animes e mangás.

Fullmetal Alchemist, Volume 1 | Amazon.com.brSobre mangás, no entanto, não cheguei a ler muita coisa, mas tenho alguns mangakás favoritos: Akiko Higashimura, Naoki Urasawa, Hiromu Arakawa e Inio Asano. Também costumo ler webcomics e alguns manwhas. Nos último anos, porém, não consegui assistir tantos animes ou ler tantos mangás quanto queria, deixei muita coisa pra trás por causa do trabalho e da faculdade e acabei vendo pouca coisa, mas meu coração nunca deixou de ser otaku e aos poucos estou vendo algumas obras que deixei de ver na época do lançamento.

Antes de falar sobre as minhas obras favoritas, me permitam fazer um comentário sobre como era antes e como é hoje. Quando comecei a ver animes, ainda não tinha me entendido, então obras de Boys’ Love ou Girls’ Love eu nem me importava em procurar, não me via “nesse mundo”. Dito isso, vale dizer que minha lista é muito semelhante às da Mari e da Ana (elas me recomendam muita coisa 💜): por exemplo, amo Asagao to Kase-san, Given, Moonlight Garden, Ring My Bell e What Does The Fox Say?.

Always Human | Amazon.com.brPor outro lado, uma obra que não foi mencionada aqui, mas que eu gostaria que mais pessoas lessem é Always Human. Escrita por Ari North, é uma webcomic que se passa em um mundo futurista onde as pessoas são modificadas através de updates. A história é do estilo healing, super tranquila de ler e que te deixa com lágrimas de felicidade a cada capítulo. Uma coisa que adoro na comic é que tem uma música feita especialmente para cada capítulo, deixando você ainda mais imerso no mundo de Always Human.

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3 comentários em “Especial | Pride Month 2021: conheça a equipe do blog e 21 obras LGBTs que você não pode deixar de conferir!

  1. Boas escolhas! O anime nem sempre é um bom lugar nesse sentido, então é bom ver boas escolhas. Utena, Hoshiai no Sora e Hugtto Precure tem algumas coisas legais sobre a arbitrariedade das normas de gênero e também valem a pena

    Curtido por 1 pessoa

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